Pedofilia e Poder: das origens aos nossos dias – Parte I

Começa aqui uma série de artigos que têm como base a investigação da jornalista Whitney Webb que contribui com vários meios de comunicação independentes, incluindo Global Research, EcoWatch, Ron Paul Institute e 21st Century Wire, entre outros. Em 2019 Whitney ganhou o Prêmio Serena Shim de Integridade Incomprometida no Jornalismo.

 

As chocantes origens do caso Jeffrey Epstein

A Era da Proibição nos Estados Unidos é frequentemente usada como um exemplo de como proibir substâncias recreativas. Na verdade, foi com a proibição que aumentou fortemente o poder da máfia americana, à medida que os principais senhores do crime da época enriqueciam com o comércio clandestino e a venda de álcool, além de jogos de azar e outras actividades.

E é mesmo através do comércio clandestino iniciado na década de 1920 que essa história começa, pois reuniu figuras-chave cujos sucessores e afiliados acabariam por criar uma série de chantagens e de tráfico sexual que dariam origem a pessoas como Jeffrey Epstein.

Samuel Bronfman nunca planeou tornar-se um grande produtor de bebidas alcoólicas, mas fiel ao nome da sua família, que significa “brandy man” em idioma Yddish (a língua dos Asquenazes,os hebreus da Europa Oriental) que acabou por começar a distribuir álcool, actividade que era uma extensão do negócio de família ligado aos hotéis. Durante o período da Proibição do Canadá, que foi mais breve de que nos Estados Unidos, os negócios da família Bronfman usaram brechas para burlar a lei e encontrar maneiras legais de vender álcool. Membros da máfia americana contrabandeavam ilegalmente álcool a partir dos Estados Unidos.

Logo após o término da Proibição no Canadá, começou nos Estados Unidos e, quando o fluxo de álcool ilegal mudou de direcção, os Bronfmans, cujos empreendimentos estavam a ser liderados por Sam Bronfman e os seus irmãos, estavam relativamente atrasados num comércio de contrabando já florescente.

Samuel Bronfman em 1937 com os filhos Edgar e Charles

“Iniciamos tarde nos dois mercados mais lucrativos, em alto mar e do outro lado do rio Detroit. O que saiu do comércio fronteiriço em Saskatchewan foi insignificante em comparação” disse Bronfman ao jornalista canadense Terence Robertson, que estava a escrever uma biografia de Bronfman. No entanto, “foi quando começamos a ganhar dinheiro de verdade”, relatou Bronfman. A biografia de Robertson sobre Bronfman nunca foi publicada, pois o jornalista morreu em circunstâncias misteriosas logo após avisar os seus colegas de que tinha descoberto informações desagradáveis sobre a família Bronfman.

A chave para o sucesso de Bronfman durante a Proibição americana foram os laços que a sua família cultivou com o crime organizado durante a Proibição do Canadá, laços que levaram muitos membros proeminentes da sociedade dos Estados Unidos a favorecer Bronfman como parceiro de negócios. O álcool de Bronfman era comprado em grandes quantidades por muitos criminosos que ainda sobrevivem na lenda americana, incluindo Charles “Lucky” Luciano, Moe Dalitz, Abner “Longy” Zwillman e Meyer Lansky.

A maioria dos associados da máfia de Bronfman durante a Proibição eram membros do Sindicato Nacional do Crime, que um órgão de investigação do Senado dos anos ’50 conhecido como Comité Kefauver descreveu como uma confederação dominada por multidões ítalo-americanas e judaico-americanas. Durante essa investigação, algumas das maiores figuras da máfia americana nomearam Bronfman como uma membro central nas suas operações de contrabando. A viúva do notório chefe da máfia americana Meyer Lansky chegou a contar como Bronfman organizou jantares luxuosos para o marido.

Anos mais tarde, os filhos e os netos de Samuel Bronfman, com ainda intactos os laços da família com o submundo do crime, continuariam a associar-se com Leslie Wexner, supostamente a fonte da grande parte da riqueza misteriosa de Epstein e de outros “filantropos” ligados à máfia. Não esquecemos que também Samuel Bronfman era um filantropo. Alguns dos herdeiros de Sameul até administram as suas próprias operações de chantagem sexual, como é o caso de Clare Bronfman, recentemente presa por causa do escândalo das escravas sexuais no caso conhecido nos Estados Unidos como NXIVM. Mas as gerações posteriores da família Bronfman, particularmente os filhos de Samuel Bronfman, Edgar e Charles, serão discutidas mais em detalhes na Parte II deste relatório.

 

O segredo sombrio de Lewis Rosenstiel

Cruciais para as operações de contrabando de Bronfman durante a era da Proibição foram dois intermediários, um dos quais foi Lewis “Lew” Rosenstiel. Rosenstiel começou a trabalhar na destilaria do seu tio no Kentucky antes da Proibição. Depois criou a Schenley Products Company, que mais tarde se tornaria uma das maiores empresas de bebidas da América do Norte.

Embora tivesse abandonado cedo a escola e não estivesse particularmente bem conectado com a sociedade da época, Rosenstiel teve a possibilidade de encontrar Winston Churchill em 1922, enquanto passava férias na Riviera Francesa. De acordo com o New York Times, Churchill “aconselhou Rosenstiel a preparar-se para o regresso das vendas de bebidas alcoólicas nos Estados Unidos”. Rosenstiel conseguiu de alguma forma garantir o financiamento da elite e da respeitada empresa de Wall Street, o banco Lehman Brothers, para financiar a compra das destilarias agora inúteis para o contrabando.

Oficialmente, diz-se que Rosenstiel construiu a sua empresa e a sua riqueza após a Proibição, seguindo o conselho de Churchill de preparar-se para o post-Proibição. No entanto, ele estava claramente envolvido em operações de contrabando e até foi indiciado por este crime em 1929, apesar de ter evitado a condenação. Como Bronfman, Rosenstiel estava perto do crime organizado, em particular estava perto dos membros da aliança mafiosa judaica-americana e ítalo-americana conhecida como Sindicato Nacional do Crime.

Subsequentes investigações do Estado de New York alegaram que Rosenstiel “fazia parte de um consórcio com figuras do submundo que compravam bebidas alcoólicas no Canadá [de Samuel Bronfman]”, cujos outros membros eram Meyer Lansky, o renomado líder do crime organizado; Joseph Fusco, um associado do falecido gangster de Chicago Al Capone e Joseph Linsey, um homem de Boston que Kelly, investigador do Congresso, identificou como um criminoso condenado. ”O relacionamento de Rosenstiel com esses homens, principalmente com Lansky, continuaria muito depois da Proibição e Samuel Bronfman, por sua vez, também manteria os seus laços com a máfia.

Rosenstiel também cultivou estreitos laços com o FBI, desenvolvendo um relacionamento próximo com o director de longa data J. Edgar Hoover e tornando o braço direito e assistente de longa data de Hoover no FBI, Louis Nichols, vice-presidente do seu império Schenley em 1957.

Apesar dos antecedentes semelhantes, quando os barões dos contrabandistas tornaram-se empresários “respeitáveis”, as figuras de Bronfman e Rosenstiel permaneceram drasticamente diferentes e o relacionamento era complicado, na melhor das hipóteses. Um exemplo das diferenças entre os principais barões da América do Norte foi como eles tratavam os seus funcionários. Bronfman não era necessariamente conhecido por ser um chefe cruel, enquanto Rosenstiel era conhecido pelo seu comportamento errático e “monstruoso” em relação aos funcionários, bem como pela sua prática de espiar os seus próprios escritórios para ouvir o que os funcionários diziam sobre quando ele não estava presente. .

Tais diferenças entre Bronfman e Rosenstiel também se reflectiram nas suas vidas pessoais. Enquanto Bronfman casou-se apenas uma vez e foi leal à sua esposa, Rosenstiel casou cinco vezes e era conhecido pelas suas aventuras bissexuais: uma parte das quais era bem conhecida por muitos dos seus associados e funcionários também.

Lewis Rosenstiel

Embora por anos houvesse apenas boatos acerca desse outro lado do polémico do empresário, detalhes surgiram anos depois durante um processo de divórcio apresentado pela quarta esposa de Rosenstiel, Susan Kaufman. Susan alegou que Rosenstiel organizava festas extravagantes que incluíam “meninos prostitutos” que o marido contratava “para o prazer” de certos convidados, que incluíam importantes funcionários do governo e figuras proeminentes do submundo do crime nos Estados Unidos. Mais tarde, Kaufman fez as mesmas reivindicações sob juramento durante a audiência do Comité Legislativo Conjunto do Estado de New York sobre o Crime, no início dos anos 1970.

Rosenstiel não apenas organizava essas festas, mas também certificava-se de que os locais estivessem cheios de microfones que gravavam as aparições dos convidados de alto perfil. Kaufman alegou que essas gravações eram então mantidas com a finalidade de chantagem. Embora as alegações de Kaufman sejam chocantes, o seu testemunho foi considerado credível e considerado pelo chefe do Comité de Crime, o juiz de New York Edward McLaughlin, e pelo investigador do comité William Gallinaro. Mais tarde, os aspectos do testemunho da Kaufman foram corroborados por duas testemunhas separadas, que eram desconhecidos por Kaufman.

Esses “grupos de chantagem” oferecem um olhar sobre as operações que mais tarde se tornaria mais sofisticada e aumentaria drasticamente nos anos ’50 sob o “comandante de campo” de Rosenstiel, uma definição dada por Rosenstiel acerca dum indivíduo que será citado em breve neste relatório. Muitas pessoas ligadas ao “comandante de campo” de Rosenstiel, nos anos ’70 e ’80, encontraram os seus nomes na imprensa novamente após a prisão de Jeffrey Epstein.

 

O mafioso “intocável”

Bronfman e Rosenstiel tornaram-se lendários no âmbito dos negócios de bebidas da América do Norte, em parte por causa da sua luta pela supremacia no sector, algo que o New York Times descreveu como “uma amarga erupção de batalhas pessoais e corporativas”. A única coisa que uniu os dois empresários mais do que qualquer outra coisa era a conexão com o crime organizado americano, particularmente com o famoso mafioso Meyer Lansky.

Lansky foi um dos gângsteres mais notórios da história do crime organizado americano e foi notável por ter sido o único mafioso famoso com notoriedade na década de 1920 que conseguiu morrer de velhice e nunca ter passado um dia na prisão.

A longa vida de Lansky e a capacidade de evitar a prisão foram o resultado dos seus relacionamentos íntimos com empresários poderosos como Bronfman e Rosenstiel (entre muitos outros), com o Federal Bureau of Investigation (FBI) e com a comunidade dos serviços secretos dos EUA, além do seu papel na construção de vários círculos de chantagem e extorsão que o ajudaram a manter a lei à distância. De facto, quando Lansky foi finalmente acusado de um crime na década de 1970, foi o Departamento do Tesouro que apresentou as acusações, não o FBI. E Lanky foi acusado e depois absolvido por evasão fiscal.

Lansky estava particularmente próximo de Bronfman e de Rosenstiel. Bronfman organizava regularmente “jantares luxuosos” em homenagem a Lansky, durante e depois da Proibição. Essas festas foram lembradas com carinho pela esposa de Lansky, e Lansky, por sua vez, fazia favores a Bronfman, desde a protecção exclusiva das suas expedições durante a Proibição até conseguir ingressos para os cobiçados encontros de boxe mais importantes.

Rosenstiel também organizava jantares regulares em homenagem a Lansky. Susan Kaufman, a ex-mulher de Rosenstiel, afirmou ter tirado inúmeras fotos do seu ex-marido e Lansky enquanto socializavam e festejavam juntos, fotos que também foram vistas por Mary Nichols, do diário The Philadelphia Inquirer. Além disso, Lansky, segundo as recordações da Kaufman, foi um dos indivíduos que Rosenstiel tentou proteger contra as investigações como parte do sue negócio de prostituição infantil e chantagem dirigida a funcionários de alto escalão, e foi ouvido dizer que se o governo “pressionasse alguma vez contra Lansky ou qualquer um de nós, usaremos isso [uma gravação específica, ndt] como chantagem”.

A Kaufman tinha tirado inúmeras fotos do seu ex-marido e de Lansky socializando e festejando juntos, fotos que também foram vistas por Mary Nichols, do Philadelphia Inquirer. Além disso, Lansky, para recordação de Kaufman, foi um dos indivíduos que queria se proteger do escrutínio legal e parte de sua prostituição infantil e chantagem dirigida a funcionários de alto escalão, e foi ouvido dizendo que se o governo contra Lansky ou qualquer um de nós, usaremos isso [uma gravação específica feita em uma das ‘partes’] como chantagem “.

Lansky era conhecido por referir-se a Rosenstiel como “Comandante Supremo”, um título que mais tarde seria usado para definir Rosenstiel por outro indivíduo profundamente conectado às operações de máfia e chantagem sexual, anteriormente referido neste relatório como “Comandante de Campo” de Rosenstiel.

Lansky também tinha estreitos laços com a CIA e os serviços secretos militares dos EUA. Durante a Segunda Guerra Mundial, Lansky (junto com o seu colega criminoso Benjamin “Bugsy” Siegel, sempre de origem hebraica) trabalhou com os serviçso secretos da Marinha naquela que foi denominada Operation Underworld (“Operação Submundo”), uma operação cuja existência o governo negou por mais de 40 anos. Tratou-se duma operação do governo dos Estados Unidos da América com as máfias italianas e hebraicas, desde 1942 até 1945, para controlar a costa nordeste de Estados Unidos e os sabotadores nazistas nos portos e proteger os transportes americanos para a Inglaterra.

O jornalista especialista em actividades secretas da CIA, Douglas Valentine, observou no seu livro “A CIA como crime organizado: como operações ilegais corrompem a América e o mundo” que a cooperação do governo com a máfia durante a Segunda Guerra Mundial levou à sua expansão após a guerra e definiu o palco para a futura colaboração com os serviços secretos americanos.

De acordo com Valentine:

As principais autoridades do governo também estavam cientes de que o pacto faustiano do governo com a máfia durante a Segunda Guerra Mundial tinha permitido que os chefes criminosos se insinuassem na América dominante. Em troca dos serviços prestados durante a guerra, os chefes da Máfia foram protegidos da acusação por dezenas de assassinatos não resolvidos. […]

A Máfia era um grande problema em 1951, equivalente ao terrorismo hoje. Mas também era um ramo protegido da CIA, que cooptava organizações criminosas em todo o mundo e as usava na sua guerra secreta contra os soviéticos e os chineses. A Máfia colaborou com o Tio Sam e emergiu da Segunda Guerra Mundial energizada e fortalecida. Ela controla cidades em todo o País.

De facto, pouco tempo após a sua criação, a CIA estabeleceu laços com Lansky a pedido do chefe de contra-espionagem James J. Angleton. Mais tarde, a CIA procurou a massa ligada a Lansky no início dos anos ’60, como parte da sua busca infrutífera para assassinar o líder cubano Fidel Castro, mostrando que a CIA manteve os seus contactos com elementos da máfia controlados por Lansky muito tempo depois dos acordos iniciais com a Máfia.

A CIA também tinha estreitas conexões com os associados de Lansky, como Edward Moss, que tratava das relações públicas de Lansky e era considerado “de interesse” para a CIA pelo então inspector geral da agência, J.S. Earman. Harry “Happy” Meltzer também era outro associado de Lansky que era um activo da CIA e a CIA pediu a Meltzer para juntar-se a uma equipa especializada em assassinatos em Dezembro de 1960.

Meyer Lansky

Além da CIA, Lansky também foi conectado a uma agência de inteligência estrangeira por meio de Tibor Rosenbaum, um traficante de armas e alto funcionário do Mossad de israel, cujo banco, o Banco Internacional de Crédito de Genebra, “limpou” grande parte dos ganhos ilícitos de Lansky e reciclou o dinheiro em empresas americanas legítimas.

O jornalista Ed Reid, autor da biografia de Virginia Hill, The Mistress and the Mafia, escreveu que Lansky estava a tentar capturar pessoas poderosas por meio da chantagem sexual já em 1939. Reid afirma que Lansky enviou Hill para o México, onde as suas conexões na Costa Oeste tinham estabelecido contactos com cartéis de drogas que mais tarde envolveram o OSS, o precursor da CIA, para seduzir inúmeros “principais políticos, oficiais do exército, diplomatas e policiais”.

Acredita-se que Lansky possuía fotografias comprometedoras do Director do FBI, J. Edgar Hoover, durante a década de 1940, que mostravam “Hoover em algum tipo de situação gay”, de acordo com um ex-associado de Lansky, que também afirmou que Lansky costumava dizer: “Eu fixei aquele filho da puta.” As fotos mostravam Hoover envolvido em actividades sexuais com o seu amigo de longa data, o vice-Diretor do FBI, Clyde Tolson.

Mais tarde, essas fotos caíram nas mãos do chefe de contra-espionagem da CIA, James J. Angleton, que mais tarde as mostrou a vários outros funcionários da CIA, incluindo John Weitz e Gordon Novel. Angleton estava no comando dos relacionamentos da CIA com o FBI e o Mossad de israel até deixar a agência em 1972 e estava em contacto com Lansky.

Anthony Summers, ex-jornalista da BBC e autor de Official and Confidential: The Secret Life of J. Edgar Hoover, argumentou que não era Lansky, mas William Donovan, director do OSS, que obteve as fotos originais de Hoover e depois compartilhou estas com Lansky.

Summers também afirma que “para [os gângsters Frank] Costello e Lansky, a capacidade de corromper políticos, policiais e juízes era fundamental para as operações da Máfia. A maneira como descobriram lidar com Hoover, de acordo com várias fontes da máfia, envolveu a sua homossexualidade: “Essa história mostra que Lanksy e a CIA mantinham um relacionamento secreto, que incluía, entre outras coisas, o compartilhamento de material de chantagem”.

Também é possível que Hoover tenha sido preso “no meio” durante uma das “festas de chantagem” de Rosenstiel, nas quais Hoover às vezes encontrava-se com figuras proeminentes da máfia. Dizia-se que Hoover usava roupas femininas em alguns dos eventos e a esposa de Meyer Lansky disse mais tarde que o seu marido tinha fotos do ex-Director do FBI. Além disso, Hoover estava a demonstrar uma preocupação incomum no manuseio do FBI dos vínculos criminais de Rosenstiel já em 1939, no mesmo ano em que Lansky orquestrava activamente a chantagem sexual de poderosas figuras políticas.

A chantagem contra Hoover e a posse de provas por parte da máfia foram citadas como um factor importante na negação de Hoover, ao longo de décadas, de que as redes nacionais de crime organizado eram um problema sério. Hoover afirmou que era uma questão local, descentralizada e, portanto, fora da jurisdição da agência. Quando Hoover finalmente reconheceu a existência das redes nacionais de crime organizado em 1963, estas estavam tão entrincheiradas no establishment dos EUA que eram intocáveis.

O consultor criminal do Congresso, Ralph Salerno, disse a Summers em 1993 que a ignorância deliberada de Hoover sobre o crime organizado durante a maior parte da sua carreira como Director do CIA “permitiu que o crime organizado se tornasse muito forte em termos econômicos e políticos, de modo que tornou-se uma ameaça muito maior ao bem-estar de este País do que teria sido se tivesse sido abordado muito antes.”

[Uma nota pessoal: acerca da fotografia de Hoover com roupa feminina durante as festas ilícitas, o Leitor/Ouvinte pode procurar algo acerca da pintura que Epstein tinha pendurada no seu quarto. Uma fotografia muito mais recente, com um homem ex-Presidente dos Estados Unidos, político ainda em vida. Ao que parece, os tempos passam mas os vícios ficam]

 

J. Edgar Hoover: vítima de chantagem?

A maioria dos registros coloca o início do relacionamento de Hoover com Rosenstiel na década de 1950, na mesma década em que Susan Kaufman relatou que Hoover estava a participar nas festas de chantagem de Rosenstiel. O ficheiro do FBI acerca de Rosenstiel, obtido por Anthony Summers, cita a primeira reunião de Rosenstiel como sendo realizada em 1956, embora Summers observe que há evidências de que eles tinham-se conhecidos muito antes. Depois de solicitar a reunião, Rosenstiel recebeu um contacto pessoal com o Director em questão de horas. O ficheiro do FBI sobre Rosenstiel também revela que o barão das bebidas pressionava de forma pesada Hoover para ajudar os seus interesses comerciais.

Durante esse período, os detalhes obscenos da vida sexual de Hoover já eram conhecidos pela comunidade dos serviços secretos dos EUA e pela máfia, e Hoover sabia que eles sabiam da sua sexualidade e tendência para roupas femininas. No entanto, Hoover aparentemente parecia aceitar a operação de chantagem sexual que havia comprometido a sua vida privada, já que ele foi visto em muitas das “festas de chantagem” de Rosenstiel nas décadas de 1950 e 1960, inclusive em locais como a casa pessoal de Rosenstiel e mais tarde. no Plaza Hotel de Manhattan. A propensão de Hoover por vestir-se de drag-queen também foi descrita por duas testemunhas que não estavam ligadas a Susan Kaufman.

Hoover com Dorothy Lamour em 1951

Logo após o seu primeiro encontro “oficial” com Rosenstiel, o relacionamento público entre os dois homens floresceu rapidamente, com Hoover que até enviava flores para Rosenstiel quando este ficava doente. Summers relatou que, em 1957, Rosenstiel foi ouvido dizer a Hoover durante uma reunião: “O seu desejo é meu comando”. O relacionamento deles permaneceu próximo e íntimo ao longo dos anos 1960 e além.

Como Rosenstiel, Hoover era conhecido por praticar chantagens com amigos e inimigos. O escritório de Hoover continha “arquivos secretos” acerca de inúmeras pessoas poderosas em Washington e não só, arquivos com os quais Hoover costumava obter favores e proteger o seu status de Director do FBI pelo tempo que desejasse.

A propensão de Hoover à chantagem sugere que ele pode ter-se associado mais dircetamente à operação de chantagem sexual de Rosenstiel, já que Hoover já sabia que estava comprometido e o seu envolvimento na operação teria servido como um meio de proporcionar chantagens para os seus próprios propósitos. De facto, se Hoover estivesse apenas a ser chantageado pelo grupo de Lansky-Rosenstiel, é improvável que fosse tão amigável com Rosenstiel, Lansky e os outros mafiosos nessas reuniões e participasse nelas com tanta regularidade.

De acordo com o jornalista e autor Burton Hersh, Hoover também estava ligado a Sherman Kaminsky, que dirigia uma operação de chantagem sexual em New York que envolvia jovens prostitutas. Essa operação foi investigada em 1966, liderada pelo Procurador do distrito de Manhattan, Frank Hogan, embora o FBI rapidamente assumisse a investigação e as fotos de Hoover e Kaminsky juntas logo desapareceram do processo.

Os profundos laços de Hoover e Rosenstiel continuariam a desenvolver-se ao longo de anos, um exemplo disso pode ser visto na contratação de Rosenstiel do assessor de longa data de Hoover, Louis Nichols, como vice-presidente do seu império de bebidas Schenley e na doação de Rosenstiel de mais de 1 milhão de Dólares à Fundação J. Edgar Hoover, que Nichols também dirigia na época.

Há também mais de uma ocasião documentada em que Hoover tentou usar a chantagem para proteger Rosenstiel e o seu “comandante de campo”, além do infame Roy Cohn, outra figura-chave na operação de chantagem sexual de Rosenstiel que envolvia menores.

 

A criação de um monstro

Décadas após a sua morte, Roy Cohn continua a ser uma figura controversa em grande parte por causa do seu relacionamento pessoal e próximo com o actual presidente dos EUA, Donald Trump. No entanto, os relatórios sobre Cohn, tanto nos últimos anos como nos anos anteriores, muitas vezes não conseguem caracterizar o homem que se tornou intimamente associado à Casa Branca de Ronald Reagan, à CIA, ao FBI, ao crime organizado e, aliás, a muitas figuras que mais tarde teriam ficado perto de Jeffrey Epstein.

Para entender a verdadeira natureza do homem, é essencial examinar a sua ascensão ao poder no início dos anos ’50, quando, com apenas 23 anos de idade, tornou-se uma figura-chave no julgamento de alto nível dos espiões soviéticos Ethel e Julius Rosenberg e depois como o braço direito do senador Joseph McCarthy.

A dedicação de Cohn às atividades anticomunistas na década de 1950 é o que primeiro o atraiu a atenção de J. Edgar Hoover, que conheceu em 1952. Durante essa reunião, conforme descrito pelo jornalista Hersh no livro Bobby and J. Edgar: The Historic Face-Off Between the Kennedys and J. Edgar Hoover That Transformed America, Hoover expressou admiração pelas tácticas agressivas e manipuladoras de Cohn e disse ao mesmo Cohn para “ligar-me diretamente” sempre que tivesse informações que valessem a pena compartilhar. A partir daí, Cohn e Hoover “trocaram favores, elogios efusivos, presentes e jantares privados. Rapidamente tornaram-se ‘Roy’ e ‘Edgar’ e Hersh também descreve como Cohn que em breve terá ficaod consultor de Hoover.

A data e as circunstâncias acerca do encontro entre Cohn e Rosenstiel são mais difíceis de encontrar. É possível que a conexão tenha sido feita através do pai de Roy Cohn, Albert Cohn, um juiz proeminente e uma figura influente no aparato do Partido Democrata de New York, dirigido por Edward Flynn. Mais tarde, foi revelado que a organização democrata dominada por Flynn e sediada no Bronx tinha conexões de longa data com o crime organizado, incluindo associados de Meyer Lansky.

Independentemente de como ou quando tudo começou, o relacionamento entre Cohn e Rosenstiel era próximo e era frequentemente comparado ao de pai e filho. Dizia-se que eles frequentemente cumprimentavam-se em público e permaneceram próximos até Rosenstiel estar perto da morte, momento em que Cohn tentou enganar o seu “amigo” e cliente, senil e quase inconsciente, para ser nomeado executor e administrador do espólio do magnata das bebidas, algo avaliado em 75 milhões de Dólares (mais de 334 milhões em Dólares de hoje).

A revista LIFE informou em 1969 que Cohn e Rosenstiel definiam-se há anos como “Comandante de Campo” e “Comandante Supremo”, respectivamente. As referências dos media acerca disso aparecem em vários artigos da altura.

O Senador McCarthy com Cohn em 1954

Embora a revista LIFE e outros meios de comunicação tenham interpretado isso apenas como uma anedota sobre os apelidos compartilhados em tom de brincadeira entre amigos íntimos, o facto do notório do senhor do crime Meyer Lansky também chamar Rosenstiel de “Comandante Supremo” e o facto de que Cohn e Rosenstiel envolverem-se mais tarde no mesmo círculo sexual pedófilo sugere que pode ter havido mais acerca desses “apelidos”. Afinal, o grupo ao qual Rosenstiel estava conectado costumava usar títulos com temas militares como “soldado” e “tenente” para diferenciar a posição e as importância dos seus membros.

Depois de estabelecer a sua conexão com Hoover, a estrela de Cohn começou a subir ainda mais em Washington. A recomendação de Hoover tornou-se o factor decisivo na nomeação de Cohn como conselheiro geral do Senador McCarthy sobre Robert Kennedy, um inimigo de Cohn.

Embora Cohn fosse aparentemente intocável como conselho de McCarthy e ajudou o Senador a destruir muitas carreiras durante o “medo vermelho”, os seus modos em relação ao trabalho no comitê acabariam por levar à sua queda depois de ter tentado chantagear o Exército em troca de tratamento preferencial do amante de Cohn, David Schine.

Depois de ter sido forçado a abandonar McCarthy devido ao escândalo, Cohn voltou em New York para morar com a mãe e praticar advocacia. Alguns anos depois, o juiz de New York David Peck, associado de longa data do ex-Director da CIA Alan Dulles, orquestrou a contratação de Cohn para o escritório de advocacia de New York Saxe, Bacon e O’Shea, que mais tarde se tornaria Saxe, Bacon e Bolan depois de Tom Bolan, amigo de Cohn, tornar-se sócio da empresa. Após a sua contratação, Cohn trouxe à empresa uma série de clientes ligados à máfia, incluindo membros de alto escalão da família criminosa Gambino, da família Genovese e, claro, de Lewis Rosenstiel.

 

O que aconteceu no Suite 233?

As conexões que Roy Cohn construiu durante a década de 1950 fizeram dele uma figura pública bem conhecida e traduziu-se numa grande influência política que atingiu o auge durante a presidência de Ronald Reagan. No entanto, enquanto Cohn construía a sua imagem pública, ele também estava a desenvolver uma vida privada na sombra, que passaria a ser dominada pelo mesmo círculo de pedofilia e chantagem que parece ter começado com Lewis Rosenstiel.

Uma das “festas de chantagem” em que Susan Kaufman compareceu com o então marido Lewis Rosenstiel foi tida por Cohn em 1958 no Manhattan Hotel Plaza, suíte 233. Kaufman descreveu a suíte de Cohn como uma “suíte linda … toda feita em azul claro”. Ela descreveu como foi apresentada a Hoover por Cohn, o qual lhe disse que o nome de Hoover era “Mary” num acesso de risos mal escondidos. Kaufman testemunhou que meninos estavam presentes e afirmou que Cohn, Hoover e o seu ex-marido praticavam actividades sexuais com esses menores.

O advogado de New York John Klotz, encarregado de investigar Cohn após o testemunho da Kaufman, também encontrou evidências da “suíte azul” no Plaza Hotel e do seu papel na chantagem sexual após vasculhar documentos do governo local e informações colectadas por investigadores particulares. Mais tarde, Klotz disse ao jornalista e autor Burton Hersh o que tinha aprendido:

Roy Cohn estava a fornecer proteção. Havia um monte de pedófilos envolvidos. Foi daí que Cohn conseguiu o seu poder de chantagem.

Talvez a confirmação mais contundente das actividades de Cohn na Suite 233 venha de declarações feitas pelo próprio Cohn ao ex-dectetive da polícia de New York e ex-chefe da Divisão de Tráfico de Seres Humanos e Crimes Relacionados, James Rothstein. Rothstein disse mais tarde a John DeCamp, ex-Senador do Estado de Nebraska que investigou um círculo sexual ligado ao governo com sede em Omaha, que Cohn tinha admitido fazer parte de uma operação de chantagem sexual dirigida contra políticos com prostitutas.

O Plaza Hotel de New York em 1982

Rothstein disse ao DeCamp o seguinte sobre Cohn:

O trabalho de Cohn era administrar os meninos. Digamos que você tinham um almirante, um general, um congressista, que não quisesse acompanhar o seu programa. O trabalho de Cohn era encastra-los e eles continuariam. Cohn disse-se isso, ele mesmo.

Rothstein disse mais tarde a Paul David Collins, um ex-jornalista que virou pesquisador, que Cohn também tinha identificado essa operação de chantagem sexual como parte da cruzada anticomunista da época.

O facto de Cohn, segundo a lembrança de Rothstein, afirmar que o círculo de chantagem sexual infantil fazia parte da cruzada anticomunista patrocinada pelo governo, sugere que elementos do governo, incluindo o FBI de Hoover, podem ter sido conectados num nível muito mais amplo do que o próprio envolvimento pessoal de Hoover, com o FBI a coordenar com McCarthy e Cohn durante grande parte do “perigo vermelho”.

Também é importante notar que entre os muitos ficheiros secretos de chantagem de Hoover havia um dossiê considerável acerca do Senador McCarthy, cujo conteúdo sugeria fortemente que o próprio Senador estava interessado em meninas menores de idade. De acordo com o jornalista e autor David Talbot, o ficheiro de Hoover sobre McCarthy estava “cheio de histórias perturbadoras sobre o hábito de McCarthy de apalpar os seios e as nádegas das meninas. As histórias eram tão difundidas que se tornaram de conhecimento comum na capital”.

Talbot, no seu livro The Devil’s Chessboard, também cita Walter Trohan, chefe do Bureau de Washington do Chicago Tribune, como testemunha do hábito de McCarthy de molestar jovens mulheres. “Ele simplesmente não conseguia tirar as mãos das garotas”, diria Trohan mais tarde. “Não sei por que a oposição comunista não o menosprezou e gritou ao estupro.” Talvez a resposta esteja no facto de que aqueles que introduziam menores entre os seus inimigos políticos eram aliados e associados próximos de McCarthy, não seus inimigos.

A pergunta que surge necessariamente das revelações sobre as actividades de Cohn na suíte 233 é: quem mais Cohn estava a “proteger” e atendia a prostitutas menores de idade? Um deles poderia muito bem ter sido um dos amigos e clientes íntimos de Cohn, o cardeal Francis Spellman, da arquidiocese de New York, que estaria presente em algumas dessas festas que Cohn organizou no Plaza Hotel.

Spellman, uma das figuras mais poderosas da Igreja Católica na América do Norte e que às vezes era chamado de “Papa da América”,​ foi acusado não apenas de tolerar a pedofilia na igreja católica e de ordenar pedófilos conhecidos, incluindo o cardeal Theodore “tio Teddy” McCarrick , mas também de serparte disso a tal ponto que muitos padres da região de New York o chamavam de “Mary”. Além disso, J. Edgar Hoover teria um arquivo detalhando da vida sexual do cardeal, sugerindo o envolvimento de Spellman no círculo da pedófila na qual Cohn e Hoover estavam pessoalmente envolvidos.

O Cardeal Francis ‘Franny’ Spellman

As pessoas próximas de Cohn frequentemente comentavam que ele estava cercado por grupos de meninos. Comentários ofensivos semelhantes sobre a propensão de Epstein para aa menores foram feitos por pessoas próximas antes da sua prisão.

O controverso agente político republicano Roger Stone, que, como Donald Trump, também era um protegido de Cohn, disse o seguinte sobre a vida sexual de Cohn durante uma entrevista ao The New Yorker em 2008:

Roy não era gay. Ele era um homem que gostava de fazer sexo com homens. Os gays eram fracos, efeminados. Ele sempre parecia ter esses garotos loiros por perto. Estava interessado em poder e acesso.

Compare esta citação de Stone com aquela que Donald Trump, também próximo de Cohn, diria mais tarde sobre Jeffrey Epstein, com quem ele também estava intimamente associado:

Conheço Jeff há 15 anos. Um cara fantástico. Ele é muito divertido. Dizem até que ele gosta de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são do lado mais jovem. Sem dúvida, Jeffrey desfruta de sua vida social.

Embora não se saiba por quanto tempo o circúito sexual no Plaza Hotel continuou, e se continuou após a morte de Cohn por AIDS em 1986, vale a pena notar que Donald Trump comprou o Plaza Hotel em 1988. Mais tarde seria relatado e confirmado por participantes que Trump “costumava organizar festas em suítes no Plaza Hotel quando era o proprietário, onde jovens mulheres e meninas eram apresentadas a homens mais velhos e ricos” e “drogas e mulheres ilegais eram passadas e usadas”.

Andy Lucchesi, um modelo masculino que ajudou a organizar algumas dessas festas do Plaza Hotel de Donald Trump, disse o seguinte quando questionado sobre a idade das mulheres presentes: “Muitas meninas, de 14 anos, parecem de 24. Isso é o mutio. Eu nunca perguntei quantos anos elas tinham; apenas participei. Participei de actividades que também seriam controversas.”

 

A máquina de Roy Cohn

Roy Cohn estava apenas no início da sua carreira quando entrou no circúito de chantagem sexual subterrâneo, aparentemente liderado por Lewis Rosenstiel. De facto, quando Cohn conheceu Hoover, tinha apenas 23 anos. Nas três décadas seguintes, antes da sua morte por complicações relacionadas ao AIDS em 1986, aos 56 anos de idade, Cohn construiu uma máquina bem lubrificada, principalmente por meio de amizades íntimas com algumas das figuras mais influentes do País.

Entre os amigos de Cohn, encontravam-se personalidades importantes como Barbara Walters, ex-diretores da CIA, Ronald Reagan e a esposa Nancy, magnatas dos media Rupert Murdoch e Mort Zuckerman, numerosas celebridades, advogados de destaque como Alan Dershowitz, personalidades da Igreja Católica e importantes organizações judaicas como B ‘nai B’rith e o Congresso Judaico Mundial. Muitos dos mesmos nomes que ficaram perto de Cohn até a morte no final dos anos ’80 ficaram perto de Jeffrey Epstein, com os seus nomes que apareceram mais tarde no agora infame “pequeno livro preto” de Epstein.

Ronald Reagan com Rupert Murdoch, Charles Wick e Roy Cohn na Sala Oval em 1983.

Embora o Presidente Trump esteja claramente conectado a Epstein e Cohn, a rede de Cohn também estendia-se ao ex-Presidente Bill Clinton, cujo amigo e conselheiro político de longa data, Richard “Dirty Dick” Morris, era primo e sócio próximo de Cohn. Morris também estava perto do ex-Director de comunicações de Clinton, George Stephanopoulos, que também estava associado a Jeffrey Epstein.

No entanto, essas eram apenas as conexões de Cohn com membros respeitáveis do establishment. Ele também era conhecido pelas suas profundas conexões com o crime e ganhou destaque principalmente pela sua capacidade de conectar figuras-chave no submundo do crime com figuras influentes respeitadas, aceitáveis ​​para a esfera pública. Por fim, como afirmou o advogado de New York, John Klotz, a ferramenta mais poderosa de Cohn foi a chantagem, que ele usou contra amigos e inimigos, gângsteres ou funcionários públicos. Quanto conseguiu obter com essa chantagem sexual provavelmente nunca será conhecido.

A Parte II desta investigação mostrará como Epstein é apenas a mais recente encarnação de uma operação muito mais antiga, mais extensa e sofisticada, que oferece uma janela assustadora sobre o quão profundamente vinculado está o governo dos EUA aos equivalentes modernos do crime organizado..

 

Ipse dixit.

Fonte: Hidden in Plain Sight: The Shocking Origins of the Jeffrey Epstein Case 

O artigo original contém todas as ligações para as fontes utilizadas durante a investigação (frases ou palavras em amarelo, são dezenas: é só clicar para acedere à fonte).

No artigo original estão presentes também as fontes de todas as imagens utilizadas neste artigo.

2 Replies to “Pedofilia e Poder: das origens aos nossos dias – Parte I”

  1. Podemos não saber os nomes, as entranhas do crime organizado, mas sabemos que eles incluem os governos muito poderosos, chefes eclesiásticos, banqueiros, altos comerciantes e empresários, serviços secretos, enfim parece que ascender na sociedade implica em roubar, fraudar, participar de ilícitos, assassinar, esconder, burlar, toda a sujeira do mundo, desenvolvida por prazer , garantia de acumulação e chantagem.
    Os não poderosos fazem tudo isso, mas falta-lhes o poder de utilizar seus crimes para chantagear em alta escala.Atuam por sadismo, por revolta, para intimidar seus rivais, demonstrar força. Prejudicam suas vítimas, mas seu alcance é limitado.
    Poderosos não tem amigos, Tem cúmplices. Então eu me pergunto como que podem ser tão despreocupados a ponto de se deixar “pegar em ação”. Mas este tipo de atividade humana está bem desenvolvido na Brasil. Só para exemplificar uma juíza do Supremo Tribunal Federal tem sido chantageada em função de ser homossexual, até que o fato tornou-se do domínio público. Recentemente o ex chefe do Ministério Público Federal confessou em livro que chegou a tentar matar o juiz Gilmar Mandes, desistindo no último momento. O curioso que aqui o crime organizado é tão banalizado e normalizado que o cara chega a dizer tranquilamente suas atividades.
    Orgulhosamente temos aqui o Escritório do Crime, formado por milicianos do Rio vinculados intimamente `a presidência da República…E tudo bem, sigamos em frente porque afinal de contas tudo isto foi gerado e desenvolvido não só em ditaduras, mas também em plena democracia. A ditadura gerou os esquadrões da morte, a democracia gostou da ideia, desenvolvendo-a e ampliando sua penetração e alcance. Qualquer um de nós pode ser vítima do crime organizado que além de tudo dominou o tráfico de drogas ( em associação com parlamentares e empresários), o trafico de armas e outras diversões.

Obrigado por participar na discussão!

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