Sol, Lua e Clima

Está frio.

Talvez não em São Paulo ou Rio, mas acreditem: na outra metade do mundo está mesmo frio.
Óbvio: é o aquecimento global.

Desde que estou em Portugal, este deve ser o Inverno com as temperaturas mais baixas.
Natural: culpa do CO2 e do efeito estufa.

Tanto frio que na Europa já muitos aeroportos tiveram que fechar.
Lógico: a temperatura média continua a subir.

Os meus conhecimentos acerca da meteorologia e clima são extremamente limitados: olho com suspeita para os trovões, desconfio do granizo.
Para mim, mente simples, com o sol e vontade dum gelado penso: está calor. Perante neve e vontade dum chocolate quente penso: está frio.

Mas agora estou com problemas, pois olho para a neve e oiço dizer: uh, que calor!
E o meu pequeno mundo fica do avesso.

As análises de Corbyn

Piers Richard Corbyn é meteorologista e astrofísico inglês.
Começou a ocupar-se do clima quando tinha 15 anos e no Imperial London College foi colega de Brian May, o guitarrista dos Queen (Ph.D em astrofísica: quem diria?).
Mais tarde dedicou-se às previsões meteorológicas e ao estudo do clima.

E aqui a coisa fica interessante: Corbyn afirma que o planeta não está mais quente e que a actividade humana na prática não tem impacto sobre o clima.

Vale a pena tentar segui-lo.

Corbyn começa com uma constatação: ao comparar a atmosfera com a altura do Big Ben de Londres (316 feet), o dióxido de carbono ocupa pouco mais de uma polegada.
Pouco.

E ainda menor é a contribuição do homem neste sentido: um milímetro.
Pouco mesmo.

Mas esperem: então as temperaturas que sobem, o planeta que aquece?
Pergunta Corbyn: aonde? Pelo contrário: as temperaturas descem!

Eis o quadro das temperaturas actuais comparadas com as previsões do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, um órgão aberto aos Países membros do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM):

(clicar para ampliar!)

Segundo esta tabela, o nível de CO2 aumenta e a temperatura baixa, apesar das previsões do IPCC.
Mas como seria possível para uma instituição da ONU apresentar dados falsos?

Em verdade, explica Corbyn, os dados não são “falsos”, mas “distorcidos”, o que é diferente.
Na prática, o IPCC teria deixado de considerar os valores de algumas estações meteorológicas da Sibéria, cujos dados não ajudavam a teoria do aquecimento global.

A partir de 1990, de facto, a temperatura média global subiu segundo os dados do IPCC; mas o mesmo órgão “esqueceu” de referir que os valores de boa parte das estações russas já não eram considerados. E, como referido, não eram estações aleatórias: eram as estações da Sibéria, uma das áreas mais frias do planeta.
Na verdade, sempre segundo o cientista, os actuais valores da temperatura são até inferiores aos de épocas históricas. O seguinte gráfico mostra a média actual (linha vermelha) e altura em que a temperatura atingiu picos maiores (áreas verdes):
 

Como é possível observar, ao longo da Idade Média a temperatura foi superior, atingindo uma média de quase 10ºC. Situação interrompida pelo mínimo de Spürer (1400-1500) e, a seguir, pela pequena glaciação dos séculos XVII e XVIII.

Ao analisar os dados das épocas mais remotas, estes mostram uma realidade desconcertante:

A temperatura do planeta atingiu médias na ordem dos 22ºC. Aliás, segundo a tabela de Corbyn estamos a viver numa das altura mais frias, pois os valores normais seriam mais altos.

O que é particularmente evidente é o facto da percentagem de dióxido de carbono presente na atmosfera não influenciar de maneira nenhuma a temperatura: não existe alguma correlação. E estamos a falar de enormes quantias de carbono, em muito superiores aos actuais valores.

Corbyn analisa também os níveis do gelo no Árctico.
No seguinte gráfico, provavelmente desenhado pelo seu neto de 4 anos, os valores da camada de gelo da Islândia, em metros cúbicos, nos últimos séculos:

Também o número e a intensidade dos furacões do Oceano Atlântico não aumentou: o que subiu foi a cobertura mediática de tais acontecimentos:

A teoria
Mas se as observações de Corbyn estiveram correctas, sobra uma pergunta: o que influencia o clima? Porque, por exemplo, variações tão significativas desde a Idade Média até hoje?
O cientista individua outro responsável: o Sol.
Corbyn afirma que as variações das temperaturas são correlacionadas com a alteração da actividade solar.
No seguinte gráfico, por exemplo, é possível notar como, no período 1868 – 1998, os valores magnéticos alterados tiveram repercussões nas temperaturas medidas:
E não falamos em raios cósmicos ou na intensidade da luz: fala-se mesmo da actividade magnética. 
À qual Corbyn acrescenta outro factor que participa nas alterações: a modulação lunar. O nosso satélite também teria um papel nas condições do campo magnético terrestre e, consequentemente, no clima; por isso Corbyn individua três ciclos:
Temperaturas da Terra = Actividade Solar + Campos Magnéticos + Modulação Lunar
A Actividade Solar tem um ciclo de 11 anos; os Campos Magnéticos terrestres 22 anos, enquanto a Modulação Lunar 9,3 e 18,6 anos.
Estes são os padrões que Corbyn utiliza nas próprias previsões meteorológicas, publicadas no site Weather Action. E não é que o fulano acerta?
Fantasias? Pode ser.
Mas uma coisa é certa: Corbyn previu um Inverno muito frio. E eu não tenho vontade dum gelado.   
Nota: esta, como é óbvio, é uma esquematização extrema da teoria de Corbyn: para informações mais completas aconselho visitar o site dele (em Inglês), Weather Action.
Ipse dixit.

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