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Portugal: maioria absoluta socialista

…e assim acabaram as eleições legislativas portuguesas. Não que a coisa interesse sobremaneira, mas dado que estou em casa sem nada para fazer, vamos ver o que aconteceu.

O Partido Socialista (PS) ganhou com maioria absoluta (). Nem eles sabem como foi possível. Desde logo, a campanha socialista tinha deixado de pedir a maioria, cúmplices umas sondagens que davam um empate técnico entre as duas principais forças políticas (PS e PSD). Mais uma vez as sondagens estavam redondamente erradas e não seria mal começar a reflectir sobre o peso que estas podem ter tanto na participação quanto na formação da escolha dos eleitores.

O PS é o partido do sistema em Portugal, posicionado no centro com uma levíssima camada (puramente estética) de Esquerda: é o principal partido do poder, dos tachos, dos bancos, da corrupção. Europeista, é a mais sólida força conservadora do País.

O PSD (Partido Social Democrata) é o grande derrotado (. Culpa do líder, Rui Rio? Também, mas principalmente culpa duma política demasiado próxima do PS e sem propostas realmente diferentes. O PSD continua como segunda grande força “sistémica” de Portugal mas está em crise de ideias e terá que escolher um rumo porque o resto da Direita está a subtrair-lhe votos.

O CHEGA, terceira força política (, é o voto do pseudo-protesto. Um partido anti-sistema perfeitamente enquadrado no sistema e que recolhe eleitores nas zonas antigamente territórios do Partido Comunista (Alentejo). Sintomático.

Iniciativa Liberal é a grande surpresa (): quarta força política, apresenta-se muito bem, com um discurso simples, directo e claro. Mostrou ao PSD como se faz uma campanha de Centro-Direita. IL defende o Liberalismo e provavelmente nestas eleições alcançou o máximo dos votos possíveis, será extremamente difícil repetir-se. Mas veio para ficar, na prática substitui o CDS-PP.

O Partido Comunista (CDU-PEV) continua ao caminho do desaparecimento (. Também como o Bloco de Esquerda, provocou as eleições antecipadas e pagou a factura, mas os problemas dos Comunistas vão muito além disso: os seus eleitores estão a extinguir-se e não há nada que possa reverter a situação. Um partido comunista que tem no seu lema a palavra “patriotismo” não tem esperança, sendo um desesperado equivoco ideológico.

O Bloco de Esquerda () provocou a crise ao chumbar o orçamento, recusou assumir a responsabilidade e os portugueses não gostaram. Em plena crise de ideias, as duas dirigentes não entenderam que o eleitor de Portugal quer em primeiro lugar estabilidade, sem chatices como esta coisa das “eleições”.

Milagre em casa do PAN (Pessoas, Animais, Natureza, ): um partido de incapazes que em todos estes anos não souberam capitalizar o forte sentimento pró-ambiente. Mas conseguiu um deputado.

O LIVRE () também conseguiu um deputado e este já é um milagre tendo em conta que ninguém entendeu o que quer este partido além da questão ambiental.

O CDS-PP (, força histórica da Direita portuguesa, pela primeira vez desaparece do Parlamento, condenado por um líder não à altura e pela história.

Os diários do burgo falam em Parlamento “novo”, mas isso é verdade apenas parcialmente e limitadamente aos partidos secundários. Houve uma redistribuição dos votos entre forças em declínios e aquelas emergentes, mas os dois grandes partidos juntos (PS e PSD) conseguem quase 70% das preferências (69.48%) contra 64.55 % das eleições anteriores. Antes os partidos menores tinham no conjunto 27.34% dos assentos parlamentares, agora têm 24.72%.

Pelo que: um reforço de poder para os partidos do costume, um dos quais agora com maioria absoluta.

 

Ipse dixit.