Coronavirus X: As escolhas de Boris

Boris Johnson é uma figura que podemos definir como… bah, não sei. Decida o Leitor. Todavia conduziu o seu País fora da União Europeia e agora pode enfrentar o psicodrama do CODIV-19 com mais tranquilidade, livre dos vínculos europeístas. E faz uma certa impressão observar as medidas adoptadas, tendo em conta que falamos do Reino Unido, berço do Liberalismo.

Eis a lista, directamente das páginas online do governo inglês:

  • Plano para preservar empregos durante o Coronavirus (80% do salário é pago pelo Estado)
  • Adiamento do pagamento do IVA e do imposto sobre os rendimentos
  • Pacote de medidas para as pequenas e média empresas (PME)
  • 12 meses de suspensão da Business Tax que atinge todas as lojas, empresas de hospitalidade (turismo) e actividades de lazer em Inglaterra (incluindo pubs, ginásios, quartos alugados a turistas)
  • Subsídios de 10.000 Libras para pequenas empresas que beneficiam das reduções das tarifas rurais
  • Financiamento de 25.000 Libras para actividades de varejo, hospitalidade e lazer com rendimentos tributáveis entre 15.000 e 51.000 Libras
  • Programa de empréstimos para interrupção de actividade devido ao Coronavirus que oferece empréstimos de até 5 milhões de Libras para PME através da British Business Bank
  • Nova ferramenta de empréstimo do Banco de Inglaterra para ajudar a apoiar a liquidez nas grandes empresas, ajudando-as a superar a interrupção nos seus fluxos de caixa
  • Esquema Time To Pay da Real Agência das Entradas: com este esquema, todas as empresas e os trabalhadores independentes em dificuldades financeiras e com dívidas fiscais pendentes podem ser elegíveis para receber assistência para os seus assuntos fiscais através do serviço Time To Pay da Agência.

Pelo que: o Tesouro cobre 80% dos salários, até 2.500 Libras por mês, de todos os empregados de todas as empresas que não podem funcionar. No caso dos trabalhadores independentes, garante um rendimento equivalente ao subsídio de doença. Tudo com dinheiro público, fornecido pelo Banco de Inglaterra sem juros.

O Estado britânico pode muito bem dar-se ao luxo de gastar tudo o que for necessário para cobrir perdas salariais, para manter os negócios a funcionar e apoiar a economia durante a crise do Coronavírus: não há nenhuma restrição da dívida. Uma boa ocasião de reflexão para todos aqueles que previam desgraças em cadeia uma vez abandonada a União Europeia.

A verdade é que Londres não tem que economizar, pode não questionar os custos por causa das ordens de Berlim, ups! desculpem, de Bruxelas. Tudo isso porque a Inglaterra tem um seu Banco Central de emissão, tem a sua própria moeda e também um sentido de pátria permite mais solidariedade.

Desta vez, a Grã-Bretanha não repete os erros que cometeu (como todos os outros Estados europeus) após a crise da Lehman em 2007, ao adoptar a estratégia da austeridade: a teoria da “austeridade que gera crescimento” foi atirada às urtigas simplesmente porque falhou.

A Dívida Pública inglesa irá disparar? Sim, então. O risco hoje e nos próximos meses é de empurrar milhares de empresas saudáveis, vitais e valiosas para o precipício e prejudicar toda a economia nacional. Neste caso não vale a pena deixar que actue o alegado “processo natural” do Liberalismo, a destruição “criativa” que elimina os ramos secos, para depois esperar numa recuperação.

A recuperação será realidade naqueles Países que terão preservado a sua base industrial com políticas mais viradas para o futuro; para os outros haverá depressão e desempregado. O Reino Unido tem actualmente um rácio Dívida/PIB de 85%. No final dos próximos 3 ou 4 será de 110%, talvez 120%. Como acontece depois de cada guerra. Mas neste caso, o sistema produtivo terá sido preservado. No Reino Unido, os subsídios governamentais gastos para manter a Nação inteira e funcional levarão a um forte aumento da procura: isto causará, uma vez terminado o psicodrama, uma aceleração do PIB com o qual será “arrefecer” a Dívida e trazê-la de volta para os valores actuais.

Tudo isso foi decidido pelo indivíduo com a expressão não muito inteligente que podem observar na fotografia. No País do Leitor os governantes terão sem dúvida uma imagem mais cuidada: mas adoptaram as mesmas medidas?

 

Ipse dixit.

5 Replies to “Coronavirus X: As escolhas de Boris”

  1. Estado da arte:
    Cresce a corrida, desta vez às farmácias porque surge a toa notícias de antídotos disponíveis. O resultado é o desaparecimento de remédios necessários a pacientes com outras doenças, com ou sem Coronavírus.
    A diplomacia brasileira faz o impossível para ofender a China (maior balança comercial), a ponto de faixas injuriosas frente à embaixada liderada pelo governo, a ponto do governo chinês recusar atender telefonema do presidente brasileiro
    Previsão declarada de 5 milhões de despedidos
    Desaparecimento de pessoas nas ruas que acabam sustentando as crianças de rua com trocados, produz hordas de crianças famintas que assaltam qualquer um que atravesse o caminho.
    Com o colapso do sistema público de saúde os militares pretendem estabelecer hospitais de campanha nos grandes estádios de futebol. Sem diagnóstico, sem tratamento dos doentes, prevejo um depósito de desgraçados com qualquer doença, como meio de dar satisfação a tal de opinião pública e a farta distribuição de dinheiro para exército, polícia e outros “necessários”
    Conflito entre o ministério da justiça e segurança pública que proibiu visitas e saídas de presidiários e STF que determinou a soltura dos presos que não oferecem problemas ( diga-se de passagem, a maioria)
    Fronteiras terrestres fechadas e Alguns poucos Estados inclusive Santa Catarina com fronteiras interestaduais e até municipais fechadas como se fossem outros países.
    Aqui em casa começamos a tomar algumas medidas de ajuda humanitária de proteção para pessoas que consideramos vulneráveis (nada a ver diretamente com Corona), mas até aí prefiro deixar para alguns anos depois.

  2. Pessoal: desculpem eu não comentar diretamente o objeto do post, e vir com as coisas de Brazil e até da minha casa. Sobra a possiblilidade de pularem o comentário. Abraços. Ha, ha ha, não foi falta de memória, e sim de visão. Só agora vi que tem uma nota cá no final para guardar o nome. Na verdade não me causa espécie.

  3. “Tudo isso pq a Inglaterra tem emissão e moeda própria”…apenas isso não seria suficiente caro blogueiro, é pq a Inglaterra tem autonomia econômica nas suas relações com o mundo, e isso justamente por ser o “berço do liberalismo”…

Obrigado por participar na discussão!

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