Covid: a origem do vírus e a Navalha de Ockham

A ideia de que o Coronavírus tenha tido uma origem artificial foi antes ridicularizada, combatida e por fim censurada pelos principais meios de comunicação e pelos amplificadores das multinacionais que se autodenominam fact-checkers, os “verificadores de factos”.

Agora a questão do papel do Instituto de Virologia de Wuhan está ganhar outra vez importância e não faltam artigos e opiniões, mesmo por parte de altos funcionários americanos da Saúde. É o caso do antigo Director do CDC, Robert Redfield, e das suas afirmações feitas à CNN. Redfield acredita que o Coronavírus pode ter escapado do Instituto de Virologia de Wuhan já em Setembro de 2019:

Continuo a pensar que a etiologia mais provável deste patogénico em Wuhan é … escapar de um laboratório. Outras pessoas não acreditam nisso, tudo bem. A ciência acabará por descobrir. […] Não é raro os agentes patogénicos respiratórios que são trabalhados em laboratórios infectarem o trabalhador do laboratório. […] Isto não implica qualquer intencionalidade. É essa a minha opinião, não é? Mas eu sou virologista. Passei a minha vida na virologia.

Agora é a vez do prestigiado Bulletin of Atomic Scientists, uma revista que trata de questões de segurança global e de política pública, particularmente em relação aos perigos colocados pelas armas nucleares e outras armas de destruição maciça. O Bulletin foi fundado pelos cientistas que construíram as primeiras bombas atómicas, na sequência da destruição de Hiroshima e Nagasaki. Falamos aqui de Eugene Rabinowitch, Hyman Goldsmith, Max Born, E.U. Condon, Albert Einstein, J. Robert Oppenheimer, Lord Boyd Orr, Michael Polanyi, Bertrand Russell, Nikolay Semyonov, Leó Szilárd entre muitos outros. O famoso “Relógio do Juízo Final”, onde estamos sempre a poucos minutos da aniquilação termonuclear, é um criação do Bulletin.

Ou seja: o Bulletin não reúne obscuros blogueiros conspiracionistas à procura de notícias bombásticas. Reúne cientistas. E são eles que agora reconhecem:

A origem da pandemia permanece incerta: as agendas políticas dos governos e dos cientistas geraram espessas nuvens de obscurecimento, que a grande imprensa parece incapaz de dissipar.

Escreve Nicholas Wade:

Como a maioria das pessoas sabe, existem duas teorias principais sobre a sua origem. Uma delas é que passou naturalmente da vida selvagem para as pessoas. A outra é que o vírus estava a ser estudado num laboratório, do qual escapou. É muito importante entender esta questão se esperamos evitar um segundo evento deste tipo.

Este deve ser o ponto de partida: perceber se o SARS-CoV-2 foi um acidente da Natureza ou um erro laboratorial não é apenas uma questão de mera curiosidade mas é fundamental para poder prevenir novas eventuais situações pandémicas. Acho que acerca disso estamos todos de acordo.

Continua Wade:

Wuhan é o lar do Instituto de Virologia de Wuhan, um dos principais centros mundiais de investigação de Coronavírus. Assim, a possibilidade do vírus ter escapado do laboratório não deve ser excluída. Haveria dois razoáveis cenários de origem na mesa.

Wade lembra o grupo de virologistas que, mesmo antes dos lockdowns, já estavam a atacar os teóricos da conspiração: “Estamos unidos para condenar fortemente as teorias da conspiração que sugerem que a Covid-19 não tem origem natural”, escreveram os cientistas na revista Lancet a 19 de Fevereiro de 2020, concluindo “que este coronavírus teve origem na vida selvagem”. Seguiu-se um apelo para ficar todos ao lado dos cientistas chineses.

Escreve agora o Bulletin:

Ao contrário do que os autores da carta afirmam, a ideia de que o vírus poderia ter escapado de um laboratório evocou um acidente, não uma conspiração. Com certeza que deveria ter sido explorada, não rejeitada a priori. Uma característica dos bons cientistas é que se esforçam ao máximo para distinguir entre o que sabem e o que não sabem. Segundo este critério, os signatários da carta do Lancet estavam a agir como pobres cientistas: estavam a assegurar ao público factos que não podiam saber com certeza se eram verdadeiros.

Mais tarde descobriu-se que a carta do Lancet tinha sido redigida por Peter Daszak, presidente da Aliança EcoHealth, que tinha financiado – surpresa! – a investigação sobre o coronavírus no Instituto de Virologia de Wuhan.

Se o vírus SARS-CoV-2 tivesse de facto escapado à investigação por ele financiada, Daszak seria potencialmente culpado. Este agudo conflito de interesses não foi declarado aos leitores do Lancet. Em vez disso, a carta concluía: “Não declaramos interesses concorrentes”.

E este nem seria o único conflito de interesses de Daszak, uma vez que o mesmo relata com entusiasmo, em finais de 2019, como seja fácil e bonito alterar geneticamente os coronavírus. De facto, Daszak estava na missão da OMS (Organização Mundial da Saúde) à China, aquela missão que ficou duas ou três horas nos laboratórios de Wuhan, que Daszak conhecia muito bem, e que depois calmamente saiu para anunciar ao mundo que o vírus não tinha fugido daquele laboratório.

É toda a casta dos virologistas que está a ser desafiada pelo desastre da Covid:

Virologistas como Daszak tinham muito em jogo na atribuição das culpas pela pandemia. Durante 20 anos, na sua maioria aos olhos do público, tinham estado a jogar um jogo perigoso. Criavam rotineiramente nos seus laboratórios vírus que eram mais perigosos do que os que existiam na Natureza. Afirmavam que poderiam fazer tudo em segurança e que, ao anteciparem a Natureza, poderiam prever e prevenir “repercussões” naturais, a passagem de vírus de um hospedeiro animal para as pessoas. Se o SARS-CoV-2 tivesse realmente escapado duma tal experiência laboratorial, poderia ter sido esperada uma reacção selvagem e uma tempestade de indignação pública a atingir virologistas em todo o lado, e não apenas na China.

Por qual razão, perante estas irregularidades, a comunidade científica manteve-se tão silenciosa? Continua Wade:

Nas universidades de hoje, o discurso pode sair muito caro. As carreiras podem ser destruídas ao sair da linha. Qualquer virologista que questione a opinião da comunidade corre o risco de ver o seu próximo pedido de subsídio rejeitado pelo grupo de colegas virologistas que aconselham a agência governamental de distribuição de subsídios.

Os investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan, liderados pela maior especialista chinesa em vírus de morcegos, Shi Zheng-li também conhecida como Bat Lady, tinham organizado frequentes expedições nas cavernas infestadas de morcegos em Yunnan, no sul da China, e recolhido cerca de uma centena de coronavírus de morcegos diferentes.

Shi colaborou então com Ralph S. Baric, um eminente investigador do coronavírus na Universidade da Carolina do Norte. O seu trabalho centrou-se no reforço da capacidade dos vírus de morcego para atacar seres humanos, a fim de “examinar o potencial de emergência (isto é, o potencial de infectar seres humanos) dos coronavirus circulantes dos morcegos”.

Para perseguir este objectivo, em Novembro de 2015 criaram um novo vírus, tomando a espinha dorsal do vírus SARS1 e substituindo a sua proteína spike por uma de um vírus de morcego (conhecido como SHC014-CoV). Este vírus criado foi capaz de infectar células das vias aéreas humanas, pelo menos quando testado numa cultura laboratorial de tais células.

O vírus SHC014-CoV / SARS1 é conhecido como uma quimera porque o seu genoma contém material genético de duas estirpes de vírus.

Se o vírus SARS-CoV-2 tivesse sido inventado no laboratório de Shi, o seu protótipo directo teria sido a quimera SHC014-CoV / SARS1, cujo potencial perigo tem preocupado muitos observadores e provocado intensas discussões.

Foram os receios mais tarde expressos pela revista Nature.

No Instituto de Virologia de Wuhan, Baric tinha desenvolvido e ensinado a Shi um método geral de engenharia de coronavírus de morcegos para atacar outras espécies. Os alvos específicos eram células humanas cultivadas e ratos humanizados. Estes ratos de laboratório, um substituto barato e “ético” para sujeitos humanos, são geneticamente concebidos para transportar a versão humana de uma proteína chamada ACE2 que fixa a superfície das células que revestem as vias respiratórias.

O trabalho de Bat Lady foi financiado pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID), a agência de saúde dos EUA chefiada por Anthony Fauci. As propostas de subvenção que financiaram o trabalho (estes são dados públicos) especificam exactamente o que ela pretendia fazer com o dinheiro. As subvenções foram concedidas ao contratante principal, o omnipresente Daszak da EcoHealth Alliance, que as subcontratou depois à Bat Lady Shi.

Nos documentos de financiamento público dos EUA pode ler-se que as experiências se destinavam:

A testar as previsões de transmissão inter-espécies de CoV. Modelos preditivos da gama de hospedeiros (ou seja, potencial de emergência) serão testados experimentalmente usando genética inversa, ensaios de ligação de pseudovírus e receptores, e experiências de infecção viral numa gama de culturas celulares de diferentes espécies e ratos humanizados.[…] Utilizaremos dados de sequências da proteína S, tecnologia de clonagem infecciosa, experiências de infecção in vitro e in vivo e análise de ligação de receptores para testar a hipótese de que os limiares de divergência % nas sequências da proteína S prevejam o potencial de extravasamento.

Complicado? Explica o Bulletin: isso significa que Bat Lady se tinha proposto criar novos coronavírus com a maior infecciosidade possível para as células humanas.

Ela inseriria estes genes spike um a um na espinha dorsal de uma série de genomas virais (“genética inversa” e “tecnologia de clonagem infecciosa”), criando uma série de vírus quiméricos. Estes vírus quiméricos seriam então testados quanto à sua capacidade de atacar culturas de células humanas (“in vitro“) e ratos humanizados (“in vivo“). E esta informação ajudaria a prever a probabilidade de “alastramento”, o salto de um coronavírus de morcegos para pessoas”.

Esta abordagem pode ter gerado um vírus tipo SARS-CoV-2? Sim. De facto, pode ter criado o próprio vírus SARS2-CoV-2 com a combinação certa de espinha dorsal do vírus e proteína spike.

Afirma Richard H. Ebright, biólogo molecular da Universidade Rutgers e um dos principais especialistas em biossegurança:

É evidente que o Instituto de Virologia de Wuhan estava sistematicamente a construir novos coronavírus quiméricos e a avaliar a sua capacidade de infectar células humanas e ratos que exprimem ACE2. […] É também claro que, dependendo dos contextos genómicos constantes escolhidos para análise, este trabalho pode ter produzido o SARS-CoV-2 ou um progenitor próximo do SARS-CoV-2.

Conclui o Bulletin:

O cenário de fuga do laboratório para a origem do vírus da SARS-CoV-2, como já deveria ser evidente, não é um simples aceno de mão na direcção do Instituto de Virologia de Wuhan. É uma proposta detalhada, baseada no projecto específico financiado pelo NIAID.

E NIAID significa Anthony Fauci.

Não é a primeira vez que um vírus escapa de um laboratório. Pelo contrário, há vários casos. O vírus da varíola, por exemplo, escapou dos laboratórios da Inglaterra três vezes nos anos ’60 e ’70, causando 80 infecções e 3 mortes. Desde então, vírus perigosos têm escapado dos laboratórios quase todos os anos. Em tempos mais recentes, o vírus SARS1 provou ser um verdadeiro artista das fugas, escapando de laboratórios em Singapura, Taiwan e não menos de quatro vezes do Instituto Nacional Chinês de Virologia em Pequim.

Experiências de ganho de função genética do coronavírus SARS teriam sido realizadas nos laboratórios BSL-2 em Wuhan, ou seja, com um patamar de segurança dois níveis abaixo do necessário para doenças para as quais não existem vacinas ou curas.

Wade lembra que os cientistas não gostam de trabalhar em laboratórios BSL-4, porque são obrigados a utilizar fatos “espaciais”. E explica o virologista Ebright:

É evidente que alguns ou todo este trabalho estava a ser realizado utilizando um padrão de biossegurança – nível de biossegurança 2, o nível de biossegurança de um consultório dentário padrão dos EUA – que representaria um risco inaceitavelmente elevado de infecção do pessoal de laboratório em contacto com um vírus com as propriedades de transmissão da SARS-CoV-2

A preocupação com as condições de segurança no laboratório de Wuhan tinha também surgido numa ficha informativa divulgada pelo Departamento de Estado a 21 de Janeiro de 2021:

O governo dos EUA tem razões para crer que vários investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan adoeceram no Outono de 2019, antes do primeiro caso identificado do surto, com sintomas consistentes tanto com a Covid-19 como com doenças sazonais comuns.

Em suma, as provas disponíveis inclinam-se mais fortemente numa direcção do que na outra. Os Leitores formarão as suas próprias opiniões. E conclui Ebright:

Parece-me que os proponentes da fuga do laboratório podem explicar muito mais facilmente todos os factos disponíveis sobre o SARS-CoV-2 daqueles que favorecem a emergência natural. Está bem documentado que os investigadores do Instituto de Virologia de Wuhan estavam a realizar experiências de ganho de função concebidas para que os coronavírus infectassem células humanas e ratos humanizados. Este é exactamente o tipo de experiência da qual pode ter surgido um vírus tipo SARS-CoV-2. Os investigadores não foram vacinados contra os vírus em estudo e trabalhavam nas condições mínimas de segurança de um laboratório BSL2. Assim, a fuga de um vírus não seria de modo algum surpreendente.

Por toda a China, a pandemia irrompeu à porta do Instituto Wuhan. O vírus já estava bem adaptado aos humanos, como se esperava de um vírus cultivado em ratos humanizados. Possuía um melhoramento incomum, um sítio de clivagem da pele, que não é possuído por nenhum outro beta-coronavírus conhecido relacionado com a SARS, e este sítio incluía um duplo códão arginino desconhecido mesmo entre os beta-coronavírus.

Finalmente, uma palavra para a espiral de silêncio que envolve a origem do vírus. O encobrimento, entende-se, não beneficia apenas a China, mas também os EUA.

O governo dos EUA partilha um estranho interesse comum com as autoridades chinesas: nenhum deles está interessado em chamar a atenção para o facto de que o trabalho sobre o coronavírus de Shi foi financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA. Anthony Fauci é um funcionário público de longa data que serviu sob o Presidente Trump e reassumiu a liderança na Administração Biden ao lidar com o surto de Covid-19. O Congresso dos EUA, sem dúvida compreensivelmente, pode ter pouco desejo de arrasta-lo nas brasas pelo aparente erro de julgamento no financiamento do ganho de funções da investigação em Wuhan.

Os meios de comunicação social ficam calados devido à “migração para a esquerda do espectro político” numa veia anti-Trump, o único que tinha levado a sério a hipótese do vírus ter escapado do laboratório. Mas também não podemos esquecer o silêncio cúmplice dos virologistas.

Conclui o Bulletin:

As pessoas de todo o mundo que têm estado praticamente confinadas nas suas casas durante o último ano podem querer uma resposta melhor daquela que os meios de comunicação social lhes estão a dar.

Ok, ok… vamos resumir:

  • num laboratório chinês opera Bat Lady, uma das maiores especialistas mundiais em morcegos
  • os EUA financia a pesquisa de Bat Lady para tornar geneticamente mais agressivo um vírus de morcego
  • no mercado da mesma cidade chinesas aparece misteriosamente uma doença provocada por um vírus de morcego
  • ainda antes da doença alastrar pelo mundo todo, das páginas do Lancet um dos financiadores de Bat Lady grita “Conspiracionistas!” e mente acerca do seu conflito de interesses
  • o mesmo financiador faz parte da missão da OMS que controla o laboratório chinês : “Tudo bem, o laboratório é seguro”.

Dúvidas?

Os militares e a navalha

Em Janeiro de 2021, o Departamento de Estado dos EUA publicou um interessante Fact Sheet (uma “ficha informativa”) com o título de Actividade no Instituto de Virologia de Wuhan. Aqui vai um resumo:

O governo dos EUA tem razões para crer que vários investigadores dentro do Instituto de Virologia de Wuhan (WIV) ficaram doentes no Outono de 2019, antes do primeiro caso identificado do surto, com sintomas consistentes tanto com a Covid-19 como com doenças sazonais comuns. Isto levanta questões sobre a credibilidade da alegação pública da investigadora sénior do WIV, Shi Zhengli, de que havia “infecção zero” entre o pessoal do WIV e os estudantes de vírus relacionados com a SARS-CoV-2.

Infecções acidentais em laboratórios causaram vários surtos anteriores de vírus na China e noutros locais, incluindo um surto da SARS de 2004 em Pequim que infectou nove pessoas, matando uma.

O PCC [Partido Comunista Chinês, ndt] impediu que jornalistas independentes, investigadores e autoridades sanitárias globais entrevistassem os pesquisadores do WIV, incluindo os que estiveram doentes no Outono de 2019. Qualquer inquérito credível sobre a origem do vírus deve incluir entrevistas com estes pesquisadores e uma contabilidade completa de doenças anteriormente não relatada.

Com início pelo menos em 2016 – e sem indicação de paragem antes do surto da Covid-19 – os investigadores do WIV conduziram experiências envolvendo RaTG13, o coronavírus do morcego identificado pelo WIV em Janeiro de 2020 como a sua amostra mais próxima do SARS-CoV-2 (96.2% semelhante). O WIV tornou-se um ponto focal da investigação internacional sobre o coronavírus após o surto da SARS de 2003 e desde então tem estudado animais incluindo ratos, morcegos e pangolins.

O WIV tem um registo publicado da realização de investigação de “ganho de funções” para engendrar vírus quiméricos. Mas o WIV não tem sido transparente ou consistente no seu registo de estudo de vírus mais semelhantes ao vírus da Covid-19, incluindo o RaTG13, que amostrou de uma caverna na província de Yunnan em 2013, após vários mineiros terem morrido de doença semelhante à SARS.

Os investigadores da OMS devem ter acesso aos registos do trabalho do WIV sobre morcegos e outros coronavírus antes do surto da Covid-19. Como parte de um inquérito exaustivo, devem ter uma contabilidade completa das razões pelas quais o WIV alterou e depois removeu registos online do seu trabalho com o RaTG13 e outros vírus.

Apesar do WIV se apresentar como uma instituição civil, os Estados Unidos determinaram que o WIV tem colaborado em publicações e projectos secretos com os militares da China. O WIV tem vindo a desenvolver investigação classificada, incluindo experiências em animais de laboratório, em nome dos militares chineses, desde pelo menos 2017.

Os Estados Unidos e outros doadores que financiaram ou colaboraram na investigação civil no WIV têm o direito e a obrigação de determinar se algum dos nossos financiamentos para investigação foi desviado para projectos militares secretos chineses no WIV.

As revelações de hoje apenas riscam a superfície do que ainda está escondido sobre a origem da Covid-19 na China. Qualquer investigação credível sobre a origem da Covid-19 exige o acesso completo e transparente aos laboratórios de investigação em Wuhan, incluindo as suas instalações, amostras, pessoal, e registos.

Meus senhores, chamem-me de “conspiracionista” mas aos meus olhos a equação “Instituto de Virologia de Whaun = Pandemia” parece perfeitamente óbvia. A dúvida é acerca da voluntariedade. Foi uma contaminação acidental do ambiente exterior? É possível: vimos como no passado exemplos neste sentido não faltem.

Vice-versa, a ideia duma contaminação voluntária até hoje não tem provas que possam servir como base. E isso deve ser mantido em conta.

Pessoalmente a minha preferência vai para o “acidental”. Explico: o SARS-CoV-2 é todo somado um vírus banal. Na China o numero de vítimas foi relativamente baixo: Podemos pensar numa censura por parte do governo de Pequim? Faria sentido. Todavia, se o SARS-CoV-2 original (aquele fugido do laboratório) tivesse sido um vírus “sério”, teria começado a provocar estragos no Oriente: Japão, Índia e arredores. Mas não foi o que aconteceu.

Pelo contrário: foi precisa a chegada na Europa e, possivelmente, o surgimento duma nova variante para que o SARS-CoV-2 ganhasse uma dimensão global. Isso significa que o vírus original não era suficientemente “forte”. Então, uma manobra intencional deveria ter confiado numa “evolução” natural do SARS-CoV-2 para tornar-se uma verdadeira “arma”. Mas uma “arma” que tem que confiar nos caprichos da Natureza para tornar-se efectiva é pouca coisa.

Obviamente isso não exclui um sucessivo aproveitamento da Covid-19 para fins políticos. E nem pode excluir que algo tenha acontecido durante a fase de “distribuição” do vírus: o SARS-CoV-2 que chegou na Europa era exactamente o mesmo SARS-CoV-2 fugido de Wuhan?

Todavia, estas são especulações: até podem ter um sentido mas estão baseadas no nada. Pelo contrário, a origem laboratorial do SARS-CoV-2 satisfaz a Navalha de Ockham: perante múltiplas explicações adequadas e possíveis para o mesmo conjunto de factos, deve-se optar pela mais simples, aquela que contiver o menor número possível de variáveis e hipóteses com relações lógicas entre si, das quais o facto a ser explicado segue logicamente. E o facto que o SARS-CoV-2 tenha saído do laboratório de virologia de Wuhan é a explicação mais simples.

 

Ipse dixit.

3 Replies to “Covid: a origem do vírus e a Navalha de Ockham”

  1. O que fica claro é o conflito de interesses, apontar conclusões ou especulações em múltiplas direções, ou seja, alimentar confusão. Porque?
    Se tudo fosse acidente, ou coisa natural não haveria razão para tanto ocultamento.
    Se é uma ideia conspiracionista, que seja, o que mais há são conspirações.
    Os laboratórios criam adicionais a vírus para conseguir a maior infeciosidade possível em seres humanos. São máquinas de guerra, cujas armas são guardadas para uso quando convém. Melhorias para a humanidade são trabalhos ocasionais e para enganar seus objetivos reais.
    Então fez-se oportuno o momento, a conveniência de resetar o modo de vida coletivo, aumentar o individualismo, o isolacionismo, a censura, a solidão, o caos mental, o medo, o pânico. Tudo isso favoreceria, como de fato está favorecendo a tomada de decisões políticas e econômicas impossíveis de serem admitidas pelo cidadão comum.
    E a vacina nada mais é que a guerra concorrencial entre poderosos pelos lucros que crises sempre geram para eles. Claro são provocadas para isso mesmo.

Obrigado por participar na discussão!

This site uses User Verification plugin to reduce spam. See how your comment data is processed.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: