Tra Cielo e Terra, um dos melhores blogues italianos e que, como explicado, “é sobre história e meta-história, de mundos velhos e mundos novos, símbolos e mitos, antigos e recentes, e eternos”, publica Stato perpetuo di incertezza: tecniche di tortura (“Estado perpétuo de incerteza: técnicas de tortura”):
Estado perpétuo de incerteza: técnicas de tortura
Nos manuais de tortura dos serviços secretos aprendemos que o melhor método para quebrar psicologicamente uma vítima é mantê-la num estado de constante incerteza.
Mais do que espancamentos, mais do que violência física repetida, se o objectivo é a total rendição psicológica do sujeito, a melhor maneira de alcançar o fim é oferecer sinais oscilantes e contraditórios, alternando punições com pequenas concessões.
Numa situação de privação e violência constantes, de facto, a vítima está destinada a ceder totalmente, tornando-se catatónica e finalmente insensível a qualquer outro abuso, ou, em casos raros, pode desenvolver uma resistência física que eventualmente a torna indiferente a qualquer tortura. Isto acontece porque, e este é um fenómeno bem conhecido, o corpo humano tem uma grande capacidade de tolerância, desde que esteja consciente do que o espera, sendo assim capaz de se preparar para enfrentar a violência e a dor.
Quando esse limite de resistência é ultrapassado, e o corpo percebe que não será capaz de o aguentar mais, a vontade cede repentinamente, entra-se num estado catatónico, e qualquer estímulo adicional não é percebido.
Este não é o resultado desejado pelos torturadores, que pelo contrário querem uma vítima dobrada mas ainda assim disposta a cooperar, não uma vítima ausente.
A fim de alcançar o objectivo desejado, é portanto importante dobrar a vontade do sujeito, dando-lhe a ilusão de que o seu estado pode melhorar sob certas condições, que a resistência é inútil e que a salvação vem da cooperação.
Por esta razão, o sujeito é submetido a momentos em que sofre a violência no limite da resistência física, seguidos de situações em que os torturadores mostram um rosto mais humano, mais complacente, em que até pequenas concessões são oferecidas.
Esta atitude do torturador produz um duplo efeito sobre a vítima: em primeiro lugar, a psique do sujeito, recebendo sinais totalmente contraditórios, entra em crise e em colapso, tornando-se maleável e manipulável. De facto, sinais contraditórios impedem a própria psique de preparar e implementar uma estratégia de resistência eficaz. Este é um conceito muito importante que tem sido sempre explorado pelos melhores estrategas de conflitos.
Em segundo lugar, a presença de atitudes de “bondade” alternadas com as de violência envia um sinal inconsciente à vítima de que ainda há esperança de ultrapassar a sua condição. Esta convicção assegura que a vontade nunca cede completamente, porque ainda há “esperança”, e leva com o tempo o sujeito a tornar-se colaborador, uma vez que a vítima vislumbrou um “lado humano” no torturador e tenta pôr em prática as atitudes apropriadas que podem apelar a essa humanidade do carrasco.
Seja por acaso ou não, não é de todo complicado vislumbrar todas estas tácticas que foram implementadas cientificamente pelos vários governos nos últimos meses, com toda a população do lado da vítima. De facto, podemos ver que há quase dois anos que somos confrontados com uma série contínua e repetida de sinais contraditórios, totalmente discordantes, oferecidos por parte daqueles que gerem a narrativa actual.
Desde um pequeno sacrifício de duas semanas a ser feito para voltar à cobiçada normalidade “mais fortes que antes”, a uma brutal cessação de todas as actividades sociais por um período indefinido, e depois a algumas tímidas aberturas sob estrita condições, até à chegada do soro salvífico que finalmente colocaria tudo de volta no lugar (“só sairemos com a vacina”, um conceito repetido como um mantra durante meses, até ser introjectado pela maioria como uma Verdade de fé caída de cima, e nunca mais questionada).
Apenas para descobrir que ainda não é suficiente, que o soro é essencial mas não chega, que ainda é necessário não baixar a nossa guarda. E assim mais privação, mais tortura, mas também pequenas concessões para aqueles que se entregam de corpo e alma ao torturador.
Tudo isto é complementado pela total incerteza quanto à duração das medidas em vigor. Dois meses, três meses, talvez para sempre, vamos voltar a ser como éramos, ou talvez nada seja igual, temos de o fazer para recuperar a nossa normalidade, mas também temos de esquecer a velha normalidade.
Com o soro tudo acabará, mas não protege completamente, e aparentemente duas doses não são suficientes. Portanto, aqui está o terceiro, decisivo, ou talvez não, talvez devêssemos tomar um de seis em seis meses. Talvez para sempre.
O estado de incerteza total, a ausência de certos dados sobre perspectivas futuras mantém a psique das pessoas em permanente stress emocional, e impede o indivíduo de encontrar a força e a estratégia adequada para enfrentar um determinado cenário.
Uma vez que esse cenário é totalmente desconhecido, não conhecendo ninguém o que realmente nos espera, permanece um estado de perpétua incerteza, um estado de dolorosa imobilidade em que a única expectativa é a chegada das últimas instruções do carrasco. Violência, privação, e depois pequenas esperanças, sempre condicionadas. Sempre concessões feitas de forma magnânima por aqueles que demonstraram, concretamente, que podem fazer muito mal.
Não podemos ter a certeza de que os nossos governantes estejam de facto a inspirar-se nos manuais de tortura mais actualizados e eficazes. Mas no caso de estarem, então podemos dizer que estão a segui-los à letra.
Porquê agora? A questão pode parecer estranha, mas provavelmente não é. O planeta está a passar por um teste de stress sem precedentes na história contemporânea: uma conjuntura mais do que alarmante, constituída por eventos concêntricos e convergentes, muitas vezes traumáticos, mas de qualquer modo desconcertantes. Podemos considerar os eventos cada um de forma separada; ou podemos olhar para eles como um todo. Qual a atitude certa? Boa pergunta.
Um vírus foge dum laboratório chinês e vira de avesso o planeta todo. Segundo alguns não fugiu, foi espalhado de forma propositada. Segundo outros não houve nem intencionalidade e nem uma fuga: tudo foi absolutamente natural. Depois a corrida para a vacina: nada de tratamento, logo direitinhos para a vacina qual única salvação. E também aqui vozes, aliás, uma miríade de vozes descontroladas: a vacina traz nanochips, é a digitalização das massas, engenharia social, insere grafeno nos nossos corpos, alguns até encontram uma forma de vida nela. Complicado distinguir fantasia e realidade.
Ao mesmo tempo em Davos é apresentado o Great Reset, com tudo o que lhe está associado. E é lançado o 5G, com milhões de antenas e novos satélites. Aquecimento Global: Boris Jonhson fala em “catástrofe” com pouquíssimo tempo para ser evitada, depois será tarde demais (onde é que já ouvimos isso? Ah, sim: Al Gore e o Polo Norte que desaparecerá antes de 2013…).
Temos os UFO. Peço desculpa: este termo foi demasiado ridicularizado, hoje são UAP (Unidentified Aerial Phenomen) e existem, confirma a Marinha dos EUA. A Quarta Revolução Industrial e a cyber-humanidade. A crise energética.
Podemos pensar que seja tudo normal: num mundo cada mais interligado, os eventos chegam aos nossos ouvidos em tempo real, é uma óbvia consequência estar rodeado de novidades numa sociedade que avança a um ritmo cada vez mais acelerado. Não podemos esquecer nem subestimar este aspecto. Mas por cada assunto há a relativa discussão e contra-interpretação: e isso cria um labirinto de ideias no qual é complicado desemaranhar-se.
E chega uma altura em que é lícito voltar à pergunta de antes: continuemos a considerar os eventos cada um de forma separada ou podemos olhar para eles como um todo?
Se tudo isso for normal, bom, então parece que há algo que não está a funcionar como deveria. Porque se até aqui falámos de “confusão”, não podemos esquecer que isso tem a ver com o Primeiro Mundo, pois o resto do planeta enfrenta desafios já antigos que continuam a ficar longe duma resolução: há guerras (Yemen, lembram-se?), há pobreza, há fome, há doenças (verdadeiras), há poluição (verdadeira).
Se, pelo contrário, tudo for intencional… ainda pior.
O texto de Carlo Brevi (o autor de Tra Cielo e Terra) fornece uma possível chave de leitura. Será aquela correcta? Aos Leitores a resposta.
Ipse dixit.
Imagem: Lisa Skorpion Attribution-NoDerivs 2.0 Generic (CC BY-ND 2.0)

