Porquê as pessoas não pensam?

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O cérebro, este desconhecido. Sejamos honestos: passar a vida inteira com um órgão atrofiado não é bonito. Para o homem post-moderno, o cérebro duma barata seria suficiente: é capaz de comandar as funções vitais, com um pequeno esforço pode aprender a utilizar Facebook, twitter e Whatsapp também. Não é preciso mais nada, este é o essencial. Poupava-se 1.50 kg de matéria cinzenta que ocupa espaço e não presta.

Cinco milhões de pessoas responderam em 2000 cidades do planeta ao apelo duma miúda de 16 anos, Greta Thunberg, proposta para o Nobel da Paz. E porquê não? Depois de Obama, o Nobel da Paz pode ser legitimamente entregue a qualquer indivíduo, inclusive serial killers.

Milhões de jovens nas praças contra as mudanças climáticas. E as mudanças climáticas ficaram assustadas, penso eu. Cambada de atrasados mentais. Não entendem, não entendem mesmo a artificialidade dessas iniciativas, a óbvia organização empresarial, não entendem que estão a prestar-se a um jogo sinistro e falso: termos que concluir que estariam prontos para aplaudir qualquer ditadura. Nem ficam ofendidos com o infantilismo dos argumentos com os quais estão a ser convencidos. O que conta é que a televisão fale disso, e eis cinco milhões de novos fanáticos que marcham para apoiar uma “diretriz” muito evidentemente ditada pelo topo, pelos círculos malthusianos e globalistas, pela ditadura europeia: círculos que precisam transferir o descontentamento provocado por austeridade, deflação, desemprego em massa. Foram eles que os criaram e agora precisam mover tudo contra um novo “inimigo”, em direção a um objectivo que eles querem: impor novas austeridades em nome do “clima”. Mas como é possível combater em prol do planeta sem antes combater e derrotar o nosso sistema que pode viver só com a destruição da Terra? É tão difícil entender isso?!?

Que tipo de pessoas são estas? Sabem ler? Há semanas que escrevem “Greta”, a garota sueca: Greta aqui, Greta aí… Greta é usada para “uma campanha de relações públicas” que deve preparar o lançamento de um novo livro da mãe de Greta, a cantora de ópera sueca Malena Ernman, uma puta (passem-me o termo) que explora a pobre filha que sofre de síndrome de Asperger, transtorno obsessivo-compulsivo e mutismo seletivo, tendo-la entregue ao estrategista de campanha, o profissional de relações públicas Ingmar Rentzhog, e à startup dele, We Do not Have Time. Ingmar Rentzhog é também presidente do think tank Global Utmaning, fundado por Kristina Persson, filha do bilionário e ex-ministro social-democrata que promove a luta contra os “nacionalismos” e os “populismos”.

Mas não aprendem? Com os olhos fixos no ecrã do telemóvel, twittando e facebookando em todos os socials, não aprendem nada, não lêem nada útil ou não entendem o que lêem. São aqueles que acreditam no mainstream, aderem às verdades oficiais em todas as questões, sem qualquer senso crítico: conseguem ser convencidos de tudo, gender, bondade do novo Papa São Francisco, direitos LGBT, e depois tornam-se defensores fanáticos de qualquer projecto aberrante, demente e insano, ditado por pessoas que simplesmente querem a extinção deles. Fixam os tablets, mas é como se vivessem num mundo de 500 anos atrás: não entendem, deixam-se voluntariamente saturar, mergulhar, sem defesa.

Mais aterrador: são jovens. Eu acredito nos jovens, são eles que têm o futuro nas mãos, eu não; são eles que têm a força, a vitalidade, a mente livre de preconceitos, eu não. São eles que podem olhar para o futuro, eu sou analógico e vivo no passado. Mas estes são 5 milhões de jovens totalmente e irremediavelmente estupidificados.

E nem estão sozinhos. Nestes dias circula um tweet dum leitor que até dá nome e apelido (o orgulho da ignorância), sem medo, e que diz:

Eu sei ler e leio muito. O BCE [o Banco Central Europeu, ndt] não pode cunhar moedas e não possui dinheiro. Aquele que tem é pagos pelos sócios, o Banco colecta, distribui ou empresta.

E ficamos sem palavras. Consternados. Este senhor vive no século 21º e nem tem ideia de como funcionam os bancos centrais ou os bancos normais. A ideia dele seria legítima entre os camponeses do século XVII, não entre os cidadãos dum País do Ocidente evoluído.

Pode haver pior? Pode. Um jornalista económico pergunta ao Presidente do BCE, Mario Draghi: “O BCE pode ficar sem dinheiro? Pode falir?”. Mas que raio de pergunta é esta? Como pode ficar sem dinheiro? É o BCE que imprime o dinheiro! E é significativo o rosto de Draghi enquanto responde que não, que “tecnicamente” não pode falir pois tem “amplos recursos”. Corria o ano de 2014, cinco anos depois, apesar da omnipresente internet, as pessoas continuam na mesma.

E não, meus senhores, não venham com a história dos “órgãos de informação que anestesiam as pessoas”. Mesmo nestes dias Internet fez 30 anos: três décadas durante as quais as informações circularam com uma velocidade cada vez maior, abrangendo cada vez mais temas. Hoje na net é possível encontrar tudo: medicamentos, drogas, armas, filmes, música, informação, informação e ainda informação para todos os gostos. Aprender já não é uma questão de “possibilidade” mas de “vontade”. Só e apenas vontade. Não há rigorosamente nada que impeça às pessoas para informarem-se.

E mais: mesmo no Twitter ou no Facebook há canais que explicam, ensinam, fazem luz sobre determinados assuntos. Hoje é possível encontrar a Teoria da Relatividade explicada com as palavras duma criança. No Youtube há explicações para todos os gostos. Portanto não é verdade que os “socials” são impingidos pelos media para anestesiar o cidadão, porque mesmo nos socials é possível encontrar óptimo material. Não “bom” mas “óptimo”. A verdade? Simples: a maioria das pessoas foge das “coisas complicadas”. Têm um social? Eis que no âmbito do social escolhem as coisas piores.

Os media anestesiam os cidadãos? Seja. Mas então o que faz o Leitor aqui? Mesmo você que está a ler estas linhas. Por qual razão não é afectado? Por qual razão os Leitores de Informação Incorrecta não são afectados? Porque eu não sou afectado? Porquê os media connosco não resultam? Eu sigo os telejornais, leio os diários; tenho uma página Facebook; tenho o meu lindo smartphone (está a ficar velho e tem só dois anos!!!); só não sigo Whatsapp porque é irritante, nunca se cala. Mas sou alvo dos media como qualquer outro cidadão. Todos nós que frequentamos este blog somos alvos. Então?

Lamento, esta história dos media não pega. Hoje, ao ver cinco milhões de sem cérebro nas praças do mundo, a seguir as palavras duma miúda doente nas mãos dum think tank bilionário fiquei triste. Temos alternativas mas viramos a cara do outro lado. Temos soluções mas teimamos em não segui-las. Temos explicações mas estamos demasiado empenhados a tirar selfies para procura-las. Temos o que merecemos? Talvez seja isso. Custa admiti-lo, mas estou a convencer-me disso.

 

Ipse dixit.

7 Replies to “Porquê as pessoas não pensam?”

  1. Olá Max: é imprescindível distinguir informação e comunicação. A humanidade foi convertida em divíduos, milhões de pessoas divididas, sós, atomizadas, em solidão doentia, aterrorizadas. Essa é uma das maiores conquistas do desenvolvimento tecnológico, econômico, político e social, atuando nos cérebros humanos, um programa exigido pelo 1% para que os restantes exitem em botar fogo no seu mundinho, e um programa de sucesso. Nesse contexto, as pessoas precisam desesperadamente se comunicar, não conhecer ou conhecer umas as outras. Não achas extraordinário que um desses sub programas – o facebook – as pessoas tenham mil amigos (as) que não sabem quem são, nem a que vêem? Não te surpreende que milhares de pessoas busquem relacionamento amoroso, comunicando-se com outros (as) que igualmente não sabem quem são nem a que vêem? Ao contrário, não percebes a onda de insegurança que invade estes seres humanos em contato direto com o vizinho, com quem passa na vizinhança, e até mesmo com familiares, ou quem mora junto? O conhecimento, a informação, descortina o lado feio, estúpido, absurdo da realidade, traz sentimentos de impotência, e isso a maioria não quer. A comunicação finge um mundo irreal, mas na medida e gosto daqueles que se comunicam. Não é preciso discordar, concordar, discutir diante das telinhas, ninguém precisa sair da sua zona de conforto, só apreciar e repetir. O sucesso retumbante do whats é justamente unir grupos de absolutamente iguais, que se sentem reforçados e imponderados pelo grupelho. Exemplo: todos os mídia alternativos bolsonaristas gritam: “golpe do STF na Lava Jato”, os pertencentes ao grupelho ecoam o mesmo. Os mídia alternativos não bolsonaristas gritam: “Depois de 5 anos, o STF coloca a Lava Jato nas suas atribuições de força tarefa”. E os seus grupelhos ecoam a mesma coisa entre si. A maioria não quer saber quais são as atribuições de uma força tarefa, porque a Lava Jato, exacerbou suas atribuições, quando e como… O prêmio nobel é um pêndulo político, sabemos. Mas interessa saber o que é? Interessa ter assunto para se comunicar e não morrer de solidão.

  2. Fiquei a saber disto aqui, ontem.
    Acho que o objectivo é nivelar pensamento ou até conduzir e alterar para estar no lado “correcto” das ovelhas, que viram/se tornam lobos das suas causas (suas ou do grupo que seguem? Como uma série de auto-visionários a seguir “cegos”) com base em anúncios personalizados para o perfil de cada. E o google não é igual? Mas os donos do face whats e instagram não são os mesmos?
    É normal o que se passou ontem na ilha sul da Nova Zelândia? E motivos É normal Suzano?
    Mas indo mais longe acontecimentos estranhos sempre filmados Nice, Munique etc… E motivos É normal a irresponsabilidade mortal da Boeing?
    Podia continuar…
    E somos todos com bandeirinha fraciu je suis Charlie? E o 11 do 9 foi organizado por um tipo numa mula ou camelo no Afeganistão….
    Ora vão a barda….
    É um chorrilho de mentiras para impor objectivos e que sem isso nem seriam permitidos ou haveria luta.
    Funciona, claro…aí do meu id se dissesse o que realmente pensava? Banido imediatamente alem ser posto de lado em muita coisa (até na vida real) porque embora siga o script não quer dizer que concorde em tudo com o mesmo e preciso do whats e face messenger para comunicar aqui e para outros lados do Atlântico.
    E existem muitos/as mais assim.

    N

  3. A população no geral acredita em tudo, desde que passe nos meios de comunicação social mainstream.
    Uma parte significativa da população também acredita nos sites de ‘fake news’.
    Outra parte significativa acredita no Nibiru, na Terra plana, nos ufos, na IURD, no boletim meteorológico, nas cartas e no Marques Mendes.
    Por isso, acreditar nesta história dos movimentos contra as alterações climáticas é perfeitamente normal.
    Manter um filtro activo e a funcionar em perfeitas condições, contra informação errada ou manipulada, é muito difícil e exige um esforça permanente de procura de fontes de informação alternativa. Em resumo, dá trabalho.

    Krowler

  4. No Brasil, o presidente deste lugar insólito disse que o nacional socialismo é um movimento de esquerda.
    Se o presidente “pensa” assim, imagine o povo que o “elegeu”!

    1. Olá Quincas!

      Bom, Bolsonaro, sem sabe-lo, disse uma meia verdade. Isso é: o nazismo é de Direita, todavia tem entre as suas características muitos elementos típicos da Esquerda.

      Por exemplo, ambos os movimentos:

      -são totalitários (controle dos cidadãos, das liberdades, etc.);
      -dedicam muita atenção às camadas mais desfavorecidas da população, como reformados, desempregados, trabalhadores (em particular mulheres trabalhadoras);
      -apostam em grandes obras públicas;
      -preferem um autarquia económica;
      -aplicam impostos mais altos sobre os ricos;
      -aplicam limites governamentais sobre os lucros;
      -rejeitam a cultura dos “diversos” (como é o caso da homossexualidade) e reprimem as minorias;
      -dedicam esforços na construção de mitos, de ícones e símbolos;
      -esvaziam o papel da religião e da família nas decisões pessoais e sociais;
      -não têm problemas em recorrer ao instrumento da violência;
      -na vertente prática, ambos são destinados a evoluir no sentido ditatorial, com uma restrita elite política que, de facto, gere o País sem oposição possível.

      Não acaso, o termo correcto para indicar o nazismo é “nacional-socialismo”, entendido como “socialismo com características nacionalistas”. Um absurdo? Nem tanto: o Fascismo era filho directo do Socialismo (Mussolini era e sempre foi um socialista). Mas é aqui que encontramos uma das diferenças fundamentais com o Comunismo, que não pode reconhecer (aliás, que combate fortemente) o conceito de “Nação”.

      Depois, claro está, havias outras diferenças entre estes dois “-ismos”. E hoje as diferenças são ainda maiores: o moderno Comunismo e a extrema Direita de hoje têm pouco em comum. Todavia, na génese, havia bases partilhadas e as distâncias não eram abismos: para entende-lo temos que pensar nas Esquerda e Direita clássicas, não na Esquerda vendida ao “progressismo” e a Direita vendida ao “Liberalismo” de hoje.

      Mas duvido que Bolsonaro saiba tudo disso 🙂 🙂 🙂

      Fui!

  5. Fica -se abordando pessoas enquanto os processos determinantes do futuro das populações são negligenciados. Puro condicionalismo! Romper condicionalismos é para poucos. Os blogs, inclusive o II se limitam a fazer recortes inofensivos.

Obrigado por participar na discussão!

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