Nenhuma racha pode ser tolerada no dique, caso contrário cai tudo.
O plano de ajuda para a Grécia estaria perto de (talvez) chegar : falamos de 45 bilhões, aliás 90, ou seja 120, se calhar 135 mas já lemos 155 bilhões…
Obviamente este remendo não resolverá os problemas estruturais da Grécia; por isso, a médio e longo prazo, quase com certeza o risco é que este dinheiro seja como deitado no lixo.
Mas a especulação em alta (pois agora é esta) é como uma verdadeira mãe.
Assim a bolsa helénica festeja com um pirotécnico salto de +9% (embora permaneça com níveis muito abaixo das médias europeias).
Portugal festeja com +4%.
E assim em frente mas com ordem invertida: quem mais perdeu mais salta, quem menos tinha perdido menos festeja.
Todas coisas que acontecem segundo esquemas já vistos.
Os especuladores que tinham apostado (antes em baixo logo em alta) agora recebem. As apostas com os assets-lixo são uma mina.
Os bancos exultam e oferecem pérolas de sabedoria. Reuters:
Grécia, bancos alemães: reestruturar a dívida não é a solução
Só uma mente doente ou um banco podem fazer uma afirmação como esta.
Reestruturar? Claro, Deus nos valha! Com a reestruturação também eles teriam pago a conta. Melhor refinanciar, com novas dívidas, numa espiral em que só há um vencedor: o banco, cujos lucros e poder sobre o devedor sobe.
Do Moral Hazard já vimos. E das consequências sistémicas e estruturais, bom, melhor fazer de conta que nada acontece.
Quem paga a conta helénica? Sempre os mesmos. E se agora exultamos por causa do +9% da Bolsa de Atenas, é só fazer as contas para exultar muito menos.
Quanto era suposto pagar? Portugal 700 milhões? Isso era antes, muito antes, quando ainda a ajuda era de 45 bilhões. E agora que a ajuda atingiu os 90 ou 120 ou 135 ou 155 bilhões? Boa pergunta.
Pessoal, estamos contentes e felizes porque Portugal (entre outros, claro) terá a ocasião de ajudar a Grécia?
Portugal, um País que ainda ontem esteve perto do colapso, com a Bolsa em pânico, os indicadores que não paravam de descer e os políticos que rezavam para que algo acontecesse, ajuda um País que nada fez pelas próprias contas?
É este um sistema normal?
Mas, dizem, é um empréstimo.
Perguntem aos economistas alemães se este será um empréstimo ou uma prenda que não será restituída. Verdade, os teutónicos não podem ser juízes imparciais nesta altura. Mas sabemos também que as possibilidades de rever o dinheiro são mínimas.
Assim, após a invasão dos bancos-zombie que ainda trepam pelo mundo, agora teremos um estado-zombie:
a Grécia, extraída à força do pântano, subsidiada ao longo de 3 anos (no mínimo), terá que trabalhar e sofrer só para pagar a dívida, com um horizonte de crescimento reduzido ao mínimo (se crescimento houver).
E, sobretudo, a Grécia será refém dos credores.
Enquanto ficamos à espera de conhecer os pormenores desta manobra de socorro, vamos entreter-nos com dois gráficos e uma breve análise da situação de Portugal e de Espanha.
Mas não já. No próximo post.
Ipse dixit.
Fonte: Il Grande Bluff.

