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O sangue de Moscovo

Mais sangue em Moscovo.

Um novo ataque suicida, no importante aeroporto de Domodedovo, com a clara ideia de matar. Mais de 30 mortos os mortos.

Ainda uma vez uma mulher kamikaze, ainda uma vez ligada aos grupos terroristas do Cáucaso. Como no atentado no metropolitano, quase há um ano atrás.

E o Cáucaso, de facto, parece ser a pista mais provável para explicar o ataque. Mais provável, mas não única.

Vamos com ordem.

O inferno da Chechênia 

O Cáucaso tem um objectivo de longo prazo: sair da esfera russa para tornar-se, um dia, parte do futuro Grande Califado. Antes, claro, é precisa a independência. Que O Kremlin não entende conceder, de forma nenhuma.

É por isso que os Rublos não faltam nesta região: a ideia é criar uma situação de bem estar que possa fazer “esquecer” os sentimentos autonomistas. Mas até agora não funcionou.

Pelo contrário: num território governado por bandas criminais, polícias corruptos, grupos independentistas, e onde o desemprego é uma constante, a ideia de abandonar a Rússia é vista como a solução para os grandes males da região.

Assim, o Cáucaso é uma zona russa que Rússia não é, ficando fora de controle.
Regiões com nomes exóticos, como o Daguestão, a Inguchétia o a mais conhecida Chechênia, continuam a lutar para a secessão.

Esta, tal como afirmado, a primeira pista. Depois há outra.

 Para não regressar

Apenas alguns dias atrás, o Presidente afegão, Karzai, foi convidado Medvedev na primeira visita oficial entre os Chefe de Estados dois Países desde o fim da guerra Rússia – Afeganistão.

Uma reunião anunciada como um grande sucesso, e que prepara a entrada de capitais russos no País asiático: ao longo ma sobretudo depois da retirada das tropas da Nato.
Os dois leaders decidiram incrementar a cooperação económica, a militar e a luta contra a droga, a primeira fonte de rendimento dos Talebãs.

A Rússia pode voltar no Afeganistão, já não como invasor mas como principal partner comercial e militar do governo Karzai.

Pode ter sido a bomba de Domodedovo também uma mensagem para o Kremlin? Um aviso para abandonar a ideia de voltar num País que Moscovo conhece bem e que já no passado fez parte das miras da Rússia?

Em ambos os casos, estamos perante um atentado com matriz ou forte componente islâmica.
O que obriga a pensar.

Bin Laden e as mensagens sem sentido 

Numa mensagem de poucos dias atrás, um alegado Bin Laden tinha ameaçado a França.

Admitindo que a mensagem pudesse ser original (hipótese sem fundamentos, como já tivemos modo de observar), então como enquadrar o atentado em Moscovo com as ameaça do alegado chefe de Al-Qaeda?

Ameaça-se a França para depois atingir a Rússia?

Mais uma vez, na minha opinião, a demonstração que as mensagens de Bin Laden têm uma origem que nada tem a ver com os Países islámicos.

Ipse dixit