“Crónica: italiano incendia oficinas nos arredores de Lisboa”

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Olhem para a imagem acima. É o meu carro: confortável, gasta pouco, muito espaço, cheio de acessórios. Problema: aquele carro é o culpado pela falta de artigos nos últimos dias. Ele mesmo. Bom, na verdade a culpa nem é dele: após três anos de honrado serviço, o turbo pifou. O que nem seria tão grave se eu não tivesse que ir já para Italia com uma certa urgência.

Pode dizer o sábio Leitor: “Pega num avião, não há aviões em Portugal?”. Por acaso há e alguns até conseguem voar. Mas eu tenho mesmo que ir de carro. E aqui começam os problemas.

Oficina nº 1: “O motor aquece e consome óleo? Ehhhhh, é um problema. Pode ser a cabeça do motor mas não parece. Olhe, fazemos assim: vamos substituir a bomba da água e depois se vê. Se o problema persistir, vamos substituir o radiador”.

Oficina nº 2: “É uma fuga, é claro. Vamos mudar o radiador. Olha só, o radiador não tem fugas… será um tubo? Ah, perde óleo também? Pois, é uma fuga. Mas é estranho, não há óleo a pingar debaixo do motor”.

Oficina nº 3: “É o turbo. Provavelmente ficou sujo. Faça isso: acelere muito numa autoestrada, assim o turbo limpa-se. Se pode ir para Italia? Sim, claro. Até aconselho-lhe um produto para limpar o turbo enquanto anda.

Oficina nº 4: É efectuado um teste de potência (milagre!). “É o turbo, foi-se. Ir para Italia? Nem pensar, arrisca partir tudo. Deixe aqui o carro, vamos ligar-lhe na Quarta-feira”.

Quinta-feira: “Olhe, não temos tido tempo para ver o seu carro mas vamos testa-lo hoje, pode ser?”.

Sexta-feira: “Olhe, é mesmo a geometria variável do turbo. Vamos substitui-lo e na Segunda venha buscar o carro”.

Segunda: “Olhe, o turbo foi substituído mas temos que mudar também a vedação do turbo e testar o intercooler. O problema é que amanhã é o aniversário do patrão e a mãe dele quer passar o dia com o filho. A mãe mora no Luxemburgo. Mais uns três ou quatro dia, pode ser?”.

A minha impressão é que por aqui os mecânicos ganhem a habilitação com os pontos das bombas Repsol: cada litro de gasolina adquirida obtêm 10 pontos e ao chegar aos 1.000 podem escolher um atestado entre aqueles de Mecânico, Dentista, Advogado. Ao que parece, a tendência é aquela de escolher o atestado de Mecânico. E o resultado é que para obter um diagnóstico é mais seguro consultar um vidente africano. Quanto ao tempo de espera… bom, antes de deixar o carro numa oficina perguntem onde mora a mãe do chefe.

Eu, obviamente, ultrapassei há muito os limites da minha paciência, que já a partida são particularmente baixos. Do imenso tempo perdido nem se fala. Agora espero um telefonema que anuncie a necessidade de substituir o sistema de escape, um farol posterior e três jantes. Se lerem a notícia dum italiano que incendiou algumas oficinas nos arredores de Lisboa, já sabem quem é o culpado e qual a razão.

A boa notícia é que entretanto nada aconteceu: estamos à beira duma guerra com o Irão mas de coisas sérias nem a sombra. Melhor assim.

 

Ipse dixit.

5 Replies to ““Crónica: italiano incendia oficinas nos arredores de Lisboa””

  1. Max, existem poucas oficinas, na região de Lisboa, a mexer em turbos e bombas injectoras.
    É muito provável que a tua oficina tenha enviado o teu turbo para uma dessas poucas oficinas especializadas, e agora estão à espera que o turbo regresse para eles montarem. As próprias marcas também o fazem, isto é, enviam para fora. Dessas poucas oficinas penso que só umas 3 é são mesmo boas, as outras nem por isso.
    Um abraço
    Krowler

    1. No brasil, tem-se uma expressão que define bem essa situação: ” O problema está na rebimbóca da parafuseta”.
      Desejo-te boa sorte, amigo.

  2. Oi Max: faz um tempo que o teu carro tá sendo escovado. Tira ele daí porque vai terminar de estragar o “possante”. Abraçooo!

Obrigado por participar na discussão!

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