Acabou o G8 em Canada. Aproveitamos para fazer um resumo do que aconteceu.
Começamos pelo fim, isso é, a declaração que fechou os trabalhos.
No comunicado é possível ler que a economia global permanece frágil e vulnerável.
Não era preciso ir até Toronto para fazer uma afirmação como esta, mas vamos em frente.
O G8 vislumbra graves ameaças para a paz, em particular por causa do programa nuclear do Irão e os ataques navais da Coreia do Norte. O perigo é a “proliferação das armas de destruição maciça” é possível ler no comunicado.
Ataques navais, armas de destruição maciça, Irão, Coreia…não esqueceram ninguém? Temos a impressão de alguém ter ficado de fora mas quem?
Ah, pois: Israel.
Mas Tel Aviv não passou inobservada: o G8 falou forte e claro.
O G8 pede que seja modificado o regime de embargo em Gaza e a imediata libertação do cabo israelita Gilad Shalit.
Reparem nos tons: “Condenação muito veemente” para a Coreia; efectuar uma “libertação imediata” para os chefes da Palestina; um pedido para que as condições do lager de Gaza sejam melhoradas para Israel.
Também no G8 a lei é igual para todos: o problema é que alguns são mais iguais do que outros.
Em frente.
O G8 espera que o governo de Kabul esteja pronto para demonstrar segurança e poder no vértice de Julho, de forma que os Estados Unidos possam começar o retiro das tropas em 2011.
Após o Iraque, agora é o Afeganistão, finalmente livre de problemas graças à implementação da democracia. Missão acabada com glória…de quem? Esta é a dúvida.
E Bin Laden? Não, agora o inimigo nº 1 está no Irão, palavra de Israel.
E os outros terroristas? Também, todos no Irão. Provavelmente alugaram um autocarro.
Acabou.
Só isso? Sim, nada mais.
Alguém, inocentemente, pode avançar com algumas perguntas: dois dias só para exprimir estas três banalidades?
Ehhhhh, sim, mas enfim, não foi fácil, foi preciso analisar, discutir, escolher, decidir, voltar a analisar…são coisas complicadas, sem dúvida.
E quanto custou a brincadeira? 770 milhões de Euros?!?!?
Ehhhhh, sim, mas sabem como é, há os convidados, os observadores, os jornalistas, os amigos, os curiosos, é muita gente que trabalha e trabalha e trabalha…
Mas com a tecnologia hoje à disposição não seria possível organizar estas cimeiras duma forma mais prática e também económica? Há as vídeo-conferências, por exemplo, muito utilizadas entre os privados. Seria possível organizar não uma mas duas ou três cimeiras por semana com o custo dum telefonema ou pouco mais.
Ehhhh , sim, também isso é verdade, mas uma coisa é olhar uma pessoa olhos nos olhos, outra coisa é uma vídeo-conferência, as banalidades assim ficam mais “oficiais”, com um vídeo tudo fica assim frio…
Mas como é poss…
Eh não, agora basta! Este foi o G8, a cimeira das economias mais desastradas do planeta, não uma brincadeira qualquer. Houve pessoas que trabalharam para redigir um comunicado assim inútil e banal, não foram até Toronto de férias ou só para gastar tempo e dinheiro, foram em Toronto para fazer coisas que poderiam ter feito ficando nos próprios Países, ora essa.
Um pouco de respeito.

