Escreve Vítor ao comentar O barril: “Alguma semelhança destas revoltas com as ‘Revoluções Coloridas’ financiadas por George Soros et caterva (Geórgia, Ucrânia, Quirguistão…)?”
Pois…
O facto é que o produto financeiro inventado pela Goldman Sachs é também uma terrível arma: quando uma empresa ou pessoa detém o poder de obrigar centenas de milhões de pessoas a passar a fome, qualquer bomba atómica torna-se ridícula.
A fome é a verdadeira arma final.
Goldman Sachs está ciente disso? Com certeza.
Outras pessoas têm consciência disso? Com certeza.
Então existe outra possibilidade de leitura: as revoltas da África do Norte podem ter sido provocadas. Exactamente como as várias revoluções coloridas nos Países da Ex- União Soviética, como lembra Vítor.
A seguir o resumo dum documento publicado pelo National Endowment for Democracy (NED).
São as despesas dos Estados Unidos no Egipto, despesas que têm como objectivo suportar organizações que defendem o desenvolvimento democrático, a defesa dos direitos humanos, os direitos dos trabalhadores, a condição das mulheres, dos jovens, a liberdade de expressão.
Numa palavra: enfraquecer o regime do País.
Isso mesmo: dum lado Washington elogiava o Presidente Mubarak, doutro lado trabalhava para preparar a queda dele.
E as seguintes despesas são relativas apenas ao ano 2009.
$ 318,757 Centro Americano para a Solidariedade Internacional do Trabalho
$ 48,900 Instituto Andalus da Tolerância e Estudos Anti-Violência
$ 25,000 Fundação Árabe de Apoio a Sociedade Civil (AFSCS)
$ 20.000 Associação para o Progresso da Mulher (AWTAD)
$ 22.000 Associação Egípcia de Mulheres Advogadas Mulher
$ 25.000 Centro-Ponte para o Diálogo e o Desenvolvimento (BTRD)
$ 25,000 Observatório dos Direitos Humanos (BAHRO)
$ 34,400 Centro de Assistência Jurídica da Mulher egípcia (CEWLA)
$ 187,569 Centro para Empresas Privadas Internacionais (CIPE)
$ 19,400 El-hak Centro para a Democracia e os Direitos Humanos
$ 25,300 Centro Egípcio para os Direitos da Educação.
$ 48,900 Instituto da Democracia egípcio (EDI)
$ 33,300 União Egípcia da Juventude Liberal (EULY)
$ 20,500 Organização para a Assistência Social (FOSC)
$ 50,000 Hukuk Elnas
$ 20,000 Associação para o Desenvolvimento Humano (HDA)
$ 65,000 Ibn Khaldun Centro de Estudos de Desenvolvimento (ICDS)
$ 17,000 Centro Internacional para Justiça, Apoio Jurídico e Advocacia (anteriormente conhecida como Associação Justiça em Gharbeya)
$ 20,000 União dos Advogados Democráticos e Estudos Jurídicos (LUDLS)
$ 20,300 Mogtamaana Associação para o Desenvolvimento e Direitos Humanos
$ 81,000 Associação Nacional para a Defesa dos Direitos e das Liberdades (NADRF)
$ 24,500 Fundação Mundial para o Desenvolvimento e Assistência da Sociedade Civil
$ 19,200 Nossas Mãos para o Desenvolvimento Integral
$ 45,300 Projecto sobre a democracia no Médio Oriente (POMED)
$ 20,000 Centro Regional de Investigação e Consultas (RCRC)
$ 25,000 Associação de Desenvolvimento Rural (RDA)
$ 27,000 Centro de Estudos Rurais (RSC)
$ 20,500 Associação para o Desenvolvimento da Mulher Rural (RWDA)
$ 19,000 SAWA Associação para o Desenvolvimento da Sociedade, Mulher, Criança e Ambiente
$ 30,000 Filhos da Terra Centro para os Direitos Humanos (SLCHR)
$ 19,000 Fórum da Juventude
Fizeram o total? Pena, pois já tinha feito eu: 1.419.426, mais de um milhão de Dólares, num País pobre como o Egipto, e isso só em 2009. No site do NED podem encontrar a descrição e a função de cada organização, muitas das quais previam seminários, alguns destes até no estrangeiro.
Mas esperem: Mubarak não é um dos melhores aliados dos Estados Unidos? É.
E o mesmo Mubarak não facilitou (e de que maneira) a política colonialista de Israel? Facilitou.
Então qual o sentido? Porque minar o futuro dum fantoche que faz o que é pedido?
Existem no mínimo duas explicações.
Hoje já não são precisos regimes quase-ditatoriais, a melhor forma para controlar um povo é dar-lhe as palavrinhas mágicas: Liberdade e Democracia.
Quando um povo estiver convencido de ser democrático e de gozar de plena liberdade, está feito: pode ser controlado sem limites.
Esta pode ser uma explicação.
A segunda está relacionada com a Nova Ordem Mundial de Vítor: a ideia é criar uma grave crise, não apenas regional, para implementar um novo regime que possa controlar não apenas um Estado mas a totalidade do globo.
Por isso não apenas revolução no Egipto e na Tunísia, mas também na Jordânia, na Argélia, na Mauritânia, no Yemen, no Sudão…
O meu ponto de vista? Eu prefiro a explicação do artigo anterior: acho que a ganância dos bancos ocidentais é mais do que suficiente para explicar a actual situação.
Mas como? Acabei de publicar uma lista que demonstra como os Estados Unidos estivessem a preparar uma revolução e agora digo que não é verdade?
| Omar Suleima |
Não digo que não seja verdade, pelo contrário: penso que os Estados Unidos sempre gostaram de fazer jogos duplos. Ao despoletar duma crise, eis que Washington pode sempre afirmar perante os revoltosos: mas nós sempre estivemos ao vosso lado. É o que está a acontecer.
Além disso, a crise no Norte de África é uma crise regional. Por enquanto não ultrapassa a África do Norte e temos só um País (a Jordânia) no Médio Oriente. Nada de global.
E as reacções de Washington são também elucidativas: o candidato proposto para presidir a fase de transição é Omar Suleima.
Omar Suleima??? Mas os leitores sabem quem é este fulano?
Procurem na Internet.
Omar Suleima sempre foi o braço armado de Mubarak, o braço mais violento e sanguinário, chefe da organização que utiliza a castração dos presos políticos.
Este indivíduo, segundo os Estados Unidos, deve representar o Novo Egipto.
Está tudo dito.
Ipse dixit.
Fontes: National Endowment for Democracy

