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Pensamentos nocturnos (na hora do almoço)

Continuamos? Sim, obrigado.

Por isso: a culpa da nossa actual situação não é apenas dos media. Estes fazem o trabalho deles. Boa parte da responsabilidade é nossa, que não perguntamos, não procuramos, não exigimos.

Mais: grandíssima culpa temos nós, blogueiros. Porquê? Porque não somos de confiança.

Como disse antes: na internet há tudo e mais alguma coisa. Mas este “mais alguma coisa” não surgiu do nada, alguém pôs toda a tralha online. E tralha significa muitas coisas: conspirações absurdas, extraterrestres dementes, planetas que vagueiam no espaço, não falta nada.

Não ralho com quem procura a verdade: nos meus links podem encontrar blogues que tratam destes assuntos. Mas uma coisa é tratar e tentar perceber; outra coisa é apresentar estas fantasias como factos comprovados.

Um exemplo? A saga de Nibiru.

Nibiru, o planeta com orelhas

Zecharia Sitchin era um escritor e economista que faleceu há poucas semanas.
Reparem: escritor e economista. Não arqueólogo, não histórico, não linguista: apenas escritor e economista. Em 1976 publicou um livro, The 12th Planet, vendeu bem e continuou a escrever (12 publicações no total), sempre com o mesmo tema: Nibiru.

Nibiru, nada mais, nada menos.

Qual a teoria dele? Simples: Sitchin pegou em alguns documentos dos antigos Sumérios e, após uma pessoal interpretação, construiu uma história digna da melhor tradição de Guerra das Estrelas.

Não importa se centenas de arqueólogos (arqueólogos, não economistas) estudaram os mesmos documentos sem encontrar nada disso: segundo o bom blogueiro conspiracionista, esta é a melhor prova de que existe uma conspiração.

Imaginem: seria como pegar na receita dum bolo de abacaxi e ver nisso a previsão do fim do mundo.
Todos os cozinheiros dizem o contrário? Claro, é uma conspiração.

Mas afinal qual o problema com este Nibiru?

De acordo com Sitchin, Nibiru era o lar de uma raça extraterrestre tecnologicamente avançada: os terríveis Annunaki (Nefilim na Bíblia).
Estes chegaram à Terra pela primeira vez 450.000 anos atrás, em busca de minerais, em particular ouro. Pois é normal que uma sociedade avançada tenha as mesmas paranóias nossas.

Os Annunaki descobriram que o ouro estava na África (e ainda bem que não descobriram nos diamantes da África do Sul…), mas então surgiu um problema: extrair o ouro custa fadiga e, ao que parece, os Annunaki não gostam de trabalhar. Por isso, geraram o Homo Sapiens a partir do cruzamento com o Homo Erectus, através de engenharia genética, para que este trabalhasse nas minas de ouro.

Tudo continuava alegremente, até um dia em que os Annunaki decidiram partir. Pois Nibiru é um planeta que entra e sai do Sistema Solar, um pouco como um ioiô. Então os Homos Sapiens foram deixados sozinhos e a raça prosperou. Mas atenção, pois agora Nibiru está de volta, e os Annunaki com ele.

Tentem adivinhar em que ano Nibiru voltará? Exacto, em 2012.
Temos provas disso. Uhiii! Internet está cheio de provas.

Nas seguintes imagens é possível observar Nibiru, evidenciado com um circulo vermelho.

Parecem reflexos nas lentes das objectivas fotográficas, não é? Errado: é Nibiru.
Não acreditam? É porque são conspiracionistas e negam as evidências.

A melhor imagem acho ser esta:

A legenda original da fotografia diz “Foto de Nibiru tirada no extremo sul da Terra”. E percebe-se facilmente que estamos no extremo Sul, é só observar a típica palmeira da Terra do Fogo.

Mas o que interessa é o comportamento de Nibiru: acima do Sol, depois um pouco mais baixo e à direita, a seguir quase afunda no mar à esquerda, tudo no espaço de poucos minutos. Provavelmente era altura do Carnaval em Nibiru e os Annunaki tinham exagerado com a cerveja.

Gostaria de dar a minha pequena contribuição com uma fotografia que provavelmente ainda não foi descoberta:

Este é Nibiru colecção Inverno 2011: o planeta aqui fica um pouco baixinho, verdade, mas para os Annunaki era Verão, lógico procurar um pouco de frescura nas neves do Norte.

Mas a Nasa, que diz a Nasa? Cambada de conspiracionistas, eles têm as provas e ficam calados.
Observem esta excepcional imagem da sonda espacial Soho:

O que é isso? Um pombo? Parece ter sido criado com o programa Paint, mas é um trabalho muito mal feito. Tão mal feito que não pode ser falso. E não é: é o planeta com as orelhas, é Nibiru!

Confiança

Gostaria de continuar a falar do caso Nibiru, pois o assunto é amplo e particularmente estúpido.
Mas o tema central é outro. Como podemos pedir confiança quando publicamos ou colaboramos na divulgação de coisas como esta?
Como podemos pretender que o leitor possa acreditar nas nossas teorias se somos os primeiros a criar as bases do ridículo e da desconfiança?

Mas, é possível rebater, quem publica estas coisas acredita mesmo nelas.
Tudo bem, posso perceber isso. Mas temos ou não temos alguma coisa debaixo dos cabelos ou é apenas ar? Então, se temos à disposição um pouco de matéria cinzenta, porque não desfruta-la?

Criança reptiliana, perfeitamente disfarçada

Aceitar a teoria de Sitchin significa deitar para o lixo os últimos 300 anos de história científica, desde Newton até hoje. Significa recusar que possa existir algo como a Gravidade, por exemplo.

Gostem ou não, é mais sério acreditar no Pai Natal. Que, entre as outras coisas, entrega prendas e não quer destruir o planeta. O que é bem melhor.

Mesma coisa pode ser dita acerca dos Reptilianos. Mas alguém viu um Reptiliano beber sangue humano ou outra coisa qualquer, nem que seja uma Coca-Cola?

E haveria outros exemplos ainda.

Método

O meu blog não é melhor do que outros blogues. Mas tem uma particularidade: antes de publicar, pesquisa. Onde? Nos blogues que dizem exactamente o contrário das minhas hipóteses.
Qual é o sentido de procurar “provas” de Nibiru num outro blog que acredita em Nibiru? O resultado é óbvio.

Ler a teoria de Nibiru e depois confrontar com os conceitos básicos da astrofísica, por exemplo, dá mais trabalho. Mas permite fazer uma comparação e avaliar de forma mais objectiva os dados, as fotografias, as ideias.

Pai Natal existe, eis a prova

Quando encontro uma fotografia do interior dum avião que supostamente espalha chemtrails e depois consigo encontrar a mesma imagem num site da aviação civil, com tanto de explicação e pormenores (que nada têm a ver com as chemtrails), então fico na dúvida: mas porque raio os apoiantes das chemtrails têm que recorrer a estes truques para justificar a própria teoria?
Será que não existem provas suficientes?
Se calhar não.

Não é uma questão de “acreditar apenas no que vejo”. É uma questão de método.

Não sei se o meu método funciona. Talvez isso impeça de acreditar em coisas óbvias, como Nibiru e afins. E gostaria que alguém exprimisse a própria opinião acerca disso.
 
Mas acho indispensável criar confiança. Não apenas aqui, em Informação Incorrecta, mas no mundo da informação alternativa no geral.

Caso contrário, o destino será de continuar a ser vistos como uma cambada de alienados com teorias ridículas.
E será o triunfo de quem assim desejar.
Ámen.

Ipse dixit.