No anterior artigo, dedicado aos dados da EMA e subsequente discussão, George assim comenta:
É divertido e mesmo curioso observar a disputa para credenciar fontes de informação. Quem vocês pensam que determinam as informações difundidas pelo mundo? Sejam elas “científicas”, políticas, economicas, educacionais,etc, as comunidades editoriais (propagandisticas) tratam de formata-las conforme o paladar do sistema. O II, assim como a quase totalidade das informações alternativas, são meros repassadores de algumas dessas fontes. A pergunta é: quais as fontes que escapam do poder que fez sucumbir os estados nacionais e seus respectivos aparatos institucionais? Ongs e Ocips patrocinadas pelo capital privado e suas Fundações. Como se pode querer acreditar em fontes patrocinadas pelo mesmo capital que sustenta este sistema?
Em primeiro lugar: agradeço o comentário, como é óbvio. Em segundo lugar: concordo mas… vamos com ordem.
Informação Incorrecta dedicou não pouco espaço ao problema da informação, chegando a conclusões pouco simpáticas. Podemos assumir que boa parte da informação é manipulada? Sem dúvida e a forma como a comunicação social lidou com a Covid-19 é um óptimo exemplo disso.
Todavia temos aqui um problema: assumir que todas as fontes são manipuladas significa o quê precisamente? A ideia pode estar certa, mas depois? Abdicamos de todas as informações? Recusamos publicar toda a informação disponibilizada porque partimos do pressuposto de que é tudo mentira? E ficamos com quê exactamente? Com as nossas ideias e as nossas teorias, nada mais do que isso.
Não acho que toda a informação seja manipulada: se assim fosse não existiria a censura (que, pelo contrário, nos últimos tempos tem sido mais activa do que nunca). Concordo de que os órgãos de informação mainstream estejam a “jogar sujo”, tanto de forma consciente quanto inconsciente, isso sim, também porque sei bem como trabalha a redacção dum diário hoje, donde e como surgem as “notícias”. Mas, voltando ao discurso da informação aceitável, ficamos ainda com o problema de antes: abdicamos de toda a informação?
A minha resposta é “não” porque acho que existe uma alternativa bem mais útil: considerar as informações não como “provas provadas” mas apenas como indícios. E, a partir daí, procurar falhas.
Por exemplo, dado que o comentário surgiu num artigo dedicado às vacinas: parece-me lógico comparar os dados de várias fontes e retirar as consequências. Neste caso, os dados da EMA comparados aos do VAERS demonstram uma diferente filosofia na informação dirigida ao público, independentemente de tais dados serem ambos verídicos ou menos.
No caso dos EUA, o CDC escolheu simplesmente não seguir a vacinação ou informar os cidadãos acerca do andamento do processo. E poucos estão a protestar por causa disso. Vice-versa, no Velho Continente a União Europeia preferiu manter um perfil informativo aparentemente exaustivo. A razão? Contrariamente aos EUA, onde há um único governo federal, a realidade europeia é feita de vários governos, cujas decisões acerca das vacinas são discutidas em vários Ministérios da Saúde e Parlamentos. Portanto, a União Europeia (que basicamente é um ninho de víboras) teve que criar um organismo de referência no seio da EMA para tentar “harmonizar” as várias opiniões, os EUA não.
Isso significa que os dados da EMA são 100% correctos? Absolutamente não, não penso nisso. Mas a realidade europeia criou uma situação na qual não é possível simplesmente ignorar a campanha da vacinação (como nos EUA), é preciso aparentemente fundamentar as decisões. E como a EMA recebe os seus dados a partir dos vários Ministérios da Saúde europeus, o quadro que obtemos fica um pouco mais perto da realidade. Não sei dizer “quanto” mais perto, mas sem dúvida mais perto do que nos EUA porque a EMA trabalha com dados a partida não centralizados.
Enquanto nos EUA o VAERS pode dar-se ao luxo de comunicar pouco mais de 2.000 mortes provocadas directamente pelas vacinas (e não há outro dado oficial), a EMA é obrigada a reconhecer um total três vezes superior. Repito: isso não significa que os dados da EMA estejam certeiros, simplesmente o americano CDC (do qual depende o VAERS) pode ignorar os dados, a EMA é obrigada a “justificar”(aspas necessárias) as escolhas da União Europeia.
Atenção porque os dados da EMA podem ser uma faca de dois gumes: por exemplo, em teoria e até determinados limites seria possível manipula-los para orientar as opiniões contra ou em favor dum determinado produto. O caso AstraZeneca e, futuramente, aquele Johnson & Johnson são uma guerra de vacinas nos quais aqui na Europa os dados da EMA estão a ter um papel central. Todavia é verdade que a EMA tem margem de manobras inferiores do que o VAERS porque, como já referido, a informação não é centralizada já a partida.
Voltamos para o outro lado do Atlântico porque é interessante também observar o que acontece no Brasil. A Anvisa comunica um total de 29 “suspeitas” de mortes, apesar das pessoas que receberam pelo menos a primeira dose já serem quase 20 milhões. Em comparação, na Europa, os mortos oficiais até hoje são 7.212. E o Brasil utiliza a AstraZeneca também (apesar da maioria das subministrações ser efectuadas com o produto chinês). (1)
Não é preciso muito para entender que algo não faz sentido. E é exactamente este o trabalho que é preciso fazer: não defender a veridicidade das nossas fontes mas realçar sim as profundas incongruências dos dados oferecidos para demonstrar que algo não está certo. Não podemos ficar satisfeitos com “é tudo mentira”, temos que demonstra-lo. É exactamente este o trabalho que Informação Incorrecta está a levar para frente. Custa mais em termos de tempo, esforço, paciência, etc.? Obviamente sim mas pessoalmente, repito, prefiro isso do que dizer “é tudo falso, mais vale nada”.
Porque do nada nasce apenas o nada (se não considerarmos a Mecânica Quântica…).
E porque, mais importante ainda, hoje qualquer Leitor pode pegar nos dados publicados, verificar as fontes donde provêm, e dizer “Estes gajos estão a gozar comigo”: não porque assim pensa o blogueiro, mas porque tem os instrumentos para ir, comparar e formar a sua própria ideia. Neste aspecto não me parece que o I.I., “assim como a quase totalidade das informações alternativas”, seja um “mero repassador” de fontes.
Mudando de assunto e para acabar: aproveito para agradecer César Barcelos pois ignorava por completo a Ponerologia. Estou a informar-me pois nada de nada conhecia, e a coisa parece bem interessante. Proximamente neste canal.
(1) Importante: na primeira versão do artigo cometi um grave erro, utilizando o total das reacções adversas em Portugal (707) como se fosse relativo às mortes portuguesas provocadas pela vacina AstraZeneca. Obviamente assim não é e nem poderia ser. Repito: 707 não são os óbitos mas sim as reacções adversas provocadas pelo produto AstraZeneca em Portugal (total que entretanto subiu para 730).
Um erro grave porque falsificou a comparação dos dados portugueses com aqueles fornecidos pela Anvisa. A comparação tem que ser feita com o total dos óbitos no Velho Continente (7.212 até ontem). Peço imensa desculpa e, ao mesmo tempo, desejo agradecer JJ por ter realçado o erro.
Ipse dixit.

