Os Anglo-Saxónicos

O Podcast de Informação Incorrecta
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Episodio 21 : A Síria., o Iraque e a exportação da Democracia

Dois fracassos anunciados, centenas de milhares de mortos para democratizar quem não quer ser democratizado e para controlar o petróleo.

 

Uma das razões pelas quais Informação Incorrecta sempre tratou da História é que…a História somos nós. E esta não é apenas uma frase bonita, é uma realidade. Ao nascer, ninguém é uma folha em branco que espera de ser escrita. Pelo contrário: já há letras, palavras, frases completas que devem apenas ser descobertas e que, quando as condições o permitem, surgem e podem ser lidas.

Os nossos antepassados não transmitiram apenas um código feito de x e y que determina a cor dos cabelos ou dos olhos: transmitiram outras características como a nossa forma de pensar, por sua vez fruto das adaptações sofridas ao longo dos milénios. A frase “a História somos nós” significa isso: que cada um de nós é o somatório de séculos e milénios de experiências acumuladas, elaboradas e deixadas como herança.

O que tem isso a ver com o presente? Tem tudo a ver.

Hoje interiorizamos o facto de que em todas as sociedades o pensamento dominante é aquele das classes dominantes, mas as classes dominantes também são uma superclasse desligada, aqui no Ocidente, das Nações. Existe um duplo nível de dominação, entre Nações e classes. As classes dominantes das Nações dominantes dominam (e passem a redundância) sobre as suas sociedades-Nações; através das suas Nações dominam também as classes dominantes de outras Nações. Isso é relativamente simples pois os interesses das várias classes dominantes no geral coincidem, pelo que as classes dominantes mas dominadas ajudam a expansão da classe dominante superior.

É um pouco confuso, não é? Parece uma matrioshka, uma daquelas bonecas russas no interior das quais há outra boneca e outra ainda. Talvez seja mais simples fazer um exemplo prático. Pensem no mundo anglo-saxónico: há a classe dominante inglesa e americana, da qual dependem outras classes dominantes menores, como aquela australiana, sul-africana, etc. Todas são classes dominantes nas realidades locais, mas apenas uma é a classe dominante, que podemos chamar de “superclasse”: é a classe inglesa e americana.

Mais no geral, no Ocidente, o que foi descrito até aqui tem a ver com o domínio indiscutível de uma classe dominante em particular que pertence a um grupo étnico bem definido: os anglo-saxónicos. Os anglo-saxónicos hoje somam cerca de 470 milhões de indivíduos, 6% do mundo mas 41% do sistema ocidental. A etnia anglo-saxónica domina os outros grupos étnicos também através da projecção do seu próprio poder nacional e associando-se com as classes dominantes dos grupos étnicos dominados. Pelo que, é a classe dominante anglo-saxónica que controla o Ocidente.

Tudo isso é possível por causa de um enorme PIB (os Países anglo-saxónicos, com 6% da população mundial, desenvolvem 31.5% do PIB mundial), do poder do Dólar e da Libra, de seus próprios bancos, empresas financeiras, Wall Street, City de Londres, o que resta dos acordos de Bretton Woods (FMI e Banco Mundial); mas os anglo-saxónicos também podem contar com quase todos os paraísos fiscais, o domínio das suas empresas em todos os rankings de sector, as sua força militar hipertrofiada, a imposição da sua própria língua como língua internacional (como é tradição em qualquer império). E, consequentemente, também domina em termos de mentalidade, hegemonia da informação, da educação.

Nada daquilo descrito até aqui é uma anomalia: todos os impérios fizeram o mesmo ao longo da História. Mas se desejarmos entender melhor os nossos dominadores, então é mesmo nas páginas da História que temos que procurar.

Os anglo-saxónicos têm a sua própria religião, que existe em duas versões: a versão cristã no sentido protestante e a deísta, aquela própria das elites. Eles têm uma filosofia própria, nascida na Idade Média inglesa, portanto protegida do aristotelismo: e o resultado é uma filosofia sem sensibilidade ética e política. Lógica e racional por um lado, metafísica pitagórica do outro.

Os anglo-saxónicos são de origem tribal germânica, estavam divididos em clãs, e conseguiram impor-se como aristocracia nas populações dos antigos bretões e gaélicos desde o VI século d. C.. Mas a natureza tribal sobreviveu: aceitaram mal o monarca contra o qual rebelaram-se cedo (a Magna Charta é de 1215) e depois em várias ocasiões, até que cortaram a cabeça de um rei já em 1649, cento e quarenta anos antes dos franceses. Esse cenário de uma elite sem líderes, cujo interesse comum é não pagar impostos, foi descrito pelos mesmos anglo-saxónicos com o termo de “liberdade”. De facto, já em 1688 destronaram o monarca, colocando no lugar dele o poder parlamentar, com os seus próprios representantes. Ainda em 1832, o parlamento do Reino era votado por apenas 4% dos adultos homens, segundo um esquema que mais tarde foi chamado de “democracia liberal”.

Os anglo-saxónicos não inventaram o Capitalismo, mas gostaram dele e o tornaram o único sistema económico possível, único regulador da sociedade. Não admira: já vimos que o esquema de pensamento filosófico anglo-saxónico não tem sensibilidade ética ou política. A marcha em direcção ao Capitalismo teve início muito antes de Adam Smith, começou com o golpe de estado organizado em 1688, quando o poder económico da monarquia ficou refém dos representantes parlamentares. Somente depois de muitos anos, pelo menos dois séculos, o resto da Europa seguiu este formato, que é um formato de sucesso, mas nem sempre com resultados históricos igualmente brilhantes. E não podia ser de outra forma: as culturas são entidades complexas, como já vimos não dá para fazer um simples copia/cola, pelo menos não sem resistências.

O sistema anglo-saxónico, portanto, é guiado pelo livre desempenho económico, livre de qualquer vínculo: não pode existir aqui uma “mão invisível” que regula o mercado. Qualquer mão seria imediatamente amputada assim como foi feito com a cabeça de Carlos I: o mercado é vítima desta liberdade sem limites e não pode auto-regulamentar-se. Neste âmbito é fundamental para os anglo-saxónicos uma filosofia utilitária, que definida o útil como tudo o que produz vantagem, que minimiza a dor e maximiza o prazer. É claro que nestas condições a ética é reduzida a uma espécie de “álgebra moral” onde o máximo prazer deve ser algo quantificável, deve ser traduzido em moeda. E dado que o mercado anglo-saxónico tem como base a rejeição das regras, é o indivíduo que constitui o mercado, é ele que calcula o lucro esperado e que trabalha duro para ter a satisfação monetária. Desde que algo produza uma dinâmica económica, tudo é permitido acima e abaixo da linha moral.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial até hoje, o farol da civilização ocidental (isso é: os Estados Unidos da América) produziu cerca de 30 milhões de mortes em várias guerras. Mas não são percebidas como mortes: são casualties, são baixas, são danos colaterais, são a inevitável consequência da principal actividade que é manter o mundo “livre, aberto, justo, ordenado pelo mercado e, obviamente, democrático”. Não há por aqui, nestas guerras, a antiga mitização dos confrontos entre os guerreiros, não há a honra em desafiar o adversário: no mundo anglo-saxónico tudo isso é inútil, não traz prazer. Até a destruição ambiental é uma simples baixa que ganha importância apenas na altura em que pode ser útil para iniciar um outro ciclo de “destruição criativa”. Esta é a vaga ambientalista, a cruzada contra o dióxido de carbono.

O resultado desta sociedade alucinada é o conhecido Homo oeconomicus, uma entidade imaginária criada na época do filósofo e economista John Stuart Mill com o propósito de actuar como chave para dar significado e justificação a toda essa construção anglo-saxónica. O Homo oeconomicus calcula racionalmente os seus benefícios, portanto a sua acção económica pode ser lida em forma matemática: o importante é observar qual será o resultado final elaborado a partir dos dados em entrada. Por cima do Homo oeconomicus foi fundada uma psicologia não menos bizarra, na qual mente e corpo são tratadas como duas entidades separadas: o contrário do que acontece no Oriente, por exemplo, onde não pode haver tratamento do corpo sem um equilíbrio mental e vice-versa. E depois da antropologia e da psicologia, eis a sociologia reduzida a uma competição selectiva na eterna corrida para alcançar uma alegada evolução infinita e não bem definida, chamada de “progresso”.

Tudo faz sentido se partimos das bases: é suficiente olhar para o passado e seguir a natural evolução dum povo para poder entender não apenas o presente mas até qual o futuro também. E o futuro já começa a ser escrito. Os anglo-saxónicos abriram a abominável caixa preta, o crânio, e decidiram que tudo o que circula ali é informação. Mas a informação também é quantificável, a informação traz uma racionalidade útil e que é possível calculável. E eis que nasce o projecto da Inteligência Artificial: a inteligência é reduzida a um mero cálculo, apenas uma série de algoritmo bem sincronizados.

Agora que o sistema económico do Ocidente parece ter terminado o seu impulso, os anglo-saxónicos estão a trabalhar duro para abandonar uma realidade que é sempre menos generosa e alcançar a realidade artificial. E por isso aplicaram uma nova versão de sua abordagem filosófica sem ética e sem moral: é assim que aparece o trans-humanismo.

O transhumanismo é anti-humanista, é tecnocientífico, não tem moral e é desprovido de ética; tem como objectivo fundir máquina, biologia e psique numa única construção que pode ser determinada e dominada. E no fundo há uma expectativa messiânica: encontrar a suposta singularidade que determinaria o Big Bang duma Nova Era. Este é o paraíso dos clãs anglo-saxónicos: indivíduos híbridos, hiper-poderosos e imortais. E tudo acompanhado pelo desenvolvimento de novas oportunidades de mercado, com investimentos nos futures, satisfação dos líderes militares, dos complexos tecnocientíficos.

Trata-se do poder absoluto, a capacidade de dominar a Natureza. Não deve admirar: estas são ainda as pulsões dos chefes dos antigos clãs. A classe dominante anglo-saxónica, que sempre foi intrinsecamente deísta e nunca verdadeiramente cristã (porque não é possível ser cristão sem uma verdadeira espiritualidade), odeia a natureza e adora a técnica que proporciona uma sensação de omnipotência, juntamente com dinheiro e aditivos químicos, dos quais são ávidos consumidores dado que o hidromel passou de moda. Abolida a filosofia, que para um utilitário é inútil, abolida a História, que afinal é apenas uma colecção de fracassos na estrada do progresso, no completo delírio reducionista o anglo-saxónico exalta a ciência, mas ainda mais a técnica e a produção de meios para atingir fins.

Vale a pena citar Zoltan Istvan , um americano transhumanista, jornalista, futurista e, obviamente, empreendedor e democrata. No seu livro The Transhumanist Wager , de 2013, Istvan afirma:

“O ousado código do transhumanista deve prevalecer. É um facto inevitável e inegável. É inerente à natureza não democrática da tecnologia e ao nosso progresso evolutivo tecnológico. É o futuro. Nós somos o futuro, que gostem ou não. E esse futuro deve ser moldado, guiado e gerido correctamente pela força e pela sabedoria dos cientistas transhumanistas e pelas Nações prontas para apoiá-los com os seus recursos “.

Não é difícil imaginar quais serão os clãs, desculpem, as Nações que irão apoiar a vaga transhumanista.

Destruir e ultrapassar o humanismo é um dever se o nosso objectivo for o transhumanismo. Então é preciso começar dos alicerces duma sociedade demasiado ligada ao passado. Destruir os antigos valores como a família, que desde sempre foi o tijolo da sociedade, é o primeiro passo, mas não é suficiente. É preciso remover as certezas de cada indivíduo, abala-lo nas suas convicções mais profundas e por em causa até o seu próprio ser como indivíduo. Bem vindos no mundo transgender, onde não há pontos de referência, onde até a nossa biologia pode ser mudada por completo e onde qualquer ser humano está pronto para um novo passo em frente.

A filosofia sem moral tipicamente anglo-saxónica adoperou-se duma realidade lícita como aquela homossexual para transforma-la em algo útil, um novo degrau para a sucessiva etapa evolutiva. O fascismo LGBT funciona em sincronia com a cruzada anti-dióxido de carbono: o fim é empobrecer o indivíduo, tirar-lhe as suas origens, a sua história, todas as suas certezas e deixa-lo como massa sem forma, pronta para ser moldada.

Aparentemente multiplicam-se as oportunidades de escolha por cada um de nós, mas na verdade as escolhas desaparecem e são substituídas por um percurso obrigatório, utilitarista, que tem um único fim determinado desde o princípio. Não acaso falamos de fascismo, porque está e uma ditadura.

Abandonemos a teoria e falamos da prática, da realidade no mundo anglo-saxónico sem esquecer que o que acontece nos Estados Unidos hoje é uma antevisão daquilo acontecerá aqui, nas província do império, passado pouco tempo.

Em Lexington, nos Estados Unidos, os professores foram incentivados a utilizar um “boneco de neve” durante as aulas de educação sexual nas escolas primárias. Mas não um boneco de neve clássico: este boneco tem vários sexos, homem, mulher e gender, tudo junto. O condicionamento psicológico tem que começar cedo, ainda antes que o indivíduo tenha atingido a sua completa maturidade sexual.

Há uns dias, um tribunal de Dallas, no Texas, decidiu contra um pai que estava a tentar bloquear o plano da sua ex-mulher para submeter o filho a um tratamento com bloqueadores da puberdade e, finalmente, as hormonas sexuais para facilitar a transição de género. A criança tem sete anos de idade e a mãe acusou o pai de “abuso infantil” porque ele não reconhece que o filho de sete anos seja uma criança transgénero. A corte proibiu ao pai de vestir a criança ou de compartilhar ensinamentos científicos sobre a sexualidade ou a biologia.

Sempre este mês, a marca Always do grupo Procter & Gamble cedeu perante os protestos LGBT e decidiu retirar o símbolo feminino dos seus produtos, nomeadamente dos absorventes femininos. Uma escolha que irritou profundamente a activista feminista Julie Bindel: lembramos que o símbolo feminino foi sempre utilizado pelas feministas para reivindicar os direitos das mulheres, mas agora, segundo a activista, “Estamos no caminho para a eliminação total da biologia feminina”.

Mas a notícia mais importante, no meu entender, chega deste lado do Atlântico, precisamente de Reading, na Inglaterra: a cadeia de restaurantes americanos Chick-fil-A, perderá a sua primeira subsidiária no Reino Unido após a pressão da comunidade LGBT.

A cadeia de restaurantes de propriedade familiar é conhecida pela sua filosofia cristã e pelo suposto apoio a causas socialmente conservadoras, possui cerca de 2.400 lojas nos Estados Unidos, e o centro comercial Oracle Center anunciou que não renovará o contrato de locação, isso apenas uma semana após sua abertura.

Se é verdade que a família que gere Chick-fil-A é conservadora, também é verdade que a empresa nos Estados Unidos dá trabalho a brancos, pretos, mexicanos, asiáticos, gay, não gay… mas isso não tem importância: é a mesma ideia de “conservadorismo” que tem de ser erradicada, qualquer obstáculo ao longo do caminho que leva ao “novo homem” deve ser apagado. E paciência se tudo isso é antidemocrático, paciência se todos deveriam poder externar e viver os seus princípios; paciência se este afinal é um verdadeiro fascismo.

O caminho para o Novo Homem não pode ser um passeio, haverá resistências, haverá danos colaterais de vário tipo e a perda de liberdade é um destes danos. Os clãs anglo-saxónicos não pararam quando a questão foi o extermínio das tribos que habitavam a Britânia, imaginem se vão parar agora perante algo sem utilidade como “ética” ou “moral”.

 

Ipse dixit.

Fontes: Summit News, BreitBart (1, 2, 3)

Música: Gothic Dark by PeriTune, http://peritune.com, music promoted by https://www.free-stock-music.com, Creative Commons Attribution 3.0 Unported License, https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/deed.en_US

 

8 Replies to “Os Anglo-Saxónicos”

  1. Max, quanto ao modus operandi do poder dominante , tudo bem. Com relação a apologia as causas LGBT, não consigo associar com a ação desse poder. O que percebemos hoje é um “retrocesso” na tolerância a chamada causa gay, tanto nos EUA ( era Trump ) como aqui no brasil, pós ascensão da direita ( dominantes seguidores de um poder maior )

    https://observatoriog.bol.uol.com.br/listas/2018/11/5-vezes-que-trump-retrocedeu-nos-direitos-das-causas-lgbts

    Como interpretar isso ?

    1. Olá Sergio!

      Concordo com o facto de Trump ser intolerante perante a causa gay. É normal: o eleitorado de Trump é rural, extremamente conservador, que nunca poderia aceitar o fenómeno LGBT. E acredito que os eleitores de Bolsonaro estejam na mesma linha.

      Mas Trump (como o seu clone brasileiro) é uma anomalia: a agenda LGBT é financiada pelo outro grupo de poder, aquele atrás do qual há George Soros, a maior parte da lobby hebraica (mas não toda), os vários Bill Gates, Elion Musk, os Clinton, etc. A agenda LGBT é essencialmente uma agenda democrata, tal como a cruzada “ambientalista”, aquela que financia a migração, aquela da globalização. E Trump faz parte do poder que não é maioria política aqui no Ocidente: tem todos os meios de informação contra enquanto a Europa continua firmemente nas mãos das multinacionais que apoiam o projecto democrata.

      Trump é uma reacção fisiológica e natural perante o monopólio do “politicamente correcto”. Nada que não possa ser re-absorvido com o passar do tempo. Aliás, a re-absorção já está em marcha: a candidata democrata Tulsi Gabbard ataca duramente Hillary Clinton, os progressistas agora descobrem-se anti-guerra, anti-Isis, encontram o Presidente Assad e duvidam dos ataques químicos na Síria. Donde sai a Gabbard? Do Council on Foreing Relations.

      Pelo que: Trump e os seus clones são apenas uma pausa ao longo da marcha progressista que tem como fim último o transhumanismo.

  2. Os ditos clas anglo-saxoes foram engolidos pelos judeus, desde que o Imperio Romano do Ocidente ruiu, camuflados/inseridos pelo Cristianismo, elo maior entre tais clãs e os futuros dominadores do mundo: JUDEUS EUROPEUS

  3. Ainda existe outra gente no mundo: são árabes, são eslavos, são ameríndios, são indus, são orientais, são latinos. Minha carcaça é muito parecida com a dos anglo saxões, mas dentro de mim outra coisa pulsa. E o pulso de milhões ainda pulsa. Seremos sempre escravos desta não ética, desta falta de respeito, desejaremos inconsciente ou conscientemente aproximarmos do que não somos? É provável para uma maioria trans humanizada, chipada. Obrigatoriamente os desplugados andarão por aí. Por incrível que pareça nos confins da Amazônia existe gente que nunca teve contato com isso aí que se diz civilizado, os Zo é. (Em seu último projeto – Gênesis – Sebastião Salgado os encontrou e esqueceu o caminho). Em outros confins do planeta existem outros nunca plugados. O que importa é que os impérios vão e vem. Travamos uma batalha contra o tempo: existir humanidade e demais manifestações da natureza no ocaso dos anglo saxões (e judeus, como quer o Chaplin, e considero que tenha boa dose de razão). Me custa crer que essa porcaria seja o último império no mundo, quem sabe uma cosmovisão menos predadora ainda predomine. No meio de tudo isso, uma faísca de lucidez me ilumina: eu não sou eles.

    1. Olá Maria!

      O problema de Chaplin não é considerar os judeus culpados: é considerar só os judeus culpados.
      O que é óptimo se o desejo for encontrar um bode expiatório que consiga justificar os nossos erros também, mas que se torna ridículo se a intenção for entender o que realmente se passa no nossa sociedade, tanto naquela passada como naquela presente e futura.

      Pegamos no caso do Brasil e falamos de Bolsonaro, do qual muito se queixam (e com razão): Bolsonaro é judeu? Aquela cambada de anormais da IURD é judia? Na Argentina, Macri é judeu? No Equador, o Lenine Moreno é judeu? No Chile, Piñera é judeu? Quem foi que elegeu estes indivíduos, quem é que enche as igrejas da IURD: os judeus?

      Humberto de Alencar Castelo Branco, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel, João Baptista de Oliveira Figueiredo: são todas pessoas que tu conheces, contra as quais lutaste. Eram judeus? E a igreja que sempre foi ao lado dos ditadores, não apenas no Brasil como sabemos: era a igreja judia?

      E deste lado do oceano: Salazar era judeu? Mussolini era judeu? Stalin era judeu? Petain, Churchill, De Gaulle eram judeus?

      O único judeu (talvez, não temos a certeza) no meio disso tudo era Hitler, que foi atacado por todas as forças ocidentais e também orientais até a completa destruição.

      Eu não me importo de atacar israel, acho que o blog dedicou bastante páginas ao assunto, e não foram palavras carinhosas. Mas não aceito uma visão limitada e cobarde que recusa encarar aqueles que são os nossos erros, nossos e de mais ninguém. Sem entender onde e porque errámos, continuaremos a errar, com a única consolação de poder culpar os outros, os hebraicos. Mas é este o nosso verdadeiro objectivo?

      Mas agora basta, é Sábado, aliás, é o Shabat (שבת), dia de descanso no qual não é permitido o trabalho pelo menos até o pôr do sol. Pego no meu kipá, vou até a Sinagoga a cantar um chazan. E a seguir: um prato de labneh para todos!

      Shalom aleichem.

  4. Olá Max: observa que todos os que mencionas são a cara política da dominação, são os que aparecem, os executores dos planos por outros elaborados. Sei que concordas que no mundo da economia, das finanças e da filantropia ocidental, predominam os que preferem labneh. E os mais perigosos e destrutivos são os que menos se fazem notar.

    Mas, já que estou aqui, a quem possa interessar, aí vai um balanço (pessoal) da situação desgraçante da América (de baixo).
    Equador: permanece Lenin Moreno; as atitudes verdadeiramente revolucionárias como o corte da energia das estações de Tv da burguesia, já voltaram a funcionar, os preços dos transportes voltaram aos anteriores, os mortos estão bem mortos, e os vivos conformados. Resultado: gol para o neo liberalismo e a dominação estrangeira.
    Peru: tudo sendo tentado resolver-se nos parâmetros da “democracia institucional” do país, ou seja tudo na mesma.
    Bolívia: o antigo vice presidente do anterior a Evo Morales reuniu a sua corja e, ajudado pelo império, como sempre, tenta impor um golpe de Estado no país. A Rússia está defendendo seus interesses ali, os EUA também. o lítio em questão como sempre, e lixem-se os desejos indígenas. Nas TVs do mundo passa uma greve geral da população e a grita por “democracia” supostamente fraudada nas últimas eleições. Placar em suspenso.
    Chile: o presidente chorou lágrimas de crocodilo, apontou algumas medidas de distensão econômica, mas os chilenos não foram na conversa e exigem a renúncia com reformas estruturais. O regime está massacrando a população, o número de mortes se avoluma embora se noticie ridículos 10. Os carros do exército passam por cima das multidões, há mais de 100 desaparecidos, a tortura rola no lombo dos presos as centenas, tudo em nome do bom nome da “democracia” e da contenção da convulsão popular. Passeata com um milhão de “terroristas” nas ruas de Santiago. Como naquele maldito 11 de setembro em que foi bombardeada a casa de la Moneda, chove sobre Santiago, hoje dos canhões de água sobre a população “terrorista”.
    Brasil: sem nenhuma convulsão popular, o governo promete fechamento do regime “preventivo”, e leis de completa vigilância e controle da população “terrorista”, Tipo Patriot Act, para pior. Fala-se em dialogar, esta é a noção de diálogo nas “democracias ” sul americanas, e políticos de todos os matizes entram na farra dialógica, com farta distribuição de benesses.
    Argentina: eleições, com provável ganho peronista. (Se o getulismo não tivesse sido arrancado da memória dos brasileiros, se dialogaria um pouco menos por aqui). Mas do jeito que o país está, e com a força do tacão imperial difícil esperar grande coisa.
    Uruguai: só para não ficar de fora, resolveu entrar na brincadeira do dia, embora seja o país sul americano com menor desigualdade social.
    Haiti: os escravos de lá estão terríveis, querem porque querem a saída do presidente pró imperialista. Nem as chicotadas dos generais brasileiros desde 2004,na “missão de paz” contiveram aqueles “terroristas” negros.
    México: tentando “dialogar” no segundo país mais violento do mundo, em função do predomínio político, econômico social dos narco traficantes a serviço dos interesses de lavagem de dinheiro do império , e construção de seus impérios pessoais.
    Venezuela: lá parece que tem mais “terrorista” chavista do que gente, e afinal a Rússia não está disposta a soltar o osso.
    E para finalizar, a chacota do dia: depois que o digno mandatário brasileiro esperou uma hora para apertar a mão do rei e dizer “I love you” (literalmente!!), sem receber acolhida amorosa, ficou triste e magoado, e foi entregar o Brasil para a China. O Xi adorou a ideia. Abraços para todos.

Obrigado por participar na discussão!

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