A Doutrina Monroe e a anormalidade brasileira (parte só para alguns)

Parte II (só para alguns)

Os erros das leaderships

É bem verdade que a guerra das sanções americanas contra Cuba e a Venezuela é uma abominação do direito internacional e rouba biliões por ano a esses dois Países. É verdade que o fedorento FMI não é capaz de exprimir uma só consoante de justiça internacional (e o mesmo acontece no caso da Palestina, da Síria, do Egipto, do Yemen, etc.). É bem verdade que o berço da democracia, a Grã-Bretanha, voltou a cuspir contra  a sua história ao bloquear o ouro de Maduro numa altura tão dramática para a Venezuela.

Mas é igualmente verdade que a América Latina, pelo menos na área da leadership (mas não só, infelizmente), é uma lastima. Desde 2001/2 até ontem, a esquerda latino-americana teve na mão quase tudo para salvar o Continente e utilizar, finalmente, os seus imensos recursos e as suas moedas soberanas fora do universo do Dólar para reforçar a base social, os pobres, ou seja: 90% dos eleitores. Os EUA estavam em plena fase de retirada, tanto económica quanto militar, enquanto do outro lado do planeta explodiam as novas potências da China e da Rússia. Era a situação ideal para a América Latina recuperar, afirmar a sua plena independência. Mas o que aconteceu em vez disso? Há alguém que deseja ser minimamente honesto?

Os líderes latino-americanos adoptaram economias erradas em 100% dos casos, e com incrível tenacidade, limitaram-se a programas-esmolas para a base social mais pobre, ou seja, 90% dos cidadãos. Construíram “paróquias”, na melhor senda católica, tentando cultivar os futuros eleitores e transmitir uma ideia de “esquerda social”. Mas a América Latina não precisa de esmolas, precisa de revoluções: as bases democráticas dos vários Países devem ser reedificadas. Os líderes da esquerda não reformularam os Países a partir dos fundamentais mas puseram homens de confiança nos lugares de comando. Acontece que quando uma estrutura está podre, podemos ter a certeza de que um bom número de funcionários, mesmo que honestos e bem intencionados, ficará arrastado no meio da podridão. Não é uma questão de “política”, mas de lógica; não é “ideologia” mas “história”. Da mesma forma, acontece que quando elevamos a condição duma família pobre mas deixamos que esta possa inserir-se num tecido social podre, a família terá óptimas possibilidades de tornar-se uma “classe média podre”.

Qualquer um que não seja um partidário de má-fé (e que deveria ter acabado de ler antes, como avisado) deve ter notado que no Brasil, mas especialmente na Venezuela, o eleitorado detesta a Esquerda tal como a Direita. E a razão é deveras simples: o eleitorado detesta a corrupção e quer uma esperança para o futuro. Nomes como Maduro e Guaidò não representam nada, estão desacreditados até a morte, e só aparecem nos media por causa daquele 10% de obcecados que ainda aparecem na frente das câmaras nas ruas. O sonho socialista de Maduro? Perguntem a quem foge, quem deixa para trás casa e trabalho para procurar uma oportunidade, mesmo que isso signifique percorrer centenas de quilómetros de pé com apenas o que conseguem carregar nas costas. Ou será “propaganda dos media” também esta? O futuro democrático de Guaidó? Perguntem aos que investem tudo numa passagem aérea para recomeçar a partir do nada aqui em Portugal.

Autocrítica e refundação

Então? Então, no mundo dos sonhos, deveriam ser parados imediatamente 196 anos de ilegalidade da doutrina de Monroe. A única maneira hoje é a negociação, dado que aí a escolha realista para aquelas pessoas pobres é entre o nojento Maduro e nojento Guaidó. E como escolha não é grande coisa, admitimos.

Mas não pode haver nenhuma esperança até que a Esquerda, entendida como base social dum povo, não aceitará olhar-se para dentro e entender como conseguiu falhar em todo os cantos do mundo. Façam um exemplo, um só exemplo de País de Esquerda de sucesso: não há. E algo significara, não é? Isso é trágico porque a Esquerda, em vez de ser uma máfia e um conjunto de traidores das lutas centenárias, deveria ser uma (mas não única) esperança contra o modelo capitalista. Na América Latina podem continuar a gritar Yankee Go Home! mas, até quando a Esquerda não escolher um novo caminho, as maiorias continuarão a bater a cabeça contra a parede. Ou os Sinistros imitam o imenso acto de autocrítica de João XXIII e também retomam um verdadeiro caminho em favor dos pobres, ou não irão para lugar nenhum.

Depois haveria outra alternativa, a melhor de todas: abandonar duma vez por todas os Flautistas de Hamelin e atirar para o lixo tanto as doutrinas de Direita quanto aquelas de Esquerda. Isso acontecerá, porque a História assim ensina. Mas agora é cedo demais, admito.

Algumas considerações acerca da anormalidade brasileira

Comenta Sérgio:

É impossível para vc e qualquer outra pessoa estrangeira saber das particularidades de uma nação com população e territórios imensos e com tanta diversidade cultural e étnica. […] Nossa intenção é mostrar o que vc não tem como captar por aÍ, pois não vive o nosso dia a dia.

Obrigado Sérgio pelo comentário, óptima base para umas reflexões.

Eu não sou um conhecedor da realidade brasileira, como é óbvio. Da mesma forma que ainda estou a tentar “entrar” no cerebrinho dos portugueses (operação que exige uma boa dose de paciência). Só quem vive num País e só depois de muitos anos pode afirmar conhecer bem a realidade na qual é imerso. Tudo isso parece-me óbvio.

O Brasil é grande? Até num País pequeno como Portugal há particularidades que só os moradores locais podem conhecer. Exemplo muito banal: na zona de Mirandela os habitantes falam um dialecto que é só deles e que não é conhecido fora daquela área. Outro exemplo: o Norte do País opta sempre para votar na Direita, enquanto o Centro-Sul é tendencialmente de Esquerda. Há “particularidades” (triviais ou mais sérias) em Portugal como em qualquer País do mundo. Até nos mais pequenos: o tamanho neste caso não conta. Até num País pequeno como a Bélgica (mais ou menos a terceira parte do território português) consegue estar divididos entre Valões e Flamengos, cada um com as suas histórias, costumes e forma de pensar.

Como disse respondendo ao Sylvio, se as coisas estivessem desta forma seria impossível falar de qualquer coisa que exulasse do nosso bairro: fora do bairro é diferente, eu não sou de lá, pelo que posso não posso opinar. Como afirmei na resposta: alguém conhece a China, fala mandarim, viveu aí? Não? Então como é possível sequer exprimir uma ideia acerca daquela realidade que desconhecemos por completo? Mesmo discurso pode ser feito acerca de qualquer outro País no mundo. Não deveriam existir páginas internet que fala de assuntos internacionais, os media deveriam publicar artigos escritos apenas por pessoas que conhecem e vivem há anos no meio acerca do qual escrevem. Um exagero? Não: acham que só o Brasil tem diversidades étnicas, religiosas, linguísticas, históricas, políticas?

Então como é que há pessoas que escrevem, opinam, julgam ou simplesmente falam acerca de realidades distantes, que aparentemente não conhecem? Porque existem instrumentos para isso. Alguns destes instrumentos até têm nomes (citamos a Sociologia, a Geopolítica, a Política, mas há outras Ciências neste âmbito) e tratam o comportamento não dos indivíduos como unidades mas como massas, tratam dos chamados “sistemas”. E, no geral, o comportamento das massas (no interior dum sistema) não é uma incógnita porque as massas são formadas por animais (nós) com hábitos, que reagem aos estímulos segundo determinados padrões.

Camadas

Simplificando, a explicação pode ser entendida raciocinando por camadas: há a camada de base, formada pelos indivíduos, cada um com as suas ideias, a sua história pessoal, etc. Depois há a camada superior, a segunda, formada pelo conjunto de indivíduos: também esta camada tem a sua história (a história da comunidade) e as suas orientações. Por fim há a camada mais superior, a terceira, aquela institucional, também ela com a sua história (que pode ou não ser a mesma da comunidade) e prerrogativas. Vamos esquecer a primeira camada, a individual: na segunda e na terceira (cada uma das quais, lembramos, têm as suas particularidades) podem ser aplicadas as leis que regulam a vida dos grupos, das “massas” (e este é principal âmbito da Sociologia). E dado que tais camadas são formadas por indivíduos (animais), têm atitudes bem descodificadas, previsíveis. Não importa qual o vosso idioma, a vossa religião, a vossa ideia política, a vossa experiência: há atitudes de base comuns a todos os seres humanos, bem reflectidas no comportamento dos grupos. Se o indivíduo for imprevisível (mas muitas vezes não é), o comportamento do grupo é menos previsível porque as dinâmicas internas são claras (como bem sabia Goebbles).

Vários jornalistas estrangeiros, por exemplo, tinham previsto a vitória de Bolsonaro não porque conhecedores das particularidades brasileiras, mas porque tinham-se limitado a aplicar (de forma consciente ou não) os princípios da sociologia, da política, etc. às massas brasileiras. Outro exemplo, desta vez na Europa: todos aqui no Velho Continente sabemos que nas próximas eleições europeias (em Maio) haverá a vitória dos partidos anti-europeistas. Não é preciso ser sociólogo, nem é preciso consultar as sondagens: é só observar os acontecimentos e raciocinar. Se o Brasil tem “particularidades”, a Europa é o paraíso das diversidades (contrariamente ao Brasil, nem temos um idioma ou uma religião em comum); mas fazer a tal previsão é simples porque a massa europeia ficou condicionada por determinadas escolhas e acontecimentos no recente passado e actuará segundo um determinado padrão, premiando os movimentos anti-Europa.

É o mesmo mecanismo que fez prever a alguns a eleição de Trump, que aconteceu apesar da forte pressão dos media, todos em sentido único contrário ao futuro Presidente americano. É esta leitura das camadas que é feita pelos observadores, sejam eles jornalistas, politólogos, especialistas ou simples opinionistas. É este o trabalho de Informação Incorrecta, desde o seu primeiro dia (não tinham reparado?).

Não conheço as “particularidades” brasileiras? Não conheço e nem estou interessado nelas (por enquanto: no futuro acho que a coisa vai mudar…): não foram as “particularidades” que construíram a história do Vosso País mas os movimentos das várias camadas (aquela estadual, oligárquica, ao longo de décadas). E não esqueçam que o Brasil não é o primeiro País que apareceu no planeta: houve centenas deles antes, todos com as suas “particularidades”, dominadoras, subjugadas, escravagistas, escravos, ricos, pobres, etc. A História é como o rock: já ninguém consegue inventar algo novo.

Acham que o que se está a passar na Venezuela é “novo”? Acabamos de ver que novo não é, é algo velho, filho directo da Doutrina Monroe. Acham que a Venezuela não tem as suas “particularidades”? Com certeza que tem, as “particularidades” não são uma especialidades unicamente brasileira. Mesmo assim não é difícil prever a queda de Maduro e do pseudo-socialismo deles. Fica só a dúvida acerca do “quando” não do “se”.

Os brasileiros anormais?

Percebo que ser definido com “parte duma massa” não seja agradável para o nosso ego. Percebo que a tendência seja aquela de ver o nosso País como algo “especial”. Percebo também que seja grande a tentação de encontrar a explicação duma derrota política em algo “particular”, típico do nosso País (por exemplo: a específica influência dos media no eleitorado brasileiro). Pessoalmente me encontro numa situação privilegiada: ao entender vários idiomas, posso constatar como este “tique” da “particularidade” local seja presente em Italia, em Portugal (aliás, aqui têm até uma expressão: “Só em Portugal”), no Brasil, na Espanha e em outros Países ainda. Todos estamos genuinamente convencidos das nossas “particularidades”: a nossa comida é a melhor do mundo, as nossas praias as mais bonita, os nossos políticos os mais corruptos, a nossa história única, etc..

Pormenor curioso: o mais acérrimos defensores da “particularidade brasileira” costumam ser os esquerdos, ou seja aqueles que acreditam piamente numa ideologia que faz da leitura crítica histórica como algo “universal” e da previsibilidade das acções humanas o seu dogma.

Só que de vez um quando é preciso pactuar com a realidade e admitir que somos o que somos: animais com hábitos, com reacções pré-estabelecidas perante determinados estímulos. E isso permite a “leitura” mesmo que as distâncias sejam grandes: a corrupção é corrupção, os erros são erros independentemente da latitude.

Se o vosso blogueiro (aqui em Informação Incorrecta ou em qualquer outra página web) tentar explicar a melhor forma de tocar música sertaneja não sendo ele mesmo sertanejo, os Leitores brasileiros têm todo o direito de manda-lo calar. Mas se se limita a aplicar as receitas que funcionam em todo o mundo, Brasil incluído, e desde sempre, então façam o favor de argumentar com ele 8porque está longe de ser perfeito) com factos e não apenas com álibis de cómodo, porque “chamar-se fora” da espécie humana é um joguinho inútil, irritante e com as pernas curtas. Digo isso também em prol de vocês brasileiros: tentar passar sempre por “anormais” não é muito engraçado, não acham?

Convite

Aliás, fica já o convite para aqueles Leitores brasileiros particularmente voluntariosos que entendam listar aquelas particularidades específicas do Brasil, que não é possível encontrar em outro lugar no planeta e que tornam o Vosso País único e incompreensível para os outros seres humanos. Acho que seria uma excelente oportunidade de reflexão para todos e de aprendizagem para o blogueiro. Obrigado desde já.

 

Ipse dixit.

15 Replies to “A Doutrina Monroe e a anormalidade brasileira (parte só para alguns)”

  1. Lí a parte 1 . Como sou um fanático apoiador do Lula , que o considera o maior estadista brasileiro, depois de Getulio Vargas, como disse o Max, não tenho capacidade de entender a parte 2. Fico por aqui.
    E “Viva Lula, Viva Maduro, Morte aos Yankees!”

    PS: Se alguém puder fazer um desenho pra eu poder entender a parte2 , agradeço.

    Abraço.

    1. Olá Sérgio!

      Lamento que levou a mal. Em qualquer caso um bom desenho está aqui, nas página do GGN (que de Centro o de Direita de certeza não pode ser definido): https://jornalggn.com.br/noticia/erros-de-dilma-lula-e-pt-ameacam-projeto-politico-por-kennedy-alencar.

      O autor é Kennedy Alencar, que Vc. provavelmente conhece. É jornalista, trabalhou em vários diários dos quais em 1995 saiu para trabalhar na campanha presidencial de Lula em Abril daquele ano. Actuou como assessor de imprensa de Lula até Julho de 1995.

      E mais não acrescento, caso contrário todos os comentários seguintes iriam falar de Lula e nada mais.

      1. Que é isso, Max. Sabes que sou teu fã ( mas, não te amo, não. Quero deixar bem claro para não criar ciumeira com aquele outro leitor do II ).

        Senti o seu sarcasmo , mas como também gosto, aproveitei que a “bola estava quicando ” e dei meu chute.

        É óbvio que eu li a parte 2.

        Quando digo que concordo que somos um país diferente, isto não quer dizer que sejamos melhores do que os outros.
        Gostas do carnaval ? A escola de samba Salgueiro do RJ, tem o lema: “Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente”. Me diz: qual o país cuja ministra vê Jesus numa goiabeira ? Só aqui.

        Conheço o GGN do Nassif, sim. Mais vermelhinho, impossível. Nunca disse que o Lula era um santo, infalível ou uma sumidade intelectual. Seu grande trunfo: não caçou bruxas. Seu grande erro: a Dilma. Tudo estava pronto para o José Dirceu ser o sucessor do Lula. A revelação do esquema do mensalão acabou com essa possibilidade. Mensalão é um esquema onde desde a época militar, se compra o apoio dos parlamentares que estão lá para se venderem. Numa tentativa desesperada em reconquistar o poder , a oposição ( juntamente com aliados ) capitaneados pelo de(putado) Roberto Jeferson ( Membro da tropa de choque do ex-presidente cassado, Collor ) resolveram jogar pra fora toda a sujeira escondida debaixo do tapete, sabendo que nada aconteceria com eles, pois tinha imunidade parlamentar. Então, de corrupto e traidor, Roberto Jeferson, virou heroi e adeus candidatura do Dirceu.

        Também não concordo quando dizes que o Lula governou dando esmolas ( ou algo parecido)
        Se te referes ao bolsa família, informo que:

        – Proporcionou que as crianças continuassem matriculadas na rede de ensino, reduzindo a evasão escolar.
        – Nas cidades assoladas pela seca ( principalmente no nordeste ) gerou um incremento de recursos financeiros, gerando pequenos negócios tais como: barbearias, pequenos armazens, farmácia e até pet shops. Coisa inimagináveis antes do programa.
        – Houve uma coisa que jamais aconteceu, a migração negativa norte-sul, Ou seja , muitos nordestinos voltaram para suas cidades, porque começou a haver prosperidade nessas regiões.
        – O numero de divórcios aumentou nas familias atendidas pelo programa. Porque mais de 97% dos beneficios são pagos para as mulheres ( com a prerrogativa de manter seus filhos na escola ), com isso elas ficaram independentes dos homens. Isso pode ser um dado negativo, mas em contrapartida, a violência doméstica diminuiu
        – O custo de um presidiário/mês no sistema prisional brasileiro varia de R$ 1500 até R$ 4000. O máximo valor que uma familia pode receber é menor que R$ 400. Quantas prisões são evitadas quando um habitante do nordeste deixa de migrar para o eixo Rio-São Paulo para se aventurar nas cidade grandes ? Nunca roubei nada de ninguém, mas não sei o que faria se visse meu filho chorando de fome.

        Por isso, caro blogueiro, bolsa familia não é esmola, é investimento no social e em gerações futuras.

        Esse detalhes podem passar desapercebido por um observador externo. Por isso, minhas colocações, sem querer tirar o seu mérito pelo grande trabalho que fazes com o II.

        Abraço.

        1. Sim mas factos caro Sérgio vindos de fora de quem está dentro:

          http://www.worldbank.org/en/news/opinion/2013/11/04/bolsa-familia-Brazil-quiet-revolution

          https://www.nytimes.com/2015/09/19/world/americas/brazil-to-keep-allowances-for-the-poor.html

          https://www.foreignaffairs.com/articles/brazil/2015-12-14/brazils-antipoverty-breakthrough

          https://m.wfp.org/stories/brazil-shows-world-how-beat-hunger-says-wfp-head

          https://www.forbes.com/sites/arthurmachado/2015/04/01/social-programs-in-brazil/

          A ultima com direito a visão de (s)chi(t)cago e rslesposta com factos e com análise critica, conclusão: não acertam uma.

          Já agora procurar mais, mais se encontra: un, unesco, ue etc…

          Em pdf, word, ppt o google ou ddgo são bons amigos.

          N

  2. Max! Curti muito o seu argumento. Confesso que por inércia sempre mandei esse cacoete “só no Brasil” ou “se fosse em outro país não teria acontecido isso. Auto crítica eh um exercício a ser fazer todos os dias. Obrigado por relembrar isto.

    Em termos políticos bidimensionais, acho que estou mais para esquerda que direita, mas penso parecido contigo: em analogia, a política nao pode ser medida em 2d, mas sim em 3d (considerando os mais diversos fatores e combinações de posicionamento político) ou mesmo em 4d (3d + o tempo, que ao passar pode influenciar na mudança de conceitos).

    O problema eh pensar que “se sou pro Bolsonaro sou anti Lula” ou “se sou pró Lula sou anti Bolsonaro”; eh possível ser pró ambos, anti ambos, ou ainda pegar a parte boa de cada coisa, mais estar aberto para avaliar qualquer outra coisa, e formar novos pensamentos, sem restricao prévia – este eh o jeito que ao menos eu acredito.

    Que um dia o homem seja capaz de poder curtir a discordância, em prol da construção de novas idéias, ao invés de sempre valorizar aquele que concorda contigo.

    Tamo junto!!

  3. Oi Max mesmi muito bom, mas aqui erraste e bem:

    “Pormenor curioso: o mais acérrimos defensores da “particularidade brasileira” costumam ser os esquerdos, ou seja aqueles que acreditam piamente numa ideologia que faz da leitura crítica histórica como algo “universal” e da previsibilidade das acções humanas o seu dogma”

    São ambos, aqui podes ter mais contacto com uma parte, mas no geral é o mesmo, pelo que me apercebo. Tudo o que seja contra o pensamento dominante num determinado espaço/tempo.

    A palavra é bolha- o nosso universo e coisas de fora

    Especiais? Vivem na bolha deles assim como outros vivem nas deles e a minha bolha é melhor que a tua, não é?

    Na europa mesmo com as diferenças todas e línguas diferentes dado o tamanho dos territórios ser menor existe mais tendência para sair da área de segurança e ir visitar e conhecer os vizinhos.
    Mas repara existem inúmeros fatores por exemplo aqui, país pequeno com alguma preparação vais para Espanha ou França ou Itália e da para desenrascar relativamente bem e se chegares á parte germânica é inglês com alemão muito limitado, na parte eslava (só conheço de passagem, varias vezes) é o que calha inglês, francês lingua gestual e varia muito, na Polónia é o cabo dos trabalhos já na R. (T)checa ou Eslovénia é fácil.
    Um fator muito importante é o domínio ou percepção de idiomas aqui como na Holanda ou nórdicos é a tv(ser legendada) e até meios de informação, ao ter um mínimo de background já da para ler/compreeber línguas latinas( até o romeno básico é parecido), inglês e outras como o alemão e famosas declinacoes(se falarem devagarinho). Como aqui é um meio relativamente pequeno(poucos habitantes= mercado pequeno alem de costumes culturais muito próprios), mas uma língua relativamente importante a nivel global não encontras informação, livros etc em português quando muito do brasil(traduções do excelente a nem digo, por decoro)…ai a necessidade de adquirir aptidões, desenvolvimento e compreensão mínimos e necessidade de conhecer mais e mais, dentro das limitações de cada, mas falo por mim. Mas existem muitos outros assim, e não esqucer que entendemos o Castelhano(já eles ao contrario tem dificuldade) alem de grande parte das gerações mais novas ter um domínio decente ou bom de inglês(nisso até estamos melhor que grande parte do sul do continente)
    Repara até a doblagem/dobragens na tv Itália, Espanha, Franca, Alemanha e dado o tamanho ou população maior formam bolhas e não sentem tanta necessidade de sair da bolha e tudo(salvo as devidas compações, UE bem ou mal, turistas, vizinho europeu etc) gira a sua volta, ou assim pensam.

    Abraço

    Nuno

  4. Olá Max: tua argumentação sobre as peculiaridades dos povos e suas diferenças parece consistente, e reconheço que eu tendo a nos qualificar como diversos e com idiossincrasias específicas da brasilidade, quando provavelmente o meu desconhecimento dos outros me leve a tomar tal atitude.
    Li os duas partes do teu trabalho, o que revela o quanto perspectiva histórica é importante para a análise, mas valorizo muito também a minha experiência vivida. E baseada nela te afirmo: tudo que propões para a América submetida é a utopia que gente como eu, e provavelmente o vizinho Sergio sonhamos. Mas não é uma utopia concreta, ou seja, passível de realização, e hoje mais do que nunca.
    Tentarei me explicar: creio que ninguém duvida que o capitalismo mundial está em crise aguda e que seus beneficiários são de uma espécie que poderíamos chamar de predadores extremistas.
    À medida que esse sistema apodrece por dentro, seus artífices desenvolvem mecanismos de sobrevivência a custa de suas presas. Tendo perdido espaço no Oriente Médio, voltam-se para extorquir ao máximo aqueles espaços de menor resistência. Não creio que a América Latina tenha perdido tantas oportunidades de safar-se da Doutrina Monroe. Tentamos…e como tentamos, embora tenhamos cometido muitos erros. Enganos desenvolvimentistas nos submeteu ao imperialismo industrial global nos anos 50. Reformas tímidas foram esmagadas com tragédia nas décadas de 60 e 70. Uma democratização espúria aceitamos resignadamente na década de 80, seguida de um desmonte neo liberal na década de 90. O arremedo possível nos permitiu comer 3 refeições por dia. Mas os predadores ora em crise precisam de muito mais ainda. Então a comida se foi. O maior erro que cometemos foi sempre permitir o consumo de uma história mentirosa, e uma democracia viciada. Somos perdedores, muito mais nesta hora de ocaso dos sistemas de manutenção do status quo porque eles estão mais selvagens do que nunca.

    Olá Sergio: te convido a ler a segunda parte do trabalho do Max. Creio que concordarás comigo. É um bom artigo, e talvez reflita mais do que conseguimos externar a nossa revolta, e as nossas esperanças sufocadas. E fica tranquilo que a análise do Max não depõe absolutamente nada sobre o acerto das razões pelas quais somos “fanáticos” do Lula.

  5. «…O sonho socialista de Maduro? Perguntem a quem foge, quem deixa para trás casa e trabalho para procurar uma oportunidade…»

    Escreva sobre o esforço efectuado pelo governo da República Bolivariana da Venezuela (RBV) para garantir o regresso de todos aqueles que saíram do país, devido à grave crise financeira gerada pelas sanções e respectiva guerra económica despoletada pelo regime da Inglaterra e os seus aliados, através do suporte financeiro e militar dos Estados Unidos América (EUA); o governo venezuelano face a esta questão tratou de providenciar e com relativo sucesso o regresso dos seus cidadãos (que não eram poucos) à sua pátria, que constataram não ser assim tão paradisíaca a vida nos países neoliberais.

    «…O futuro democrático de Guaidó? Perguntem aos que investem tudo numa passagem aérea para recomeçar a partir do nada aqui em Portugal…»

    Os retornados da Venezuela vêm de bolsos cheios, com o dinheiro que sacaram dos cidadãos Venezuelanos, não me venha com histórias de fazer cair a lágrima ao canto do olho à boa maneira de Hollywood; investigue-se o percurso dessa gente desde a origem até ao presente e encontrar-se-á muito que se lhe diga, porém isto não quer dizer que efectivamente não exista gente que tenha saído de lá praticamente sem nada (não podemos generalizar), a situação é deveras complicada, mas é importante realçar que esta conjunctura, não o é por causa das políticas do governo venezuelano eleito democraticamente, mas sim por factores externos de países europeus que insistem em dominar e saquear este país.

    Esta pequena parte por si redigida no artigo, faz lembrar os retornados das antigas colónias portuguesas, a sua maioria foram para lá cumprir pena por crimes cometidos em Portugal, outros eram colaboradores da polícia política e da ditadura do Estado Novo; quem não se lembra desses retornados que após a independência das antigas colónias, mal sabiam ler e escrever e muitos nem sequer possuíam habilitações literárias de relevo, ao chegar a Portugal diziam aos funcionários que eram licenciados, doutores, etc, e quando lhes pediam para apresentar provas do que diziam alegavam: «…perdi tudo…», «…cheguei aqui sem nada…», «…os documentos foram queimados…», e de um momento para outro tornaram-se doutores e engenheiros.

    Para desanuviar, fiquem com o Goucha:

    1. Olá JF
      O Goucha! Esse por audiências faz/convida tudo, um energumeno skinhead que foi para a cadeia por boas acções(historial bem documentado pela PJ, agressões, ameaças e claro fazer propaganda gratuita para o seu partido), a seguir já era o Frota (politica? Filmes porno com travecos?) Uma advogada justiceira com tiques fascistas. E o que vier, talvez qualquer dia o circo e entrevistas com palhaços, ursos, leões, mimos(essa pago) etc

      O Maduro pode ter os defeitos que tem, mas…
      Quem são os palhaços americanos para dizer quem é que manda no país?
      Europa decepcionante um ultimato de 8 dias para convocar eleições? Pior Reino Unido(bye bye ficam sem a Escócia) França, Alemanha e outros lacaios.
      Mas pior muito pior a Espanha?
      É essa a pseudo esquerda do PSOE, como o PP a arrogância de Madrid já se tinha visto quando o Rei de copas( dos pneus, frangos farturas) disse um porque não te calas ao Chavez, ou como a policia batia(filmado) nos mosos de esquadra, policia autónoma da Catalunha em Barcelona.
      Agora a ex-metropole diz a ex-colónia o que e quando fazer, dita prazos. Nunca vi diplomacia mais desastrada.
      Com tiques a dar para os bons velhos tempos do Franco.
      Mais a falta de diplomacia de Espanha é como a Inglaterra dar um ultimato á Índia ou Paquistão p. ex.
      Pior se a América Latina se livrou do jugo da metrópole foi a partir de Simon Bolivar, na actual Venezuela.
      Até o factor simbologia/histórico devia ser levado em consideração.
      Portugal sugeriu eleições(quando possível) para estabilidade do próprio país e porque sabe que estão lá quase meio milhão de portugueses e luso descendentes mais ainda, nada de prazos.
      Olha dou-te 8 dias para convocar eleições UE e os do norte reconhecemos fulano x como el presidente ou como dizia o Herman: “eu sou o presidente da junta”.
      No meio disto tudo e não é para ser do contra os únicos que se aproveitaram foram a Rússia e China.
      A america está em decadência(moral e intelectual e tenta espalhar o guião) e a europa mesmo assim melhor não deixam de ser os cachorrinhos amestrados a abanar a cauda cada vez que qualquer idiota de serviço na casa suja/branca/horrores/idiotas (linhagens lá deles) arrota alguma leviandade.
      Mas as alterações climáticas na cabeça de Trump e companhia de serviço está afecfetar os seus já reduzidos cérebros, é o frio.
      Mais um Iraque, uma Líbia, um Afeganistão ou uma Síria, pode é sair lhes um Vietname às portas de casa e não só, até vários.

      Nuno

      1. «…Portugal sugeriu eleições(quando possível) para estabilidade do próprio país e porque sabe que estão lá quase meio milhão de portugueses e luso descendentes mais ainda, nada de prazos…»

        O curioso é que a comunidade portuguesa na Venezuela, é uma das maiores apoiantes do governo presidido pelo Presidente Nicolás Maduro.

  6. OI pessoal: uma ideia bem simples assim: por acaso os migrantes da Síria saíram por causa do governo Assad? Por acaso os africanos saem em bando por causa dos erros internos ou pela ingerência externa? Quando os venezuelanos saíram? Quando a ingerência imperialista torna a vida impossível, muitos debandam em desespero. Me corrijam se estiver errada mas não me lembro de um plano governamental exitoso de retorno ao país, senão o da Venezuela atual.
    Aqui onde estou apareceu um venezuelano migrante que acreditou que patrões brasileiros iam trat´-lo com respeito. depois de uns meses voltou apavorado ao seu país e nem deixou a família sair de lá como pretendia inicialmente

    1. Nem mais.

      Resenha de pasquins:
      https://24.sapo.pt/amp/atualidade/artigos/venezuela-parlamento-europeu-reconhece-guaido-como-presidente-interino-legitimo

      Pérola:

      “Em 10 de janeiro, “Nicolás Maduro usurpou, de forma ilegítima, o poder presidencial”, diz a resolução, recordando que as eleições de 20 de maio passado foram conduzidas sem observar as normas internacionais mínimas subjacentes a um processo credível, não respeitando o pluralismo político, a democracia, a transparência e o primado do Direito.

      A resolução lembra que a UE não reconheceu essas eleições nem as autoridades instituídas por este “processo ilegítimo”.”

      Pergunta simples:

      Mas se as eleições foram viciadas?, estas já foram a 20 de Maio de 2018 e nada de nada um não assunto, e só agora se manifestam com o aperto (ilegal perante tudo o que é tratados de direiro internacional (bolas até nas Nações Unidas foi chumbado) /apoio dos do norte que elegem presidentes e depõe a gosto é uma alegria, não é demasiada coincidência.
      E pior tiveram até princípios de janeiro para abrir a boca, mas nada de nada e eis que depois de “usurpar” falam assim como marionetas.
      Vá tomem uns biscotinhos e portem-se bem euro lacaios.
      São maus possuem arm….petróleo de destruição maciça
      E nisso concordo contigo Max nas eleições europeias irão acontecer surpresas. Mas nada de inteligente ou construtivo o oposto

      Nuno

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