Internet: o navegador mais seguro e mais privado

Em 2017 Informação Incorrecta tinha testado alguns navegadores (ou browers) comparando os desempenhos do ponto de vista técnico. Mas o tempo passa e as exigências mudam: hoje como nunca antes o que está a ser ameaçada é a nossa privacidade, através da recolha dos nossos dados de navegações e acordos com eventuais órgãos de vigilância. De facto, tornou-se- cada vez mais complicado, e por vezes impossível, navegar pela internet sem deixar rastos, prontamente  recolhidos e utilizados como ferramentas de análises.

Vamos já responder à primeira e mais óbvia pergunta: é possível utilizar um navegador que permita o seu imediato utilizo em condições de máxima segurança? Resposta curta: não. Qualquer navegador, até o mais seguro (por exemplo Tor, do qual voltaremos a falar) precisa duma série de atenções sem as quais a segurança fica prejudicada. E se é assim no caso de Tor, que durante anos foi visto como a “arma final” em prol da privacidade, podemos imaginar o que acontece com todos os outros browers.

Segunda pergunta: então qual navegador escolher? Pergunta errada. A correcta é: como escolher? Dado que, suponho, a maior parte dos Leitores não é um especialista em segurança na Web, o melhor é analisar as opiniões de quem passa a vida a fazer isso: analisar os navegadores na óptica de segurança, deixando de lado tanto os produtores (que, obviamente, glorificam os seus produtos) quanto as publicações de informáticas de tipo genérico (que podem sempre estar condicionadas pelo anunciantes presentes nas suas páginas).

Por isso, para este artigo foram escolhidos alguns sites especializados em segurança (mais do que uma dezena) e confrontadas as várias opiniões. Desta forma temos a certeza de optar para opiniões totalmente independentes? Nem por isso. É por esta razão que a coisa melhor é não confiar apenas num único parecer mas fazer um resumo das ideias das várias publicações.

Vamos começar, em ordem alfabético, listando os navegadores mais populares, excluindo aqueles de nicho (alguns bem interessantes, como Links ou Lynks mas, como afirmado, de nicho e adequados apenas a determinados tipos de utilizadores) e aqueles que não ainda têm ainda uma expressão significativa no mercado (caso contrário seria preciso escrever não um artigo mas um livro).

Eis a lista dos navegadores analisados:

  • Apple Safari
  • Brave
  • DuckDuckGo
  • Google Chrome
  • Chromium
  • Microsoft Edge
  • Mozilla Firefox
  • Opera
  • Tor
  • Vivaldi
  • …e os outros

Apple Safari

O Safari está agora apenas disponível nos produtos da Apple, mas por pouco tempo era possível encontra-los em sistemas Windows. Safari é o navegador padrão dos Mac e tal, como o Edge da Microsoft, luta para o segundo lugar atrás de Google Chrome na popularidade.

Positivo

Safari evita o carregamento de páginas internet suspeitas e alerta para o potencial perigo. Ao correr páginas web numa sandbox (literalmente: caixa de areia, um zona isolada do sistema operativo) Safari evita também que eventuais códigos maliciosos afectem todo o navegador ou tenham os nossos dados.

Com a funcionalidade de Prevenção Inteligente de Rastreamento (ITP), Safari parece ter impedido os sítios Web de rastrear os utilizadores, dificultando o trabalho dos anunciantes. Também ajuda a camuflar os nossos rastos digitais e evita que sites de terceiros deixem dados na nossa cache, ajudando o utilizador a manter-se razoavelmente “anónimo” online. Além disso, Safari oferece uma série de extensões úteis para salvaguardar a privacidade.

Negativo

Tal como o Chrome e Edge, o Safari não é open source: isso significa que ninguém pode descarregar o seu código para verificar o que lá está. As actualizações do Safari são oferecidas a intervalos irregulares, o que é surpreendente dado que é feito por uma das maiores empresas tecnológicas do mundo: quando comparado com os seus rivais, Safari actualiza-se de forma mais espaçada. O que vale é que a arquitectura dos produtos Apple (da família Unix-like, como o parente próximo Linux) é intrinsecamente mais segura do que uma Microsoft ou uma Android, mas a frequência mais baixa continua a ser preocupante.

Investigadores da equipa de Engenharia de Segurança da Informação da Google encontraram recentemente vários problemas de segurança no sistema anti-rastreio ITP acima mencionado, alegando que o ITP na verdade partilha os hábitos de navegação na web dos utilizadores do Safari. Algumas destas questões foram abordadas em posteriores actualizações de segurança por parte da Apple, mas isso pode não ser suficiente para afastar as suspeitas sobre o navegador.

Corre numa sandbox

Trava os códigos maliciosos que acedem aos dados dos utilizadores

Não de código aberto

Apple participa no programa de recolha de dados PRISM da NSA

> Recomendado? Não até haver uma versão open source <


Brave

A Brave foi fundada em 2016 por Brenden Eich, o antigo chefe da Mozilla que também criou o JavaScript. Embora relativamente novo na cena, Brave tem sucesso no seu design de desempenho rápido, focado na privacidade e minimalista.

Positivo

Brave tem várias características que mantêm a sua actividade de navegação privada, com um bloqueador de anúncios predefinido que também impede que os anúncios rastreiem o nosso comportamento online, bem como uma função para proteger sites não encriptados com HTTPS quando necessário.

As definições de segurança da Brave permitem seleccionar os dados que pretendemos apagar sempre que se fecha uma aplicação, bloquear tentativas de rastreio e impedir o carregamento de scripts. As definições da Brave fornecem muitas formas de personalizar a experiência de navegação para ser segura.

Em Dezembro de 2018, Brave fez uma transição completa para o código open source de Chromium, facilitando aos utilizadores a instalação das extensões do Google Chrome, embora seja sempre prestar atenção aos dados que tais as extensões de terceiros recolhem.

Negativo

O novo separador Tor de Brave pode ser privado, mas fica aquém dos padrões de privacidade da própria Tor com uma janela de tamanho personalizável que pode ser usada para tirar rastos de navegação.

Ao mesmo tempo que os anúncios de terceiros sejam bloqueados por Brave, a mesma empresa lançou o seu próprio programa de anúncios em Abril de 2019. Isto tem atraído algumas críticas e alegações de hipocrisia, uma vez que coloca os seus próprios anúncios por cima dos anúncios encontrados nos websites, permitindo-lhes lucrar com as páginas web sem dar nada aos criadores.

Brave tem também uma sua moeda criptográfica, chamada “Basic Attention Token” (ou BAT), que permite aos utilizadores pagar anonimamente os editores pelo conteúdo através de micro-donativos e receber uma percentagem dos mesmo de volta. Contudo, a gestão da BAT não tem sido a melhor, levantando críticas e suspeitas: a inclusão de uma moeda criptográfica num navegador é certamente uma novidade, mas parece que levará algum tempo até começar a funcionar como pretendido.

Bloqueador de anúncios embutido

Definições de privacidade personalizáveis

O separador Tor não cumpre as normas de privacidade do Tor

Não tem versão portátil

Criptomoeda BAT com gestão questionável

> Recomendado? Sim se abdicamos da portabilidade, mas talvez seja melhor evitar por enquanto a BAT <


DuckDuckGo

Ao contrário dos outros navegadores mencionados nesta lista, DuckDuckGo não é um navegador para desktop, o que significa que é uma solução se estivermos a navegar na Internet com um smartphone ou tablet. Em alternativa, é possível descarregar a extensão que funcionará em Firefox ou Chrome.

Positivo

DuckDuckGo não permite que o nosso histórico de navegação (que pode ser apagado com um único botão) saia do dispositivo e não recolhe outros dados. Bloqueia automaticamente a publicidade, pára os rastreadores de terceiros e assegura a encriptação HTTPS em todos os sítios onde isso é possível. Uma característica que o distingue é o grau de privacidade que é atribuído a cada página internet: isto facilita a avaliação da quantidade de dados que cada sítio recolhe, com e sem as protecções do DuckDuckGo, com um único olhar. De default apresenta DuckDuckGo (obviamente…) como motor de pesquisa. Dadas as suas características na defesa da privacidade, em teoria poderia ser também utilizado para navegar na Deep Web: na prática é fortemente desaconselhado.

Negativo

Não é inteiramente open source, apesar de DuckDuckGo estar a trabalhar nisso para tornar-se completamente de código aberto. Obviamente não é um navegador indicado a quem precise manter o histórico ou a quem deseje compartilhar informações entre o navegador usado no telemóvel e aquele desktop (nada de sincronização). ADepois há o facto de não existir uma versão autónoma para desktop: pode funcionar em Firefox ou Chrome só como extensão.

Não recolhe dados nem os deixa recolher

 Personalizável

  Em franco crescimento

Não inteiramente open source

Não tem versão portátil e nem uma autónoma para computador

> Recomendado? Sim , mas o será ainda mais uma vez completamente open source.<


Google Chrome

Mais de uma década passou desde o lançamento do Google Chrome e desde então tornou-se o líder indiscutível na quota de mercado dos browsers, com quase 80%. Dada a sua reputação de rapidez e prevalência dos serviços Google nas nossas vidas (pesquisa na web, YouTube, Gmail, Google Docs, etc.), não é surpresa que Chrome se tenha tornado o navegador mais utilizado actualmente. Mas como é que se comporta no âmbito da privacidade e da segurança?

Positivo

Google actualiza Chrome com frequência e tem um sistema de verificação dos downloads potencialmente nocivos. Parte do seu código é open source. Google também encorajou os hackers a encontrar vulnerabilidades no seu próprio navegador para que a empresa possa melhorar o produto.

Negativo

Enquanto o navegador oferece o habitual bloqueador de pop-ups e permite aos utilizadores enviar um pedido de “não rastrear” (aconselhado pois Chrome em si faz muito pouco para impedir o rastreamento), não é possível ignorar que o Chrome pertence à empresa que faz milhões com os dados dos utilizadores. Desde a identificação automática do navegador por nós utilizado até uma política de histórico de localização, Google continua a utilizar Chrome para aprender sobre nós e depois monetizar essas informações.

Google anunciou que eventualmente forçaria os cookies de terceiros a identificarem-se no Chrome, mas não se sabe quando isso irá acontecer, nem se isso irá realmente travar os rastreadores.

Chrome também possui uma extensa biblioteca de extensões, que oferecem uma gama de funcionalidades adicionais, mas com o custo de uma privacidade reduzida. Além disso, como o Chrome é um navegador de código parcialmente fechado, ninguém pode decifrá-lo para ver o que eventualmente está escondido nele.

Actualizações automáticas e frequentes

Parcialmente de código aberto

Parte do enorme e funcional ecossistema Google

Rastreia uma grande quantidade de dados de utilizador

Pesado: utiliza uma grande quantia de memória RAM

Sendo o browser mais utilizado, vírus pensados para atacar Chrome é coisa que não falta

> Recomendado? Não <


Chromium

E que tal a versão open source de Chrome? Embora Chromium tenha ligações ao Google, o gigante tecnológico não limita a forma como outros utilizam o código aberto de Chromium, pelo que não está necessariamente sujeito aos métodos de recolha de dados da empresa. O Chromium é também um navegador menos polido, e será necessário fazer muito trabalho manual para o personalizar e fazer com que funcione sem problemas. Terá também de investir mais tempo na aprendizagem das suas funcionalidades, descobrindo as mais recentes actualizações e riscos.

Positivo

A frequência das actualizações do Chromium é inigualável, com uma nova todos os dias. Até demais, mas isto é óptimo para corrigir vulnerabilidades assim que estas surgirem. Pode instalar as extensões de Chrome (o que tem pontos negativos também, pois nem todas são seguras na óptica da privacidade). Em suma: Chromium permite entrar na galáxia dos serviços Google sem necessariamente entregar ao gigante tecnológico todos os nossos dados: nenhum dado é enviado para a Google.

Negativo

Infelizmente, nem Chromium permite desactivar o WebRTC, o que deixa os utilizadores vulneráveis a fugas de informação. WebRTC é uma função que permite executar aplicações de chamada telefónica, video chat e partilha P2P sem a necessidade de instalar extensões. Infelizmente, já fora relatadas graves falhas de segurança nos browsers que suportam WebRTC, o que compromete a segurança dos túneis VPN ao expor o verdadeiro endereço IP de um utilizador. Os pedidos de leitura do endereço IP não são visíveis na consola de desenvolvimento do browser, e não são bloqueados pela maioria dos suplementos de bloqueio/privacidade/segurança de anúncios, permitindo o rastreio online por parte de anunciantes e outras entidades (contudo a extensão uBlock Origin pode corrigir este problema).

As actualizações requerem instalação manual, o que significa que os utilizadores finais devem estar vigilantes para manterem o navegador o mais seguros possível. E Chromium não tem o mesmo refinamento de Chrome.

Actualizações diárias

Open source

Parte do enorme e funcional ecossistema Google

As actualizações são manuais

Menos refinado do que Chrome

 WebRTC não pode ser disactivado

Como no caso de Chrome, vírus é coisas que não faltam.

> Recomendado? Não, mas se querem mesmo utilizar algo parecido ao Chrome está é a única alternativa séria <


Microsoft Edge

A Microsoft tem feito questão de tornar o Edge o navegador de eleição entre os utilizadores de Windows, tendo reformado o péssimo Internet Explorer. Desde o seu lançamento em 2015, Edge expandiu-se para além do Windows 10, estando disponível para os sistemas operativos Mac, Android , iOS e até Linux.

Positivo

A partir de Janeiro de 2020, Edge está baseado no Chrome, o que significa que parte do seu código é open source (mas parte não). A Microsoft actualiza o seu software pelo menos uma vez por semana, consistindo principalmente em actualizações de segurança: é  positivo ver que o Edge está a ser alvo de actualizações regulares para corrigir problemas de segurança.

A Microsoft também lançou a Mudança Automática de Perfil, que é suposto ajudar a mudar facilmente entre as nossas contas de trabalho e de não-trabalho.

Negativo

Uma falha fundamental na segurança da Edge veio à luz em 2020, quando os investigadores de segurança revelaram que Edge envia identificadores persistentes que podem ser utilizados para associar pedidos (e endereços IP/localização) aos servidores backend: um paraíso para os rastreadores.

Um porta-voz da Microsoft disse à ZDNet que “Microsoft Edge envia dados de diagnóstico utilizados para fins de melhoramento do produto, o que inclui um identificador de dispositivo” mas que em Windows é possível apagar os dados de diagnóstico associados à ID do dispositivo armazenados nos servidores Microsoft em qualquer altura, algo que não é oferecido por todos os fornecedores”. Talvez porque nem todos os fornecedores recolhem dados associados ao ID do nosso dispositivo…

Apreciamos a honestidade, mas o facto do Edge poder identificar o nosso dispositivo fala por si.

Baseado no Chrome, o browser mais difundido

Parcialmente open source

Recolhe os dados dos utilizadores

Não tem um ad blocker integrado

Dúvidas em termos de segurança

> Recomendado? Não <


Mozilla Firefox

De todos os navegadores apresentados neste ranking, o Firefox é o único que é desenvolvido por uma organização sem fins lucrativos, Mozilla. O navegador é bem conhecido pela sua personalização e tem sido desde há muito uma das melhores alternativas aos seus irmãos de Google, Microsoft, e Apple.

Positivo

Firefox não actualiza tão frequentemente como Google Chrome, mas actualiza pelo menos dentro de um período de tempo regular. Dado que a Fundação Mozilla é uma organização sem fins lucrativos, é impressionante ver os seus voluntários a trabalhar constantemente para assegurar que Firefox esteja carregado com as últimas características de segurança e de navegação dentro de poucas semanas.

O Firefox oferece um conjunto de características de segurança que qualquer utilizador da Internet apreciará: protecção contra phishing e malware, bloqueio de sites com histórico de ataques, aviso aos utilizadores quando um site está a tentar instalar add-ons.

Firefox permite que os utilizadores bloqueiem todos os rastreadores que o navegador detectar e também oferece a opção de “compartimentar” a navegação, impedindo por exemplo que plataformas como Facebook rastreiem as nossas actividades fora do Facebook.

Mas mais importante: o Firefox é o único dos navegador mais utilizados completamente open source: qualquer pessoa pode examinar o código do Firefox, certificando-se de que não existem elementos como softwares de rastreio.

Negativo

Além do produto Firefox, a política de Mozilla não é das melhores, tendo iniciado colaborações com alguns do Big Tech. Firefox é um navegador bastante seguro e privado, mas será que continuará assim?

Completamente open source

Definições de privacidade altamente personalizáveis

O futuro?

Como todos os “grandes” navegadores, não é leve.

> Recomendado? Sim, mas é preciso mexer nas definições para aprimorar a privacidade <


Opera

O criador da norma web CSS, Hakon Wium Lie, desenvolveu o Opera em 1995. Desde então, o navegador adoptou muito do código Chromium no seu software e é agora considerado um dos mais populares navegadores orientados para a privacidade.

Positivo

O navegador Opera tem um bloqueador de anúncios incorporado e utiliza um bloqueador de rastreio que utiliza a Lista de Protecção de Rastreio EasyPrivacy, o que pode ajudar a proteger os utilizadores contra publicidade indesejada e rastreamento por parte de anunciantes e outros websites. Baseia parte do seu código no Chromium, que é open source, portanto, pode ser escrutinado.

Negativo

Uma vez instalado Opera, será gerado um ID para identificar a nossa máquina, o sistema operativo, as suas definições e alguns dados acerca da utilização.

Opera também tem uma VPN incorporada e gratuita desde 2016 (mas que não é um sistema criptográfico completo). É uma adição preocupante pois rastreia a largura de banda e utiliza logs (registros de eventos). Além disso, Opera é agora propriedade de uma empresa chinesa, portanto sediada num País com um assinalável historial de violações da privacidade.

Bloqueador de anúncios embutido

Parcialmente open source

Recolha de dados

Utilização de logs da VPN incorporada

> Recomendado? Não <


Tor

Desenvolvido pelo Projecto Tor em 2002, e baseado no navegador do Firefox, Tor Browser foi construído para que os utilizadores pudessem aceder à Internet de forma anónima através da rede Tor. As nossas actividades e identidades são mascaradas pelo Tor, que encripta o seu tráfego em pelo menos três camadas, conduzindo as comunicações numa rede de retransmissores seleccionados a partir de milhares de voluntários.

Positivo

A maioria das actualizações do Tor seguem as correcções de bugs do Firefox e as correcções de segurança. As actualizações são incrivelmente importantes para evitar que alguém explore bugs e falhas de segurança em versões mais antigas do Tor Browser.

A privacidade do Tor Browser é muito facilitada pela sua segurança presente de default. Além disso, Tor não rastreia o nosso histórico de navegação e limpa os cookies após cada sessão. Tor também protege os utilizadores com a integração da extensão NoScript.

O processo utilizado por Tor, que faz ricochetear os nossos dados através de vários relés, torna incrivelmente difícil o rastreamento. Não é completamente seguro, mas a menos que esteja a ser executada uma operação de alto nível (e ilegal) na rede Tor, é improvável que sejam gastos recursos para rastrear os nossos hábitos de navegação.

Negativo

O navegador Tor pode ser realmente seguro mas a velocidade de Internet é susceptível de ser afectada.

Outro problema é que Tor pode dar uma falsa sensação de segurança: é preciso seguir os conselhos que o mesmo navegador disponibiliza para deslizar na internet sem dar nas vistas. A simples alteração do tamanho da janela de visualização ou a instalação duma nova extensão podem distinguir o nossos perfil e tornar mais simples o rastreamento.

Além disso, é preciso estar ciente de que as forças da lei e o nosso fornecedor de acesso à internet podem ver que está a ser utilizada a rede Tor, mesmo que não possam saber o que estamos a fazer nela. O melhor é utilizar Tor após ter-se ligado antes a uma VPN.

Versão mais segura de Firefox

Difícil localizar e seguir o tráfego

Open source

Velocidade internet mais lenta

Forças de seguranças podem desconfiar dos utilizadores de Tor

Pode fornecer uma falsa sensação de anonimado

> Recomendado? Sim, a pacto de ter cuidado na forma como se utiliza <


Vivaldi

O navegador Vivaldi é recente e nasce duma costela de Ópera. Este facto é tanto bom como mau: um bom pontapé inicial e ao mesmo tempo a necessidade de emergir da sombra da popularidade do “irmão mais velho”. Vivaldi é um navegador de Internet que funciona com base no motor Blink (o mesmo de Chromium, mas modificado e já não open source) e oferece grandes possibilidade de personalização.

Positivo

Tal como outros navegadores, Vivaldi bloqueia sites de rastreio à medida que é utilizado internet Também vem com características como um bloqueador de anúncios incorporado e uma sincronização encriptada end-to-end. Mais: tem um depurador CSS e instalar as extensões concebidas para Google Chrome.

Mais: Vivaldi não armazena o nosso histórico de navegação, cookies ou ficheiros temporários quando navegamos numa janela privada (que deve ser activada!). E para tornar a navegação privada ainda mais segura, Vivaldi permite definir um motor de pesquisa diferente quando for utilizada a tal janela privada.

Negativo

Não existe uma versão portátil e não é o navegador mais rápido por aí. A tendência para o freeze (congelamento) também já perturbou bastante os utilizadores, ao ponto de tornar-se uma queixa comum.

Vivaldi inclui links para websites nos marcadores favoritos (bookmarks) e ganha com isso: ou seja, Vivaldi tornou os bookmarks uma espécie de espaço publicitário. O que não é simpático.

Mas o maior problema é a privacidade: quando instalado, Vivaldi atribuí um ID de utilizador único que é armazenado no nosso computador, tal como fazem Opera e Edge. Vivaldi envia uma mensagem para os seus servidores localizados na Islândia a cada 24 horas contendo este ID, a versão, arquitectura cpu, resolução de ecrã e tempo desde a última mensagem. Vivaldi afirma que o nosso endereço IP será tornado anónimo e que o objectivo da recolha de dados é determinar o número total de utilizadores activos e a sua distribuição geográfica. Só podemos confiar…

Personalizável

Depurador CSS

Parcialmente open source

Não é dos mais rápidos

Publicidade oculta (bookmarks)

Não há uma versão portátil

Alguns problemas de juventude

Dúvida na privacidade

> Recomendado? Não <


Epic Browser, Waterfox, Pale Moon, Basilisk, SRWare Iron, Lunascape, K-Meleon, Ungoogled Chromium, etc.

Todas estas versões derivadas apresentam os mesmos tipos de problemas: ou estão baseadas em arquitecturas obsoletas ou não são actualizadas com uma frequência decente. Sobretudo este último é o calcanhar de Aquiles: os navegadores mais difundidos (Chrome, Firefox e poucos outros) são actualizados com frequência, por vezes diariamente como vimos, porque as ameaças na internet estão em constante evolução. O problema aqui não é a privacidade mas a segurança: arriscamos ficar com um browser que respeita a nossa privacidade, que não recolhe dados, mas não está pronto para enfrentar as mais recentes ameaças da internet. Pelo que: evitem.


Conclusão

Esqueçam o “navegador 100% seguro” porque tal coisa não existe e nunca existirá: a segurança na internet depende em primeiro lugar dos nossos hábitos. Podemos ter o browser mais bem apetrechado mas se costumamos visitar páginas que espalham vírus, mais cedo ou mais tarde algo irá acontecer. E não será divertido.

Diverso é o discurso da privacidade: aqui há diferenças entre os produtos. Utilizar um Google Chrome ou um Microsoft Edge significa entregar os nossos dados ao mercado. Então é fundamental escolher um produto que possa ser visionado por todos de forma completa, portanto open source (de código aberto): um código fechado sempre oculta algo e não sabemos o quê: só podemos ter fé (ou não).

Atenção também ás extensões: nem todas são verificadas e o risco de instalar algo malicioso é real. Além de que demasiadas extensões prejudicam as prestações do navegador: escolham apenas as essenciais (exemplo: uBlock Origin, HTTPS Everywhere e NoScript; mais, possivelmente, Decentraleyes e uMatrix, embora a última precise de muita configuração).

A melhor escolha? Tor. Mas é lento e, se o desejo for o anonimado, não deixa espaço à personalização. Além de que precisa duma VNP para tornar-se 100% seguro.

Fireifox? Por enquanto é a minha escolha, mas também aqui são precisas algumas intervenções para optimiza-lo: por exemplo, é preciso desactivar a função WebRTC (coisa que em Firefox é possível sem instalar extensões) ou desabilitar o envio de informações à Mozilla.

Brave fica em segundo lugar mas aos meus olhos tem dois problemas: não existe por enquanto em versão portátil e a gestão da moeda virtual BAT não está isenta de críticas. São problemas para mim, podem não ser problemas para o Leitor. De facto, Brave continua sendo uma discreta escolha.

Chromium? Mesmo sendo open source, não tenho a coragem para aconselhar este navegador, as ligações com Chrome existem. Mas se o Leitor quiser mesmo utilizar algo para ter acesso aos serviços da galáxia Google, está é a única alternativa séria.

Para acabar temos DuckDuckGo: óptimo para sartphone e tablet, não tem todavia uma versão desktop. Mas podemos sempre pensar num Firefox (ou num Chromium) em versão aprimorada mais a extensão DuckDuckGo…

E para acabar: activem quando possível a função “incognito” (costuma ficar nas definições do navegador, mas não faz milagres: não permite a navegação anónima!) e tomem em consideração a instalação duma boa VNP, uma das melhores armas em termos de segurança e privacidade.

 

Ipse dixit.

12 Replies to “Internet: o navegador mais seguro e mais privado”

  1. A censura no tempo do fascismo era uma brincadeira de crianças… os gigantes tecnológicos querem impor uma censura global: querem impor algoritmos que eliminem textos que podem por em causa a rentabilização dos seus investimentos.

  2. Bom dia. Tenho uma questão: ao desinstalar o Chrome, que implicações terá? Terei de saber todas as senhas que me permitem aceder às contas de emails, certo? Obrigado

    1. Olá PB!

      Pois: e se o desejo for trocar navegador?
      Amanhã artigo dedicado a como recuperar as passwords memorizadas nos navegadores e transferi-las para um novo. Não é complicado mas, após um artigo para escolher um browser, calha bem outro para saber como transferir a tralha toda para o novo.

      Obrigado!

  3. Ola carissimos! Bom dia! Embora silente na maioria das vezes, estou sempre cativa e de olhos abertos p tudo o q passa por aqui. As dicas de tecnologia vêm a calhar. Tempos atrás o pp Max nos recomendou o DuckDuck go. E desta vez nao foi mencionado. Esse navegador perdeu sua credibilidade ou mm seu diferencial enquanto navegador simples e seguro? Abc

    1. Olá Adriana!

      DuckDuckGo (DDG) merece um discurso detalhado. Em princípio: não é completamente open source, o que anda contra os meus princípios. Todavia…

      Todavia: boa parte do código é open source, já disponível para o público. Além disso, a empresa está a trabalhar para tornar o código completamente open source, coisa que não foi feita até agora por questões de API (Application Programming Interface, um conjunto de rotinas e padrões estabelecidos por um software para a utilização das suas funcionalidades sem que por isso tenha que ficar embutido no código-base). É por esta razão que DDG colabora com a comunidade open source para tornar-se o seu código completamente livre, mas é um trabalho nada simples (acerca de 250 mil linhas de código).

      Além disso há dois outros aspectos que devem ser considerados.

      O primeiro é a guerra entre navegadores. Cada browser escrutina cuidadosamente os outros para encontrar e publicitar falhas: é assim que foram descobertas as falhas de privacidade em Microsoft Edge, por exemplo, encontradas e logo publicadas por Google. Acerca de DDG ainda ninguém conseguiu algo. O que é bom.

      O segundo aspecto é o financiamento: DDG publica a lista dos doadores com respectivos montantes. E nesta lista não há membros da Big Tech ou fundações de “filantropos” (de facto, em 2020 DDG recebeu apenas 750 mil Dólares em doação).

      Para acabar: alguns gestores de VNP aconselham o utilizo de DDG.

      Eu tenho uma ideia acerca de DDG. Tanto o motor de pesquisa quanto o navegador atraem as atenções dos que pretendem defender a privacidade; ao mesmo tempo DDG é o meio de pesquisa e navegação favorito por boa parte de quem tenta sair da internet de regime (eu, por exemplo, utilizo o motor de pesquisa DDG porque consegue resultados bem mais interessantes – não censurados – do que Google). De facto, DDG encontra-se em crescimento, conseguindo uma pequena mas fiel fatia de utilizadores. Então faz sentido impor a censura no DDG quanto, assim como está, fornece igualmente valiosas indicações acerca das preferências dos “alternativos”? Não, pelo contrário: mais vale deixar que aquela minoria se concentre em poucos mas conhecidos produtos, para depois analisar as tendências sem a necessidade de rastrear os utilizadores. Um pouco como faz na China o PCC, que permite a crítica ao partido online por parte dos cidadãos para aprender com ela.

      Posso estar errado, mas consideramos que DDG está baseado nos EUA e que o fundador (Gabriel Weinberg) tem um apelido alemão mas origem alemã não tem, aliás, tem a mesma origem dos vários Mark Zuckerberg de Facebook, Jan Koum de WhatsApp, Larry Page da Google, Aaron Swartz de Reddit, Devin Wenig de eBay, Jeff Weiner de Linkdin…

      Seja como for, pelas razões acima apresentadas, acho que até hoje DDG é um navegador a ter em conta e que só não foi inserido no artigo porque o bom Max esqueceu-se dele (!!!). Continuo a utilizar Firefox (tanto no Linux quanto no Windows) pois completamente open source e portátil (odeio utilizar programas não portáteis no Windows, mexem sempre no registro), mas já utilizo o motor de pesquisa DDG e não teria problemas em utilizar também o browser DDG.

      Espero ter resposto de forma digna e exaustiva 🙂
      E obrigado por ter lembrado DuckDuckGo!!!

      (já agora: amanhã, com calma, vou actualizar o artigo)

  4. Olá pessoal: por quanto tempo vocês acham que, pulando de uma ferramenta para outra, vão garantir segurança e privacidade?
    Eu não entendo nada desse assunto, mas procuro entender o que se passa. E concluo que quanto mais vivo mais percebo que se alguém quiser privacidade e segurança, abra aquele projeto do fotógrafo Sebastião Salgado de nome Gênesis. Lá vai encontrar alguns lugares não permeáveis à civilização que conhecemos e que está apodrecendo.
    Reúna seus cachorros e alguns amigos de confiança e…desapareça.

  5. Não vejo uma grande diferença entre utilizar VPN e não a utilizar. Sem VPN os dados de navegação ficam em poder da empresa que forneçe a internet a vossa casa. Com a VPN os dados ficam em poder de outra empresa. Ambas as soluç~ioes permitem que uma única empresa faça o que bem entender com os dados que tem em mãos – (estatística, venda no mercado negro, podem ser coagidos pelo tribunal, etc). Para mim as VPN’s são mais um negócio com uma promessa de “invisibilidade” mas no final o resultado será sempre o mesmo: “o mexilhão é que se lixa”.

    1. Olá f.p.badio!

      Trata-se duma escolha: entregar os dados a todos ao navegar ou, na melhor das hipóteses, limitar a partilha? Não é simples escolher uma boa VPN, pois muitas retém dados para depois vende-los. E saber quais fazem isso é complicado.

      Um bom ponto de partida pode ser optar por VPNs open source. Open VNP, por exemplo, é tida como a mais segura de todas, mas não é simples instala-la e configura-la. Doutro lado, nesta altura, para ter algo razoavelmente seguro e privado é preciso fazer mais uns esforços. Sem esquecer que as melhores seguranças e privacidades estão na forma como o usuário navega, quais páginas visitas, o que instala, o que partilha… Por exemplo, voltando aos navegadores: é perfeitamente inútil instalar um bom navegador para proteger a privacidade se depois utilizamos Google para as nossas pesquisa…

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