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Genial, não é? Não? Ok, então nada. Vamos em frente.
Fecharam as mesas de voto e os resultados foram os seguintes:
- Dilma Rousseff 46,89%
- José Serra 33,10%
- Marina Silva 19,34%
O que implica uma segunda volta, no próximo dia 31 de Outubro.
Para Dilma, desde o primeiro momento do pós-votação, ficou claro que algo estava errado.
Um exit poll, lançado com forte atraso, dava uma vitória com 51% das preferências mas com uma margem de erro de 2 pontos percentuais. E enquanto chegavam os resultados tornava-se claro que para Dilma Rousseff não havia a possibilidade de atingir a maioria de 50%: os adversários ultrapassavam os resultados previstos pelas sondagens, com particular destaque para a representante dos Verdes que alcançava quase o 20%.
Para o PT, o que aconteceu nas urnas é um duro golpe, pois o partido fundado pelo presidente-trabalhador em 1980 estava francamente optimista, e apostava na Rousseff como primeira mulher presidente do Brasil desde a primeira volta.
Na queda de consentimento para a Dilma parece ter pesado o desempenho muito forte de Marina Silva: nos debates eleitorais no início da noite, os analistas perguntavam se o Brasil está à porta duma nova “vaga verde” liderada pela antiga ministra do Meio Ambiente. As primeiras análises dos votos realçam o impacto resultante dum recente escândalo de corrupção que, há poucos dias, envolveu o braço direito e chefe de gabinete da Dilma Rousseff, Erenia Guerra.
Admitimos: apresentar-se nas eleições com um braço direito corrupto não é a melhor das ideias.
Também deve ser tido em conta o peso que, aparentemente, teve nos últimos dias o atrito entre a Rousseff e a comunidade evangélica, particularmente acentuada no Brasil, por causa duma certa ambigüidade da candidata do Pt acerca de assuntos quais o aborto e o casamento gay.
Esta primeira volta das eleições 2010 termina com uma grande decepção para Dilma e Lula: o qual, no entanto, terá que responder às críticas para ter apostado tudo na Rousseff, candidata que chumbou o primeiro grande objectivo.
Nas primeiras declarações, Dilma Rousseff mantém o optimismo:
(Gostaria de) dizer que nós somos bastante guerreiros, nós somos acostumados a desafios e somos de chegada. Tradicionalmente, a gente tem desempenhado muito bem no segundo turno.
A candidata do Pt ressaltou a eleição de “absoluta normalidade” e disse que terá mais oportunidade de detalhar as suas propostas nas próximas semanas para erradicar a miséria e manter o crescimento do País.
Prometeu conversar “com todos os representantes da sociedade civil que queiram estabelecer esse diálogo connosco”.
Começo agradecendo a todos os brasileiros e brasileiras que votaram em mim nesse primeiro turno. Agradeço aos mais de 46 milhões de votos e me sinto muito honrada com isso. Considero essa campanha um momento especial na minha vida. Vou encarar esse segundo turno com muita garra e com muita energia. Amanhã, vai começar essa segunda etapa e, para mim, foi um momento muito importante ter conseguido chegar até aqui
Dilma não respondeu a perguntas dos jornalistas e disse que concederá entrevista colectiva no dia de hoje.
Satisfeito também o segundo candidato, José Serra:
Minhas primeiras palavras são de profundo agradecimento ao povo brasileiro pela força que me deu nesta eleição. Estou muito feliz, mas não surpreendido porque sabia da força que o povo ia nos dar hoje
Não foram as pesquisas, foi o povo brasileiro que me trouxe até aqui
E lembrou as que escolheu como palavras de ordem:
A liberdade de imprensa, o respeito aos poderes em sua integridade e forma, e construir uma economia forte que garanta o emprego
Após as promessas de costume (e sem excesso de fantasia: “um Brasil, forte, generoso, com mais segurança e menos miséria), prometeu empenhar-se na segunda volta:
Vamos à luta e vamos à vitória com os mesmos ideais democráticos que nos trouxeram até aqui. de mãos dadas, com a cabeça erguida e o coração leve vamos caminhar para a vitória, com o coração verde-amarelo, pela Presidência e pelo Brasil
Satisfação ainda maior a de Marina Silva que, contra as previsões, recolheu um quinto dos votos do Brasil. E que fazer agora?
O partido vai ter que fazer uma discussão nas suas instâncias e, por respeito, aos que fizeram aliança com connosco vão ter que também convida-los para debater as nossas posições. A nossa posição mais importante já está colocado: é a nossa plataforma.
E no segundo turno: o apoio é para Dilma ou Serra?
A nossa decisão será uma decisão que não tem nada a ver com a velha política que se apressa em manifestar uma posição só para vislumbrar pontos lá na frente. Nós queremos um diálogo com o Brasil que interessa e vamos abrir um processo no nosso partido e com os núcleos vivos da sociedade que nos apoiaram, os empresários modernos, os professores e a intelectualidade
A ver vamos o que acontecerá no último dia deste mês.
Ipse dixit.
Fontes: Corriere della Sera, Reuters, O Globo




