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O desastre continua

Não ficou esquecido.
O desastre da Deepwater Horizon está bem presente.

E, embora as declarações oficiais, a situação está longe de ser resolvida: em particular, começam a surgir os primeiros sinais das possíveis consequências.
Ainda é cedo para avançar com afirmações definitivas e as notícias que chegam têm que ser analisadas com grande atenção. Mas que algo possa acontecer parece claro. E óbvio também.

Um relatório do Ministério de Recursos Naturais da Federação da Rússia considera que o vazamento de petróleo e gás da BP no Golfo do México está prestes a tornar-se o pior desastre ambiental da história.
Os cientistas russos relatam os primeiros danos pela “chuva tóxica” no estado do Tennessee. Informações da imprensa desta região confirmaram as vozes de acordo com o que é possível ler no Serviço de Notícias WREG no artigo intitulado “Misteriosos danos às culturas ameaçam centenas de hectares.”
“Podemos encontra-las em todos os lados, ervas, flores, árvores de cereja”, disse o agricultor Toni Holt, referindo-se às manchas brancas que destroem as suas plantações. “Parecem estar em qualquer lado”.
Holt cultiva produtos orgânicos que vende nos mercados dos agricultores locais. Enquanto ele e outros agricultores inspeccionam o crescimento de novas manchas, o medo é de perder todas as colheitas.
“Há duas aves mortas penduradas a dois ninhos de pássaros diferentes, estamos preocupados. Não sei se existe um relacionamento mas é alarmante” disse Tolt. “Temos galinhas. Vendemos os ovos nos mercados.”

O agente de dispersão Corexit 9500 originalmente desenvolvido pela Exxon e agora produzido pela Nalco Holding Company of Naperille, Illinois, é quatro vezes mais tóxico do que o petróleo (o óleo é tóxico com um nível de 11 ppm por milhão, o Corexit 9500 já com 2,61 ppm ). Num dossier escrito por Anita George-Ares e James R.Clarck pela Exxon Biomedical Sciences, Inc., intitulado “A aguda toxicidade aquática de três produtos Corexit: uma visão geral” Corexit 9500 provou ser um dos mais tóxicos já desenvolvidos.

Em combinação com o aquecimento das águas do Golfo do México, as suas moléculas serão capazes de mudar o estado de líquido para o gasoso, que permite ser absorvido pelas nuvens e a sua libertação como “chuva tóxica” na América do Norte.
Além disso, furacões e as recentes condições climáticas adversas devastam a área, enquanto milhões de litros de Corexit 9500 estão na superfície do mar.

As consequências da “chuva tóxica” que poderia abater-se nos EUA pode “teoricamente” destruir toda a vida a varias profundidades, provocando assim uma “catástrofe ambiental inimaginável”.
Documentos dos EUA apontam para a possibilidade de que o governo esteja a preparar-se, em segredo, para retirar dezenas de milhões de cidadãos dos Estados do Golfo do México.

Informação Incorrecta já tinha enfrentado o problema do Coretix no longínquo 5 de Maio neste artigo. Agora, depois da teoria, chegou a hora da prática.

 

As notícias de hoje não são tranquilizadoras.

BP vai coletar mais 10 mil barris de óleo por dia

A British Petroleum (BP) deverá ser capaz de coletar até mais 10 mil barris de petróleo por dia do vazamento no Golfo do México no prazo de uma semana, com a instalação de um segundo sistema atrelado à cabeça do poço, disse hoje o vice-presidente executivo da BP, Kent Wells. O sistema atual que está coletando óleo a partir da estrutura ligada ao topo do poço e o leva à superfície para ser estocado no navio Discoverer Enterprise pode processar até 18 mil barris por dia, disse Wells. É difícil manter este nível por um longo período e a BP conseguiu recuperar 15.800 barris na quarta-feira, informou.
Um segundo sistema de coleta, que pode recuperar mais 10 mil barris diários a partir de mangueiras conectadas ao sistema de segurança contra estouros no topo do poço e queimar o óleo a bordo da embarcação Q400, pode estar no local já na segunda-feira, disse ele. (Estadão.Br)

Até 18.000 barris. Não chega.

EUA: estimativas de perdas de petróleo no Golfo do México duplicam

O governo dos EUA dobrou a estimativa da quantidade de petróleo que está a despejar-se no Golfo do México a partir do poço submarino da British Petroleum. Segundo os novos dados, estima-se a cada dia uma fuga de 25 – 30 mil barris de petróleo. Os dados, ainda preliminares, ultrapassam a estimativa inicial de 12 – 19mila barris por dia. Na prática, “é como se a cada oito – dez dias ocorresse no Golfo do México um desastre como o provocado pelo petroleiro Exxon Valdez no Alasca, até agora considerado o pior desastre ecológico sofrido pelos Estados Unidos.(ADN Kronos)

Observar de perto a grande mancha de petróleo do Golfo não é tranquilizador. Pelo contrário.
A seguinte reportagem é da Associated Press, que seguiu um sub ao longo duma curta exploração no Golfo do México.

O mergulhador disse que depois de cinco segundos depois da imersão já não podia ver nada por causa da película oleosa formada sobre a máscara. E que depois de cinco minutos desejava só voltar atrás, com medo duma intoxicação: nenhum outro colega queria acompanha-lo. Demorou 30 minutos de limpeza com desengordurante para livrar-se da camada de cola oleosa preta.

Para os dez primeiros metros não há vida. E a seguir, é como uma solução química. As nuvens de petróleo estão apenas aos vinte metros, quarenta metros, a uma distância de 200 km do ponto de vazamento.

Desde o céu temos um visão mais abrangente, embora sempre parcial, dada a dimensão da maré negra.

O passeio no pequeno avião particular foi feito no dia 09 de Junho, na área de Grand Isle, em Louisiana. Embora exista uma no-fly zone que não permite voar abaixo de 3000 pés, é igualmente chocante ver como a extensão da área poluída não tenha virtualmente limites. São aquelas listas brancas longas, e não pretas como a nossa imaginação poderia sugerir.

O que todos na Net percebem é a ausência absoluta das anunciadas flotilhas de barcos de limpeza. Não há ninguém que, pelo menos, tente limpar, não existem equipas ou barcos ou outras coisas. O vazio, desde a Deepwater Horizon até as costas não há ninguém, e ninguém sequer nas praias.

E alguns começam a chamar este desastre “o longo 11 de Setembro”.

Para concluir: no site norueguês JTNog  são recolhidas as imagens de diferentes webcams ao vivo

Fontes: Dictadura Global, Petrolio, News Channel 3, JTNog, Estadão, ADN Kronos,