UK: mais pobres com o confinamento

Assim como o Reino Unido envia 200 milhões de libras para ajudar nações em desenvolvimento a combater o coronavírus, e os bancos alimentares com falta de voluntários devido ao confinamento, é relatado pelo FT que o número chocante de 3 milhões de pessoas no Reino Unido vão passar fome durante o confinamento. Muitos admitem ter passado um dia inteiro sem comer nada, devido às medidas inesperadas provocadas pelo coronavírus que causa a fome nas pessoas vulneráveis e incapazes de aceder aos suprimentos alimentares essenciais.

Uma pesquisa do YouGov encomendada pela Food Foundation expõe a realidade chocante de como o bloqueio prolongado, mas necessário, juntamente com o egoísmo de algumas pessoas, está a afectar as famílias de baixos rendimentos. Além disso, a Welfare Weekly relata que – cerca de 7,1 milhões de pessoas dizem que alguém em sua casa teve que reduzir ou evitar refeições porque não podem pagar para adquirir o suficiente para o seu sustento.

Das 8,1 milhões de pessoas (16%) na Grã-Bretanha, que se acredita estarem a enfrentar insegurança alimentar durante esta crise, 21% não têm dinheiro suficiente para comprar alimentos adequados, 50% não conseguiram obter os alimentos necessários nas lojas devido à escassez e 25% não conseguiram sair de suas casas e não tinham outra forma de obter a comida que precisavam.

A Food Foundation sugere que isto pode ser um problema de curto prazo, dado que o pânico e a escassez de alimentos finalmente mostram sinais de abrandamento. Mas apenas três semanas após o confinamento, mais de três milhões de pessoas já começaram a pedir dinheiro emprestado a amigos e familiares ou a contrair empréstimos pessoais.

Sendo preocupante, que 43% dos entrevistados pelo YouGov não acreditavam que têm direito a qualquer tipo de apoio do governo para ajudá-los neste momento difícil, apesar de mais de um milhão de pessoas perderem a totalidade de sua renda.

Um porta-voz do governo disse: «A segurança pública e garantir que os mais vulneráveis ao vírus obtenham o apoio de que precisam é a nossa prioridade máxima. As pessoas devem ficar em casa, para ajudar a proteger nosso serviço nacional de saúde [o NHS em inglês, ndt] e salvar vidas. Estamos a trabalhar com a indústria de mantimentos, o governo local, a resiliência local e parceiros de emergência para garantir que os itens essenciais sejam entregues o mais rápido possível aos mais vulneráveis.”

A Food Foundation está igualmente a pedir às autoridades locais que melhorem e aumentem as estruturas de assistência social que fornecem pacotes de alimentos nutritivos para as pessoas que se auto-isolam. Também estão a pedir ao Departamento de Trabalho e Pensões [Department for Work and Pensions a sigla em inglês, ndt.] para acabar com a espera mínima de cinco semanas por um pagamento de Crédito Universal (Universal Credit pela sua sigla em inglês, ndt.), acrescentando que a opção atual de pagamentos antecipados força as pessoas a escolher entre dificuldades agora ou dificuldades mais tarde – os avanços têm que ser pagos através de deduções ao pagamento mensal de um requerente.

A fundação também está exigindo o fim do cruel limite de benefícios e um aumento do benefício infantil para os pais que estão lutando para colocar comida na mesa para os seus filhos. No entanto, a Fundação saúda o programa de reposição de refeições escolares gratuitas do Governo, o que significa que 63% dos domicílios elegíveis com crianças entre 8 e 16 anos continuarão a receber ajuda na forma de vale-alimentação.

Mas, apesar deste anúncio, ainda deixa 507.000 crianças sem as refeições escolares gratuitas nas quais confiavam antes do confinamento, e mais de 260.000 ainda não receberão o apoio necessário durante o feriado de Páscoa.

O Reino Unido enfrenta uma crise adicional de pobreza infantil elevada, com taxas que provavelmente aumentarão nos próximos meses, alertaram as instituições de caridade. As últimas estatísticas oficiais mostraram um aumento de 100.000 pessoas vivendo abaixo do limiar da pobreza antes do surto do COVID-19, que agora coloca um total de 4,2 milhões de crianças em risco. Cerca de 14,5 milhões de pessoas vivem na pobreza, incluindo 8,1 milhões de pessoas em famílias da classe trabalhadora, e 4 milhões estão em «pobreza profunda».

Além disso, cerca de um milhão de pessoas solicitaram o principal benefício de desemprego do crédito universal [Universal Credit pela sua sigla em inglês, ndt.] nas últimas semanas após perderem os seus empregos como resultado do fechamento de fábricas, lojas e empresas.

 

Fonte: True Publica

Imagem: By Line Times

2 Replies to “UK: mais pobres com o confinamento”

  1. Olá Max e todos: se na Inglaterra os pobres duvidam da ajuda do Estado, aqui eles tem certeza que além das cantadas em prosa e verso importância de 3x 600 reais por necessitado adulto, outro apoio não virá de ninguém. E a maior parte dos que teriam direito à essa esmola não têm tido acesso a ela.
    Aqui as crianças não voltarão tâo cedo às escolas, para comer, diga-se de passagem. Segundo o Ministério da Educação, tudo sob controle, as aulas são recebidas em casa virtualmente, universidades idem. Somos uma Islândia, supostamente. E as crianças que comam luz. O Ministério da Saúde está sendo questionado pela população porque em certos estados (SC) tem muita flexibilização. As pessoas andam a toa pelas ruas. Já o Ministério da Economia afirma que está tudo sob controle também. Invistam na bolsa. Qualquer dinheirinho serve para investir, eles advertem. O recado é para os pobres e classe média empobrecida fazer empréstimo, se necessário for, evitar comer e investir na bolsa. Quem sabe assim essa manada cobre um pouco dos bilhões que os ricos e classe média alta estão mandando para paraísos fiscais.
    O parlamento está se unindo numa chamada por eles de frente ampla. Ampla mesmo porque alberga velhos e novos “esquerdistas” com velhos e novos “direitistas” para “salvar” o Brazil. ( As línguas ferinas, como a minha, afirmam que é para segurar o emprego deles, e suas respectivas propinas)
    Em tempos difíceis a canalhice aumenta até em quem um dia foi uma esperança. Lula sai na defesa da “união” de todos, o povo brasileiro é solidário, uns ajudam os outros e, saindo desta tragédia pangênica o mundo será melhor porque o capitalismo está mostrando seus defeitos e terá de consertá-los.
    Enquanto isso bolsonaristas e “esquerdistas” se enfrentam nas ruas a pedradas, ( aqui a quarta guerra mundial já chegou pelo visto) os primeiros exigindo a volta à “normalidade”, nem que seja com um novo AI-5 dos militares. E os outros exigindo que o governo cumpra com o seu dever e mande máscaras, álcool gel etc para o povo se proteger…e ficar em casa.
    É tudo tão surreal, que eu fico pensando se realmente alguma coisa bem forte não contaminou todos com estupidez extrema.

Obrigado por participar na discussão!

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