Depois da anunciada ajuda do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, na Irlanda começam os cortes.
– Subida do Iva até 23% e redução da despesa em 10 biliões de Euros.
– Despedimentos: serão eliminados 24.750 lugares de trabalho no sector público.
– O salário mínimo nacional será revisto (em baixo, obviamente) e os ordenados dos novos empregados será cortados em 10%.
– Os apoios sociais sofrerão um corte de 2,8 mil milhões de Euros, 3 mil milhões a educação, a saúde e a agricultura, 3 mil milhões o investimento público.
– Todas as taxas irão subir, com uma única excepção: os impostos sobre os lucros das empresas.
Isso porque, como explica o ministro das finanças Brian Lenihan,
A Irlanda irá acabar as próprias disponibilidades financeiras a partir de meados de 2011.
Dito de forma ainda mais clara: o cofre está vazio.
Já falámos do caso Pigs em mais de uma ocasião, não há novidades neste sentido: a Irlanda não é nada que não tenha sido previsto.
O problema é a atitude da União Europeia, que continua a enfrentar esta crise com situações pontuais e parece não ter um plano de médio ou longo prazo.
A Grécia fica sem dinheiro? A UE corre e deposita biliões nas contas de Atenas.
A Irlanda fica com os cofres vazios? A UE corre e deposita nas contas de Dublin.
Portugal? Temos de esperar um depósito nas contas de Lisboa também?
Pode chamar-se esta uma estratégia? Esta é a estratégia dos bombeiros, que acorrem onde há fogo. Mas das Mentes Pensantes de Bruxelas (e não só) é lícito esperar mais.
Porque a União Europeia não pode ser uma serviço de urgência; porque já alguns dos Países Membros começam a ficar fartos; e porque o jogo pode ter vida breve.
Grécia, Irlanda, até Portugal são Países pequenos, com pequenas economias.
Mas a Espanha?
Madrid tem 955 biliões de dívida em mãos estrangeiras, o que representa 90% do PIB. Em caso de ajuda europeia, estamos a falar de algo na casa dos 300-400 biliões de Euros: e onde pode ser encontrado todo este dinheiro?!?
Esta ideia não é só de Informação Incorrecta, pois a falta duma estratégia é evidente.
Jim O’Neill, presidente de Assets Management de Goldman Sachs:
O resgate da Irlanda não resolve os problemas da moeda. Até quando não houver uma solução na base, até quando a União Europeia não decidir sentar-se à mesa com os parceiros políticos, como será possível esquecer dos problemas de Portugal e Espanha?
Nesta situação, Bruxelas é refém dos mercados e das grandes empresas; as quais têm bom jogo perante a falta dum projecto abrangente.
Alemanha e França pedem para que os impostos sobre as multinacionais subam? As multinacionais retiram os próprios fundos dos bancos irlandeses como retaliação, como admitido pelo primeiro Ministro irlandês, Cowen.
E o massacre vai em frente.
Graham Turner, do site independente de pesquisa económica GFC Economics, afirma que a solução para resolver o problema dos Países mais fracos na UE poderia ser a seguinte: Alemanha fora do Euro e com Áustria, Finlândia e Holanda criação dum novo bloco com o Marco como moeda.
Os outros 12 Países poderiam assim desvalorizar o Euro para encontrar um saída para a crise.
Pode ser uma ideia. Talvez não uma excelente ideia.
Sem dúvida melhor do que a falta de ideias de Bruxelas.
Ipse dixit.
Fonte: Jornal de Negócios, GFC Economics
