CajaSur? Ámen.

O Banco de Espanha assumiu o controle da CajaSur de Córdoba.
Porquê?
Porque a CajaSur faliu.

E não é um default pequeno: a instituição detém 16 bilhões de créditos e 24 bilhões de assets.

Segundo as contas do Banco de Espanha, CajaSur precisa de 500 milhões já, mas o resgate completo pode atingir os 2,7 bilhões de Euros.
El País:

CajaSur ontem escolheu o suicídio. O Conselho de Administração da caixa fundada e controlada pela Igreja Católica rejeitou a fusão com a Unicaja (a primeira caixa de Andaluzia) e optou por ser administrada pelo Banco da Espanha.

Igreja Católica?
Ah, pois: quem fundou e dirigiu a Caja foi o Vaticano. Que agora é alvo de criticas, bastante pesadas também. Ainda El País:

A intervenção de CajaSur é uma péssima notícia para a economia espanhola, para a dívida soberana, para o Governo e, naturalmente, para o sistema financeiro.

Os pessimistas que previam que as falhas das instituições financeiras para a bolha imobiliária agora irão dizer que estavam certos, que o sistema financeiro espanhol tem mais problemas do que admite. No entanto, a situação não é comparável à que foi vivida no Reino Unido, EUA., Holanda ou Irlanda, onde quebraram os bancos muito mais importantes. CajaSur representa apenas 0,6% dos activos do sector.

E mesmo assim, o efeito de preferir uma ajuda a uma fusão com Unicaja pode ter consequências graves para a situação de tensão enfrentada pelos mercados internacionais: pode causar um efeito dominó sobre o sector financeiro e até mesmo na já difícil situação fiscal. É provável que na próxima semana aumentem os problemas da dívida espanhola. Portanto, a decisão do padre-conselheiro para solicitar a intervenção do Banco de Espanha é de enorme irresponsabilidade.

A situação da entidade, praticamente falida, revela o anacronismo duma Igreja que controla uma instituição de poupança com 19.000 milhões em activos e 14,5 mil milhões em depósitos.

Agora é o pior: pagar os erros de gestão CajaSur, com um buraco imobiliário e de morosidades perto de 2.000 milhões de euros. O supervisor tem a opção de cortar a entidade, com um maior custo em termos de trabalho: seja com for, são péssimas notícias para Zapatero, os bancos espanhóis e talvez até mesmo para o Euro.

Assim, aumentam as crescentes preocupações acerca do estado vacilante da Espanha, o que faria passar  para uma brincadeira a tragédia grega.

CajaSur é o segundo banco espanhol que “explode” em pouco mais de 12 meses: o último, em Março de 2009, foi a Caja Castilla-La Mancha (que foi bem maior: 9 bilhões de custos para o Estado, créditos de 19,5 bilhões e 17,3 bilhões de depósitos).

Aparentemente as Bolsas repararam no pequeno problema de Córdoba só agora:
Italia MIB -3,3%
Espanha IBEX -2,23%
Alemanha DAX -1,36%
Futures Dow Jones além de -1%
Euro novamente em queda vertical

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Obrigado!

Fontes: Il Grande Bluff, El País
Tradução: Massimo De Maria 

One Reply to “CajaSur? Ámen.”

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