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Esparguetes e Nato

Volto das férias e o que falta em casa? Esparguetes.
Meus Senhores, uma casa sem esparguetes não é uma casa, é uma tristeza.

Então, entro no hipermercado (mas quantos hipermercados existem neste País?) e vejo um panfleto com um titulo empolgante: “Previna-se e viva“.
Autoria: Comissão de Planeamento de Emergência da Agricultura, do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, do Instituto Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde e do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.
Mais alguém e não teria sobrado espaço para o texto. Mas vamos ler.

Parágrafos: A despensa que não dispensa (deve ser humor português), Reserva alimentar para lactentes, Mochila para emergência, Dê prioridade à água.

Interessante. É sempre bom estar preparado para o inesperado, especialmente num País que tem um relacionamento “mórbido” com os terremotos. 

Depois posso ler as seguintes linhas:

Se, em plena emergência, não tiver reserva de água suficiente, tente obtê-la na própria canalização, no depósito de água quente (depois de desligados o gás e electricidade), nos cubos de gelo e o depósito do autoclismo. Se puder sair de casa e não existir contaminação radiológica ou química, recorra à água da chuva, fontes, rios, riachos, lagos, poços, barragens, etc., mas exclua água com objectos flutuantes, cheiro ou cor anormais.

Até o logo é triste…

Eh? Contaminação radiológica ou química? Mas estamos a falar de quê? Este é um evento natural ou uma guerra? Perdi alguma coisa ao longo das férias? Fogo, eu ia só a comprar um pacote de esparguetes e de repente estou no meio dum cenário de guerra.

Intrigado, vou espreitar o site cujo link aparece na publicação: o site do Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.

Um site paupérrimo (e este é um eufemismo), onde descobrimos que o Concelho trabalha com a Nato. A Nato?
Não percebo: no site do Concelho Nacional de Planeamento Civil de Emergência não está escrito que o Concelho colabora com a Cruz Vermelha, a ONU, a União Europeia, os organismos equivalentes de outros Países.
Está só escrito que colabora com uma organização militar.

Eu fico por aqui, deixo o campo aberto para as eventuais especulações dos conspiracionistas. Mas o facto de quem trabalha para a gestão das emergências deveria ter um site melhor e com muitas mais informação (clara e de qualidade), bom, isso fica.

Ipse dixit.

Fonte: Conselho Nacional de Planeamento Civil de Emergência.