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O fim está perto!

A Europa está condenada? Já não há nada a fazer?
Esta é a opinião de Philippe Simonnot.

Simonnot faz lembrar aquelas figuras que perto do ano Mil circulavam no continente, convidado o povo ao arrependimento pois “o fim está perto”.
Mas a sua opinião não pode ser descartada com tanta facilidade.

Philippe Simonnot é, de facto um economista  e um jornalista francês, director do Observatoire Économique du Droit (Université de Versailles-Saint-Quentin) e ensina analise económica do direito em Paris e Versailles. Foi também fundador e actual director do Observatório Económico do Mediterrâneo.

Nas páginas do site dos Institute Turgot, de Paris, publicou ao longo da semana passada o seguinte artigo:

Vinte anos atrás, o bloco soviético entrou em colapso, e não sob os golpes dum ataque militar do imperialismo capitalista, mas esmagados pelo peso das suas “contradições económicas”, como Karl Marx teria dito o mesmo.

Este evento, inevitável dentro de duas ou três gerações, não foi previsto por ninguém, excepto que por um pequeno grupo de economistas imperturbáveis, os que davam confiança às leis do livre mercado. Hoje as mesmas leis permitem anunciar o colapso da Europa, cuja crise do euro é o sinal precursor.

Frequentemente os mercados são acusados de ver a curto prazo,com uma visão “short-termista”, para usar termos financeiros. Mas isso significa conhecer muito mal o que é um preço de mercado, mesmo que especulativo, e especialmente se especulativo. No livre mercado, um preço concentra em si todas as informações disponíveis não só para o presente mas também para o passado e o futuro. Em outras palavras, menos sofisticadas, podemos dizer que aqueles que têm dinheiro, os ricos, sejam eles bons ou maus ricos, preocupam-se com um futuro muito mais longe daquele que está nas mentes dos políticos, principalmente preocupados com a própria reeleição. A famosa “parede de dinheiro” é uma parede na qual está escrito o futuro – como o de Baltazar (Daniel 5:25)!

Neste sentido, os mercados antecipam agora não só as consequências desastrosas dos remédios que são descobertos todos os dias para facilitar o fim da crise financeira desencadeada nos EUA dois anos atrás, mas também e sobretudo a incapacidade da Europa de enfrentar o mercado mundial, pois é bloqueado pelo peso das dívidas que têm conhecido um crescimento enorme por causa destes mesmos remédios.

Os “especuladores terríveis” também inseriram nos próprios programas informáticos as dívidas causadas pelo sistema de pensões, dívidas cada vez maiores e cada vez menos financiadas, pois a reforma do sistema é adiada ou recusada. A auto-destruição dum estado social que inclui cava vez menos crianças cada vez menos e mais desempregados, menos poupança e mais impostos, é previsível no prazo de duas ou três gerações como foi o fracasso do sistema soviético; e mesmo que os políticos continuem a nega-lo, os mercados conheço a situação e levam isso em conta.

Na verdade, os políticos têm alguma consciência desse prazo que se aproxima, e que representa um colapso real. Se o presidente da França correu para salvar a Grécia, se o impulso é direccionado para a criação dum improvável governo económico europeu, se ao mesmo tempo é acelerada a reforma das pensões , qualquer que seja o preço em termos eleitorais, é para evitar um rebaixamento humilhante do juízo reservados para a França nos mercados financeiros, o que resultaria numa carga adicional da dívida e uma tremenda bofetada política e pessoal. É uma acção de retaguarda, com as costas ao muro. Salvo um milagre na “frente social” (pensões, mercado de trabalho, saúde) que nada permite esperar, e ao não ser que o termómetro das agências de rating fique avariado, o downgrade do Estado francês é inevitável, dado que a dívida pública é simplesmente não é sustentável.
O que é dito aqui dos franceses pode ser dito da maioria dos Países europeus, num pântano com as mesmas dificuldades.

Na maioria das vezes os principais acontecimentos históricos combinar o acaso e a necessidade: uma pequena faisca leva o fogo ao barril cheio de poeira. O pavio foi o caso dos subprime americanos (outro resultado do estado social). O barril é a dívida pública acumulada ao longo de três décadas. A explosão é a que vivemos nesse momento, que visa colocar a Europa fora da competição mundial.

Fonte: Institut Turgot