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José ou Dilma?

O segundo mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva está prestes a terminar. Em 2011 o Brasil terá um novo presidente.

Quem? Talvez seja cedo para o dizer.

Mas desde jáé possível avançar com algumas considerações, tal como fez Il Sole 24 Ore no seguinte artigo:

Faltam exactamente quatro meses para as eleições presidenciais no Brasil e a campanha entrou na fase mais delicada: desde um par de semanas os dois principais candidatos estão empatados em todas as sondagens de opinião. José Serra, ex-governador de São Paulo, portador da oposição, perdeu, como se poderia esperar, a vantagem inicial sobre o menos conhecida, Dilma Rousseff, chefe de gabinete do presidente Lula, que construiu a própria recuperação com uma longa série de aparições públicas ao lado de seu mentor, desfrutando a popularidade extraordinária.
Lula será o seu melhor cartão de visita também na restante parte da campanha.

A economia brasileira está cheia de saúde: vai crescer pelo menos 6,5% este ano e os medos são, eventualmente, de sobreaquecimento. Os mercados financeiros são em geral tranquilos, apesar da longa onda de crise europeia. Oito anos atrás, enquanto Lula se aproximava ao poder, o pânico tinha levado o risco-País para 2.400 pontos base. Hoje não chega aos 250, perto dos mínimos históricos.
Lula foi o guardião da ortodoxia económica introduzidas pelo seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, e os mercados antecipam que, após a eleição, seja quem for o vencedor, a política económica será de continuidade.

Dilma, considerada a candidata da esquerda, passou alguns dias atrás em Nova York para tranquilizar os investidores internacionais do que será mesmo assim e que recolherá o legado de Lula também neste aspecto. Nas mesmas horas, Serra, que com Cardoso tinha sido ministro da Saúde, foi notável pela própria ausência, conforme relatado por Maria Cristina Fernandes do jornal Valor, a celebração do Plano Real, que, com Cardoso, era a pedra angular da derrota da inflação e do actual sistema da política económica. O candidato da oposição é de facto um dos mais duros críticos do rigor do Banco Central.
A mais recente demonstração de que as categorias de esquerda e direita já não têm mais significado na América Latina (só na América Latina? NDT), mas também um sinal para que os mercados não entendam como óbvio e previsto o pós-Lula.

No Brasil dos próximos quatro anos, no entanto, as alterações mais importantes podem chegar não da política macroeconómica (que hoje é baseado no “tripé” de combate à inflação, disciplina fiscal e flexibilidade da taxa de câmbio), mas da presença do Estado na economia e na regulamentação.

Já no segundo mandato de Lula, tem havido uma tendência insidiosa para aumentar ainda mais uma máquina de estado hipertrófica (com mais gastos e mais impostos: os brasileiros queixam-se da carga tributária típica dum País avançado com serviços públicos dignos do Terceiro Mundo) e rever as regras de forma que, em diferentes domínios, a tendência para o investimento privado é desencorajado. Uma tendência que, com Dilma ou com Serra, ambos ainda mais ligados ao Estado do que Lula, pode piorar e travar a recente idade do ouro.

Fonte: Il Sole 24 Ore