John Pilger: excepcionalismo estadunidense impele mundo para guerra

Excepcionalismo Estadunidense Impele Mundo Para Guerra – John Pilger

de Finian Cunningham

 

Nascido na Austrália, John Pilger vem trabalhando há mais de cinco décadas como repórter e cineasta documentarista, cobrindo guerras e conflitos em todo o mundo. Na entrevista a seguir o jornalista premiado diz que o mundo possivelmente encontra-se em conjuntura geopolítica mais perigosa do que mesmo durante a Crise dos Mísseis Cubanos de 1962 e o ápice da Guerra Fria. Isso porque o “excepcionalismo” estadunidense – que, destaca ele, reverbera o da Alemanha nazista – entrou em fase de hipercanalhice(*). A incansável difamação da Rússia pela mídia estadunidense e do Ocidente mostra que há poucas redlines(**) remanescentes capazes de restringir agressão a Moscou, ao contrário do que acontecia, pelo menos, durante a passada Guerra Fria. A recusa de Rússia e China de se curvarem diante das imposições de Washington está enfurecendo o aspirante estadunidense a domínio supremo e frustrando seu plano de domínio zero-sum(***) do mundo.

(*) hyper-rogue – Desbragadamente rogue. Rogue é pessoa desonesta ou sem princípios. O sinônimo mais próximo é scoundrel, pessoa desonesta ou sem escrúpulos. Lexico powered by Oxford

(**) redline – Divisa ou limite que não deve ser cruzado. Lexico

(***) zero-sum – Relacionado com ou denotando situação na qual o que é ganho por uma parte é perdido pela outra. Lexico

John Pilger também apresenta seus pontos de vista abrangentes acerca da sistemática deterioração do jornalismo mainstream(*) do Ocidente, o qual passou a funcionar como matriz escancarada de propaganda em favor do poder e do lucro. Ademais, ele condena a perseguição e tortura, em curso, de seu compatriota australiano o editor Julian Assange, que está sendo mantido em prisão britânica de segurança máxima comumente usada para manter presos culpados de assassínio em massa e condenados por terrorismo. Assange está sendo perseguido por dizer a verdade e por desmascarar crimes enormes cometidos por Estados Unidos – US e Grã-Bretanha, diz Pilger. É aviso sinistro de que guerra secreta está sendo conduzida contra o jornalismo independente e a liberdade de expressão e, mais agourentamente, indicativo de deslize rumo a fascismo de estado policial nas assim chamadas democracias do Ocidente.

(*) mainstream – Como adjetivo, significa pertencente ao ou característico do mainstream. Mainstream, substantivo, é as ideias, atitudes ou atividades compartilhadas pela maior parte das pessoas e vistas como normais ou convencionais. Lexico

Entrevista

Pergunta: Em seu filme documentário, The Coming War on China (2016)(*) [A Guerra Vindoura com a China], você avalia que os US estão em rota de colisão estratégica com a China com vista ao controle da região Ásia-Pacífico(**). Você ainda acredita em ameaça de guerra à espreita entre as duas potências?

(*) https://vimeo.com/277975923 (with english subtitles)

(**) https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81sia-Pac%C3%ADfico

John Pilger: A ameaça de guerra poderá não ser imediata, mas sabemos ou deveríamos saber que eventos podem mudar rapidamente: cadeia de incidentes e passos malcalculados pode provocar guerra que se pode alastrar de maneira imprevisível. Os cálculos não são objeto de disputa: o “inimigo” tem apenas 12 minutos para decidir se e onde ordenar retaliação nuclear.

Pergunta: Recentemente o Secretário de Estado dos US Mike Pompeo acusou a China de ser “verdadeiramente hostil aos interesses dos Estados Unidos”. O que, de acordo com sua opinião, está motivando as preocupações dos US em relação à China?

John Pilger: O Departamento de Estado no passado declarou: “Buscar menos do que poder preponderante seria optar por derrota.” Na raiz de grande parte da insegurança da humanidade estão, é digno de nota, a autoconfiança e o autodelírio de uma nação: os Estados Unidos. A noção que os Estados Unidos da América têm de si próprios é amiúde difícil para os restantes de nós compreendermos. Desde os dias do Presidente Teddy Roosevelt a “missão sagrada” consiste em dominar a humanidade e seus recursos vitais, se não por intimidação e suborno, então por violência. Nos anos 1940 “intelectuais da guerra” estadunidenses, tais como o diplomata e historiador George F Kennan, descreviam a necessidade de domínio estadunidense da “Grande Área”, que é a maior parte do mundo, destacadamente a Eurásia, e especialmente a China. Não estadunidenses deveriam ser moldados à “nossa imagem”, escreveu Kennan; os Estados Unidos eram o exemplo a ser seguido. Hollywood tem refletido isso com impressionante precisão.

Em 1945, essa visão, ou mania, ganhou remodelação moral com a derrota da Alemanha nazista. Hoje, muitos estadunidenses acreditam que seu país é que ganhou a Segunda Guerra Mundial e que eles estadunidenses são os seres humanos “excepcionais”. Essa mitologia (reminiscente da propaganda nazista) vem tendo há muito tempo preensão evangélica nos US e constitui o pilar central da necessidade de dominar, que não pode prescindir de inimigos e medo. A longa história de racismo dos Estados Unidos em relação à Ásia e sua humilhação histórica do povo chinês tornam a China o inimigo atual perfeito.

Deve ser acrescentado que “excepcionalismo” não é adotado apenas pela direita estadunidense. Embora possam não admiti-lo, muitos liberais acreditam nessa noção, e bem assim aqueles que se descrevem como “de esquerda”. Ela é a ova da ideologia mais rapaz do mundo: o americanismo. O fato dessa palavra ser raramente pronunciada é parte de seu poder.

Pergunta: Acha você anomalia estranha a administração Trump ter adotado política agressiva em relação à China e, nada obstante, o presidente estadunidense parecer buscar relações mais amigáveis com a Rússia?

John Pilger: Dividir China e Rússia com o objetivo de enfraquecer ambas é venerável jogo estadunidense. Henry Kissinger praticou-o. Quanto a Trump, é impossível saber o que ele pensa. Independentemente de seus acenos convidativos a Putin, os US têm agressivamente subvertido a Ucrânia e militarizado a fronteira ocidental da Rússia, e representam ameaça mais imediata à Rússia do que à China.

Pergunta: Acredita você que o processo de impeachment em andamento contra Trump equivale a golpe do Deep State(*) para livrar-se dele por causa da posição relativamente benevolente dele em relação à Rússia?

(*) Deep State – Grupo organizado de pessoas, especialmente membros influentes de órgãos do governo e da instituição militar, o qual, acredita-se, está envolvido na manipulação secreta ou no controle secreto da política do governo. Lexico

John Pilger: É uma teoria; não sei ao certo. A eleição de Trump em 2016 abalou sistema tribal tipo Máfia de back-scratching(*), que os Democratas dominam. Hillary Clinton era a Eleita; como é que Trump se atreveu a confiscar-lhe o trono! Muitos liberais estadunidenses recusam-se a ver sua heroína corrupta como porta-estandarte de Wall Street, incitadora de guerra e emblema da política de gênero desvirtuada(**). Clinton é a personificação de um sistema venal, Trump é uma caricatura.

(*) back-scratching – Backscratching é o empréstimo recíproco de ajuda ou apoio, geralmente de maneira secreta/desonesta/por baixo do pano ou ilícita. ‘Ou talvez seja simplesmente caso de sórdido backscratching no seio da poderosa elite das Nações Unidas.’ Lexico

(**) hijacked – O verbo to hijack significa apossar-se de algo e usá-lo para propósito diferente. ‘Não deveríamos permitir que organizações racistas hijacked nossa bandeira nacional.’ Lexico

Pergunta: Você trabalhou por mais de cinco décadas como repórter de guerra e cineasta de documentário no Vietnã, em outras partes da Ásia, na África e na América Latina. Como vê você tensões internacionais atuais entre US, China e Rússia? Acha que o perigo de guerra é maior hoje do que em épocas anteriores?

John Pilger: Pode ser que, em 1962 , tenhamos todos sido salvos pela recusa de oficial naval soviético, Vasili Arkhipov, em disparar torpedo nuclear contra navios dos US durante a Crise dos Mísseis Cubanos. Estaremos em perigo maior hoje? Durante a Guerra Fria, havia linhas que o outro lado não se atrevia a cruzar. Hoje há poucas linhas, se é que as há; os US circundam a China com 400 bases militares e singram águas chinesas com seus navios de baixo calado e invadem com seus drones(*) espaço aéreo chinês. Forças da OTAN lideradas pelos estadunidenses aglutinam-se na mesma fronteira russa que os nazistas cruzaram; o presidente russo é insultado como questão de rotina. Não há contenção, nem nada da diplomacia que manteve fria a Guerra Fria. No Ocidente, aquiescemos em ser apenas espectadores em nossos próprios países, preferindo olhar para o outro lado (ou para nossos smartphones/telefones inteligentes) em vez de libertar-nos do pós-modernismo que nos emaranha com suas especiosas distrações de “identidade”.

(*) drones – Drone é avião ou míssil não tripulado operado por controle remoto. Lexico

Pergunta: Você viajou extensamente nos US durante os anos da Guerra Fria. Testemunhou o assassínio do candidato à presidência Robert Kennedy em 1968. Parece que a obsessão da Guerra Fria do “comunismo como malignidade” foi substituída por igualmente intensa russofobia em relação à Rússia dos dias de hoje. Vê você continuação da fobia dos dias da Guerra Fria até hoje? O que explica essa postura mental/mentalidade?

John Pilger: Os russos recusam-se a curvar-se diante dos Estados Unidos, e isso é intolerável. Desempenham papel independente, na maior parte das vezes positivo, no Oriente Médio, a antítese das subversões violentas dos Estados Unidos, e isso é insuportável. Como os chineses, eles têm forjado alianças pacíficas e frutíferas com pessoas do mundo todo, e isso é inaceitável para o Chefão estadunidense. A constante difamação de todas as coisas russas é sintoma de declínio e pânico, como se os Estados Unidos tivessem trocado o século 21 pelo século 19, obcecados com visão de proprietários do mundo. Nessas circunstâncias, a fobia que você descreve dificilmente é de causar surpresa.

Pergunta: Como o jornalismo noticioso, especificamente em estados do Ocidente, mudou no curso de sua carreira? Você já ganhou múltiplos prêmios por seus escritos e filmes e, no entanto, hoje em dia raramente é possível ler artigos seus na mainstream media(*), embora você continue a trabalhar ativamente como jornalista, como declarado em seu próprio website.

(**) mainstream media – O conjunto dos veículos de transmissão/difusão e publicação tradicionais ou estabelecidos. Lexico / Formas de mídia, especialmente formas tradicionais tais como jornais, televisão e rádio, mais do que a internet, que influenciam grande número de pessoas e representam crenças e opiniões aceitas de maneira generalizada. Cambridge

John Pilger: Quando comecei, o jornalismo não era corporativo. A maior parte dos jornais na Grã-Bretanha era fiel reflexo dos interesses do que era conhecido como o Establishment(*), mas também podiam ser idiossincrásicos. Quando cheguei à Fleet Street(**) em Londres no início dos anos 1960, então conhecida como a “Meca dos jornais”, o tempo era de otimismo, e os mais direitistas jornais toleravam, estimulavam até, mavericks(***), que amiúde são os melhores jornalistas. O Daily Mirror, à época o jornal de maior circulação do mundo com exceção do People’s Daily(****), era o jornal dos soldados durante a Segunda Guerra Mundial e tornou-se, para milhões de britâncios, o seu jornal. Para aqueles de nós no Mirror, era espécie de ideal sermos os agentes e defensores do povo, não do poder.

(*) Establishment – Grupo, na sociedade, que exerce controle e influência em assuntos de políticas, opinião ou gosto, e visto como resistente a mudanças. Lexico

(**) https://pt.wikipedia.org/wiki/Fleet_Street

(***) mavericks – Maverick é pessoa não ortodoxa ou de mente independente. Lexico

(****) http://www.people.com.cn/

Hoje em dia, mavericks de verdade não têm nenhum lugar na mainstream media. A força real atuante no jornalismo moderno é as relações públicas corporativas. Veja a maneira de as notícias serem escritas: praticamente tudo é evasivo. Escrevi por muitos anos para o Guardian; meu último artigo foi há cinco anos, após o que recebi telefonema. Eu havia sido expurgado, juntamente com outros autores independentes. O Guardian hoje promove ficção acerca da Rússia, obsessivamente; os interesses dos serviços de inteligência da Grã-Bretanha, de Israel, do Partido Democrático dos US, imperativos de gênero/sexo burgueses e visão excessivamente lisongeira de si próprio. A caça às bruxas do jornal contra Julian Assange – parte de campanha à qual o Relator das Nações Unidas – UN para Tortura refere-se como “mobbing(*)” – inclui invenções de tipo antigamente associado à imprensa direitista de Murdoch; certamente, a crueldade por elas revelada em relação a Assange é blasfêmia em relação aos valores liberais que o jornal afirma defender.

(*) mobbing – Fluxo infindável de declarações humilhantes, degradantes e ameaçadoras na imprensa. Vide nota em RT: The lies about Assange must stop now (by John Pilger)

Pergunta: Você tem sido proeminente apoiador de Julian Assange, o editor fundador do WikiLeaks, atualmente preso na Grã-Bretanha esperando julgamento de extradição para os US no ano que vem a partir de acusações de espionagem. O que realmente está por trás da prisão de Assange?

John Pilger: Julian Assange é o que os jornalistas deveriam ser e raramente são: incansável e intimorato contador da verdade. Ele revelou, em vasta escala, a vida criminosa secreta das grandes potências: de “nossos” governos, suas mentiras e violência em nosso nome. Há dez anos, o WikiLeaks vazou documento de Ministro da Defesa britânico que descrevia o jornalismo investigativo como a maior das ameaças ao poder secretive(*). Jornalistas investigativos recebem nota mais alta na escala de ameaças do que “espiões russos” e “terroristas”. Assange e WikiLeaks podem reivindicar esse laurel. Se os estadunidenses puserem as mãos nele e o encarcerarem em condições infernais, virão no encalço de outros, inclusive daqueles jornalistas que simplesmente fazem seu trabalho. E virão no encalço dos editores e publicadores respectivos, também.

(*) secretive – Dito de pessoa ou organização: inclinado a ocultar sentimentos e intenções ou a não revelar informação. Lexico

Pergunta: Você diz que Assange deixa envergonhada a mainstream media do Ocidente porque o Wikileaks publicou informações condenatórias revelando crimes de guerra cometidos pelos US e pelos aliados respectivos da OTAN em Iraque, Afeganistão e alhures, enquanto a mainstream media ignorou tais crimes ou proporcionou a eles escassa cobertura. Será que isso explica por que essa mídia está ignorando as agruras de Assange?

John Pilger: Há, por fim, crescente percepção de que a profunda injustiça contra Assange provavelmente acontecerá no tocante a outras pessoas. A recente declaração da União dos Jornalistas da Grã-Bretanha é sinal de mudança. Se os jornalistas quiserem recuperar sua honra, o silêncio precisará ser quebrado.

Pergunta: Você recentemente visitou Assange na prisão de segurança máxima da Grã-Bretanha de Belmarsh, onde ele é mantido em confinamento solitário. Como descreveria você a condição física e mental dele? Você diz que ele está sendo sujeitado a julgamento de fachada. É esse tratamento indevido comparável ao que a mídia do Ocidente condenaria como perseguição, fosse dispensado em ditaduras?

John Pilger: O último comparecimento de Julian a tribunal em 21 de outubro foi na prática controlado por quatro estadunidenses da Embaixada dos US que se sentaram atrás do promotor e passaram suas instruções por escrito a ele manualmentge. A juiza viu esse absurdo e permitiu que continuasse. Ao mesmo tempo, tratou os advogados de Julian com desprezo. Quando Julian, que está doente, lutou para dizer o próprio nome, ela caçoou. A diferença em relação a julgamento de fachada da Guerra Fria foi que a coisa agora não foi transmitida na televisão estatal; a BBC elidiu as cenas.

Pergunta: Com a prisão de Julian Assange e de outros jornalistas independentes como Max Blumenthal nos US, que revelou os crimes de mudança de regime dos US na Venezuela, e dada a silenciosa indiferença da mídia do Ocidente, acha você fazer sentido real preocupação de que os US estejam resvalando para fascismo de estado policial?

John Pilger: Algumas pessoas diriam que esse deslize já aconteceu

 

Nota: Os pontos de vista de cada contribuinte não necessariamente representam os de Strategic Culture ou de Informação Incorrecta.

Artigo original: Strategic Culture Foundation

Tradução by zqxjkv0

13 Replies to “John Pilger: excepcionalismo estadunidense impele mundo para guerra”

  1. O que aqui já afirmei sobre a guerra no Yémen e as sociedades ditas ocidentais, vale ipsis verbis para os mainstream mídia das mesmas sociedades para o caso Assange.
    Enquanto Assange se mantiver na atual situação (e esperemos que não piore), sem que os ditos mídia venham em seu auxílio, denunciando e exigindo a sua libertação, condenando os que o têm preso e torturado, absolutamente tudo o que por eles for divulgado/noticiado deve ser apelidado de propaganda. Este titulo, “propagandistas de mafiosos”, tem de ser dito e repetido sempre que algum tipo de credibilidade ousam ter. Nada menos do que tal epitáfio os deve coroar pela sua ação ou inação… o futuro do jornalismo e da perspetiva histórica da verdade assim o exigem.

  2. “excepcionalismo estadunidense impele mundo para guerra” sera ? muitas vezes fica difícil acreditar que essas “revelações” não tem a serventia de endossar atitudes sinistras dos revelados, que é exatamente o que acaba ocorrendo no final das contas.

  3. A GEOSTRATEGIA
    O que se evita a todo o custo é explicar o que aconteceria sem o ” excepcionalismo” americano, se com 400 bases americanas a cercar a China esta continua a construir bases militares em ilhas artificiais criadas em aguas internacionais e em aguas territoriais de outros países apesar de já internacionalmente condenada. A China continua a ameaçar anexar Taiwan pela força, tal como o fez com o Tibete ( E todos sabemos o quão perigosos são os tibetanos) , e irá invadir Taiwan assim que o império americano vacilar, o que demonstra bem o verdadeiro caracter chines, alias isto é apenas a demonstração física do que o maior usurpador de propriedade intelectual e industrial do mundo não conhece limites, sem o malvado Imperio Americano a China ficara solta pelo mundo e poderá construir bases em aguas territoriais… italianas… Portuguesas… Brasileiras …
    As contas das 800 bases americanas espalhadas pelo mundo estão deliberadamente erradas uma vez que foram contabilizadas embaixadas e delegações pelo mundo onde existe pessoal militar em funções, confundir uma embaixada com uma base militar e confundir a luz de um isqueiro com a pista de um aeroporto … mas faz parte da propaganda…
    A Rússia possui cerca de 25 bases espalhadas pelo mundo especialmente nos países da Ex URSS …mas também no Ártico e na Venezuela,, com a queda do Imperio americano esse número vai crescer exponencialmente em todo planeta e se atualmente não possui mais bases é apenas por 2 motivos: falta de verba e oposição Americana.
    Outra consequência do desaparecimento do malvado Imperio Americano será o apoio dos bons amigos Russos e Chineses á Coreia do Norte para … resolver de vez a questão das Coreias e “pacificar” tudo aquilo numa península comunista e unificada … e feliz, como no norte.
    O Irão sentir-se a livre para terraplanar Israel, a cobiçada américa do Sul vai receber varias … varias … bases russas, a começar pela Venezuela para … “cooperar” com os vizinhos, o Brasil em especial…
    Portanto, vai haver uma inversão de polos … mas não são magnéticos.

  4. O PERFIL DO IMPERIO EMERGENTE:
    Na Rússia existem cerca de 10 milhões de estrangeiros vindos das ex republicas da URSS que vivem em condições sub humanas são vitimas de abusos principalmente por parte da policia e das gerações mais novas que veem neles a raiz de todos os males da Rússia (Onde é que eu já vi isto ? ) são comumente tratados no dia-a-dia pelas palavras russas ” idiotas” e ” retardados”
    Conheci pessoalmente ex combatentes soviéticos que estiveram na guerra do Afeganistão que me explicaram que as missões mais perigosas e os cargos mais baixos eram sempre guardados para os não russos enquanto que o oposto se aplicava aos russos.
    Notei também que há 20 anos atrás a quando da chegada a Portugal de vários emigrantes da ex-URSS que todas os nacionais de ex-repúblicas conviviam bem entre si, exceto os russos devido ao seu conceito de supremacia …
    Creio que nem será necessário abordar a preconceito que existe na Rússia em relação á cor da pele … do mesmo modo o tratamento reservado na Rússia para os homossexuais ou qualquer outro comportamento considerado desviante ainda que não interfira com as liberdades alheias é também ele conhecido … e degradante.
    Alias o mesmo se passa na China com os campos de concentração para Uigures e com o tratamento degradante a que são sujeitos apenas por questões religiosas e culturais, também não é segredo para ninguém o racismo dos Chineses para com os negros … a diferença é que lá nem há como se queixarem os bons rapazes do PCC tão nem ai …
    Portanto… como acham que vai ser o tratamento do novo império aos seus súbditos?

  5. CONCLUSÃO:
    Todos os impérios têm o seu fim, o Imperio americano não será exceção. É um facto comprovado de que não existem vazios de poder. Com a queda do Imperio outro império vai tomar o seu lugar e não será melhor.
    Os países da europa de leste receiam a Rússia e pediram ajuda ao Imperio americano, mas antes disso Rússia invadiu a Crimeia e isso fez soar as campainhas … Tem razões históricas para estar preocupados os sonhos de expansão da Rússia são históricos e quase genéticos.
    Em tempos vi neste blog um espaço de discussão em que os temas eram abordados sem tabus e a visão era imparcial, a chegada de “Strategic Culture Foundation” foi um sinal de que algo mudou essa mudança foi confirmada pelo nosso estimado Blogueiro quando afirmou no seu comentário que transcrevo com a devida vénia:
    “… Todavia, nesta altura de homogeneização forçada, de pensamento único obrigatório, dar voz a quem pensa de forma diferente é um dever. E se a voz em questão irrita os media de regime (o nosso regime!), mais do que um dever torna-se um prazer… “
    Dar voz a quem pensa de forma diferente é bom, desde que seja um pensamento a bem da evolução humana, e o pensamento do império emergente não é!
    E qualquer pessoa com o mínimo de cérebro vê isso.
    A minha suspeita é que SCF é um meio de propaganda desse império emergente e viu num blog como o II uma forma de se infiltrar nas mentes de leitores alternativos e moldar-lhes o pensamento … lentamente…ao bom estilo soviético, pagando para isso, ou não, o estimado blogueiro não responde… nem é da conta dos leitores… ora essa!
    Da minha parte resta-me apenas assinalar o requiem por um blog que em tempos viu todos os lados da questão e agora, tenho fundadas suspeitas que se tornou parta da propaganda do império emergente
    Mas reitero, até á infiltração do Strategic Culture Foundation, Informação Incorreta foi o melhor blog que conheci. Paz á sua alma.

    1. Olhar uma (pequena) parte pelo todo, é perspectiva unidirecional, é doutrinamento cultural.
      Cai-se na posição que se pretende contestar… É chegado o tempo de refletir e ponderar, parar a queda e retomar o centro, a perspectiva do todo e a busca pelo equilibrio dos meios.

    2. P.Lopes, já pensou em criar o seu próprio blog? Admiro o II mas os seus comentários são uma excelente lufada de ar, num local que já de si tem um ar óptimo (falo do II, do Max e dos comentadores neste espaço). Agradeço ao Max, ao P.Lopes e aos restantes, com especial menção à Maria. Muito OBRIGADO.

      1. Olá f.p.badio, não penso em criar um blog, gosto apenas de participar como comentador , e tenho noção que os meus pontos de vista não são populares , além disso um blog dá muito trabalho e exige muito tempo. Mas agradeço a sua sugestão.

  6. Para se entender a origem da missão estadunidense perante o mundo, basta pesquisar a história (incluindo aquela dificultada) na ilha britânica desde a chegada das primeiras grandes levas de judeus. Ali reside o resumo da “ópera”. O princípio dos princípios é de cunho bíblico…portanto, o mundo é regido por minorias de fanáticos que agregaram um outro fanatismo, o acumular riquezas mediante a exploração das populações, tudo justificado pela missão bíblica…e assim o baile segue…

  7. Olá Max e todos: tudo bem com a necessária, mas tardia defesa do Assange. Muito, mas muito antes mesmo ele deveria ter sumido, com o auxílio dos seus defensores, alguns dos quais têm condições (tinham) para faze-lo. Ou vão me dizer que os John Pilger da vida só se deram conta que as leis são para alguns quando viu no tribunal olheiros made in USA passar orientações para magistrados? Esse tipo de ingenuidade não tem lugar em jornalistas investigativos de valor, como suponho que seja o caso do entrevistado.
    A guerra, sempre a guerra, aquela do tipo “pega, mata e come”, está sempre na boca prognóstica de alguns. Já cansei do requentar um presságio dos anos 60. Eu estou esperando essa guerra em desuso desde que nasci. Enquanto isso as verdadeiras guerras do momento já se atualizaram faz tempo, e estão em curso. Quantas estratégias de guerra híbrida já foram testadas pelo império ? ( Por sinal, a maior parte delas de ótimo efeito, exceção da Rússia, que o czar não é besta. Até na China tem uma em curso em Taiwan).
    Até a guerra ao terror dos tempos do assassino das torres gêmeas já caiu de moda. (Efeito Rússia, contra efeito Israel). Trump tem se esforçado para jogar no ostracismo a guerra dos drones em território alheio, aquela que distraia o canalha Obama às terças-feiras. Agora impera firme a guerra de sansões, as estratégias de dissuasão (as tais de bases militares, apontando mísseis para a casa dos outros), a guerra cibernética, onde fica difícil determinar quem rouba e espia mais, o que, a guerra tecnológica onde desfila o uso militar do 5G e mais aquelas que o cidadão comum como eu não tem notícia nem ideia. Falam as más línguas que certos avanços científicos – tecnológicos em curso não seriam possíveis com o que se sabe, e teria de sair de inteligências externas ao planetinha. Vejam só !

    Oi Lopes; achei ótima a ideia do Bagio, um blog inteirinho do Lopes! Hah, olha Lopes, crucifica a China e a Rússia do jeito que gostas, que eu vou ler com interesse. Mas, por favor não me justifica a geopolítica do atual império porque não há justificativa que se sustente, no meu parecer.

    1. Olá Maria, o blog do Lopes seria um fracasso … a não ser … a não ser … que o meu amigo JF quisesse colaborar ai sim, o blog poderia ser um potentado de cultura capaz de produzir vasta literatura sobre todos os temas atuais especialmente para desmascarar o corrupto regime de Inglaterra e anglo-saxónico em geral e sempre com um cariz ati-clerical . : )))
      E ai … seria um xuxesso !

      Não tenho como objetivo crucificar China e Rússia (e muito menos defender o Imperio Americano), chineses e russos são povos oprimidos por regimes totalitários já lhes basta de cruxifixos.

      Apenas abomino todas as formas de propaganda como o é o Strategic Tretas Foundation , que não tem publicidade, não revela a sua forma de financiamento e faz um grande esforço para esconder que está sediado na Rússia apesar de só não o perceber quem não quer.

      Portanto já percebemos de onde vem o dinheiro … dinheiro que fazia falta para melhorar a vida de quem no seu país paga impostos que vão acabar por financiar sites da treta … e vive em condições infra humanas .

      É preciso manter presente que a moderna propaganda é uma herança do Regime Nazi , e toda a forma de propaganda é uma forma de desinformação e de colonialismo mental.

      Combater a propaganda do Imperio Americano com propaganda da Rússia/ China não me parece uma alternativa séria .
      Se o Tretas Foundation paga ou não para colar as suas tretas no II é afinal irrelevante … o que acho relevante é que não há justificativa para transformar um blog conhecido por ser sério e isento num veiculo de propaganda seja de onde for …

      Albergar o Tretas Foundation foi um tiro em cada pé do II e em cada artigo da treta tenho tentado demonstra-lo, os outros leitores que julguem.

      Em todo o caso espero que o Tretas Foundation pague bem, pelo menos mais de 30 moedas , como sabemos , historicamente houve quem tenha recebido 30 moedas… e depois arrependeu-se … :)))

  8. Tenho o John Pilger em alta estima… desconheço dados que possam pôr isso em causa. Nunca o considerei “propangadista” de coisa alguma, mas venho-o considerando (há muito) como um defensor férreo do jornalismo sério e dos valores que a profissão detinha (devia ter).
    Até evidências em contrário, e não foi nesta entrevista ao SCF que as vi, continuarei a seguir os seus artigos de opinião e as suas investigações, mantendo-o como um dos meus “mavericks” predilectos.
    Ele, como muitos outros, expulsos ou expurgados que foram dos “mainstream mídia”, têm que procurar os meios alternativos possíveis e da maior amplitude para que o seu jornalismo chegue á maior audiência possível. Só dessa forma podem ousar contrariar o divulgado pelos ” papagaios”. No processo, nenhum tipo de audiência deve ser excluído, todas devem poder ter acesso á opinião do contraditório. Cada qual pensará o que bem entender, com o devido conhecimento de causa.

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