Linux: a melhor distro de 2018

“Distro” é a abreviatura de “[wiki title=”Distribuição Linux”]distribuição[/wiki]”, termo com o qual no universo [wiki]Linux[/wiki] indica-se um sistema operativo. Para simplificar ao máximo, podemos dizer que Windows 10 é a actual distro da Microsoft assim como iOS 12.1 é a distro da Apple.

Dado que as distros de Linux são várias centenas (pelo menos 300 aquelas activas, mas há quem conte até 600), distinguir “a melhor” não é tarefa simples, complicada pelo facto que existem distros específicas (por exemplo: as distros forenses, aquelas dedicadas aos servers, as empresariais, etc.) que respondem a exigências particulares. Portanto, neste artigo vamos limitar o discurso às distros “genéricas”, aquelas que um usuário normal utiliza nas sua actividade diária: trabalho, divertimento, navegação na internet, envio e receção de correio… enfim: o normal uso como pode ser aquele da distro Windows 10 da Microsoft.

Dado que gosto de Linux, conheço um número bastante elevado de distros que experimento com frequência (e como fazer isso é explicado neste artigo). Todavia, por uma questão de preguiça e porque uma pessoa não pode saber tudo, para este artigo vou “pescar” no trabalho desenvolvido por Dedoimedo (para mim o melhor blogueiro que trata de Linux) e Distrowatch, a bíblia [wiki title=”Online e offline”]online[/wiki] das distros mundiais. Juntos vamos ver quais as melhores distros que foram publicadas ao longo do ano de 2018 e que, portanto, valem a pena instalar no nosso computador neste início de 2019. Prontos? Vamos.

Quarto lugar: Manjaro 17.1.6 Hakoila (Plasma)

Nos últimos 2-3 anos houve muita pouca inovação no universo Linux, quase que todos estejam à espera de algo, tipo um pedrada no charco. [wiki title=”Manjaro Linux”]Manjaro[/wiki] 17.1.6 pode não ser a melhor distro da actualidade, mas atenção: trata-se duma distro sólida, estável, visualmente muito cuidada, onde tudo funciona como esperado. E que pelo menos tenta algo diferente. A integração com Microsoft Office Online é uma daquelas grandes coisas que devem ser mencionadas porque podemos gostar ou não mas ter um produto Office online (apesar de ser rotulado Microsoft) é algo que dá jeito.

Do lado negativo: não é muito frugal, no sentido que “come” cerca de 900 MB de [wiki title=”Memória de acesso aleatório”]RAM[/wiki] em modo inactivo. O [wiki title=”Unidade central de processamento”]processador[/wiki]? Relativamente silencioso, cerca de 4-5%, o que não é tão mal assim.

Manjaro é da família [wiki title=”Arch Linux”]Arch[/wiki], pelo que nunca será uma “distro para as massas” (que estão orientadas na direcção da família [wiki]Debian[/wiki]-[wiki]Ubuntu[/wiki]), mas tem alguns pontos interessantes além da integração com Office: oferece o [wiki title=”Ambiente de desktop”]desktop[/wiki] (leia-se “ambiente de trabalho”) Plasma, tem uma boa integração com o [wiki title=”Hardware”]hardware[/wiki], reconhece o nosso smartphone… enfim, oferece tudo o que for preciso, não faltando absolutamente nada.

Terceiro lugar: Linux Mint 19 Tara

Grande desilusão do ano. Feliz usuário de [wiki title=”Linux Mint”]Mint[/wiki] 18.3 Sylvia, em Dezembro vejo chegar a nova versão 19.1 Tessa: um murro no estômago. Não que funcione mal, longe disso (não estaria aqui entre as melhores escolhas de 2018), mas Mint está a ficar para trás. Há muitas razões para isso, incluindo a perda de identidade, mas sobretudo porque a distro não está a tentar ser tão inteligente e amigável quanto costumava ser.

Uma vez Mint fazia tudo e melhor, ao ponto de ser a distro mais descarregada em absoluto. Agora existem muitas distros que fazem muito e Mint faz menos do que no passado. É melhor do que Ubuntu? Sim, claro, mas isso não é difícil. O problema é que com Mint 19 Tara aparecem alguns “buraquitos” que antes não existiam: nada de grave, a distro funciona muito bem. Mas antes funcionava magnificamente bem. O que é diferente.

No modo ocioso, os consumos de memória são de cerca de 950 MB (menos que a maioria dos desktop [wiki title=”GNOME”]Gnome[/wiki]) e o processador marca cerca de 5%, o que é significativo, mas não afecta imediatamente o comportamento do sistema. No entanto são valores superiores aos registrados em Mint 18.3 Sylvia.

O sistema continua estável, a oferta de programas é espantosa, a capacidade de resposta é óptima, a compatibilidade hardware é excelente… Mint continua a ser uma das melhores escolhas no universo Linux, disso não tenham dúvidas: qualquer usuário Windows ficaria espantado com as suas prestações. Mas aqui no universo Linux somos extremamente exigentes (até demais, admito) e Mint hoje já não é a melhor distro em circulação. A impressão é que os dias gloriosos estejam irremediavelmente atrás. Antes era a distro mais descarregada enquanto hoje ocupa “só” a terceira posição: haverá uma razão, não é?

Segundo lugar: Kubuntu 18.04 Bionic Beaver

Enquanto Ubuntu vegeta perdida em amléticas dúvidas (“Gnome ou não Gnome?”), o primo [wiki]Kubuntu[/wiki] voa. Até que estive na dúvida para o primeiro e segundo lugar do pódio: é que Kubuntu 18.04 tem um visual elegante, fino, lindo, lindo e ainda lindo. Em comparação com Kubuntu, Windows 10 parece um sistema operativo saído há 5 anos atrás. Que em termos informático é como dizer “pré-história”. Não apenas isso: funciona terrivelmente bem. E, como é tradição no desktop [wiki]KDE[/wiki], a personalização pode ir até o mais ínfimo detalhe.

Mais: se antigamente Kubuntu era a distro para as máquinas mais potentes (pois gulosa de recursos), hoje é o contrário: o desktop Plasma requer cerca de 800 MB em modo inactivo, enquanto a CPU oscila entre 1 e 2% durante a maior parte do tempo. Óptimo. Se Linux Mint é “para todos”, Kubuntu é “para todos mais uns quantos”.

Kubuntu 18.04 Bionic Beaver é uma das melhores distros que testei ao longo deste último ano. E a sucessiva Kubuntu 18.10 Cosmic Cuttlefish, lançada em Novembro? Mesma coisa. Aliás, talvez a distro tenha melhorado um pouco ao nível da memória utilizada. Todavia é possível escolher entre uma distro suportada durante anos e uma durante meses: e Kubuntu 18.10 Cosmic Cuttlefish é suportada até Julho de 2019, enquanto 18.04 Bionic Beaver vai até 2021. Uma notável diferença.

Então: Kubuntu 18.04 é uma distro perfeita? Não, não existem distros perfeitas, nem no universo Linux, nem naquele Microsoft ou Apple. O tempo de inicialização (o [wiki title=”Boot”]boot[/wiki]), por exemplo, não é dos melhores, um assunto que está a afectar muitas distros (neste aspecto cada vez mais parecidas com Windows). Mas é muito complicado encontrar defeitos porque falamos duma distro muito boa e muito bem elaborada. Desempenho, aparência, fontes, media, suporte hardware… realmente interessante. Esqueçam a versão de curto suporte e, se o vosso ideal é um produto da família Ubuntu, esqueçam tudo o resto: peguem em Kubuntu 18.04 Bionic Beaver e sejam felizes.

Primeiro lugar: MX 18.0 Continuum

Admito: sou o primeiro a ficar surpreendido com esta escolha. É que quando pensamos numa distro Linux para uso diário pensamos logo nos nomes mais famosos: Ubuntu, Mint, Fedora… Ninguém pensa numa pequena distro nascida há dois anos. Mas as aparências enganam.

[wiki title=”MX Linux”]MX[/wiki] não tem nada de “recém nascido”: na verdade é o fruto da colaboração dos entusiastas da distro grega Anti-X (uma pequena gema activa desde 2010) e da americana Mepis (no mercado desde 2003). Pelo que, a história de MX tem pelo menos 15 anos. E os resultados são visíveis.

Durante o ano de 2017 apareceram antes a versão MX 17.1 Horizons que em breve começou a escalar a classifica das distros mais descarregadas. E, já perto do final do ano, eis MX 18.0 Continuum que chega ao segundo lugar das distros mais procuradas do planeta. Eu, ainda em lágrimas por ter sido esfaqueado nas costas pela Mint 19 Tara, experimentei, adorei, instalei: é esta a minha distro agora.

Desde o início (isso é, desde 17.3 Horizons), MX Linux comportou-se lindamente. Era elegante, robusta e estável. E vinha apetrechada de muitos recursos e aplicativos exclusivos, incluindo a ferramenta MX Tools que facilita sobremaneira a vida. Era uma das poucas distros que realmente salvam o conteúdo da sessão ao vivo após a instalação, pelo que o usuário pode experimentar a versão live, personaliza-la e depois instala-la sem precisar de refazer tudo. Simples como todas as coisas geniais.

O desempenho era incrível, com uma excelente duração da bateria do portátil, uma utilização dos recursos mínima: 420-440 MB de RAM em modo inactivo, uma CPU sempre próxima de zero. Esplêndido. Tudo abria-se instantaneamente, parecia não haver nenhum tempo de espera entre a ordem dada e o início do aplicativo. Um piscar de olhos. Este foi o sistema mais responsivo que experimentei na última década.

Dos aplicativos nem vale a pena falar: MX está baseada no [wiki]Debian[/wiki], pelo que há dezenas de milhares de programas gratuitos que só esperam para ser descarregados e utilizados. Conectividade? Tudo ok.

Do lado hardware: 100%, tudo funcionava correctamente, inclusive a placa gráfica Nvidia (calcanhar de Aquiles de muitas distros). Suspendia e retomava o trabalho também com a velocidade do relâmpago. E para acabar, eis a já citada autonomia do portátil: a MX-17 marcava 4.5 horas de média, com uma ponta de 5.5 horas de trabalho. Isso com uma bateria que de certeza não pode ser definida como “nova”. Parece-me razoável indicar uma autonomia média entre 4 horas (bateria velha) e 5 horas (bateria nova). Isso é: 30-40% melhor que a maioria das outras distribuições.

Mas isso foi o passado, com MX 17.3 Horizons. Depois chegou MX-18 Continuum. E tudo ficou igual. A nova versão confirma tudo o que de bom tinha feito a antecessora. Até é um pouco melhor. É obra.

MX-18 Continuum é uma óptima distro. Tem muitos pontos muito legais e alguns soberbamente bons. Vem de raiz com tudo o que for preciso para as tarefas diárias. É terrivelmente estável, muito frugal. A instalação é rapidíssima, esqueçam as dezenas de minutos dum Windows qualquer.

Mais uma vez a pergunta: a distro perfeita? Mais uma vez a resposta: não há a distro perfeita. A instalação é particularmente rápida e simples (uma criança conseguiria instala-la), mas eu gostaria que fosse ainda mais simples. E os menus são redundantes; algo que pode ser facilmente resolvido na post-instalação com um trabalho de dois minutos, mas seria preferível ter tudo já pronto. E a barra das tarefas na lateral é irritante (mas é uma questão de gosto e, em qualquer caso, para posiciona-la em baixo na horizontal são precisos três segundos). Pormenores, podemos dizer. Sem dúvida, pormenores: mas a distância até a perfeição absoluta é feita de detalhes.

Resumindo, a distro MX faz-me lembrar o percurso de Mint: nascida como “cópia”[wiki title=”Usabilidade”] user-friendly[/wiki] de Ubuntu, com o tempo conseguiu distinguir-se até assumir uma sua própria identidade com escolhas inteligentes, o que a levou até o topo das preferências dos usuários Linux. Hoje, com uma Mint em decadência, a curva de crescimento pertence à MX, da família Debian, já agora a segunda distro mais procurada. E com toda a razão, pois MX-18 Continuum é uma distro magnífica de ponta a ponta.

 

Ipse dixit.

Links:

Imagens: Distrowatch

4 Replies to “Linux: a melhor distro de 2018”

    1. É raro que as distros não estejam traduziads para português: afinal é um dos idiomas mais falados do mundo. No caso de MX, em fase de instalação (mas também na versão live-cd) é possível escolher idioma, fuso horário, disposição do teclado, etc.

      Nota: em breve vou fazer um artigo acerca de como instalar uma distro Linux, seja como único sistema operativo, seja em paralelo com Windows.

      (sou o Max mas esqueci-me de entrar com a conta WordPress!)

      1. Dual boot /bios uefi legacy para voltar para o w7 64 ou (instalar distros de linux)

        A propósito o win10 e as apps a ideia horrivel vinda dos muito maus win 8/ 8.1 (pessoalmente nunca usei coisa tão má, tudo escondido) o 10 é um pouco melhor, (embora mude parâmetros sem perguntar e empresas pagam e bem para ter a licença, quando as maiores empresas online no mundo usam linux por fiabilidade e segurança e ser gratuito ou quase) seria ligar os cpu Windows com o windows mobile por isso aquela aparência meio app store(no cel ok mas num computador algo contranatura), mas como o que começa mal tarde ou nunca se endireita e leva outros atrás, eis que esta semana a Microsoft avisou que vai fechar o apoio até ao fim do ano( a quem use windows mobile) e recomendou para fazer backups, salvar o que podem ah e para mudar para ios ou android.
        As apps num pc servem para quê?
        E quem paga é o telemóvel/celular

        N

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: