As guerras do Iémene

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Quando foi a última vez que ouviram falar do Iémene? Pensem nisso.

Não conseguem lembrar? Nem nós.

Para o mundo ocidental o Iémene não existe.
Para os mais informados o Iémene fica lá no fundo, perto da Arábia; é uma ex colónia britânica, uma vez dividida em duas partes, depois houve a reunificação. Capital: Sana’a.

Outras cidades? Número de habitantes? Principais partidos políticos? Rendimento médio? Mistério.
Assim como poucas notícias chegam (quando chegam) acerca da conflito interno. Aliás: dos conflitos, pois são mais do que um.

Deste País médio-oriental fala Il Post no artigo que segue:

Os problemas do Iémene

Desde o fim do domínio colonial britânico no sul do País, o Iémene tem vivido quatro décadas dum conflito que raramente tem atraído a atenção da opinião pública e da diplomacia internacional
Nos últimos dias, o governo de Sana’a teve de enfrentar a reabertura das hostilidades nos ambos os lados interiores em que está empenhado: no Sul contra Al Qaeda e no Norte contra as tribos dos rebeldes xiitas Houthi.

“E ainda bem o qat os acalma, caso contrário, quem sabe que poderiam combinar estes exaltados” tem sido uma das piadas mais comuns entre os vizinhos medi-orientais, com referência ao costume Iemenita de mastigar as folhas da planta. Não é difícil esperar que a piada será ainda mais utilizada nas próximas semanas. Os últimos dias têm realmente visto a reabertura das hostilidades do governo de Sana’a no Sul contra a franja de Al-Qaeda na Península Arábica (AQAP, Al Qaeda na Península Arábica), e no Norte contra a tribo de rebeldes xiitas Houthi.

O Iémene é o País mais pobre do Médio Oriente, apesar da considerável quantidade de petróleo extraído, dum território muito mais férteis do que os seus vizinhos, e duma localização invejável: um ponto histórico de travessia entre Corno de África, Península Arábica e subcontinente indiano , que ganhou o apelido latino de Arábia Felix [Arábia Feliz, NDT]. Desde o fim do domínio colonial britânico no sul do País, o Iémene sofreu quatro décadas de conflito, latente ou manifesto, que apesar de ser amplamente tratado por numerosos arabistas, raramente tem atraído a atenção da opinião pública e da diplomacia internacional.

Durante a Guerra Fria, o Iémene foi parte da nossa topografia diária, no centro de uma “guerra por procuração”, como costumam dizer os Ingleses, entre as duas super potências: dum lado o Norte conservador, organizado numa base tribal e fortemente ancorado aos vizinhos sauditas e ao bloco ocidental; doutro lado o Sul, nas mãos de auto-denominados marxistas do Partido Socialista Iemenita e abundantemente financiado pela União Soviética. A desintegração desta última, em 1990, levou à reunificação do País sob o controle do Iémene setentrional e ao desaparecimento dos holofotes mundiais, mas não ao fim dos conflitos internos. Mesmo a guerra civil que terminou em 1994, entre as tropas dos pequenos rebeldes marxistas e as forças governamentais passou relativamente despercebida. Só a chegada de Al Qaeda, nos últimos anos, tem sido capaz trazer a atenção internacional.

E na semana passada, os militantes de Al Qaeda concluiriam dois ataques contra as forças do governo na província de Shabwa, uma das zonas do País com a maior concentração de poços de petróleo, considerado pelas forças do governo o principal esconderijo de Al Qaeda na Península Arábica. Conforme relatado pelo jornal The National de Abu Dhabi, na Quinta-feira um ataque perto duma instalação petrolífera administrada por uma empresa austríaca levou ao assassinato de seis policiais, enquanto que no Domingo uma emboscada contra uma patrulha da polícia fez seis vítimas entre as forças do governo e três dos militantes islâmicos.

Mas os fundamentalistas afiliados de Al-Qaeda não são o único inimigo interno do governo central. Na província setentrional de ‘Amran, o governo tem de enfrentar ataques esporádicos desde 2004, ataques dos Houthi, uma tribo que pertence à seita xiita dos Zaidi, que afirmam ser sistematicamente discriminados nos domínios político, económico e jurídico. Em Fevereiro, o governo central parecia ter atingido uma meta importante, a assinatura de uma trégua com os Houthi, mas foi interrompida na semana passada com a morte de pelo menos setenta pessoas entre rebeldes Houthi e forças governamentais, apoiadas por outras tribos no presentes na área. Em especial, a tribo Ibn Aziz, que também pertencem ao Zaidi e com laços de sangue não muito débeis com os mesmos Houthi. Uma verdadeira luta fratricida.

Fonte: Il Post
Tradução: Informação Incorrecta

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