Irlanda vota proibição de bens israelitas

A tradicionalmente conservadora Irlanda continua a fazer progressos significativos na defesa dos direitos humanos. Na passada  Quinta-feira, o Parlamento de Dublin aprovou um projecto de lei que visa proibir a importação de bens, serviços e recursos naturais a partir das colónias hebraicas dos Territórios Palestinianos Ocupados.

Apesar da forte pressão dos Estados Unidos e de algumas grandes empresas internacionais, o Dáil Éireann  (a Câmara Baixa) aprovou a medida com 78 votos a favor e 45 contra (e três abstenções) depois de nos últimos meses já ter chegado a aprovação do Senado.

Para aprovar o fim dos produtos israelitas foram os deputados dos partidos da oposição de centro-esquerda (socialistas, trabalhista, social-democratas e independentes) como também representantes do Partido Liberal Democrático Fianna Fail, formação que com os seus votos apoia externamente o governo minoritário do primeiro-ministro Leo Varadkar, apoiado pelos conservadores do Fine Gael.

Se a medida conseguisse passar incólume os últimos procedimentos parlamentares e obter o visto do Presidente Michael D. Higgins, a República da Irlanda se tornaria o primeiro País europeu a adoptar uma lei em favor dos Bds (o Boycott, Divestment and Sanctions, o movimento que pressiona israel para que seja modificada a atitude em relação aos Palestinianos). A medida aprovada prevê multas de até 250 mil Euros e pena de prisão até cinco anos para quem persiste em importar ou vender “produtos, bens e serviços made em israel”, mas em grande parte fornecidos por assentamentos hebraicos espalhados na Cisjordânia, em Jerusalém Leste e nas Colinas de Golan, territórios sujeitos a “ocupação estrangeira ilegal” de acordo com o direito internacional e numerosas resoluções da ONU.

A lei também penaliza empresas estrangeiras que operam na Irlanda e que não respeitarão o boicote, bem como aquelas que continuarão a fazer negócios com cidadãos israelitas que residem nas colónias. A intenção dos promotores é lançar uma “resposta proporcional” à “flagrante violação” de israel do “direito dos palestinianos ao autogoverno”.

Em Outubro passado, a direcção da emissora pública nacional irlandesa RTE anunciou que não tomaria nenhuma acção contra os seus funcionários que poderiam não querer viajar para israel para acompanhar o Eurovision Song Contest, um evento musical a ser realizado no Tel. Aviv em Maio. O anúncio veio depois que a Campanha de Solidariedade Irlanda-Palestina (IPSC) pediu um boicote mediático e artístico da competição.

Muita animação tem gerado no País o voto da adesão da Câmara Municipal de Dublin ao Movimento ao boicote da economia de guerra de israel e o pronunciamento em favor de BDS por parte dos estudantes do Trinity College, uma das mais prestigiadas universidades do País.

Apesar do reduzido dano económico que a medida poderia infligir a Tel Aviv, a votação do Dáil Éireann deixou israel furiosa. O governo convocou imediatamente a Embaixadora irlandesa, Alison Kelly, para expressar a sua indignação. O Ministério das Relações Exteriores do Estado judaico descreveu a lei como “um ataque contra israel” e tem marcado a medida como “hipócrita”, “anti-semita” e “ultrajante”, alertando que a sua aprovação irá produzir graves repercussões sobre as relações entre os dois Países . O Ministro da Economia e Indústria de israel ameaçou represálias contra a Irlanda, por exemplo, ao impor direitos aduaneiros sobre os produtos de Dublin vendidos em israel. Enquanto isso, o Knesset cancelou a visita de uma delegação de deputados israelitas ao parlamento irlandês, marcada para o próximo Março.

O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu criticou o parlamento irlandês por penalizar os palestinianos que trabalham nas empresas israelitas visadas pelo boicote. O declínio nas exportações para a Irlanda provocado pela nova legislação, segundo ele, forçaria as empresas a operar “cortes salariais e despedimentos” em detrimento da mão de obra local.

Eurovisão

O antigo Pink Floyd, Roger Waters, o cantor Peter Gabriel, a estilista Vivienne Westwood, a banda de rock alternativo Wolf Alice e o realizador Ken Loach, entre outros, pediram à BBC que retire o apoio ao próximo Festival Eurovisão da Canção em israel. Pode ler-se na na carta:

A Eurovisão pode ser entretenimento ligeiro, mas não está isenta de considerações acerca dos direitos humanos e não podemos ignorar a violação sistemática dos direitos humanos palestinianos por parte de israel. […] A União Europeia de Radiodifusão escolheu Tel Aviv como local em vez de Jerusalém ocupada, mas isso em nada protege os palestinianos da apropriação de terras, despejos, tiroteios, espancamentos por parte das forças de segurança israelitas. […] A BBC está vinculada ao seu status de “defender a liberdade de expressão”, deve agir de acordo com os seus princípios e pressionar a Eurovisão para que seja transferida para um País onde crimes contra a liberdade não sejam cometidos

A Eurovisão tradicionalmente ocorre no País de origem da canção vencedora: no ano passado, a concorrente israelita Netta Barzilai, depois de vencer o concurso, concluiu o seu discurso exclamando: “Da próxima vez em Jerusalém!”

No entanto, em Setembro de 2018, foi anunciado que Tel Aviv e não Jerusalém tinha sido seleccionada como cidade-sede após uma inspecção da sede e dos serviços.

Em Setembro de 2018, o diário The Guardian publicou outra carta, assinada por cerca de 140 artistas, que pediam um boicote à Eurovisão para que não fosse realizada em Israel.
A carta de Setembro veio logo depois que vários artistas, incluindo Lana Del Rey, se retiraram do festival Meteor com sede em Lehavot HaBashan, israel.

Pessoalmente acho que o Eurofestival deveria ser boicotado sempre, tendo em conta o nível ínfimo das músicas apresentadas. E a canção que ganhou em 2018, da israelita Netta, é um excelente exemplo disso. Este ano há apenas mais uma razão.

 

Ipse dixit.

Fontes: Nena News, The Guardian

6 Replies to “Irlanda vota proibição de bens israelitas”

  1. Motorola, Hyundai e Vivo estão por aqui. É bom saber. Deve haver outras das listadas, mas como faz tempo que eu só compro o mais indispensável, não frequento shopping nem vejo tv aberta, devo estar desatualizada. Só sei que armamento, material de segurança, espionagem, tecnologia de informação e ataque a manifestações populares e no campo, o “governo” daqui já declarou intensões, e até mandou buscar avião com 160 militares israelenses para trabalhar em Brumadinho. Após 5 dias retornaram porque não são treinados para salvamento e resgate naquelas condições ( suas qualidades são outras…). Ao contrário, o exército brasileiro está preparado para tal, devido a ocorrências sistemáticas de acidentes naturais e crimes ambientais. Mas o governo não convocou!
    Os salvamentos possíveis, até de animais, foram realizados pelo heroísmo dos bombeiros de Minas Gerais apenas, e defesa civil local, porque outros Estados brasileiros que ofereceram seu corpo de bombeiros foram rejeitados. Ao cabo,em 5 dias, 160 israelenses com tecnologia de sonares e detectores de calor de última geração, não salvaram nem uma vaca, retiraram 15 corpos humanos, e alguns tiveram de ser socorridos pelos bombeiros porque não conseguiam se arrastar sobre 10 metros de lama mole, e afundavam, tal qual o Brazil.

    1. Seria a missão dos soldados israelitas outra que não a indicada? Devido à recusa diligente dos responsáveis brasileiros por uns mais bem preparados e a aceitação de outros aparentemente incapazes, sou levado a julgar que aqui há algo maior e que teve de ser ocultado…

  2. Penso que a Islândia já tinha feito algo parecido há uns anos. Eu vou estar mais atento a este código 729 e hp, hyunday, stanley e my heritage (as que eu conheço da lista) nunca mais.

Obrigado por participar na discussão!

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