Lembro que qualquer Leitor pode enviar os próprios escritos, desde que o assunto tratado seja de interesse público, como é natural. Por isso agradeço o Leitor Anónimo e convido à leitura:
Olá aos leitores de Informação Incorrecta.

Mas, aviso prévio: vou comentar um assunto religioso de uma forma que talvez não tenham visto antes…por isso, tenham a mente aberta, e não percam a concentração, que isto que vão ler requer capacidade de “visualização” e de “encaixe”. E eu já sei, pelo assunto que é, que a controvérsia vai ser imensa.
Cá vai: Religião e Ciência. Este sempre foi um dos duelos mais persistentes da História humana. Creio que todos concordaremos com isto. Ao longo dos séculos, aquilo que a religião dizia, a ciência tomava como mistificação, crença supersticiosa, sem fundamento ou explicação. Aquilo que a ciência dizia, a religião chamava de heresia, apostasia, descrença e falta de princípios.
Mas…e quando ambas se complementam? Quando ambas, em conjunto, explicam finalmente o sentido de algo em particular? Quando a religião se serve de algo na ciência para se justificar, e a ciência comprova, efectivamente, aquilo a que determinado axioma, ou postulado, se referia, comprovando-o com factos mensuráveis? Quando algo que tomávamos até então como fundamentalismo revela finalmente o seu sentido, porque a ciência prova a lógica que existia por detrás do que era, até então, considerado um mistério de Deus? De forma simples, quando só hoje é que é possível perceber porque é que determinada ideia ou prática religiosa faz sentido, porque só hoje é que a ciência permite perceber o seu verdadeiro sentido?
Ou, mais flagrantemente ainda, quando uma coisa e outra vão dar ao mesmo, ou querem dizer o mesmo, mas o dizem cada uma à sua maneira? É como aquele diálogo clássico entre Huckleberry Finn e Tom Sawyer, em que um deles, ao ver um barco no rio, pergunta ao outro qualquer coisa como: “Os franceses chamam a isto “bateau”, mas como é que isso é possível? Uma pessoa ao olhar para isto não vê logo que é “boat”?” Ambas as palavras querem dizer “barco”, só que em línguas diferentes…
Descansem, não estou a fazer nenhum tipo de endoutrinamento “new age”, ao tentar fundir ciência e religião, estou a tentar explicar como, muitas vezes, a resposta para alguns enigmas da antiguidade está cada vez mais debaixo do nosso nariz…por favor, continuem a ler, já vão perceber a que me refiro.
Vamos pegar num dos assuntos mais polémicos presentes na Bíblia. No Velho Testamento, ainda para mais: a proibição de ingerir sangue. A proibição desta prática, hoje em dia, é especialmente conhecida como característica dos praticantes Testemunhas de Jeová (escrevo isto sem o intuito de ofender, estou apenas a ser objectivo em relação a um facto), e um ponto de cisão entre essa denominação religiosa e as demais.
Mas o certo é que hoje em dia, existem dados científicos documentados que permitem perceber porque é que tal proibição faz sentido! Para os associarmos ao contexto bíblico, vamos referir primeiro o que está na Bíblia.
A Bíblia diz para nos esforçarmos (em itálico) para não beber sangue, pois a alma (em itálico também), está no sangue. Quando algo, na Bíblia está em itálico, julgo eu, é para interpretarmos o que está em itálico não literalmente, mas num sentido aprofundado, que a/s palavra/s procuram dar a entender. Essas palavras em itálico só são usadas, porque, no tempo em que foram escritas, não havia outras que expressassem melhor o que se queria dar a entender.
O que é que “esforçar” queria dizer? Presumo que talvez quisesse dizer “resistir”, ou “persistir”. Contra todas as pressões, ou costumes, ou práticas, não deixar de fazer de determinada maneira. O que é que “alma” queria dizer? Penso eu que “essência de”, ou “aquilo que define”. Logo, a frase talvez quisesse dizer “Resiste contra beber sangue, persiste em não beber sangue, pois a essência, o que define, está no sangue”…e essa “essência” não seria para se assimilar, para se misturar com a essência de mais ninguém, sendo duas coisas que deviam ser mantidas em separado.
Mas que “essência” é essa, que está no sangue, a que os textos Bíblicos se referem e à qual dão tanta importância? Na altura, seria impossível expressá-la, mas hoje sabe-se o que é… O que é que existe no sangue que exprime, que estabelece, que define a essência do que nós somos? É, muito simplesmente, o código genético!
Pessoalmente, percebo e concordo com o que as Escrituras pretendem dar a entender: os códigos genéticos não são para se misturar como quem faz um “cocktail”, ou como quem monta um carro com peças de várias construtoras. Quem o fizesse, por exemplo, em laboratório, para estudar o resultado, era logo alvo de todo o tipo de acusações, desde ciência sem escrúpulos a falta de ética. Era acusado até de querer comparar-se a Deus…
Visto que o ADN, é pelo menos no campo físico, o que representa o que uma pessoa é, os diferentes ADNs devem ser conservados na sua unicidade, ou singularidade. Creio que aqui ninguém gostaria de ver o código genético de mais ninguém “implantado” no seu, ou “acoplado” ao seu…um código genético que não fosse o seu, que não tivesse nada a ver com o seu, que dissesse respeito a mais alguém e não a si, que representasse o que mais alguém é, e não o que a pessoa em causa é.
Bem…quando alguém bebe ou recebe sangue, é isso que está a fazer. A incorporar algo que não diz respeito a si, mas a mais alguém. O sangue não é meramente sangue, tem informação.
Sim, informação! É esta a segunda razão pela qual o material orgânico não é apenas “matéria”…há casos de pessoas que fizeram transplantes (nomeadamente de coração e de partes do cérebro) e que passado uns tempos, começaram a expressar os talentos, habilidades e vocações dos anteriores “donos” dos órgãos que receberam. As células têm memória. Isto está medicamente registado.
E essas pessoas, ao receberem novos órgãos, começaram, por assim dizer, a transformar-se no que outra pessoa era, ou fora, ou tinha sido…é como se outra pessoa estivesse a sobrepor-se a eles, e a pessoa que recebeu os órgãos se estivesse a perder, a esvair-se não sei para onde, a deixar de existir, a ser…apagada. A pessoa foi, para usar um termo simultaneamente bíblico e científico, adulterada: não foi conservada como devia ser, passando a um estado que não era o que devia ser.
Isto é algo assustador, quando começamos a pensar nestes termos…e quando olhamos para as nossas práticas comuns, ainda mais assustador se torna, pois ingerir sangue abrange vários aspectos da nossa cultura.
Não é só a nível médico que se toma o sangue humano unicamente como matéria-prima. Usamos, por exemplo, a nível culinário, sangue de animal como ingrediente: postas de sangue servidas com pratos de carne, salsichas de sangue, misturar arroz com sangue (ah, sim, já que falamos nisto…as Escrituras também dizem para não se comer a gordura…não sei o que esta representa a nível científico, mas o certo é que também se usa como ingrediente), etc., etc..
Já a nível mitológico, está na origem do vampirismo: quando, nas histórias vampíricas, alguém suga o sangue a outro, é na realidade a analogia de um ser das trevas a apoderar-se da alma de outro para se fortalecer. O vampirismo, por sua vez está ligado a satanismo e seitas obscuras, razão porque muitos dos seus membros cortam veias e derramam sangue em oferenda aos espíritos que seguem. É como se oferecessem a alma. Estas seitas secretas estão muitas vezes ligadas a sociedades secretas…que têm o poder de impingir as suas práticas para o resto da sociedade, e talvez daqui venha a origem do uso do sangue.
“Isso quer dizer que não devíamos usar sangue para salvar vidas? Isso era retornar a uma era de trevas!”, dirão. E é realmente aí que a polémica surge (e vai surgir, nos comentários). Recordem-se do sentido em que, há pouco, usei a palavra “adulterar”. Faz sentido salvar uma vida? Claro que faz! Faz sentido salvar uma vida adulterando-a? Não dá para responder com clareza. A resposta poderá ser um sonoro “sim”, quando se pensa apenas em termos físicos, mas não quando se pensa em termos espirituais.
Mas estejam à vontade para “arrearem” com força nos comentários. Só peço é que, por favor, não façam comentários do tipo “o autor do texto deve mas é ser Testemunha de Jeová e está a promover essa religião”, ou “o autor do texto deve ser maluco da cabeça ou não ter nada para fazer para se pôr a pensar em coisas destas”, ou “o autor do texto não vive no século XXI e se calhar ainda usa ceroulas e deve andar de jerico no meio dos carros”, ou “o autor do texto é um fundamentalista sem respeito pela vida, se toda a gente fosse como ele estávamos todos tramados”. Sejam crescidos, por favor…pretendi apenas expôr uma reflexão que fiz e uma conclusão a que cheguei, há relativamente pouco tempo. E eu próprio, que escrevi isto, reconheço perante quem lê que isto que escrevi é abananante.
Assinado,
Um leitor anónimo.
