Síria e Líbano: israel intensifica os ataques

O Estado de israel está a levar a cabo a sua maior campanha de ataques aéreos e operações especiais contra o Líbano e, simultaneamente, a Síria e o Iraque, sem encontrar qualquer resistência até agora: tira partido da condição extremamente débil do ambiente geopolítico e do caos político nos Estados Unidos.

Os aviões de guerra israelitas estão tão confiantes que agora sobrevoam o Líbano a muito baixa altitude: planam acima de áreas residenciais a velocidades supersónicas, aterrorizando grande parte da população libanesa. E na Síria oriental foram relatados ataques perto da fronteira com o Iraque. As localidades de Deir Ezzor e Aboukamal foram bombardeadas duas vezes seguidas. As localidades fronteiriças iraquianas também foram atingidas. No espaço de algumas horas, os ataques israelitas visaram o sul da Síria a partir dos Montes Golan, onde os tiroteios entre soldados sírios e israelitas são cada vez mais frequentes.

De acordo com fontes sírias, os aviões inimigos que atacaram a Síria Oriental vieram do Iraque. Uma táctica já testada no passado recente. Estes ataques confirmam que toda a Síria Oriental permanece sem qualquer defesa aérea, ao contrário da Síria Ocidental. Esta última, por outro lado, foi atingida por operações especiais patrocinadas pelos serviços especiais israelitas: uma série de ataques terroristas atingiram hospitais militares e autocarros do exército sírio, causando mais de 50 vítimas, das quais vinte e cinco morreram em Homs.

O mais surpreendente nestes ataques é que ninguém do lados dos atacados pensou em utilizar canhões de defesa antiaérea ou mísseis terra-ar portáteis durante a incessante passagem dos aviões hostis: só isso revela o grau de fraqueza em que estes Países se encontram no início de 2021. Uma situação preocupante que deixa vislumbrar mais ataques de Tel Avive. Doutro lado, o regresso do partido da guerra em Washington é visto de forma muito positiva pelos falcões israelitas. “Apesar de todas as possíveis concessões de Donald Trump a israel, ele acabou por ser posto de lado como um trapo por um Netanyahu, que sabemos ser muito oportunista” como afirma um analista árabe que vê a próxima fase da estratégia dos EUA para o Médio Oriente como um remake dos piores anos do regime de Obama.

Como relatava Al Jazeera na semana passada, um alto funcionário dos serviços secretos norte-americanos com conhecimento dos ataques disse à The Associated Press que estes foram efectuados com o apoio dos serviços secretos dos Estados Unidos. O funcionário norte-americano, que pediu anonimato para falar sobre questões sensíveis de segurança nacional, disse que o Secretário de Estado Mike Pompeo discutiu as operações com Yossi Cohen, chefe da agência de espionagem israelita Mossad, numa reunião no popular restaurante Café Milano, em Washington.

Os militares israelitas não comentaram. Segundo estes, os regulares ataques na Síria, principalmente contra alvos tacticamente perto do Irão, é uma tentativa para impedir que o arqui-inimigo assegure um melhor posicionamento ao longo das fronteiras. De acordo com os meios de comunicação israelitas, a área que foi atacada na Síria já tinha sido alvo em mais de uma ocasião nos últimos anos, uma vez que alberga uma série de bases utilizadas por grupos apoiados pelo Irão. A área é também estratégica para o corredor terrestre até Teheran, uma pista que liga o Irão ao Iraque e à Síria através do Líbano: o mesmo corredor que o Irão utiliza para contrabandear armas e foguetes, principalmente para o grupo armado Hezbollah.

A maioria dos analistas tende a excluir uma guerra com o Irão, cujos laços com alguns elementos do Deep State americano foram fortalecidos especialmente após a nomeação de William Joseph Burns (Presidente do think tank Carnegie Endowment for International Peace) como chefe da CIA. Algumas das elites do Irão, especialmente as que se opõem a Khamanei, acreditam que ainda é possível compor a situação e renegociar um acordo com Washington. Uma ideia bastante fraca: a luta pela influência já começou e continuará na chamada Crescente Fértil, onde Países como Líbano, Síria e Iraque continuarão a ser campos de batalha de uma guerra por procuração entre potências regionais e internacionais.

Por outras palavras, mais guerra e destruição num mundo totalitário que afirmará erguer-se a protecção das “democracias” num pântano poluído pelo novo culto imperial.

Mas qual é o custo humano real da guerra? Pegamos na Síria, pro exemplo: até hoje meio milhão de pessoas morreram e 12 milhões foram deslocadas durante os 10 anos de combates. Um Inverno rigoroso está a aumentar o número de mortos e a miséria dos vivos. Este cenário está agora a aproximar-se do seu 11º ano e não há fim à vista. O País foi dividido em áreas rivais controladas por diferentes grupos,enquanto está mergulhado numa pesada crise económica e começam as consequências das novas sanções dos EUA contra o governo do Presidente Bashar al-Assad.

 

Ipse dixit.

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: