Manutenção: como manter em forma computador, tablet e smartphone

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Se o Leitor está a ler estas linhas é porque tem um computador. Não acredita? Faça esta prova: desligue o computador e tente continuar a ler. Visto? Não consegue. Volte a ligar o computador por favor.

Obrigado. Pode ser um computador de mesa, portátil, tablet ou smartphone (que, na verdade, é um computador pequeno), mas as “partes” são sempre as mesmas: um disco rígido, um processador, uma memória, um sistema operativo com alguns programas instalados, um ecrã, algumas portas para conexão exterior, um teclado (físico ou virtual). Neste aspecto, todos os tipos de computadores funcionam da mesma forma e uma boa manutenção é o óbvio ponto de partida para poder desfrutar da nossa máquina durante mais tempo.

Neste artigo ficamos no básico: um guia muito simples, sem complicações para uma manutenção de base. Nada de dicas para geeks aqui.

  1. Programas portáteis
  2. Inicialização
  3. Limpeza do disco
  4. Limpeza do registro
  5. Desfragmentação do disco
  6. Desfragmentação do registro
  7. Desinstalação Programas
  8. Drivers
  9. Manutenção “tudo em um”

1. Programas portáteis

Antes de começar com a verdadeira manutenção, vale a pena lembrar que nos sistemas Windows e Linux é sempre melhor utilizar programas portáteis em vez que das versões com instalação.

Em Windows, a instalação demasiadas vezes modifica o registo e, com o tempo, torna esta parte essencial, assim como o disco rígido, “gorda” e confusa, obrigando à uma reinstalação de todo o sistema operativo.

Em Linux, a remoção dum programa pode implicar dúvidas acerca de livrarias partilhadas: apago? Não apago? Linux, contrariamente a Windows, lida bem com os restos dos programas desinstalados (simplesmente ignora-os): todavia se for possível manter tudo mais “levezinho”, melhor é.

Muitos programas com instalação para sistemas Windows são disponíveis em versão portátil: é só procurar. No caso de Linux, há relativamente pouco tempo estão disponíveis as versões Flatpak ou Snap: são programas que trazem consigo já todas as livrarias das quais precisam e, ao desinstala-los, apagam tudo sem deixar rastos. Tanto no caso de Windows quanto no caso de Linux, as versões portáteis dos programas têm um tamanho um pouco superior (especialmente no caso dos Flatpaks e Snaps), mas nada que justifique o uso das versões com instalação.

E no caso de Android? O discurso é diferente: não existem versões portáteis, e isso, de facto, cria “lixo” que com o tempo tende a acumular-se. Mas existem programas que limpam tudo duma só vez, como será possível ver a seguir.

2. Inicialização

Um bom sistema é aquele que inicia os programas e os serviços dos quais precisamos, não outros. Então:

Windows: Autoruns. Não procurem mais, este é o melhor.

Linux: saltitando pelas opções do sistema Linux será possível encontrar a função para desabilitar a inicialização dum programa ou dum serviço não desiderato. Preguiça? Ok, então Stacer.

Android: As apps não utilizadas, que ficam em segundo plano, não gastam recursos (há algumas excepções, como os programas de monitorização). Mesmo assim podemos evitar que sejam iniciados programas inúteis com SD Maid, que faz de tudo um pouco (é uma das melhores app para o sistema), inclusive gerir o arranque do nosso smartphone.

Muito válido também Assistant for Android.

Obviamente, nenhum start manager conseguirá travar programas “embutidos” sem ter activado a função de root.

 3. Limpeza do disco

Windows: tal como acontece no registro, também no disco rígido há acumulação de “lixo”, Aliás: é no disco que podemos encontrar o lixo mais volumoso. Pelo que: serve um programa para a limpeza.

Programa número um: CClenaer. O mais utilizado. Pelo que:

  1. descarreguem o programa;
  2. descarreguem i file winapp2.ini e copiem-o na mesma pasta de CCleaner
  3. (para os mais ousados: descarreguem também winapp3.ini, mas prestem muita atenção ao que apagam);
  4. iniciem o programa;
  5. escolham o que limpar;
  6. carreguem Limpar e fiquem felizes.

Um programa alternativo, tão bom quanto CCleaner? Sem dúvida Privazer: acreditem, vale a pena espreita-lo. Outro programa muito eficaz é System Ninja que, todavia, não existe em versão portátil oficial.

Um programa simples-simples mas eficaz? Wise Disk Cleaner é a escolha de quem não quer arriscar, deseja um programa para a limpeza segura e que faça tudo sozinho.

Linux? A melhor limpeza é aquela feita com o terminal. Nos sistemas Debian, por exemplo, para limpar a caché e :

  • sudo apt-get clean (remove lixo)
  • sudo apt-get autoremove –purge (remove versões antigas do kernel)
  • sudo apt-get autoclean (um flush à caché local)
  • sudo apt-get autoremove (remove pacotes não necessários)

E isso é tudo. Mas vivemos na era da comodidade e da preguiça, certo? Então eis um programa que faz poupar até aqueles 12 segundos necessários para utilizar o terminal: BleachBit, que é como um CCleaner para Linux. Utilizar com atenção.

Em alternativa: Stacer, que faz várias coisas.

Android: outra vez CCleaner, obviamente versão para Android. Porquê? Porque é simples, porque contrariamente a outras apps, CCleaner limpa só o lixo sem funções acessórias de duvidosa utilidade (como libertar a RAM), e porque não permanece constantemente em background.

Algo um pouco mais completo? O já citado SD Maid: óptimo, bem melhor de CCleaner mas um pouco mais “complicado” (com muitas aspas porque não é um bicho de sete cabeças e revela-se muito útil).

4. Limpeza do registro

A limpeza do registro de Windows é uma operação delicada mas que pode tornar-se necessária sobretudo se tivermos o hábito de instalar e desinstalar numerosos programas. Os programas deixam resíduos que, com o passar do tempo, afectam não apenas o disco rígido mas o registro também.

Dado que não somos técnicos informáticos, melhor utilizar um programa que consiga limpar de forma automática e segura. Assim: Wise Registry Cleaner que tem uma particularidade: sinaliza com cores (verde, amarelo ou vermelho) o grau de risco associado a uma remoção. Assim podemos escolher o que limpar (os verdes!) sem provocar danos.

Linux e Android não têm um registro que funcione como em Windows, pelo que nada de limpeza.

5. Desfragmentação do disco

O disco rígido dum computador não arruma os ficheiros segundo o esquema que poderia parecer mais lógico, como por exemplo todos os ficheiros dum mesmo programa juntos. Ao contrário, arruma os ficheiros desfrutando qualquer espaço livre disponível, mesmo que isso signifique “fragmentar”, isso é, separar os ficheiros duma mesma aplicação. Pelo que, após uns tempos de utilização, os ficheiros ficam espalhados ao longo do disco todo, sem uma ordem aparente: na realidade o computador lembra onde arrumou os ficheiros, só que, se muitos espalhados, pode precisar de mais tempo para reuni-los quando decidimos utilizar um programa. Eis então que aparecem programas que tratam de desfragmentar, ou seja, que repõem um pouco de ordem no disco rígido com benefícios em termos de rapidez do computador.

Windows 8, 8.1 e 10 tem um sistema de desfragmentação que actua de forma automática. É possível não fazer nada e deixar que o sistema operativo trate de tudo. Quem, como eu, não fica muito satisfeito com o trabalho de Windows ou utiliza versões anteriores deste sistema operativo (como Windows 7 que não tem a desfragmentação automática), pode sempre recorrer a programas externos. O meu favorito é Auslogics Disk Defrag Portable, mas há outros (Smart Defrag ou Ultra Defrag, por exemplo) e, repito, é sempre possível ficar com o desfragmentador de Windows 10.

Para acabar o discurso, lembro que um disco SDD (os chamados “discos sólidos”) nunca deve ser desfragmentado. Nunca!

Linux e Android não precisam de desfragmentação.

6. Desfragmentação do registro

E o registro de Windows: tem que ser desfragmentado de vez em quando, tal como acontece com o disco rígido? A resposta é: não. Apesar de existirem programas que oferecem esta possibilidade, trata-se duma operação quase inútil. “Quase” porque é verdade que, com o passar do tempo, o registro pode desfragmentar-se. Todavia:

  1. utilizar programas portáteis reduz a desfragmentação do registro
  2. o que abranda maioritariamente o computador é a desfragmentação do disco rígido

Se, mesmo assim, o Leitor não resistir à ideia de desfragmentar de vez em quando o registro do seu Windows, pode utilizar Wise Registry Cleaner que, aos menos, é inócuo.

Linux e Android não precisam de desfragmentação.

7. Desinstalação Programas

Demasiadas vezes, ao desinstalar um programa, desinstalamos apenas… um pedaço de programa, enquanto alguns ficheiros permanecem no nosso computador. Isso acontece ao utilizar o auto-desinstalador “embutido” no dito programa: os ficheiros que permanecem no nosso computador geralmente são inócuos (geralmente) e ocupam pouco espaço. Mas são inúteis e, com o passar do tempo, acabam por somar-se e ocupar um espaço não indiferente. É por esta razão que aconselho utilizar sempre um outro desinstalador e não aquele fornecido com o programa.

Para Windows: o melhor desinstalador, na minha opinião, é BcUninstaller, muito completo. Aliás, demasiado completo: tem muitas opções que podem desorientar. Pelo que, se a ideia for ter um desinstalador mais simples mas sempre eficaz, eis Revo Uninstaller: após ter desinstalado o programa, efectua uma análise do registro (como BcUninstaller) para verificar que não haja “lixo”. Outra possível opção (que funciona sempre segundo o mesmo princípio de Revo Uninstaller) é Geek Uninstaller, que é também extremamente leve.

Linux: não necessita de desinstalador. Se, mesmo assim, o Leitor deseja um programa que faz também a função dum desinstalador, pode experimentar Stacer. Mas desinstalar a partir do software manager ou até do terminal é melhor.

Android: é necessário um desinstalador? De facto, ao remover uma aplicação, podem sobrar ficheiros. Doutro lado, é possível remover estes ficheiros de forma manual e simples também. Somos preguiçosos? Ok, então podemos instalar uma app que faça o trabalho todo. A escolha é ampla. Um entre os muitos: Easy Uninstaller, rápido, simples e eficaz. Esta ou Uninstaller. Obviamente, nenhum desinstalador conseguirá eliminar programas “embutidos” sem ter activado a função de root.

8. Drivers

Windows: existe um simpático programa que controla os nossos drivers e, se for o caso, os actualiza: Snappy Driver (portátil, gratuito e sem publicidade). Demorei uns 5 minutos para entender o funcionamento mas, uma vez percebido, a coisa é bastante simples. Funciona? Não sei, os meus drivers estão todos actualizados… A coisa engraçada é que o programa permite gravar um ponto de restauro assim, em caso de erros, é possível desfazer tudo e voltar à condição original. Útil e seguro.

Linux: em Linux as coisas funcionam de forma diferente. O sistema operativo já traz consigo os drivers necessários que são actualizados com as actualizações periódicas do kernel. Pelo que: quanto menos se mexe nos drivers, melhor é, pois o sistema já detecta o nosso hardware e procura os drivers necessários.

Todavia pode haver excepções, nomeadamente com os drivers da impressora. Neste caso é possível procurar no site da fábrica ou na internet (com Google, por exemplo, inserindo o modelo da nossa impressora na pesquisa). Nunca entendi por qual razão as impressoras são sempre uma dor de cabeça com Linux.

Último caso: os drivers da placa gráfica. Se gostamos de jogos frenéticos em 3D, por exemplo, pode ser uma boa ideia instalar os drivers do fabricante porque melhores em termos de rendimento. Mas este não é um problema porque casas como NVIDIA e AMD disponibilizam todos os drivers necessários, é só instala-los.

Android: quais drivers? Um usuário normal nunca terá necessidade dos drivers para Android. Esqueçam.

9. Manutenção “tudo em um”

Existem programas que fazem tudo: limpam, desfragmentam, gerem… vale a pena utiliza-los? Na minha opinião não: melhor utilizar um programa que faça uma coisa bem em vez dum programa que faça muitas coisas, talvez bem, talvez nem por isso.

Windows: Um exemplo: a suite de Wise Cleaner, cujo nome é Wise Care 365. O limpador do disco sozinho (Wise Disk Cleaner, do qual falámos acima) funciona melhor do que o limpador embutido na suite. Esquisito, em teoria deveria ser o mesmo programa.

Mas voltamos ao discurso preguiça. Então, além do Wise Care 365, lembramos a suite Glary Utilities e TweakPower (que se calhar é melhor de Glary).

Linux: a única suite que conheço é o já citado Stacer. Acho ser este um programa redundante, no sentido que faz coisas que é já possível fazer com um normal sistema Linux através das opções. Sei que há um outro programa “all in one” para Debian mas nunca experimentei e nem me lembro do nome: e, em qualquer caso, o que faz deve ser o mesmo que Stacer.

Android: aqui o discurso é complicado porque a maior parte dos “Todos em Um” incluem apps inúteis e prejudiciais como a “optimização da memória” ou “limpador da caché”. Android não precisa que seja optimizado nada neste aspecto, é o sistema que gere a sua memória e mexer no assunto pode significar desestabilizar o sistema.

Não conseguem resistir? Têm mesmo que ter um programa que “faz tudo”? Ok, mas aos menos não utilizem a função da memória que é algo estúpido. SD Maid acho ser o melhor. Depois é só abrir o Google Play, procurar “limpeza” e escolher.

 

Para acabar: antivírus (obrigatório em Windows, supérfluo em Linux, necessário em Androdi em caso de permissão root), firewall (sempre necessário. Para Android: NetGuard) e uma boa manutenção são as bases para ter um sistema operativo em forma.

Se o Leitor conhecer outros programas (portáteis, simples e eficazes) ou dicas, é favor contribuir no espaço dos comentários. Obrigado 🙂

 

Ipse dixit.

3 Replies to “Manutenção: como manter em forma computador, tablet e smartphone”

  1. Embora alguns não percebam o que torna o dispositivo, seja ele qual for mais lento, são as aplicações/serviços/tarefas a correr “em background” sem que o utilizador saiba. Pior, muitos deles correm por motivos que não sejam para o bom funcionamento do dispositivo.
    Embora seja necessário algum conhecimento, que é facilitado pelo que o Max já mencionou, algum erro poderá dar caso sério. Mas com alguma pesquisa pelo GG todos poderão saber a funcionalidade de cada, e se é ou não seguro a desactivação/eliminação. Nisto inclui-se a Telemetria.
    Para ter uma ideia (assustadora) tal é necessário meter as mãos nas tripas manualmente, os programas muitos não tocam nesses detalhes:

    No linux (mais arrumado):
    Painel de control – programas de arranque e Sistema – Administração – Serviços

    Windows:
    Linha de Comandos -> msconfig.exe (programas e serviços)
    Gestor de tarefas (A telemetria está tambem por lá)

    Android (requer acesso root) aplicações:
    ROM toolbox (Auto Start Manager) – É impressionante a quantidade de activações que cada app tem e consume
    3C System Tuner (Aplicações – Iniciadores)

    No Mac – fica para quem sabe 😀

Obrigado por participar na discussão!

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