O Egipto fechou internet. Difícil utilizar os telemóveis, funciona apenas um dos gestores móvel e alguns provider com sistema dial-up.
Twitter:
Egyptian Christians said they will guard the Muslims from the police while they on Friday Pray
Os Cristãos do Egipto dizem que irão proteger os Muçulmanos enquanto rezam as orações da Sexta-feira.
Durante a noite, o Ministério do Interior tinha avisado: novas medidas decisivas contra os manifestantes. Esta a resposta do Governo contra a concentração programada às 13:00 hora de Lisboa.
Entretanto choques na Turquia, na capital Ankara: cargas da polícia contra os estudantes que manifestavam. Também aqui o alvo é o Governo, desta vez conservador e islâmico.
Tudo isso, lembramos mais uma vez, enquanto a situação é tensa também em outros Países: Tunísia, Argélia, Albânia, Yemen. Todos Países muçulmanos.
Que acontece?
Várias coisas.
Em primeiro lugar internet.
O “efeito domino” destes dias parece ter como actor principal a Web. As notícias voam, passam de imediato dum lugar para outro, a única barreira possível é o bloqueio das ligações, como acontece agora no Egipto. Mas é um bloqueio tardio, que actua quando já não há muito para ser bloqueado.
A medida do Governo egípcio equivale a trancar a porta do estábulo depois das vacas já terem fugido. Com uma diferencia: neste caso as vacas eram as ideias e não fugiram, mas entraram.
A seguir.
O lema das democracias ocidentais até hoje tinha sido: Melhor um ditador do que o caos. Ou pior ainda: um inimigo democrático. Este pensamento não escrito geriu os relacionamento com os vários regimes post-coloniais na África e no Médio Oriente ao longo das últimas décadas.
Contra o terrorismo, alegado ou real, contra a proliferação das armas de destruição maciça, alegadas ou reais, não importa a qualidade do regime, mas os resultados.
Mas agora o status quo pifou.
Mesmo que os militares do Cairo possam tomar o poder, por exemplo, atrás não se pode voltar: 80 milhões de habitantes, um terço dos quais analfabetas, querem mudar.
A Tunísia está em plena fase de transição. Um silêncio preocupante na Argélia. Tensão no Yemen, um Estado falido onde os Estados Unidos vêem a sombra de Al-Qaeda.
Uma dúvida, como sempre: porquê agora? Porque tudo ao mesmo tempo? É suficiente internet para explicar o fenómeno? Internet não foi implementada ontem.
Por enquanto, não há respostas.
Ipse dixit.
Fonte: Informazione Scorretta

