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Nunca

O Leitor ainda tem dúvida acerca da dívida pública? Que, lembro, é apenas um sistema para engordar os cofres dos bancos e dos especuladores (que sempre bancos são)?

Encontrei a seguinte tabela que ilustra a situação da dívida publica italiana entre os anos 1990 e 2008. Não é novidade nenhuma, são coisas que neste blog já foram amplamente tratadas. É só para lembrar…:

A leitura é simples, o que interessa basicamente são a coluna com o total da dívida pública e a coluna com o total dos juros. A primeira, a dívida, após 18 anos apresenta um total (1.663.353) que é quase igual ao total dos juros pagos (1.605.543).

Alguém pode objectar: mas é normal pagar juros quando for contraída uma dívida. Sim, no actual sistema financeiro é normal. Justo, mas depende do valor dos juros. No caso da Italia, por exemplo, o Estado garantiu aos credores uma remuneração 4.2% superior à inflação (em verdade fez até pior, mas enfim…): em termos reais, a dívida duplica em pouco menos de que 20 anos.

Entre 1990 e 2008 a Italia pagou a própria dívida, toda: só que as prestações foram engolidas pelos juros, todas. E que raio de empréstimo é este?

O caso italiano não é o único. Não tenho os dados de outros Países, mas aposto que a situação seja mais ou menos a mesma, pelo menos na maioria dos casos. Porque a dívida não é para ser paga, nunca foi concebida com esta intenção: a dívida é um mecanismo que:

  1. garante entradas aos “especuladores” ao longo dum tempo indeterminado (praticamente infinito)
  2. consente um efectivo controle da despesa e dos investimentos dum Estado por parte dos especuladores, limitando também a efectiva possibilidade de desenvolvimento
  3. permite “conduzir” a economia dum Estado segundo o desejo dos ditos especuladores (no caso actual, o desejo é “austeridade”)

Segunda objecção: “Eh, mas os Estados devem financiar-se, pagar os serviços, a máquina pública: devem encontrar o dinheiro”.
Correcto. Mas os Estados com moeda soberana podem imprimir o dinheiro.
Se os Estados Unidos tivessem impresso o dinheiro  para financiar o deficit público (as despesas, por assim dizer), hoje a dívida pública seria 40% da actual.
No caso da Italia, a dívida seria praticamente zero.

Interessante notar que os Estados Unidos, mesmo sendo um Estado com moeda soberana, preferiram emitir dívida em vez que imprimir dinheiro. O resultado é que hoje a dívida pública é insustentável.
E os bancos agradecem.

Em Italia a situação é diferente: como todos os Países da Zona NEuro, não pode imprimir o próprio dinheiro e depende da moeda única, que é adquirida pelo Estado com a emissão de Títulos de Estado. Que mantêm inalterado o valor da dívida pública e impedem que a mesma dívida possa ser paga (é o caso da tabela apresentada).
E os bancos agradecem.

Como afirmado: nenhuma novidade, apenas para lembrar que é bem não ter ilusões: a dívida pública NUNCA será paga, não foi pensada para este fim.
Dúvidas? Experimentem ler outra vez a tabela.

Ipse dixit.

Fonte: Cobraf