À beira do colapso: a Comissão Pecora no Século 21º

À Beira de Precipício de Colapso Financeiro: Hora de Comissão Pecora no Século 21

de Matthew Ehret

 

Enquanto políticos Republicanos e Democratas realizam reuniões de emergência para decidirem como evitar derretimento de Wall Street, o cheiro de hiperinflação paira no ar hoje do mesmo modo que na Alemanha nos meses iniciais de 1922. Esta semana os mercados foram escorados por oferta recorde de $1.5 trilião em injeções de liquidez no decurso dos próximos meses (além dos $9 triliões já injetados ao longo dos seis meses passados), e em vez de lidar com os motivos desse colapso financeiro que se aproxima, a mídia brainwashed(*) o Ocidente repetindo que tudo teria estado perfeitamente bem “se tão somente o coronavírus não se tivesse tornado pandemia”.

(*) brainwashed – O verbo to brainwash significa fazer com que alguém aceite determinado conjunto de crenças mediante repetir a mesma ideia muitas vezes de tal maneira que a pessoa não consiga pensar de modo independente. Macmillan

O que, porém, realmente está sendo salvo/socorrido(*) no caso, e por quê? Será que o dinheiro está realmente chegando à economia real? Estará sendo investido para reconstruir as fazendas, empresas e indústria dos Estados Unidos?

(*) bailed out – To bail out é ajudar pessoa ou organização que esteja com problemas, especialmente problemas financeiros. Macmillan

A realidade é que a única coisa sendo socorrida é bancos “Grandes Demais para Falir” sentados em cima de bomba de derivativos de $1.5 quatrilião. Entre os mais falidos dos especuladores dos Estados Unidos contam-se JPMorgan Chase, Citigroup e Goldman Sachs, cuja exposição a derivativos atingiu respectivamente $48 triliões, $47 triliões e $42 triliões em anos recentes.

Estou convicto de que Trump tem desejo autêntico de “drenar o pântano” e reconstruir a base industrial perdida dos Estados Unidos. Também acredito sinceramente que Trump deseja estabelecer relações positivas com Rússia, China e outros estados-nações soberanos, o que tem suscitado a ira do deep state(*) internacional. Contudo, o ponto cego fatal de Trump parece ser sua tendência para acreditar na mentira de que o bem-estar de Wall Street é de algum modo indicativo do bem-estar dos Estados Unidos.

(*) deep state – Rede de pessoas e organizações dentro do governo que, acredita-se, persegue suas próprias políticas e planos de longo prazo independentemente de quem esteja no poder. Macmillan

Se Trump for inteligente (e seus apelos anteriores no sentido de restauração da Glass-Steagall(*) e de práticas do American System(**) [Sistema Estadunidense] dão a entender que ele sabe algumas coisas), então em vez de socorrer Wall Street mediante colocar mais gasolina no fogo seria melhor aprender as lições de 1933 e criar uma nova Comissão Pecora para 2020.

(*) Glass-Steagall – Ver, em português, https://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_Glass–Steagall
(**) American System – A política de promover a indústria nos Estados Unidos mediante adoção de tarifa altamente protetora e de desenvolvimento de aperfeiçoamentos internos pelo governo federal (como defendidos por Henry Clay de 1816 a 1828). Merriam-Webster / Plano econômico com três partes: tarifa para proteger e promover a indústria estadunidense; banco nacional para fomentar comércio; e subsídios federais para estradas, canais e outros ‘melhoramentos internos’ para desenvolvimento de mercados lucrativos para a agricultura. Wikipedia

O que é Comissão Pecora?

Muita gente sabe do colapso econômico de 24 de outubro de 1929 que deu início a quatro anos de depressão nos Estados Unidos (e em grande parte do mundo ocidental). Contudo, não muita gente sabe da intensa luta desfechada por patriotas de ambos os partidos contra o parasita Wall Street/deep state daquela época, a qual impediu tanto golpe fascista contra o recentemente eleito Franklin Roosevelt quanto o comando mutilante de Wall Street da vida estadunidense. A despeito de livros de História revisionistas que contaminaram os últimos 70 anos, a recuperação dos Estados Unidos da depressão não ocorreu sem luta de vida ou morte e tal luta foi tornada possível, em grande medida, pela obra corajosa de advogado italiano de New York. O nome dele era Ferdinand Pecora(*).

(*) Ferdinand J. Pecora nasceu em Nicósia, Sicília, filho de Luigi Pecora e Rosa Messina, que emigraram para os Estados Unidos em 1886. Wikipedia

Em 1932, quando os Senadores Peter Norbeck (R-SD) e George Norris (R-NB) encabeçaram a criação da U.S. Committee on Banking and Currency, [Comissão Estadunidense do Banco e da Moeda] a economia estadunidense estava em estado de respiração artificial e as pessoas estavam tão desesperadas que ditadura fascista nos Estados Unidos teria sido recebida de braços abertos, se tão somente pudesse ser colocado pão em cima da mesa. O desemprego havia atingido 25%, mais de 40% dos bancos haviam falido e 25% da população havia perdido suas economias. Milhares de cidades de pessoas sem teto chamadas  ‘Hoovervilles’(*) espalhavam-se pelos Estados Unidos – USA e mais de 50% da capacidade industrial do país desvanecera-se. Milhares de fazendas tinham tido suas hipotecas executadas e as rodas dentadas da indústria estadunidense haviam enguiçado num guincho derradeiro.

(*) https://pt.wikipedia.org/wiki/Hooverville

Do outro lado do oceano, os regimes fascistas de Alemanha, Itália e Espanha tornavam-se cada dia mais poderosos, abastecidos por injeções de centenas de milhões de dólares de capital por banqueiros de Londres e Wall Street. Notáveis entre aqueles financiadores pró-fascistas contava-se ninguém outro que o patriarca da família Bush, Prescott, que forneceu milhões em empréstimos ao partido nazista, à época falido, de Hitler em 1932 (e continuou a fazer negócios com referido partido até 1942, tendo parado apenas depois de considerado culpado de “fazer negócios com o inimigo”)..

A Committee on Banking and Currency era órgão relativamente impotente quando começou em 1932, mas tudo começou a mudar quando o Senador Norbeck trouxe Ferdinand Pecora para liderá-la em abril de 1932. Estadunidense-italiano de primeira geração, Pecora foi forçado a deixar o curso secundário depois que seu pai ficou incapacitado, a fim de ajudar a família. Anos depois, o jovem encontrou trabalho como escriturário em firma de advocacia, e conseguiu cursar Direito, sendo aprovado pela ordem dos advogados em 1911. Sua reputação irrepreensível valeu-lhe a animosidade de poderosos financistas de New York, que cuidaram para que ele nunca chegasse a Procurador-Geral(*) em decorrência de seus sucessos em processos contra corretoras, os quais resultaram no fechamento de mais de 100 casas de corretagem que especulavam com títulos fraudulentos durante a depressão.

(*) Attorney General – O advogado de mais alto nível em alguns países ou estados dos Estados Unidos. Também, o dirigente do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Macmillan / Procurador-geral. Cambridge inglês-português.

Em questão de dias depois de aceitar o emprego em Washington como Chief Council(*) da comissão de Norbeck (ganhando o magro/módico/modesto/escasso/exíguo salário de #250/mês), Pecora recebeu poderes de intimação para auditar bancos e levar os mais poderosos homens dos Estados Unidos a deporem em audiências da comissão.

(*) Chief Council – Deve ser Chief Counsel; lapsos de ortografia são relativamente comuns em artigos em inglês, pelo fato de não ser língua fonética. General counsel, chief counsel, ou chief legal officer (CLO) é o advogado principal de departamento jurídico, usualmente em empresa ou órgão do governo. Wikipedia

Em suas duas primeira semanas Pecora fez manchetes por auditar os livros de grandes bancos de Wall Street e por ter detido o pró-fascista Presidente do National City(*), Charles Mitchell (que na ocasião preparava-se para assessorar Benito Mussolini), para depoimento. Em questão de dias a equipe de Mitchell de dispendiosos advogados de defesa nada pôde fazer a não ser ficar olhando em desespero enquanto o poderoso financista admitia vender a descoberto ações de seu próprio banco durante a depressão, tapeando depositantes com compra de dívida podre cubana e sonegando impostos durante anos. Mitchell foi forçado a renunciar constrangedoramente/desonrosamente, seguido, dias depois, do Presidente da Bolsa de Valores de New York Dick Whitney – que deixou o tribunal algemado.

(*) Hoje Citibank. Wikipedia

A repressão dos abusos de Wall Street foi amplamente publicada e pôs em destaque os esquemas criminosos usados para jogar com poupança e depósitos em bancos comerciais destinados aos mercados de títulos e futuros, o que levou ao colapso orquestrado da economia de bolha em 1929 (ironicamente, grande parte da bolha inflada durante os “dias de dinheiro fácil” dos “loucos anos de 1920” estava centralizada no mercado de habitação). A repressão por Pecora deu o tom para a adveniente administração Roosevelt.

Diversamente da anterior Comissão Pujo de 1911 liderada pelo Senador Charles Lindberg Sr. que também expôs os abusos de poder de Wall Street, a Comissão Pecora foi apoiada por Presidente que realmente se importava com a Constituição e ampliou os poderes de Pecora ainda mais. Quando dito a Franklin Delano Roosevelt – FDR que apoiar a exposição, por Pecora, dos crimes financeiros prejudicaria a economia, o Presidente famosamente respondeu dizendo que “eles deveriam ter pensado nisso quando fizeram as coisas que estão sendo mostradas agora.” FDR deu seguimento à advertência estimulando o advogado a ir no encalço de John Pierpont Morgan Jr.

Em vez de controlar instituição estadunidense, como muita gente acreditava há 70 anos e acredita hoje, J.P. Morgan Jr. estava na verdade a gerir operação que havia sido anteriormente criada no meado do século 19 como parte de infiltração dos Estados Unidos pela Grã-Bretanha. Como destacou o historiador John Hoefle em estudo de 2009 da Executive Intelligence Review – EIR:

A Casa de Morgan foi, na verdade, desde o início, operação britânica. Começou a vida como George Peabody & Co., banco fundado em Londres em 1851 pelo estadunidense George Peabody. Poucos anos depois outro estadunidense, Junius S. Morgan, juntou-se à firma, e depois da morte de Peabody a firma tornou-se a instituição bancária J.S. Morgan & Co. Junius Morgan guindou seu filho, J. Pierpont Morgan, à posição de dirigente do escritório de New York da J.S. Morgan, e o escritório de New York tornou-se J.P. Morgan & Co(*). A partir de seu papel original de ajudar os britânicos a ganharem o controle das ferrovias estadunidenses, o banco Morgan tornou-se força líder/importante na guerra da oligarquia ao American Systemn, usando os bolsos generosos de seus senhores imperiais para tornar-se uma potência não apenas em finança mas também em aço, automóveis, ferrovias, geração de eletricidade e outras indústrias/áreas.

(*) É assim mesmo que o original diz, primeiro diz que J.S. Morgan & Co formou-se depois da morte de Peabody, e depois diz que o escritório de New York tornou-se J.S.Morgan & Co.

Ao chegar o ano de 1933 a Casa de Morgan havia-se transformado numa hidra de múltiplas cabeças controlando utilities(*), holdings, bancos e incontáveis outras subsidiárias.

(*) utilities – Plural de utility. Utility é serviço público tal como gás, água ou eletricidade usado por todo mundo.  ‘Empresas de utilities.’ Macmillan

O Senador George Norris mostra umatabela do poder de Wall Street

Quando J.P. Morgan jr. foi chamado a depor, o banqueiro colocou um anão/boneco no colo como caçoada do “circo da comissão”. Quando as perguntas começaram, porém, o arrogante banqueiro foi apanhado de surpresa pela prova, apresentada por Pecora, das “listas de clientes preferenciais” secretas de Morgan, de políticos que estavam na mão do banqueiro e que recebiam ofertas de ações com preços especiais. Entre os milhares de traidores arrolados estavam o ex-presidente Calvin Coolidge, o Secretário do Tesouro de Coolidge, Andrew Mellon (apoiador de primeira hora de Schacht(*) e de Hitler), o financista Bernard Baruch, o Juiz do Supremo Tribunal Owen Roberts e o administrador financeiro do Partido Democrático John Jacob Raskob. Raskob era não apenas grande especulador como também líder da American Liberty League que tentou repetidamente derrubar FDR entre 1933 e 1939 e diligenciou no sentido de os Estados Unidos aliarem-se às potências do Eixo de 1939 a 1941.

(*) Ver, em português, https://pt.wikipedia.org/wiki/Hjalmar_Schacht

O ego tipo deus de Morgan foi rebaixado ao nível dos mortais quando o constrangido banqueiro só conseguiu responder repetidamente “não me lembro” ao ser-lhe perguntado se ele havia pago impostos nos últimos 5 anos. Ao final do julgamento estava revelado que NENHUMA das subsidiárias da Casa de Morgan havia pago qualquer imposto durante o período inteiro da depressão, e foram apanhadas a fazer jogatina com os ativos/haveres dos depositantes de contas comerciais. Tais revelações não foram lá muito do agrado de população que morria de inanição/fome pelas ruas dos Estados Unidos.
Revelações similares de corrupção foram feitas no tocante aos dirigentes de Kohn Loeb, Chase Bank, Brown Brothers Harriman e outros.

Diante de tais revelações, a revista The Nation famosamente enunciou: “Se você furtar $25, você é ladrão. Se furtar $250 000, é estelionatário. Se furtar $2.5 milhões, é financista.

O aliado de Pecora Senador Burton Wheeler disse que “a melhor maneira de restaurar a confiança em nossos bancos é tirar esses presidentes corruptos dos bancos e dar-lhes o mesmo tratamento que demos a Al Capone.

FDR Drena o Pântano

Com a luz firmemente lançada sobre as escuras sombras onde residem criaturas abomináveis como J.P. Morgan e outros gremlins(*) financeiros, a população finalmente pôde entender as injustiças que haviam desabado sobre ela durante os anos de desespero posteriores a 1929. Embora nem todo banqueiro tenha ido para a prisão, como Wheeler ou Pecora teriam desejado, foi dado o exemplo por meio de dúzias que foram para a cadeia, e de muitos outros cujas carreiras foram encerradas de modo desonroso. Mais importante, porém, foi o fato de as revelações terem dado a Franklin Roosevelt o apoio de que precisava para drenar o pântano e impor reformas radicais aos bancos.

(*) gremlins – Gremlin é pequena criatura imaginária que as pessoas responsabilizam quando têm problemas com máquinas. Macmillan

Nos cem primeiros dias, FDR conseguiu:
1) Impor a separação bancária Glass-Steagall  (forçando os bancos de Wall Street a suspender suas funções e impedindo especuladores de fazerem jogatina com haveres produtivos)
2) Criar a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC) [Corporação Federal de Seguros de Depósitos] que protegia as economias dos cidadãos de crises futuras
3) Criar a Securities Exchange Commission [Comissão de Valores Mobiliários] para supervisar as atividades de Wall Street e para a qual Pecora foi nomeado Commissioner [Alto Comissário] em 1934.
4) Liberar amplo crédito por meio da Reconstruction Finance Corporation (RFC) que atuou como banco nacional atropelando o privado Federal Reserve, canalizando $33 biliões para a economia real até 1945 (mais do que todos os bancos comerciais privados juntos)
5) Impor tarifas protetoras de agricultura, metais e bens industriais para deter o derrame de produtos baratos nos Estados Unidos e reconstruir a economia física do país
6) Criar vastas obras públicas, como Tennessee Valley Authority, represas Grand Coulee, represas Hoover, obras de St Laurence(*) e incontáveis outros projetos, hospitais, escolas, pontes, estradas e trilhos dentro do New Deal [Novo Pacto] que funcionou, sob vários aspectos, como a Belt and Road Initiative(**) da China de nossa época moderna. Infelizmente Roosevelt morreu antes daquela nova forma de economia política poder ser internacionalizada nos anos do pós-guerra como programa anticolonial.

(*) https://en.wikipedia.org/wiki/Saint_Lawrence_Seaway
(**) Belt and Road Initiative – Iniciativa do Cinturão e Rota. Ver, em português,
https://pt.wikipedia.org/wiki/Iniciativa_do_Cinturão_e_Rota
Belo debuxo da luta de FDR é exemplificado pelo filme de 2008 ‘1932: Speak not of Parties but of Universal Principles’. [1932: Não falar de Partidos, e sim de Princípios Universais]

Subversão de Golpe Fascista Então e Hoje

A Comissão de Ferdinand Pecora delineou a dinâmica dos Estados Unidos tão intensamente, por seu simples poder de dizer a verdade, que os esforços de desfechar golpe fascista contra FDR usando general chamado Smedley Butler também foi desfeito antes de poder ter sucesso. Butler played along with(*) os planos de Wall Street durante alguns meses, antes de resolver denunciá-los publicamente no congresso. Butler denunciou a intenção de ser usado como “ditador títere” liderando milhares de legionários estadunidenses para invadirem a Casa Branca e desalojarem FDR.

(*) played along with – To play along with é fingir que concorda com alguém ou com algo, especialmente para conseguir o que deseja ou evitar discussão. Macmillan

Hoje em dia é amiúde esquecido, mas nos primeiros dias dos anos 1920-1930 a Legião seguia os moldes dos squadristi fascistas de Mussolini e isso foi tornado inclusive explícito pelo líder respectivo, Alvin Owsley, em 1921, quando ele disse:

Se houver necessidade, a American Legion [Legião Estadunidense] estará pronta para proteger as instituições deste país e seus ideais, do mesmo modo que os Fascistas trataram as forças destrutivas que ameaçavam a Itália. Não nos esqueçamos de que os Fascistas são, para a Itália de hoje, o que a American Legion é para os Estados Unidos.

As assombrosas revelações de Butler ampliaram o apoio popular a FDR e vacinaram grande parte da população contra as fake news(*) que eram despejadas pelos agentes de propaganda de Wall Street entremeados no seio da mídia.

(*) fake news – Narrativa apresentada como sendo genuíno item noticioso, mas que na realidade não é verdadeira e tem a intenção de iludir as pessoas. Macmillan /Vale lembrar que, em inglês, news é singular não contável. Uma notícia específica é, por exemplo, um item de news (item noticioso). Na tradução, usei ‘news’ como se fosse plural, algo como ‘notícias’.

Em 1939 Pecora escreveu livro chamado Wall Street Under Oath: The Story of our Modern Money Changers’ [Wall Street Sob Juramento: A História de nossos Modernos Cambistas} onde o advogado profeticamente disse:

Sob a superfície da regulamentação governamental do mercado de títulos, as mesmas forças que produziram os turbulentos excessos especulativos do ‘wild bull market(*)’ de 1929 ainda dão evidência de sua existência e influência. Embora por ora reprimidas, não há dúvida de que, dada oportunidade adequada, voltarão a desenvolver sua perniciosa atividade.

(*) wild bull market – Bull market desembestado/desenfreado/em efervescência. Bull market é situação no mercado de ações na qual os preços das ações estão subindo. Macmillan

Pecora prosseguiu dando mais um alerta que as gerações de hoje deveriam levar a sério:

Tivesse havido divulgação completa do que vem sendo feito no fomento de tais esquemas, eles não teriam como ter sobrevivido à luz saneadora da publicidade e da crítica. Os mais robustos aliados dos banqueiros foram chicana jurídica e escuridão/ignorância total.

O colapso econômico hoje a caminho só poderá ser impedido se as lições de 1933 forem levadas a sério e patriotas que realmente se importem com seus países e povos pararem de legitimar a economia de cassino do capital fictício, derivativos, escravidão de dívida e anti-humanismo que já se tornou tão rotineira no seio do estrato dominante da elite tecnocrática e bancária de nossos dias que tenta controlar o mundo. Essa elite, do  mesmo modo que os financistas dos anos 1920, em última análise não se importa com dinheiro como fim, vendo-o apenas como meio para impor formas fascistas de governança à população do mundo. Do mesmo modo que os inimigos de FDR de Wall Street/Londres buscavam no passado governo mundial sob enforcers(*) nazistas, os herdeiros de hoje daquele legado anti-humano são impulsionados por compromisso tipo religioso de “gerir/administrar” novo colapso da civilização mundial sob um Green New Deal and World Government. [Novo Pacto Verde e Governo Mundial]

(*) enforcers – Enforcer é alguém com a responsabilidade de assegurar que determinada coisa aconteça ou seja feita, usualmente no governo ou em empresa. ‘Como enforcer principal, a função dele consistia em push through(1) as altamente impopulares reformas econômicas.’ Macmillan
(1) push through – Fazer com que algo (lei, acordo etc.) seja aceito rapidamente apesar de muitas pessoas se oporem. ‘Ele está disposto a push through o projeto de lei no Parlamento.’ Macmillan

Portanto, por que aceitar tal futuro distópico quando outro, mais fulgurante, é-nos oferecido pela Aliança Multipolar de nossos dias, liderada por Rússia e China?

Nota: Os pontos de vista de cada contribuinte não necessariamente representam os de Strategic Culture ou de Informação Incorrecta.

Artigo original: Strategic Culture Foundation

Tradução by zqxjkv0

8 Replies to “À beira do colapso: a Comissão Pecora no Século 21º”

  1. Dia 1 de Maio, Dia Mundial do Pobre Blogueiro. Pelo que, eis um artigo comprido que vai entreter o Leitor até a hora de ir para a cama, onde poderá reflectir acerca das humanas desgraças. Eu, entretanto, vou apanhar um pouco de ar. Hasta la vista!

  2. “…por que aceitar tal futuro distópico quando outro, mais fulgurante, é-nos oferecido pela Aliança Multipolar de nossos dias, liderada por Rússia e China…”

    Portanto, tudo ficara bem se confiarmos na Russia e na China, seremos salvos. Amén.
    Para quê morrer assado nesse fogo distópico se podemos alegremente saltar para a frigideira e morremos fritos?
    Esta seria uma excelente analise histórica, um resumo de onde se podem tirar elações para os nossos dias, mas tirar.. nós ! Os leitores e não enfiar pelos olhos do leitor o fulgurante futuro oferecido pela Rússia e China , o rapaz ia tão bem e tinha logo no ultimo paragrafo de borrar a pintura toda, não pode ser o leitor a decidir ou chegar a conclusões tem de lhe ser enfiado pelos olhos assim mesmo á descarada, faz lembrar os livros da escola primaria do estado novo que enalteciam o regime, e o império colonial .
    Andei a passar os olhos pelo trabalho e carreira de Matthew Ehret e tenho uma dúvida.. Ele será pago em dólares canadenses ou em Yuan?
    Os artigos de Strategic Culture são de um vermelho tão fulgurante que até ofusca a visão. Tenho saudades dos tempos em que no blog se publicavam textos que incentivavam á reflexão sem ideologias encapotadas.

    1. Lololol…na verdade estou a escolher os artigos menos “vermelhos” entre aqueles traduzidos!

      Opção: retirar deles o que pode ser retirado. Por exemplo, a história da Comissão Pecora.

      Além disso, a Strategic Culture Foundation é russa, não chinesa. E a Rússia de hoje é tão comunista como era John Wayne. Rússia e China são aliadas, verdade, mas não sei até quando esta aliança terá pernas para andar. Os recentes acontecimentos aproximaram a China ao Deep State Made in USA enquanto Moscovo prefere falar com Trump. O tal silêncio de Putin é significativo, como já realçado nos comentários. Que depois silêncio completo não é como veremos no próximo artigo.

      “Tenho saudades dos tempos em que no blog se publicavam textos que incentivavam á reflexão sem ideologias encapotadas.”

      Tenho a certeza de que P.Lopes é perfeitamente capaz de distinguir alho e bugalho sem que o blog lembre disso a cada artigo.

  3. Olá Max e todos: tenho de concordar com o Lopes que tudo ia bem, mas o último parágrafo poderia ser dispensado. Pessoalmente considero que a narrativa é histórica, e o final é apenas um ponto de vista. Qualquer um (a) vista de um ponto, do ponto que achar conveniente.
    Fiquei até comovida pensando que num certo tempo havia líderes nos EUA, e um ou outro sério a testa da burocracia. Talvez o Trump gostasse de fazer algo assim, mas cadê os Pecoras. Ele já tomou o Fed a seu encargo, mas daí a expor e limpar a sujeira destes canalhas banqueiros, não há hoje condições de possibilidade. Há quem pense que existe sim, e o momento é este.
    Como eu avisto a partir do ponto Brazil, reconheço que aqui não há líderes, por incrível que pareça, não há. O mundo político, jurídico, financeiro faz parte de uma canalhada só, profissionais da política muito antigos, que mudam de cadeira, mas não mudam de postura, nem apeiam do poder. Praticamente todos têm o rabo preso em dezenas de pequenas e grandes falcatruas, daí reinando sempre a conciliação, com redução de danos pessoais e eleitorais. A maioria das altas patentes militares faz muito tempo rezam pela mesma cartilha. Todos bradam a defesa da democracia, como se houvesse estado de direito no Brazil. Mas esta arma enferrujada, mas fácil de manejar, conduz as boiadas humanas para o pior matadouro: a desinformação contínua e continuada, a valorização do único mundo que conhecem, o medo de tudo que ameace suas vidas tal como ela vem sendo, a miséria cultural e financeira.
    Esta farsa do Corona virus vem me ajudando a compreender que de nada serve um certo conhecimento acadêmico, porque quando discuto com amigos (as), e eles vem com argumentos do tipo manada (países inteiros, o mundo inteiro é vitima de uma farsa?! Não pode ser!!) eu volto para a institucionalização do nazismo na Alemanha da segunda guerra que todos eles conhecem e deploram, tentando lembrar que com dinheiro (Hitler tinha financiamento estado unidense), e um pouco de conhecimento da natureza humana, não foi difícil construir a manada nazista alemã..e para que não dizer, mundial na época. Então porque seria difícil convencer todo nundo que existe um virus mortal que espreita os humanos ao menor descuido, e que todos devem se armar aprisionando a si próprio no espaço do domicílio. Mas a dificuldade de associar acontecimentos é tremenda. É como se fosse alguma coisa que jamais tivesse sido ensaiada. As pessoas simples, ainda que assustadas, são mais permeáveis à compreensão histórica. Quando começam a refletir, contam casos locais de pequena monta, mas semelhantes de alguma forma. Apelam para a experiência vivida. Os cultos, raríssima vez tem a compreensão do momento a partir da experiência de vida.
    Quem quer ajudar com mudança real pode atacar os mídia, que garantem o pensamento único que as elites formulam e desejam para os demais, inventando novos, que podem também ser antigos, canais de comunicação com a boiada humana. Penso nas rádios comunitárias, que peões e trabalhadores urbanos carregavam suas mensagens com o radinho de pilha pendurado na orelha, sempre alertas porque ali se concertava uma rede de informações de utilidade pública, ali eram dadas explicações detalhadas de coisas do cotidiano que auxiliava os pobres no seu diário. É ali de onde o indivíduo está é que se pode levá-lo para onde nunca esteve.São hipóteses, nada mais, mas penso que há espaço para este tipo de comunicação.

  4. A matéria é muito oportuna. Mas devemos considerar que desde os anos 1930, de um lado, a tecnologia e a propaganda evoluíram muito e à serviço de quem as domina. De outro lado, o cidadão comum está cada vez mais ocupado/envolvido com suas questões individuais e/ou distraído/alienado com bobagens lixos. Ou seja, o nível de dificuldade para se repetir o ocorrido é muito alto. E o principal, o próprio processo foi logo revertido, pois estava baseado num governo, e não consolidado entre a população.

Obrigado por participar na discussão!

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