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Super-Vírus

Fechamos (só temporariamente) a Departamento de Saúde mas desta vez sem falar de vacinas.

Hã dois-três anos começou uma campanha de virologistas e jornalistas ligado ao mundo da saúde, todos alinhados e compacto em alertar a população contra o risco de possíveis combinações entre as diferentes estirpes de vírus da gripe que podem infectar um organismo por via aérea, (muito contagiosos mas de baixa mortalidade), e vírus mais contagiosos, mas mais letais, tais como a gripe aviaria (ou H1N1).

O risco maior: a Quimera, algo de muito contagioso e ao mesmo tempo alta letalidade. Enfim, um espectáculo de vírus.

Na verdade a coisa soava um pouco ridícula: uma coisa destas pode acontecer, como no caso da Gripe Espanhola, mas não é possível prever como e quando porque a Natureza opera segundo leis, as próprias leis.

O que, doutro lado, é bastante aborrecido: porque raio temos que esperar que a Natureza decida criar um super-vírus, capaz de infectar e matar milhões, de forma rápida e eficiente? Não seria possível criar isso num tranquilo laboratório e depois bater as palmas? E, na minha óptica, nesta altura não seria mal considerar um Prémio Nobel também, da Medicina ou da Paz.

Até que enfim: a gripe mortal

E, queridos Leitores, eis a boa notícia.

Com cinco modificação genética, cientistas (???) liderados pelo virologista Ron Fouchier no Erasmus Medical Centre de Roterdão, Holanda, alcançaram uma variante do vírus da gripe aviaria que pode transmitir-se de forma fácil e rápida a milhões de pessoas para desencadear uma pandemia real.

A elevada capacidade de difusão tem sido demonstrada através de experimentos realizados em furões e verificou-se que se o vírus sair de laboratório, a pandemia seria capaz de matar 50% da população mundial.

Dito entre nós, a esmagadora percentagem de 50% parece um bocado exagerada, um bom fruto das exigências jornalísticas. Mas seja 50% ou 30% ou 10%, temos que admitir: criar um vírus assim é sempre uma satisfação.

E a satisfação é ainda maior porque este era um resultado procurado há alguns tempos.

Anos de esforços

2005: Espanhola

O Mount Sinai School of Medicine, o Armed Forces Institute of Pathology e o Southeast Poultry Research Laboratory são as organizações que tomaram parte no projecto para devolver a vida ao mortífero vírus da Grande Gripe, que entre 1918 e 1920 matou pelo menos 20 milhões de pessoas no mundo.

O vírus da Espanhola tinha sido encontrado num cadáver congelado perto do Árctico. Obtida a estirpe do original do vírus, mapa-la não foi uma operação muito complexa.

2009: teste da disponibilidade das vacinas

É assim: uma operação estratégica precisa dum teste.

Dois anos atrás, com o ridículo vírus da gripe suína, a população mundial foi colocada perante a ideia duma vacinação em massa, com base voluntária e consensual, mas sempre sob a pressão da acção terrorista de televisões, rádio e jornais.

A resposta foi parcialmente positiva, mesmo que centenas de milhares, talvez milhões de pessoas decidiram informar-se, alertadas por uma vacina criada e aprovada depressa, para combater uma pandemia mortal só na televisão.

Inclusive, o teste conseguiu arrecadar uns bons dinheiritos para os cofres das casas farmacêuticas e dos políticos ligados à operação.

2009: Baxter

Há dois anos, a empresa farmacêutica Baxter enviou um lote de vacinas anti-gripe infectadas com o vírus da H1N1. Foi só por um milagre que não aconteceu a tal combinação letal de gripe comum e Gripe H1N1, só por milagre não foram abertas as portas duma nova Espanhola

O milagre foi um pesquisador da República Checa ter experimentado antes a vacina nos ratos e não logo nos humanos.

Um milagre ou um azar, pontos de vista.
Para os ratos foi um azar, pois morreram todos.
Para nós foi um milagre.
Para a Baxter não sabemos.

 A propósito: a casa farmacêutica admitiu o erro. Foi por causa dum erro que os vírus conseguiram misturar-se com as vacinas.
Responsáveis? Não há.

Justo, todos os pesquisadores sabem que é difícil lidar com estes vírus da gripe: saltam, correm, partem tudo, nunca param. Não admira alguns deles terem conseguido esconder-se nos frascos das vacinas. E fugir aos controles também.

2009: Ucrânia, teste em área delimitada

Pouco tempo depois, explodiu na Ucrânia e Bielorrússia um surto influencial de alta mortalidade, a chamada Black Lung Syndrome ou Síndrome do Pulmão Preto, uma patologia pulmonar que apresentava alguns factores em comum com a Gripe Espanhola, incluindos os “pulmões pretos como o carvão,” de acordo com os médicos testemunhas oculares.

Foi o resultado da combinação de três vírus diferentes de três estirpes diferentes, algo que não acontece facilmente. Mas em 2009 os vírus pareciam capazes de fazer tudo e mais alguma coisa.

Falou muito pouco no Ocidente desta Síndrome, mas os problemas não faltaram, com escolas fechadas, hospitais em graves dificuldades, médicos infectados, rápido efeito contagio com proibição de reuniões nas ruas, racionamento de medicamentos e ameaças de impor leis de emergência.

Só para não esquecer.

Ipse dixit.

Fonte: Informazione Scorretta