Diz o Jornal de Notícias:
A Comissão Europeia considera que os novos pacotes de austeridade aprovados por Portugal e Espanha vão na boa direcção, mas são insuficientes para garantir uma redução consistente dos respectivos défices orçamentais e travar a espiral de agravamento da dívida pública.
É uma brincadeira?
Nada disso: é um documento da Comissão Europeia, segundo o qual as medidas de austeridade aprovadas vão na boa direcção mas são insuficientes.
Apesar das novas medidas serem significativas e os objectivos reflectirem uma consolidação orçamental impressionante, mais medidas são necessárias para atingir estes objectivos, em especial para 2011.
E agora a parte mais divertida: o documento adverte que as medidas aprovadas ocorrem
num contexto adverso de baixo crescimento do PIB, fraca competitividade, declínio de preços e salários e altas taxas de juros reais . Estas condições resultam num efeito “bola de neve” sobre a dívida pública
O que significa isso? Duas coisas:
1. estamos num período de crise. É bom a Comissão ter percebido isso.
2. as medidas aprovadas já contribuíram para enterrar qualquer sinal de retoma: são precisas mais medidas para começar a plantar a cruz também.
Não podemos esquecer, de facto, que não importa o que acontecer ao País: o que conta é a dívida pública.
Podemos trabalhar para receber uma miséria no final do mês, mas se a dívida pública for elevada isso não chega: mais cortes para acabar com o efeito “bola de neve”.
“Uma sandes, por favor”
“Cá está, 2 Euros”
“Lamento, não tenho dinheiro”
“Ah. E como está a sua dívida pública?”
“Está a baixar”
“Não tem um efeito bola de neve, certeza?”
“Sim, está controlado”
“Então leve as sandes de borla, não há problema”.
“Obrigado”
“De nada”
Reparem:
Bruxelas abriu hoje, por outro lado, processos contra três novos Estados-membro: República Checa, Dinamarca e Finlândia. Após as decisões de hoje, apenas três Países dos 27 não ficarão sob processos de “défice excessivo”: Suécia, Estónia e Bulgária.
Mas ninguém é atingido pela dúvida que se só 3 dos 27 Países não enfrentam um deficit excessivo talvez haja algo de errado? Estamos a falar de Países como a Alemanha, a Dinamarca, a Finlândia, que não podem ser acusados tão facilmente de corrupção, gastos inúteis, ou até de desorganização ou falta de capacidade na gestão dos recursos.
Para acabar três “curtas” que podem ajudar na reflexão:
Confiança do investidor alemão cai mais que o previsto em Junho
A confiança dos investidores e dos analistas da Alemanha diminuiu bem mais que o esperado em Junho, segundo pesquisa do instituto económico ZEW divulgada nesta terça-feira.
O indicador caiu para 28,7 neste mês, comparado a 45,8 em Maio. Analistas consultados pela Reuters previam leitura de 42.
Esquisito, não é?
Mas não é o caso de ser pessimistas: com o Euro mais débil pelo menos as exportações passaram a ser favorecidas.
Declínio das exportações da Europa, somando-se sinais de abrandamentoAs exportações europeias diminuíram em Abril, somando-se os sinais de uma Zona Euro que pode estar a perder fôlego.
Ahé?
Bom, talvez seja normal, numa altura de crise as coisas podem não correr bem.
Bancos espanhóis lucram 4,7 biliões de Dólares até Março
Os bancos que operam na Espanha alcançaram um lucro líquido conjunto de 3.887,8 bilhões de euros (US$ 4,7 bilhões) no primeiro trimestre de 2010, 4,1% inferior a um ano atrás.
3.887,8 bilhões de lucro?
É o valor da dívida externa portuguesa.
E pouco menos do dobro da ajuda anual europeia para os Países pobres.
Pensem nisso.
Ipse dixit.
Fontes: Efe, Jornal de Notícias, Bloomberg , Agência Financeira


