Publico? Não publico?
Mah…
Eis um artigo que considero “delicado”. Por varias razões.
- Em primeiro lugar porque o assunto é sensível: falamos de religião.
- A seguir, porque falamos de religião judaica (e espero por isso que o blog não fique “misteriosamente” apagado…).
- Depois porque reunir todo o material, mas sobretudo pesquisar fontes fidedignas, demorou bastante.
- E, para acabar, porque não quero dar deste blog uma impressão anti-semita. Pelo simples facto de que eu não sou anti-semita, assim como não sou anti-ninguém.
Mas é verdade que o que descobri foi uma “revelação”, justo para ficar em tema.
Vamos com ordem? Boa ideia.
A religião judaica baseia-se na Torah, o Livro Sagrado por excelência, e em outros textos, entre os quais o Talmud e o Mishnah, ambos escritos sob inspiração divina. E o presente artigo focaliza a atenção no primeiro destes últimos, o Talmud.
O Talmud foi redigido por volta do séc. IV d.C. e mais tarde foi declarado proibido no mundo cristão várias vezes. Desde 1244, com o Papa Inocêncio IV (Impia Judeorum perfidia), até à encíclica Mit brennender Sorge do Papa Pio XI em 1937, porque julgado ofensivo devido às seguintes razões:
- afastamento do texto bíblico original
- blasfémia contra Deus, Cristo e a Virgem Maria
- interpretação errónea da lei mosaica
De facto, encontrar uma versão decente do Talmud não é simples.
Há algumas semanas tive ocasião de ler a versão do Rev. Iustinus Bonaventura Pranaitis, e isso provocou uma profunda curiosidade.
A data é um pormenor importante pois apenas 5 anos mais tarde foram publicados os polémicos (e falsos) Os Protocolos de Sião; é extremamente provável (para não dizer certo) que o autor dos Protocolos conhecesse o livro de Pranaitis e a similaridade de algumas passagens deixa pensar que Os Ensinamentos tivesse funcionado como “inspiração” dos Protocolos.
Mas não é dos Protocolos que vamos falar: é do Talmud. E Os Ensinamentos fala mesmo disso.
Na prática, o padre Pranaitis analisou todas as passagens nas quais o livro sagrado hebraico tem um atitude crítica (este é um eufemismo) no que diz respeito à religião cristã. E material não faltou, é evidente.
Mas qual o grau de confiança de Os Ensinamentos Secretos dos rabinos sobre os Cristãos? Esta foi a dúvida.
Razão pela qual decidi procurar confirmações.
Em breve foi possível comparar uma versão inglesa do Talmud com a de padre Pranaitis, e as diferenças encontradas eram muitas.
Sim, possível: ao longo dos séculos a Igreja fez destas coisas e muito mais.
Mas havia também outra hipótese: que a versão inglesa utilizada (do século XX) tivesse sido também “adoçada”.
Para boa sorte, encontrei um blog americano, Real Zionist News, que tem uma interessante particularidade: é escrito por um hebreu. E confirma a segunda ideia: a versão inglesa foi, de facto, adoçada. Até nem muito: mesmo nesta publicação do séc. XX, ficam observações no mínimo ofensivas contra o Cristianismo.
O que pode explicar também o pouco interesse por parte hebraica numa maior difusão do próprio livro sagrado.
Doutro lado, ler algumas passagens pode ajudar a perceber melhor o ponto de vista hebraico em relação a muitas questões práticas.
Por isso, vamos ver mais em detalhe.
Os “Versos Satânicos”, por assim dizer, do Talmud podem ser distintos em três categorias:
- A supremacia judaica.
- Ódio pelos Gentios (todos os não-judeus).
- Blasfémias contra Jesus Cristo, a Virgem Maria, e todos os Cristãos.
Começamos bem…
A seguir alguns exemplos. Entre parênteses o livro e a secção do Talmud que contém a frase.
– Se um judeu encontra um objecto perdido por um gentio, não tem de ser devolvido. (Baba Mezia 24a)
– Se um Judeu mata um gentio não haverá pena de morte. (Sanhedrin 57a)
– O que um judeu rouba a um gentio, pode ser mantido. (Sanhedrin 57a)
– Os judeus podem usar subterfúgios para contornar um gentio (Baba Kamma 113a)
– Todas as crianças dos gentios são animais. (Yebamoth 98a)
– As meninas nascidas de gentios estão num estado de “niddah” (impureza menstrual!) desde o nascimento. (Abodah Zarah 36b)
Isso só para começar. Mas há mais.
– Os gentios não são humanos. São bestas. (Baba Mezia 114b)
– Se você comer com um gentio, é o mesmo que comer com um cão (Tosapoth, Jebamoth 94b)
– Mesmo os melhores dos gentios deveriam ser mortos. (Soferim 15)
– A relação sexual entre os gentios é como a relação sexual entre animais. (Sanhedrin 74b)
– Quando se trata de um gentio em tempos de paz, pode-se prejudicá-lo indirectamente, por exemplo, através da remoção de uma escada depois de ele ter caído num buraco. (Shulkan Arukh, De ‘ah Yoreh, 158, apenas na edição hebraica)
– “Yashu” (pejorativo para Jesus ‘) está no inferno, sendo fervido em excrementos quentes. (Gittin 57a)
[‘Yashu’ é um acrónimo para a praga judaica, “Que o seu nome (Jesus) seja apagado para sempre.”]
– Yashu (Jesus) era sexualmente imoral e adorava um tijolo. (Sanhedrin 107b)
– Yashu (Jesus) foi afastado do povo judeu por causa da sua maldade e recusou o arrependimento. (Sotah 47)
– Míriam (Maria, a mãe de Jesus), a cabeleireira, teve relações sexuais com muitos homens. (Shabbath 104b, apenas na edição hebraica)
– Ela (Maria), que era descendente de príncipes e governadores, praticou a prostituição entre os carpinteiros. (Sanhedrin 106a)
– Os Cristãos que rejeitam o Talmud irão para o inferno e serão punidos por todas as gerações a seguir. (Rosh Hashaná 17a).
Ao ler estas frases (e muitas outras, no mesmo estilo), digo a verdade: acho isso muito divertido, até infantil. A minha favorita é a da escada e do buraco. Mais do que uma religião, este parece o “Manual do pequeno Nazi”. Um Nazi não cristão, óbvio.
Para concluir, algumas considerações.
A primeira, a mais importante.
Eu fiz as minhas pesquisas e antes de publicar tais “disparates” quis verificar não uma mas várias vezes, pois não é meu interesse nem hábito ofender as crenças de outras religiões.
E quem costuma seguir este blog já deve ter percebido qual a importância que dedico às fontes.
Portanto, se algum dos leitores deste blog tiver conhecimentos que possam contrariar esta versão, terei todo o gosto em conceder amplo espaço não apenas para réplicas como também para uma clara retratação.
Errar é humano e, apesar dos cuidados, posso ter errado.
Aliás: espero que isso aconteça.
Pois uma coisa é apresentar estas “infantilidades” como tais (de facto, acho tão ridículas que nem chegam a ofender), outra coisa é pensar que estas afirmações possam ser verdadeiramente parte integrante duma religião que, afinal, representa um guia espiritual para um povo.
E, para acabar, lembro o endereço alternativo de Informação Incorrecta: http://informaçãoincorrecta.wordpress.com.
Por enquanto está inactivo, mas nunca se sabe, pode vir a ser preciso…
Ipse dixit.
Fontes: Real Zionist News, Talmud FaithWeb, Free Mansory, Halahkah, Olo-Dogma, Os Ensinamentos Secretos dos rabinos sobre os Cristãos (PDF)

