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A experiência belga

A linha Maginot era um sistema de defesa realizado pelos Franceses pouco antes da Segunda Guerra Mundial. A ideia base era uma barreira para travar uma eventual nova ofensiva alemã. Mas os Teutónicos não tiveram problemas com as defesas franceses: ao iniciar a guerra, simplesmente deram a volta à linha Maginot, passando pela Bélgica.

A União Europeia já identificou a própria linha defensiva: a Espanha.
Com a queda de Madrid pouca margem de manobra existiria, pois os números seriam bem diferentes dos da tragédia grega. Por isso é imperioso resistir agora, e não acaso foi criado o fundo de 1 trilião de Dólares: um sinal forte para todos os mercados.

Os quais, todavia, aprenderam a lição teutónica: dar a volta.

Assim a Espanha, que poderia ter explodido com o pavio das cajas, agora está em fase de calma aparente.

Os problemas estão a volta.
E, bizarra ironia, além da Hungria, Roménia e Bulgária que todavia estão fora da Zona Euro, encontramos o mesmo País que há 60 anos foi a porta de entrada pelos invasores: a Bélgica.

Il Grande Bluff:

O spread entre a dívida pública a dez anos belga e o bund deu um bom salto para cima.
Na verdade, algumas das características da Bélgica não são exactamente tranquilizantes:
– Rácio da dívida/PIB de 99% e, no final de 2010 deve ultrapassar 100%
– Projecção para 2020 = rácio da dívida/PIB 150%
– 82% dos títulos de curto prazo nas mãos de Países estrangeiros

Para compensar, o deficit ainda está sob controle (cerca de 5%)
e da dívida privada é ainda muito baixo.

Agora duas tabelas.
A primeira mostra o crescimento dos CDS. E, olha!, os CDS dos EUA crescem.
Verdade, ainda estão entre os mais baixos. Mas é um sinal.

 
Entity Name 5 Yr Mid Change (%) Change (bps) CPD (%)
Kazakhstan 233.31 +7.71 +16.70 14.98
United States of America 46.27 +6.77 +2.93 3.89
Finland 35.64 +5.69 +1.92 3.04
Malaysia 108.57 +5.59 +5.75 9.04
Austria 112.64 +5.26 +5.62 9.32
Chile 106.88 +4.67 +4.77 7.16
Australia 59.24 +4.59 +2.60 4.98
Slovenia 103.25 +4.55 +4.49 8.60

De facto, após os CDS do Cazaquistão, os de Washington são os que mais crescem.
Outra tabela: os Países com o maior risco default.

Entity Name Mid Spread CPD (%) 
Venezuela      1424.69   60.32
Argentina      1175.85   53.34
Greece        781.04   47.09
Pakistan        806.60   41.67
Ukraine        645.17   35.62
Iraq        510.30   29.97
Dubai/Emirate of        481.43   27.92
Portugal        360.81   26.00
Latvia, Republic of        407.16   24.27
Romania        386.82   23.54

Em 7º lugar encontramos um velho conhecido, que está pior da Lituânia. E da Roménia também…

Última nota: que aconteceu com as Bolsas hoje? E o Euro, já vale 2 Dólares? Ou 3? Ou mais?

Ehhhh não, não é bem assim. O Euro nem conseguiu recuperar quota 1,20 até agora. Aliás, neste momento perde 0,15 % e vale 1,1953 Dólares.

Quantos as Bolsas: perderam todas. Diz o Jornal de Negócios:

As bolsas europeias iniciaram a sessão a cair mais de 1%, a reflectirem os receios relacionados com a crise orçamental europeia, que poderá penalizar a retoma da economia mundial.

Depois recuperaram animadas pelo facto das encomendas à indústria alemã dispararam pelo segundo mês consecutivo em Abril, com o enfraquecimento do euro a suportar as exportações do país e as empresas a investirem mais para fazer face à procura estrangeira.

No entanto, o facto da Comissão de Inquérito da Crise Financeira ter intimado o Goldman Sachs conduziu este e outros bancos a quedas, pressionando os mercados.

Assim: as Bolsas abriram mal porque a retoma não existe, subiram porque a moeda europeia vale cada vez menos e fecharam a perder porque alguém põe o nariz nas vergonhas duma instituição podre.

Se não são boas notícias estas…

Fonte: Il Grande Bluff ; Jornal de Negócios
Tabelas: CMA Vision