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Líbia: liberdade, democracia, tortura

Líbia, lembram? Pois.

Seriam milhares os detidos nas prisões ilegais da “Nova Líbia”, detidos que sofrem terríveis torturas e maus-tratos, a maioria acusados ​​de serem fiéis ao ex-ditador Muamar Kadhafi .

A fonte deste alarme? O Conselho de Segurança da ONU. O Alto Comissariado das Nações Unidas sobre os Direitos Humanos, Navi Pillay, lamenta “a falta de controle pelas autoridades centrais, que criam um clima em que a tortura e maus-tratos” e salienta a urgência de colocar os centros de detenção, na maioria ilegais, sob o controle do governo da CNT (o comité de transição).

A ONU agora lembra da Líbia? Assim parece. Até organiza inspecções: “Os meus colaboradores têm recebido relatórios alarmantes, segundo os quais a tortura ocorre nos centros de detenção visitados.”

De acordo com um funcionário das Nações Unidas, o actual governo está a tentar de todas as formas tomar o controle dos presos agora nas mãos dos rebeldes, mas é prejudicado pela falta de agentes penitenciários.


Em comunicado, a organização Amnisty International informa que vários detidos “morreram depois de ser submetidos à tortura nas últimas semanas.” Os líderes de Amnisty reuniram-se com presos nas prisões de Tripoli, Misurata e Gharian: lá encontraram “sinais visíveis de tortura e maus-tratos”, incluindo “os ferimentos na cabeça, nos braços.” De acordo com a organização os responsáveis seriam milícias, militares e forças de segurança.

Também Médicos Sem Fronteiras anunciou a intenção de parar as suas actividades em Misurata “porque os presos sofreram tortura e não têm acesso a cuidados médicos de urgência.” Os médicos disseram de ter contactado desde Agosto passado “um número cada vez mais crescente de pacientes com feridas causadas por tortura durante os interrogatórios”.

O Diretor Geral de MSF, Christopher Stokes, acusa: “Entregaram pacientes para n´so estabiliza-los e poder assim interroga-los novamente. Isto é inaceitável. A nossa tarefa é prestar cuidados médicos para os presos feridos e doentes na guerra, não tratar os pacientes para que possam ser torturados novamente.”
MSF declara ter tratado 115 pessoas com ferimentos de torturas e relatou todos os casos às autoridades.

A ONU não pode fornecer o número de pessoas actualmente nas mãos dos rebeldes. Em Novembro, o Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha fornecido uma estimativa de cerca de 7 mil pessoas. O embaixador da Líbia na ONU, Abdurrahman Mohamed Shalgham, falou ao Conselho de Segurança em mais de 8.000 prisioneiros, entre os quais também haveria civis, mulheres e crianças.

Reacção dos media? Nenhuma.
Esquisito, imaginem uma notícia como esta na altura de Kadhafi: já alguém teria falado em “intervenção humanitária”.

Bem-vindos na Líbia livre e democrática.

Ipse dixit.

Fonte: Il Mensile