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És tu que escolhes

Quando Portugal faliu não fiquei preocupado. Aliás, fiquei curioso.
“Algo acontecerá”, pensei.
E de facto algo aconteceu. Mas não o que eu esperava.

Não que esperasse revoluções ou coisas parecidas, nada disso. Mas alguma reacção sim.
Em vez nada aconteceu.

Nos media temos infinitas discussões acerca do estado do País. Cada vez que surgir uma notícia relativa ao assunto, eis que nas principais televisões aparecem os “entendidos”: são estas pessoas que supostamente “sabem”, e explicam ao profano o que se passa.

Uma vez explicado, tudo fica como antes.


Depois há os grandes debates, com perguntas do tipo “Portugal, que fazer?”.
Nestes debates fala-se de muitas coisas, aliás demais. Ao fim de poucos minutos a impressão é que o tema seja “Nasceu antes o ovo ou a galinha?”. Eu não tenho nada contra as galinhas, que fique claro, considero estes animais simpáticos. Só que, dada a situação, acho existirem outras prioridades.

Por exemplo, os responsáveis que ao longo das décadas criaram esta situação: podemos prende-los e julga-los? Afinal são pessoas que traíram a confiança dos cidadãos, de todos os cidadãos. São pessoas que, na melhor das hipóteses, fizeram mal o trabalho delas.

Se eu conduzir mal, aparece um homem de farda que me entrega uma multa. O que é justo.
Se eu gerir mal o País, sou eleito outra vez e até posso esperar de chegar ao cargo de Presidente da República.
Não acham isso um pouco esquisito?

O sábio Leitor pode dizer: “Caro Max, mas punir os culpados não resolveria os problemas”.
Não concordo. Um julgamento traria à superfície os erros (se só erros foram…) e daria importantes indicações acerca daquilo que é preciso não fazer e daquilo que, pelo contrário, pode ser entendido como “uma boa política”.

Em Portugal nada disso acontece. Pelo contrário: os partidos que governam são os mesmos que governaram no passado. Mudaram apenas os objectivos, pois agora a intenção é desmantelar o Estado.

A TAP, a companhia aérea portuguesa, está à beira de ser privatizada, tal como os correios e até o Pavilhão Atlântico. Antes criaram um enorme buraco económico-financeiro, agora vendem o que sobra. Um trabalho que tinha começado e que agora tem de ser concluído, pelo visto.

E os Portugueses? Nada. Assistem aos programas da televisão e dizem “Pois é”.
Vêem o próprio País ser vendido em fatias e repetem “É preciso, estamos com muita dívida”.
Experimentem perguntar na rua: “Mas o que é esta dívida?”. As respostas serão alucinantes. Os Portugueses nem sabem qual o assunto, aceitam as palavras dos governantes como se de ouro se tratasse. E os governantes agradecem: quem pode queixar-se?

Não os cidadãos, convencidos de que a destruição do próprio País seja a única solução para tratar dos males dele (tipo: o senhor está doente? Melhor mata-lo já), não os governantes, que desta forma podem obedecer em plena tranquilidade às ordens vindas do estrangeiro.

O desemprego quase atingiu 15%?
Os dados económicos são bem piores das previsões governativas?
O máximo que podemos observar são as greves. Ahhh, a greve, a força do povo na rua, a força da classe trabalhadora que, unida, desafia a classe dos patrões. Ou a força do governo que ignora as greves, pontos de vista.
Porque uma oposição digna deste nome já deveria ter proposto algo mais.
É tempo de retomar o controle do País. É tempo de salva-lo do abraço mortífero duma classe política incapaz e corrupta. É tempo que os jornalistas voltem a fazer investigações, não apenas relatos. É tempo, em primeiro lugar, de despertar os adormecidos, que são milhões só neste pedacinho de terra.

Alternativa? Ficar, olhar, confiar nas mesmas pessoas que fizeram falir um País.
É o que foi feito até agora. Os resultados estão à vista.

Pessoalmente não sou optimista acerca deste assunto. Há abulia, há cobardia, há falta de iniciativas. As pessoas não querem abandonar o cómodo mundo podre delas antes deste ter caído definitivamente em pedaços (e cairá, porque está já a cair). Aí então sim, haverá reacção. Demasiado tarde, meus amigos: na altura já existirá algo para mudar sem que nada mude. Game over. 

Afinal és tu que escolhes.
Ah: bom fim de semana.

Ipse dixit.