Poluição Parte I: COP24 e Great Smoke

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Como acontece todos os anos, os poderosos da Terra reúnem-se para continuar as negociações climáticas e deter o Aquecimento Global abaixo de 1.5 ° C. Tapetes vermelhos, novos crachás, cordões policiais em ocasião da vigésima quarta edição num dos piores locais que seria possível escolher: Katowice, na Silésia (Polónia), uma das últimas regiões da Europa onde é possível encontrar minas de carvão.

A situação climática é grave: 2018 foi um dos anos mais quentes de sempre (isso é: o enésimo “ano mais quente de sempre”) e a concentração média de CO2 excedeu 410 partes por milhão, o valor mais alto dos últimos 800.000 anos. Portanto: situação grave mas não séria.

Em Katowice, os Estados terão que trabalhar para definir as regras para a implementação do Acordo de Paris, assinado em 2015 e que entrará em vigor em 2020, e enfrentar assim a mudança climática global. E, como sempre, haverá resistências para poder “poluir um pouco mais”. Nenhum controle sobre o desflorestação para o Brasil, a possibilidade de esperar ainda um pouco para fechar as usinas termoelétricas a carvão da Alemanha, esperar um pouco mais também para reduzir as emissões da Índia… Não há crise: esta é normal diplomacia, depois tudo se ajusta. Sobretudo porque aqui são assinados os acordos, depois os vários parlamentos nacionais fazem as leis e a verdadeira batalha começa só a seguir, com a aprovação dos decretos de actuação. Até lá boas palavras e apertos de mão. Grave mas não séria.

No centro das negociações a divisão surgida em 1992, no encontro de Rio de Janeiro: os Países em desenvolvimento querem certezas sobre os recursos económicos, com um sistema de relatórios e controles, e pedem para não ter medidas quantificáveis para mitigar as emissões. Falamos aqui de Indonésia, Arábia Saudita, Brasil, Rússia e Índia em particular, mas também de Países menores como Colômbia e Tailândia. Traduzindo: sim, o meio-ambiente é querido, a Terra é fofinha, mas o que conta é o dinheiro. Muito grave mas cada vez menos séria.

Até hoje os melhores resultados forma atingidos por privados. Enquanto alguns Países até pioraram as suas emissões, grandes cidades, comunidades indígenas, até mesmo coligações de corporações assumem grandes compromissos para descarbonizar as emissões. E nos últimos dias, estudantes australianos do ensino médio saíram às ruas para protestar contra o governo de Scott Morrison, que recusa adoptar políticas para a descarbonização.

O que é a poluição

Eis a questão: o problema é o CO2?

O dióxido de carbono é apenas uma das emissões poluentes e nem a pior. Passear numa rua do centro significa engolir uma impressionante lista de substâncias perigosas. Eis o que conta a sábia Wikipédia, versão portuguesa:

Óxidos de enxofre (SOx)
Os óxidos de enxofre, em especial o dióxido de enxofre (SO2), são maioritariamente emitidos por vulcões, e produzidos em grande escala por processos industriais e pelo tráfego de veículos a motor. O enxofre é um composto abundante no carvão e petróleo, sendo que a combustão destes emite quantidades consideráveis de SO2. A contribuição dos veículos motorizados é variável, sendo responsáveis por valores na ordem dos 80% da emissão de NOx em Auckland, na Nova Zelândia, e cerca de 50% no Canadá e na União Europeia.

Na atmosfera, o SO2 dissolve-se no vapor de água, formando um ácido que interage com outros gases e partículas ai presentes, originando sulfatos e outros poluentes secundários nocivos. Uma maior oxidação de SO2, normalmente na presença de um catalisador, como NO2, forma H2SO4 e, assim, a chuva ácida. Esta é uma das causas de preocupação sobre o impacto ambiental da utilização destes combustíveis como fontes de energia.

Óxidos de azoto (NOx)
Os óxidos de azoto, em especial o dióxido de azoto (NO2) são emitidos a partir de combustão a altas temperaturas, e do sector rodoviário. A maior parte do dióxido de azoto na atmosfera é formada a partir da oxidação do óxido nítrico (NO). É um forte oxidante que reage no ar para formar o corrosivo ácido nítrico, bem como a nitratos orgânicos tóxicos. Também desempenha um papel importante na atmosfera com reacções que produzem ozono ao nível do solo ou smog. Uma vez que o dióxido de azoto é um poluente relacionados com o tráfego, as emissões são geralmente mais elevadas nas zonas urbanas. A média anual das concentrações de dióxido de azoto em áreas urbanas está geralmente no intervalo 10-45 ppb, e menor nas zonas rurais. Os níveis variam consideravelmente ao longo do dia, com picos ocorrendo geralmente duas vezes por dia como uma consequência da hora de ponta do Tráfego. As concentrações podem ser tão elevados como 200 ppb.

Monóxido de carbono (CO)
O monóxido de carbono é um produto por combustão incompleta de combustíveis como o gás natural, carvão ou madeira. Na presença de um suprimento adequado de O2 mais monóxido de carbono produzido durante a combustão é imediatamente oxidado a dióxido de carbono (CO2). Os maiores níveis de CO geralmente ocorrem em áreas com tráfego intenso congestionado. Nas cidades, 85 a 95 por cento de todas as emissões de CO geralmente são provenientes do escape dos veículos a motor. Outras fontes de emissões de CO incluem processos industriais, queima residencial de madeira para aquecimento, ou fontes naturais, como incêndios florestais. Os fogões a gás e os fumos de cigarro são as principais fontes de emissões de CO em espaços interiores.

Compostos orgânicos voláteis (COV)
Os compostos orgânicos voláteis (COV) são produtos químicos orgânicos que facilmente evaporam à temperatura ambiente, como o metano, benzeno, xileno, propano e butano. São chamados orgânicos porque contêm o elemento carbono nas suas estruturas moleculares, e são de especial preocupação, pois na presença do sol, sofrem reacções fotoquímicas que podem originar ozono ou smog.

Partículas finas ou inaláveis
As partículas finas, ou inaláveis, são uma mistura complexa de substâncias orgânicas e inorgânicas, presentes na atmosfera, líquidos ou sólidos, como poeira, fumaça, fuligem, pólen e partículas do solo. O tamanho das partículas está directamente ligado ao seu potencial para causar problemas de saúde, sendo classificadas de acordo com o seu tamanho: PM10 – partículas com diâmetro equivalente inferior a 10μm, e PM 2,5, para partículas com diâmetro equivalente inferior a 2,5μm. As fontes primárias mais importantes destas substâncias são o transporte rodoviário (25%), processos de não-combustão (24%), instalações de combustão industriais e processos (17%), combustão comercial e residencial (16%) e o poder público de geração (15%). As partículas com menos de 10 micrómetros (μm) de diâmetro podem penetrar profundamente no pulmão e causar sérios danos à saúde.

Poluentes tóxicos
Os poluentes atmosféricos tóxicos, são os poluentes que são conhecidos ou suspeitos de serem uma séria ameaça para a saúde humana e o ambiente. Na lista de poluentes tóxicos, constam dioxinas, amianto, tolueno e metais como cádmio, mercúrio, cromo e compostos de chumbo. A exposição a poluentes tóxicos podem produzir vários efeitos a curto prazo e, ou efeitos crónicos, a longo prazo. Os efeitos agudos incluem irritação dos olhos, náuseas, ou dificuldade em respirar, enquanto os efeitos crónicos incluem danos aos sistemas respiratório e nervoso, defeitos de nascimento, efeitos reprodutivos e cancro. O tipo e a gravidade do efeito é determinado pela toxicidade do poluente, a quantidade de poluentes, a duração e a frequência de exposição, e da saúde geral e nível de resistência ou susceptibilidade da pessoa exposta.

Partículas finas formadas a partir de gases poluentes primários e compostos do nevoeiro fotoquímico. Uma parte é formada por reações químicas entre compostos da atmosfera, formando aerossóis, ou então resultam do choque entre vários compostos atmosféricos, formando partículas de maiores dimensões.

Ozono troposférico (O3) formado por reações químicas entre o NOx e COV’s. O ozono provoca vários problemas de saúde, nomeadamente dores torácicas, tosse e irritação da garganta, causando ainda vários danos nas plantas e restantes seres vivos. As reações químicas envolvidas na formação de ozono troposférico são uma série de ciclos complexos em que o monóxido de carbono e compostos orgânicos voláteis são oxidados ao vapor de água e dióxido de carbono, através de reações químicas e fotoquímicas

O que faz a poluição

Os efeitos? Problemas no tracto respiratório, dores de garganta, dores de cabeça, fadiga, tosse, falta de ar, enfisema e alergias, problemas cardiovasculares, problemas nervosos, lesões no esófago, na traqueia, no trato gastro-intestinal, vómitos, pneumonias, bronquites, lesões pulmonares e, no caso das crianças, redução das capacidades de aprendizagem.

Portanto o problema não é dióxido de carbono, que segundo alguns estudos até favorece o crescimento das plantas. O problema é tudo o resto. E o resto mata. Não é uma das inúmeras previsões falhadas do partido anti-carbono: é História.

The Great Smoke

No dia 5 de Dezembro de 1952, o fumo envolveu as ruas de Londres. Ninguém ficou surpreso, a cidade estava acostumada à capa acinzentada de poluição e neblina que obscurecia o céu. Para os londrinos, os efeitos colaterais do uso maciço do carvão eram o preço a pagar em troca de empregos relacionados à indústria e ao conforto das suas casas.

Mas naquele dia, em 1952, esse preço aumentou. O que aconteceu resultou num dos mais sérios desastres ambientais no Reino Unido, lembrado com o nome de Great Smoke (o “Grande Fumo”, em português o Grande Nevoeiro de 1952), um evento que deu impulso à moderna embora amplamente insuficiente consciência ambiental.

No dia 6 de Dezembro o céu ficou amarelo, o ar fétido e irrespirável, a visibilidade nas ruas foi reduzida a poucos metros. Nenhum veículo podia circular, apenas o metropolitano permaneceu activo. As autoridades fecharam escolas, teatros, cinemas e o aeroporto. Nos dias que se seguiram, a situação permaneceu quase inalterada.

No dia 10 de Dezembro, o Great Smoke cessou, deixando para trás algo catastrófico: 150.000 pessoas tinham sido hospitalizadas, 12.000 morreram como resultado de infecções respiratórias graves e/ou hipóxia, falta de oxigénio. Hipóxia por ter respirado o ar das ruas…

Quatro anos depois, apesar da resistência do Primeiro Ministro Winston Churchill, o governo do Reino Unido publicou o Clear Air Act com o objectivo de limitar as emissões de substâncias poluidoras no ar, impondo a construção das novas fábricas fora do centro da cidade. E, entre outras medidas, aumentando a altura das chaminés.

O Clear Air Act foi uma das primeiras medidas legislativas para reconhecer a gravidade do problema da poluição do ar. Em 1968 apareceu uma segunda medida, após os novos episódios de smog que ocorreram entre o final dos anos ’50 e o início dos anos ’60.

Um passo atrás. Londres, 1905: numa conferência realizada na capital, pela primeira vez são destacados os riscos da poluição do ar relacionados a fenómenos climáticos que ocorrem durante os meses mais frios, quando a neblina captura os poluentes nas suas minúsculas gotas, obrigando-os a ficar nas camadas inferiores da atmosfera. É nessa convenção que nasce o termo smog, a partir da fusão das palavras fumo (smoke) e neblina (fog). Para dar uma definição um pouco mais técnica, o smog é uma espécie de “aerossol” em que as partículas húmidas do ar incorporam pós finos (PM10) ultrafinos (PM2.5, o Material particulado) originados pela combustão de carvão, biomassa e gasolina entre outros. Ao ultrapassar respectivamente o limiar de 40 e 25 microgramas por metro cúbico de ar, estes pós tornam-se perigosos para os seres humanos.

Foi isso que aconteceu em 1952? Por uma série de coincidências, as substâncias poluentes que geralmente envolviam Londres transformaram-se numa mistura letal. Foram dias muito frios, os fogões a carvão para o aquecimento das casas funcionaram a plena capacidade e as emissões juntaram-se àquelas das chaminés industriais.

Um inoportuno anticiclone dos Açores trouxe para a cidade uma capa de ar quente que aprisionou o ar frio no chão, impedindo a ventilação. Basicamente, formou-se uma inversão térmica que limitava a mistura vertical do ar. A formação da nuvem tóxica que sobrecarregou o céu de Londres foi caracterizada pela presença de várias substâncias: entre estas, o dióxido de azoto e o dióxido de enxofre, que, interagindo nessas condições atmosféricas particulares, transformaram-se em sulfato. De facto, foi demonstrado que o nevoeiro daqueles dias era denso com sulfato, que é um componente do particulado, produzido pela combustão dos combustíveis fósseis e o principal agente químico da chuva ácida.

De acordo com estudos realizados após a catástrofe foi demonstrado também que, sob certas condições atmosféricas, um evento como aquele de Londres em 1952 poderia ocorrer hoje em muitos lugares do planeta, desde a China (onde ficam 16 das 20 cidades mais poluídas do mundo: 4.000 mortos por dia por causas das consequências da poluição) passando pela índia, a Europa, a América… De acordo com o relatório publicado pela Agência Europeia do Ambiente em 2016 e relativo a 2013 sobre a qualidade do ar, na Europa há 467.000 mortes por ano atribuíveis à poluição.

Entretanto a China, após os estudos sobre o Great Smoke local (em 2013), conseguiu reduzir as emissões de dióxido de nitrogénio e de amónia para evitar a formação de sulfato, mas tem mais dificuldades com outros poluentes: em Pequim, em alguns períodos do ano, a densidade das partículas finas chega a 300/400 mcg por metro cúbico de ar.

Londres hoje

Em Abril de 2016, o nível de poluição de Londres aumentou devido a uma nuvem de areia e poeira do Sahara que alcançou o sudeste do Reino Unido. A nuvem, segundo o estudo do Centre for Ecology and Hydrology, não dependeu apenas de fenómenos naturais mas também do dióxido de azoto resultante dos fertilizantes utilizados na agricultura, em conjunto com os gases demitidos pelos veículos e com aqueles resultantes da combustão de biomassa.

Nos primeiros oito dias de 2016, Londres ultrapassou os limites legais de poluição para todo o ano: no centro da cidade, mais de 3.000 mortes por ano são atribuíveis a causas ambientais. Os pesquisadores do King’s College, responsável da monitorização diária da situação ambiental, preveem que, na ausência de medidas significativas, os níveis de poluição irão aumentar ainda mais. Tais medidas serão implementadas até 2025, mas até então? O Comité dos Efeitos Médicos da Poluição do Ar estima que as mortes prematuras causadas por poluentes em todo o Reino Unido podem chegar a 60.000 unidades por ano.

As outras “Londres”

Londres um caso único? Tomara.

1930: Bélgica

O nevoeiro do vale do rio Meuse (1930 Meuse Valley fog), em 1930, matou 60 pessoas na Bélgica, numa combinação da poluição industrial do ar e das condições climáticas em Dezembro daquele ano.

O principal sintoma foi a dispneia (falta de ar) que atingiu todas as faixas etárias. E nem o gado foi poupado. Segundo Kaj Roholm, cientista dinamarquês, foi o flúor gasoso das fábricas da zona o verdadeiro assassino. Houve vários milhares de casos de doença no período de dois anos.

1939: St. Louis (EUA)

Na terça-feira, 28 de Novembro de 1939, uma inversão de temperatura meteorológica prendeu as emissões de carvão perto do solo, resultando no “dia em que o sol não brilhou”. Uma nuvem de fumo negro e espesso envolveu St. Louis (1939 St. Louis smog)e os níveis de poluição permaneceram perigosamente elevados durante nove dias. A visibilidade era tão limitada que as luzes das estradas permaneceram ligadas ao longo do dia todo e os motoristas precisaram dos faróis para percorrer as ruas da cidade.

1948: Donora (EUA)

A nuvem de Donora, em 1948 (1948 Donora smog), foi uma inversão do ar que resultou numa camada de poluição que matou 20 pessoas e causou problemas respiratórios em 6.000 dos 14.000 habitantes de Donora, Pensilvânia.

O nevoeiro começou a crescer em 27 de Outubro e no dia seguinte estava a causar tosse e outros sinais de problemas respiratórios: mas muitos das situações, inclusive as mortes, foram inicialmente atribuídas à asma. A poluição continuou até o dia 31 de Outubro, quando finalmente choveu. Mas os efeitos continuaram: outros 50 moradores morreram por causas respiratórias dentro de um mês após o incidente. Mesmo 10 anos depois, as taxas de mortalidade em Donora ainda eram significativamente mais altas do que em outras comunidades próximas.

1966: New York

A Smog de New York City (1966 New York City smog) foi um evento de poluição atmosférica, com níveis prejudiciais de monóxido de carbono, dióxido de enxofre e neblina. A poluição cobriu a cidade de 23 a 26 de Novembro e foi o terceiro episódio do género após os eventos de 1953 e 1963.

Em 23 de Novembro, uma grande massa de ar em estagnação sobre a costa leste prendeu os poluentes no ar da cidade. Durante três dias, New York foi engolida por altos níveis de smog enquanto bolsas menores de poluição permeavam partes de New Jersey e Connecticut. A chegada duma frente de ar frio dispersou a poluição em 26 de Novembro.

Nos meses que se seguiram, cientistas e médicos estudaram o impacto do evento: as autoridades municipais tinham inicialmente firmado que o smog não havia causado mortes, mas um estudo de Dezembro de 1966 estimou que 10% da população da cidade sofreu efeitos adversos à saúde, como olhos ardentes, tosse e desconforto respiratório. Uma análise estatística publicada em Outubro de 1967 constatou que 168 pessoas provavelmente morreram por causa do smog.

2013: Nordeste da China

Uma densa vaga de poluição teve início no nordeste da China (2013 Northeastern China smog), especialmente nas cidades de Harbin, Changchun e Shenyang bem como nas províncias circundantes de Heilongjiang, Jilin e Liaoning, em 20 de Outubro de 2013. Temperaturas anómalas com muito pouco vento coincidiram com a activação do sistema municipal de aquecimento movido a carvão.

Em Harbin, os níveis de material particulado MP2.5 aumentaram até 1.000 microgramas por metro cúbico, a visibilidade caiu para 50 metros e as autoridades fecharam mais de 2.000 escolas. Em Changchun, a poluição do ar registrou um recorde com níveis de partículas PM2.5 de 845 microgramas por metro cúbico em 22 de Outubro.

A poluição atmosférica diminuiu em 25 de Outubro de 2013 e dissipou-se completamente no dia 28 devido a uma frente fria que se deslocou da Rússia.

2013: Leste da China

O episódio de smog na China Oriental de 2013 (2013 Eastern China smog) incluiu todos ou partes dos municípios de Xangai e Tianjin, e as províncias de Hebei, Shandong, Jiangsu, Anhui, Henan e Zhejiang. Em Dezembro de 2013 a falta de fluxos de ar frio, combinada com massas de ar de movimento lento que transportavam emissões industriais, juntaram os poluentes para formar uma espessa camada de poluição sobre a região. Os níveis de material particulado PM2.5 estiveram em média acima de 150 microgramas por metro cúbico; em algumas áreas atingiram 300/500 microgramas por metro cúbico.

Foi um dos piores episódios de poluição atmosférica na área, reduzindo a visibilidade e causando grandes transtornos no transporte e nas actividades diárias: aeroportos, rodovias e escolas foram fechados. Foram estimadas entre 0 e 10 vítimas mortais.

Ásia: A Nuvem Castanha

A Nuvem Castanha asiática (Asian brown cloud) é uma camada de ar poluído que cobre parte do norte do Oceano Índico, Índia, Paquistão e partes do sul da Ásia e da China. É criada pelos contaminantes transportados no ar, originários das emissões civis e industriais, devido a uma combustão incompleta de biomassa nas centrais de energia, a partir dos gases de escape de veículos a motor e do pó levantado pelos ventos nos desertos.

Esta camada de poluição foi observada pela primeira vez em 1999, foi confirmada com satélites também em 2004 e 2007: tem uma espessura de três quilómetros e abrange 16 milhões de quilómetros quadrados. Provoca uma redução da irradiação solar com graves consequências nas culturas. A nuvem pode continuar a crescer e depois espalhar-se para outras regiões, longe do local de aparecimento: as partículas pesadas permanecem na Ásia enquanto as leves podem viajar por milhares de quilómetros e alcançar Europa e África.

Lucro vs. vida

A partir da Revolução Industrial, a poluição esteve num constante crescendo que provocou enormes problemas de saúde e custos sociais. A luta não pode ser contra o dióxido de carbono mas contra um determinado modelo económico, o nosso. Ao mesmo tempo não é suficiente rir-se pelas previsões erradas dos adeptos do Aquecimento Global e liquidar tudo como uma jogada para favorecer apenas determinadas indústrias. Esqueçam o dióxido de carbono: a poluição é um problema grave e, este sim, sério também. É preciso ir além dum sistema que para existir tem obrigatoriamente que poluir, é preciso abandonar os combustíveis fósseis.

Não quero saber qual o nível de CO2 na atmosfera porque sei que não vou morrer por causa disso. O que sei é que cada um de nós pode morrer em qualquer altura por causa das substâncias que diariamente são despejadas no ar. Mesmo que hoje fosse encontrada uma solução mágica para reduzir o CO2 na atmosfera, amanhã os nossos problemas ficariam exactamente iguais: dióxidos de enxofre (SO2), de azoto (NO2), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis (COV’s), partículas finas, chumbo (Pb) e outras delícias continuariam a envenenar-nos.

Já o nome da reunião na Polónia, COP24, é uma triste piada: até hoje foram precisas 24 reuniões internacionais para discutir um problema que nem deveria ser discutido mas só soluccionado. A esperança é que encontrem um acordo capaz de melhorar, aos menos um pouco, a situação. Mas podem tranquilamente apostar num COP25, 26, 27… porque esta situação não poderá ser revertida de forma definitiva até quando não for mudado o nosso modelo de vida. Numa sociedade normal, um só dos acidentes acima listados deveria ter sido suficiente para desenvolver uma vontade política a nível continental e mundial para conter o fenómeno: na nossa sociedade são precisas 24 reuniões internacionais para conseguir o nada.

A razão? Falta a vontade política. Falta totalmente a vontade. E a demonstração vai chegar na segunda parte do artigo.

 

Ipse dixit.

Fontes: na segunda e última parte do artigo

Obrigado por participar na discussão!

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