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Coronavirus X: As escolhas de Boris

Boris Johnson é uma figura que podemos definir como… bah, não sei. Decida o Leitor. Todavia conduziu o seu País fora da União Europeia e agora pode enfrentar o psicodrama do CODIV-19 com mais tranquilidade, livre dos vínculos europeístas. E faz uma certa impressão observar as medidas adoptadas, tendo em conta que falamos do Reino Unido, berço do Liberalismo.

Eis a lista, directamente das páginas online do governo inglês:

Pelo que: o Tesouro cobre 80% dos salários, até 2.500 Libras por mês, de todos os empregados de todas as empresas que não podem funcionar. No caso dos trabalhadores independentes, garante um rendimento equivalente ao subsídio de doença. Tudo com dinheiro público, fornecido pelo Banco de Inglaterra sem juros.

O Estado britânico pode muito bem dar-se ao luxo de gastar tudo o que for necessário para cobrir perdas salariais, para manter os negócios a funcionar e apoiar a economia durante a crise do Coronavírus: não há nenhuma restrição da dívida. Uma boa ocasião de reflexão para todos aqueles que previam desgraças em cadeia uma vez abandonada a União Europeia.

A verdade é que Londres não tem que economizar, pode não questionar os custos por causa das ordens de Berlim, ups! desculpem, de Bruxelas. Tudo isso porque a Inglaterra tem um seu Banco Central de emissão, tem a sua própria moeda e também um sentido de pátria permite mais solidariedade.

Desta vez, a Grã-Bretanha não repete os erros que cometeu (como todos os outros Estados europeus) após a crise da Lehman em 2007, ao adoptar a estratégia da austeridade: a teoria da “austeridade que gera crescimento” foi atirada às urtigas simplesmente porque falhou.

A Dívida Pública inglesa irá disparar? Sim, então. O risco hoje e nos próximos meses é de empurrar milhares de empresas saudáveis, vitais e valiosas para o precipício e prejudicar toda a economia nacional. Neste caso não vale a pena deixar que actue o alegado “processo natural” do Liberalismo, a destruição “criativa” que elimina os ramos secos, para depois esperar numa recuperação.

A recuperação será realidade naqueles Países que terão preservado a sua base industrial com políticas mais viradas para o futuro; para os outros haverá depressão e desempregado. O Reino Unido tem actualmente um rácio Dívida/PIB de 85%. No final dos próximos 3 ou 4 será de 110%, talvez 120%. Como acontece depois de cada guerra. Mas neste caso, o sistema produtivo terá sido preservado. No Reino Unido, os subsídios governamentais gastos para manter a Nação inteira e funcional levarão a um forte aumento da procura: isto causará, uma vez terminado o psicodrama, uma aceleração do PIB com o qual será “arrefecer” a Dívida e trazê-la de volta para os valores actuais.

Tudo isso foi decidido pelo indivíduo com a expressão não muito inteligente que podem observar na fotografia. No País do Leitor os governantes terão sem dúvida uma imagem mais cuidada: mas adoptaram as mesmas medidas?

 

Ipse dixit.