Será que temos de levar ainda mais a sério o actual cenário? Será que o que estamos a observar no Egipto pode tornar-se um efeito dominó de proporções inimagináveis?
Por enquanto é cedo para avançar como uma afirmação destas. É provável que uma vez resolvida a situação do Cairo, as outras condições difíceis possam não ultrapassar os confins regionais.
No entanto, não podemos esquecer que a revolta não é apenas um fenómeno interno do Egipto.
Tunísia
Argélia
Marrocos
Estamos sentados sobre um barril de pólvora? Assim parece.
A verdade é que a crise internacional, mas sobretudo a especulação no sector alimentar ao longo dos últimos meses e a consequente inflação, têm criado uma situação insustentável.
Uma dúvida que já apresentei: é uma especulação “natural”, por assim dizer, ou há algo mais? Estes são apenas os efeitos das várias manobras do género Quantitative Easing ou estamos perante uma inflação criada ad hoc?
Por enquanto não há repostas.
Mas uma coisa pode ser dita com certeza: a violência, as manifestações, os suicídios, são os frutos da tentativa de salvar o nosso mundo. Não o mundo dos Egípcios, dos Tunisinos, dos Argelinos: mas o mundo de nós Ocidentais. Sem as inconscientes medidas para resgatar o nosso sistema económico moribundo, sem as manobras para alimentar o insaciável mercado financeiro, agora não haveria desempregados em chamas nas ruas de tantos Países.
E é curioso observar o Secretário da Nações Unidas, o coreano Ban Ki-moon, apelar para que a repressão pare.
Uma pessoa séria, responsável, com um mínimo de dignidade, apelaria para bem outras coisas e não apenas para que a ligação internet seja restabelecida no Egipto.
Doutro lado, é também verdade que neste caso o bom Ban Ki-moon, seria “suicidado”…
Ipse dixit.

