EUA: a epidemia das novas drogas

O tempo de leitura estimado deste artigo é de 12 minutos

No distrito de classe média de Columbus, Ohio, onde Myles Schoonover cresceu, os meninos fumavam maconha e bebiam. Ok, beber faz mal, mas é mais uma história como tantas: nenhum da zona assumia heroína ou cocaína, é já algo. Também Myles tinha fumado às vezes, mas nunca foi um problema concentrar-se no estudo. Foi para a Universidade do Tennessee e perdeu de vista o seu irmão mais novo, Matt, ainda adolescente.

Os dois irmãos reencontraram-se quando Matt se juntou a ele em 2009. Os pais nunca entenderam quando Matt tinha começado a tomar as pílulas, mas é certo que em 2009 Matt já era dependente delas. O seu vício era difícil de reconhecer, porque Matt era viciado em medicamentos, analgésicos semelhantes à morfina. Quando os pais entenderam isso, ficaram preocupados, mas, dado que para comprar as pílulas era precisa uma regular receita médica, não acharam que o vício pudesse tornar-se tão grave. Levaram o rapaz ao médico que receitou uma semana de desintoxicação com medicamentos que travavam os efeitos da abstinência. Nem os pais nem o médico tinham entendido que Matt havia mudado das caras pílulas para a heroína, muito mais barata. Em 2012 ele próprio confessou aos pais e entrou na comunidade para a desintoxicação.

Três semanas depois, Matt voltou para casa, em 10 de Maio de 2012. Os pais pensavam que o pesadelo tivesse acabado, Matt tinha ido a uma reunião de ex-viciados em drogas para ver um amigo. À noite, um policial bateu à porta deles para avisar que Matt tinha morrido. Tinha 21 anos e morreu de uma overdose de heroína.

A história de Matt consta dum livro que ainda não foi traduzido em português, intitulado Dreamland, escrito por Sam Quinones e publicado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2015. Dreamland conta uma história muito interessante: a história da nova epidemia de opióides que desde 2008 voltou a ser a primeira causa de morte acidental (mais do que os acidentes rodoviários) entre milhares de jovens americanos. Como isso pôde acontecer?

Painkillers e os novos paradigmas médicos

Tudo começou há muitos anos, nos anos de ’80, quando a comunidade científica investiu no debate sobre o uso de derivados do ópio para o tratamento de doenças terminais. A morfina tinha sido sempre usada neste tipo de tratamento, mas quando foi publicado um artigo que afirmava que existem alguns tipos de opiáceos sintéticos que não são viciantes, os termos do assunto mudaram radicalmente. Em 1980, por exemplo, na revista New England Journal of Medicine, os autores Porter e Jick publicam um ensaio baseado no estudo de 12.000 pacientes que receberam tratamento no hospital de Boston; mas são pacientes acerca dos quais nada mais é dito, excepto o facto de que apenas 4 deles tornaram-se “viciados” à medicação. Não sabemos nada sobre os outros: idade, patologia, status…

Em 1996, a La Purdue Pharma lançou o Oxycontin, um opióide sintético anunciado como uma solução para pacientes com problemas de dor crónica. Os médicos começam a prescreve-la para dor nas costas, depois de acidentes nos campos de rugby ou no trabalho. No mesmo ano abriu a primeira clínica de dor especializada no tratamento com essas pílulas. A seguir outras centenas de clínicas semelhantes abriram em todas as principais cidades americanas. São conhecidas como Pill mills, “Fábricas de Pílula”.

Um perfeito sincronismo (apenas casual?), dado que nos mesmos anos há uma mudança no mercado da heroína: A produção muda definitivamente para o México, as pequenas unidades são geridas por famílias que enviam meninos “limpos” para localidades onde nunca o vício tinha-se tornado uma epidemia. Cidades de médias grandeza, onde nos anos ’90, no máximo, ficavam bêbados. Cada um desses novos traficantes tem um celular. Não há necessidade de ir até um bairro degradado para comprar uma dose, apenas um telefonema e a heroína é entregue em casa, como uma pizza.

Mas, na verdade, a demanda é escassa, o mercado de heroína está a cair nos EUA. O que acontece então? Acontece que os traficantes de drogas começam a estacionar na frente das “Fábricas das Pílulas” porque sabem que depois dum mês os pacientes têm dores outra vez: acham que são sintomas da doença enquanto, na verdade, já são sintomas do vício. Voltam ao médico para aumentar a dosagem até um limiar intransponível por lei.

E é aí que os jovens mexicanos entram em cena, com a solução económica, a heroína: procura e resposta encontram-se perfeitamente. E a nova epidemia de opiáceos (sintéticos e não) é servida. Os dados são alarmantes, muitos médicos pela primeira vez enfrentam meninas de 15 anos em overdose, algo nunca visto antes e não reconhecem os sintomas. Depois, morto após morto, aprendem.

Hoje, todos as paragens de autocarro nos Estados Unidos têm a publicidade da naloxona, o medicamento para tratar da overdose de opiáceos, e todos os estudantes americanos sabem como administrá-la.

A situação em Europa e América do Sul

Na Europa o fenómeno ainda é marginal. Ernesto de Bernardis, chefe do Serviço para as Toxicodependência (SerT) do hospital de Lentini (Sicilia), relata:

É uma realidade que está actualmente escondida. Foi-me dito que há tráfico de analgésicos semelhantes à morfina, mesmo na área onde trabalho, mas até agora só vi um meio caso de um paciente de metadona ao qual tinha sido ‘oferecida’ a pílula. No entanto, basta saber que a difusão na área existe duma certa forma e é apenas uma questão de tempo para que se manifeste.

Diferente o discurso acerca da prescrição de medicamentos, dos analgésicos semelhantes à morfina:

Estes casos não têm nenhum envolvimento na venda ilegal, portanto, é tudo a luz do sol e estão a tornar-se mais frequentes, também por causa de um certa indiferença de algumas categorias de especialistas na prescrição dessas drogas viciantes. O médico da família passa a receita, seria preciso observar algumas precauções, mas infelizmente nem sempre acontece.

Salvatore Giancane, um toxicologista do SerT em Bolonha:

O problema é que estão a tornar as drogas comuns e não há restrições particulares à prescrição. Então talvez a mãe tenha uma garrafa sobressalente em casa, o filho caiu com a lambreta e a mãe passa a droga. São casos que não devem ser banalizados, mas estamos a anos-luz de distância do drama americano, temos consumo per capita dezenas de vezes menor. Para ter uma medida: se nos EUA houver uma morte a cada 12 minutos, aqui termos uma a cada 32 horas. Se nos EUA mais pessoas morrem de oxicodona do que de acidentes de trânsito, na Itália há 10 mortes na estrada por cada uma de oxicodona. As diferenças são enormes, tanto em termos quantitativos e qualitativos.

Nem na América do Sul, e no Brasil em particular, a situação é preocupante neste aspecto. A heroína aparece por vezes nas operações de apreensão da polícia no Brasil, mas é residual e os dados não indicam uma subida no número dos casos. Aliás, o problema em boa parte da América do Sul é a dificuldade que têm os doentes em aceder aos fármacos opiáceos que, lembramos, têm uma função fundamental no combate à dor provocada por doenças prolongadas (como o câncer). Portanto, até agora, o problema pertence à América do Norte, onde entre os doadores de órgãos 14% são vítimas de overdose: antes da epidemia eram 1%.

Ópio: uma história antiga

No entanto, a possível reprodução do modelo americano é algo possível porque, por um lado, a produção global de heroína é duplicada os últimos anos e tem que ser vendida; do outro lado, “fazer-se” de alguma substância perdeu o elemento da transgressão, já não é uma simples moda; e por outro lado ainda, a oferta de substâncias psicotrópicas tornou-se potencialmente infinita.

A grande disponibilidade do produto e a atitude passiva da classe médica: é este o cenário descrito por Sam Quinones e parece perigosamente próximo. Esta não é a primeira vez na história das drogas que medicamentos e abuso são confundidos: mesmo Friedrich Engels, no seu estudo sobre a  classe operária inglesa de 1845, havia relatado o utilizo de preparações com base no láudano (ópio mais álcool) como xarope com o qual as mulheres mantinham calmas as crianças. Pensava-se que, além de fazê-los dormir, podia torna-los mais fortes, mas na verdade acontecia que morriam antes dos dois anos de idade por overdoses, porque quanto mais o corpo do bebé se tornava insensível aos efeitos do ópio, tanto mais a dose era perigosamente aumentada. E quando o “xarope” não funcionava mais, passava-se diretamente para o láudano puro.

Após a Segunda Guerra Mundial o abuso continuou coma morfina e, nos últimos vinte anos, os xaropes para tosse e os analgésicos utilizados para “evasão” escaparam ao controle farmacológico e nunca se tornaram um problema para a imprensa: ainda hoje, todos os artigos sobre a relação entre “drogas” e jovens refere-se quase exclusivamente a maconha ou heroína, ignorando o problema dos medicamentos.

Pouca ou má informação

Quando os órgãos de informação tratam do problema parece que haver uma espécie de distinção entre heroína “boa” (a original) e “má” (aquela contida nas “pílulas”). Na verdade, a heroína é sempre má e aquela “boa” continua a matar exactamente como fazia antes. No ano passado, mais de 72 mil americano morreram por causa de overdose, 48 mil dos quais por overdose de derivados do ópio. A única diferença é que o número de mortos por overdose de opiáceos “clássicos” tendem a estabilizar-se, enquanto os produtos de síntese estão a difundir-se e provocam mais estragos. Os mortos por overdose de Fentanil (50 vezes mais forte do que a heroína), por exemplo, passaram de 20 mil em 2016 para 28 mil em 2017.

E a propósito de Fentanil: este é o nome comercial da última moda em facto de substâncias estupefacientes.

Algumas das novas drogas

Para acabar, eis uma lista das drogas relativamente recentes utilizadas entre os jovens consumidores.

Blue Sky: formas mais puras de metanfetamina. Podem ser fumadas ou injectads para efeitos muito superiores às outras vias de ingestão. O efeito dura muito (6-12 horas). As metanfateminas são drogas muito perigosas. Também chamadas de “droga de Hitler” porque durante o regime nazista eram utilizadas para “carregar” os soldados.

Bromo-Dragonfly: a Bromo-Dragonfly, ou 2C-B FLY, é uma das drogas sintéticas presentes até na Europa e na América do Sul. É um alucinogénio psicadélico muito poderoso, que faz parte do grupo das feniletilaminas: entre os sintomas mais comuns estão taquicardia, agitação, alucinações visuais e psicose. Os efeitos da Bromo-Dragonfly são os mais duradouros: mais do que um dia.

Cobret: um pó de heroína aquecido.

Crystal meth: ver Blue Sky.

Flakka: ver Mefedrona.

Ghb: uma substância relaxante, produzida pelo corpo humano também, chamada de “ectasy líquida” ou “droga de estupro”. É uma droga usada para o tratamento da insónia, mas se associada ao álcool causa perda de controle. É um gás inodoro, incolor, insípido e fácil de administrar como pó ou líquido, por meio de bebidas alcoólicas ou não, muitas vezes administrados com o objectivo de realizar uma agressão sexual. A sobra-dosagem pode provocar náuseas, tonturas, sonolência, perda de consciência e, em alguns casos, morte.

Ice: ver Blue Sky

Yaba: ver Shaboo

Ketamina: é um anestésico usado em caso de distúrbio bipolar ou no tratamento do alcoolismo. Descoberta em 1962, é um parente da fenciclidina.

Krokodil: o nome próprio é desomorfina. É uma substância opióide inventada em 1932 nos Estados Unidos a partir da morfina. Tem efeitos analgésicos, cerca de 8 a 10 vezes mais potentes que a morfina. Desenvolvida para o uso moderno na Rússia no início dos anos 2000, o Krokodil tem efeitos analgésicos muito mais poderosos de que a morfina. O seu perigo reside no facto de que pode ser preparada por qualquer pessoa, em casa, com os ingredientes certos (iodo, fósforo vermelho, enxofre e codeína ou metilmorfina). Os piores danos provocados são internos uma vez que esta droga agride e desgasta completamente os órgãos e, em algum casos, provoca a morte.

Mefedrona: É chamada de “a droga dos zumbis” porque entre os seus efeitos colaterais há também canibalismo, alucinações e actos de autoflagelação. A Mefedrona é classificada desde 2010 como uma substância ilegal, seja em pó ou em comprimidos. É feita a partir de sais de banho e está facilmente disponível na internet, mesmo a baixo custo, sendo preparada com produtos químicos que estimulam o sistema nervoso central. Está na categoria das chamadas novas substâncias psicoactivas (NSP), substâncias estupefacientes ou psicotrópicas sintetizadas. Nos Estados Unidos a versão desta droga chamada Flakka, que já fez dezenas de vítimas.

Ping: ver Shaboo

Popper: vendido em frascos, tem um tempo de acção particularmente rápido. É uma substância narcótica, com propriedades tóxicas, pertencentes à classe do nitrito de alquila, usado no passado para diferentes propósitos farmacológicos.

Purple Drank: é uma mistura baseada em codeína, álcool e Sprite. A codeína é uma substância opaca, obtida pela metilação da morfina, usada para acabar com a tosse e é viciante. O composto tem efeitos sedativos potentes e, nalguns casos, devastadores: pode perfurar o intestino, também pode levar à asfixia e morte em caso de abuso.

Rivotril: um normal benzodiazepínico (um psicofármaco, portanto) com um custo muito baixo e facilmente disponível que, se associado ao álcool, produz efeitos semelhantes aos da heroína.

Scoop: ver GHB

Shaboo: é uma anfetamina fumada para causar uma excitação mais duradoura do que o ecstasy. Pode provocar convulsões, falta de sono, perda de apetite e, nalguns casos, deformação do rosto; finalmente, pode levar a um aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea e, portanto, a um derrame. Para uma dose única padrão (mais ou menos um décimo de grama), o preço varia de 30 a 50 euros.

Speed: é uma mistura de anfetamina e cocaína;

Spice (também conhecida como K2, Moon Rock, Yucatan Fire, Skunk): é uma mistura de ervas cujos efeitos parecem os da cannabis, mas cujas consequências para a saúde são bem piores. Basicamente é composta pela tal mistura de ervas que são secas e às quais são adicionadas substâncias químicas que a tornam, de facto, uma droga sintética. As piores consequências do consumo de Spice afectam o batimento cardíaco, provocam vómitos, agitação, confusão e alucinações, mas também pressão arterial alta, isquemia e, em casos graves, ataque cardíaco.

Superpill: uma mistura de ecstasy e Viagra, frequentemente tomado com álcool.

 

Ipse dixit.

Fonte: Vanessa Roghi in Il Tascabile, La Gazzetta del Mezzogiorno, Focus

8 Replies to “EUA: a epidemia das novas drogas”

  1. Noossa!! A maior parte dos produtos citados, nunca tinha ouvido falar…que fartura! Só posso falar das coisas domésticas, bem simplesinhas. Dor é uma coisa muito chata, a gente faz qualquer coisa para se ver livre dela, e os médicos, que pouco conhecem do assunto, servem para muito pouco. Desde tempos remotos os humanos buscam formas de compensar os estragos do corpo e da alma. No ocidente o láudano era utilizado já na idade média, que eu saiba, e a China usava coisa muito mais eficiente. Tenho uma amiga, fisioterapeuta, que vai até a China todos os anos para estudar (um curso de medicina chinesa dura 10 anos), e volta com conhecimentos muito eficientes, que aplica aqui no fim do mundo. Eu sou cobaia dela por livre vontade.
    Pessoalmente, não tenho qualquer preconceito contra utilizar qualquer coisa que melhore a situação de qualquer um. O problema é que os (as) idiotas se viciam, aumentam sucessivamente dose e frequência e se matam. Alguns(as) o fazem conscientemente, porque é isso mesmo que desejam. É um direito que têm, penso eu.
    Mas, analisando meu próprio comportamento: do meu salário, atualmente, o maior gasto é para a “saúde”, ou seja, manter um vigor físico maior que o de uma pessoa com a minha idade cronológica, afastar o máximo possível a incidência de dor decorrente da atrofia de ossos e ausência de cartilagens e manter cabelos na cabeça, o que significa uma aparência interessante. Para isso ajudo a sustentar uns 4 médicos considerados muito bons, que não atendem por nenhum convênio, naturalmente, mas que eu, de qualquer forma, não confio absolutamente, mas experimento no meu corpo o que me receitam. Remédios caros, muito caros, inclusive um que o médico diz ser o remédio que a Madona utiliza para se manter em forma, só em doses bem menores, para mim, em função do alto preço. O que é isso, senão a prática da longevidade “saudável”, de uma forma totalmente artificial ? Conheço razoavelmente fitoterápicos, mas meu corpo se “cansou” deles e não reage, evidentemente porque vivo num mundo cheio de químicas invasivas.
    E a minha volta, que se passa? Quem tem muito dinheiro, não sei, não convivo. Quem tem um ordenadinho razoável, faz o mesmo que eu. A pobreza em geral usa “”toneladas” de Rivotril, Ritalina, Tilex, Doflex e outros flex, distribuídos nos postos de saúde e com receitas em alguns casos. Quem está já na marginalidade total, usa gasolina, álcool e qualquer cIgarro daqueles baratíssimos, muitíssimas vezes pior que maconha, mas que tudo junto dê para “apagar”. A maconha também é muito comum, a cocaína de péssima qualidade entre os de menor poder aquisitivo, o ecstasy, preferido entre os jovens,o crack a marca registrada da marginalidade, a cola de sapateiro e o alcool principalmente, que vai da cachaça da pior qualidade, a toneladas de cerveja daquela qualidade vergonhosa que se fabrica no Brazil, até à vodca e wiskey e vinhos de primeira dependendo para quem. Na verdade, desejo de saúde, prazer e esquecimento parecem caminhar juntos para quem vai vivendo assim. E acho que nos EUA essas necessidades vem se tornando exponenciais na sociedade. Provavelmente daí a epidemia. A cracolândia que o diga em SP.
    Tem recuo possível? Acho que não na sociedade tal qual a conheço. E nela, à medida que, quem pode quer viver mais, enquanto pode. E quem não pode quer sofrer menos e morrer sem se dar conta.

  2. Também fiquei surpreso com a variedade, tem para todo o tipo de fregues.
    Não sou a favor da liberação da maconha, acho que é a porta de entrada para coisas mais pesadas. Também não discrimino quem faz uso de drogas. Desde que seja para divertimento próprio ( ou fuga ) e que possa bancar financeiramente o vício, sem prejudicar a terceiros. Embora, todos sabemos, que é aí que mora o perigo. O resto, a Maria já disse tudo.

    Abraço.

    1. Sergio vou te dizer algo, várias coisas e com todo o respeito que tenho por você, não vai gostar e vamos separar águas:
      – aqui a maconha é legal (até vários gramas),
      Não misturar maconha legal(até determinada quantidade, drogas leves com pesadas e a lista aí acima e muito mais) em maioria da europa “civilizada”(até muitos de leste) com coisas mais pesadas, como por exemplo como a epidemia de heroina que houve nos anos 80 e principalmente 90.
      Mais vale algo que não é proibido e não provoca habitação.
      Do que misturar tudo e fazer as chamadas guerras a droga, etc…
      É uma questão de educação, aí o pessoal gosta nos fins de semana de um bom churrasco acompanhado por umas boas cervejinhas e depois cachacinha até começar uns a falar Vietnamita ou algo incompreensível. É legal bebida alcoólica mas já estão alterados/as, não leva a mal, eu qdo aí estava ia sempre pelo convívio e conhecer pessoal bem interessante.
      Aqui e em muitos outros lados educou-se a população:

      https://m.mic.com/articles/110344/14-years-after-portugal-decriminalized-all-drugs-here-s-what-s-happening#.ujpBz2gu5

      https://www.washingtonpost.com/news/wonk/wp/2015/06/05/why-hardly-anyone-dies-from-a-drug-overdose-in-portugal/?noredirect=on&utm_term=.36f6645d0bbe

      https://www.theguardian.com/news/2017/dec/05/portugals-radical-drugs-policy-is-working-why-hasnt-the-world-copied-it

      Usa o google a wiki.

      Pois é portugues é burro lol…ao menos a maioria não está viciada em coisas abstractas que pedem dizimo e drogam e diminuem o qi ou a carteira, para uns burlões, isso é droga, que impede raciocinio, critica e auto-crítica. 😉

      Ah e nunca houve tão pouco consumo.

      https://en.m.wikipedia.org/wiki/Drug_liberalization

      Abraços
      Nünø

      1. Olá Nuno, cordiais saudações.

        Sim , existem coisas piores que são liberadas. Comentei minha opinião sobre as chamadas “drogas convencionais” ( e suas diversas variações mencionadas pelo Max ) e não quis ser redundante, porque a Maria já falou sobre outros tipos de drogas e da marginalização do trafico que penaliza mais a população pobre.

        Falo da realidade brasileira.
        Dizer que a maconha no brasil é proibida, é realmente uma piada ( exceto, obviamente em quantidades enormes ). Temos paradoxos absurdos. Por exemplo: atualmente, a venda e consumo de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol é proibida. Porém, as torcidas ( principalmente, as organizadas ) exalam fumaças com seu cheiro “cannabis” característico. O que dizer de um show de rock, então ? Não suporto nem o cheiro de cigarro, mas costumo dizer que já fumei muita maconha por “tabela”.

        Quando digo que sou contra a legalização “oficial” e consequentemente da sua liberação para comercialização, imagino um sujeito vendendo maconha na porta da escola para meu filho. As cadeias brasileiras não tem mais espaço para enjaular sequer assaltantes a mão armada, quanto mais para prender “vaporzinhos”. Mas , se a escola e os pais pressionarem a policia, certamente eles tomarão uma providência, mesmo que paliativa , fará com que o traficante se sinta acuado em oferecer seu produto próximo a escola. A partir do momento em que essa pratica deixar de ser crime, o foco destas pessoas sobre nossas crianças será maior e mais intenso. Nenhum pai , por mais confiança que tenha na educação que deu ao filho, quer vê-lo exposto ao fantasma da droga, ainda mais num periodo complicado como é a adolescência. “Ah, uma hora ou outra ele terá contato com ela “, dirão alguns. Provavelmente, sim. Então que seja num momento em que sua personalidade estiver formada e ele possa decidir o que é melhor ou pior para ele, dentro da responsabilidade consigo mesmo e com seu semelhante..

        Tenho um amigo que é oficial da policia militar e a opinião dele compactua com a minha: A legislação criminal e a estrutura policial brasileira não é eficiente para coibir excessos do mau uso do “direito” de usar drogas.

        Abraço.

  3. O vicio por drogas no ser humano parece por um lado anormal mas por outro parece satisfazer uma demanda por “algo” desde o alivio da dor física ao alivio do sofrimento psicológico, algo que não está bem no ser humano e que este procura “corrigir” aparentemente da pior maneira , mas para alguns será a maneira possível, a maneira que o seu discernimento lhes permite. Creio que não é novidade para ninguém que existem poderosíssimos interesses económicos que procuram nos manter “artificialmente doentes” gerando assim lucros perpétuos ás farmacêuticas, outros interesses procuram vender-nos a ilusão química que poderá ajudar a ultrapassar um momento mau, outros interesses bombardeiam-nos com publicidade para nos criar a necessidade de um determinado estilo de vida associado a um nível económico alto, que ao não conseguirmos atingir nos irá lançar numa espiral depressiva e de demanda por “algo” o mesmo “algo” que cria a artificial sensação de vazio … O vicio de drogas é por outro lado usado como um fantasma para nos afastar daquilo que poderia por vezes ser uma verdadeira cura, natural e barata como no caso da canábis uma planta extremamente benéfica para o ser humano se utilizada de forma sensata e que foi completamente demonizada no sec. XX e mais uma vez … com o alto patrocínio dos já citados poderes económicos e veiculado através dos também já comentados ” estudos científicos” claro … pagos pelos mesmos interesses económicos antagónicos. Em poucas palavras, estamos cercados de interesses que nos querem escravizar e que aparentemente vão conseguindo.

  4. (a Little bit off Topic)

    Gozado que ninguém falou sobre a alteração de consciência… Porque as pessoas bebem, fumam, cheuram, injetam? Claro que existem mais de uma razão, mas acho que desde os tempos mais primórdios, em sua maioria é por causa da alteração de consciência. Tirando a parte fantasiosa da religião, a ayahuasca eh uma das coisas mais incríveis que já provei, algo como uma limpeza da alma.

    Mas nem todas as drogas alteram a mente… No meu humilde exemplo, me considero um grande viciado em cigarro, café e açúcar. Talvez o café seja o menos mal destas… Já leram Sugar Blues? A nicotina eh outra, talvez a que me dá mais medo… Um dia paro, prometo (a mim mesmo)…

    Por outro lado, a muitos anos fumo meu baseado. Mais um vício pra conta. Mas o faço sem incomodar ninguém, sem roubar, sem transtornar outros. Acho até que sem transtornar a mim mesmo. Sou casado, padrasto de duas filhas e tenho uma neta (apesar de ter 32 anos, longa historia), além de 2 cachorros. Junto com minha esposa (que não fuma), sustentamos nossa casa. Só pra constar: nao bebo álcool, mas não tenho preconceito. Falo tudo isso só pra mostrar que não sou um vagabundo, um marginal.

    Essa história de maconha ser porta de entrada das drogas eh a maior bobagem: eh apenas uma questão fronteiriça; uma vez que ela eh proibida, eh claro que vai estar ao lado de outras coisas proibidas. Tentem proibir o álcool ou a nicotina, e também as chamarão de portas para outras drogas.

    Claro que a epidemia de drogas pesadas como cocaína, crack, heroína, antidepressivos, várias destas que o Max citou sao um enorme problema. Não sou hipócrita para discordar. Mas existe um tabu, onde as drogas são um monstro, mas na verdade todos usam drogas todos os dias, todos alteram sua consciência de alguma forma todos os dias, e em pleno 2018 ainda tem gente enchendo meu saco porque eu fumo minha Canabis. (Ta, dei uma dramatizada agora hehehe).

    Nem falo tudo isso por causa da maconha, mas só acho que temos que tirar um tabu da sociedade. A alteração de consciência eh mais velha do que imaginamos, e ora ela pode ser extremamente perigosa, porém em outro lado ela pode ser algo tão inocente que sequer faz sentido termos todo esse receio e queremos demonizar isto.

  5. PCPONS, muito bem visto!

    Há drogas legais e drogas ilegais. As legais são aquelas onde o Estado ganha, as outras são ilegais. Mas mata mais um cigarro ou um charro? Acho que sabemos qual a resposta. Chegamos a um ponto em que o Estado vende o tabaco, ganha com isso e ao mesmo tempo diz às pessoas para deixar de fumar. Como fumador posso dizer que esta é uma atitude hipócrita porque travar a matança provocada pelo tabaco seria muito simples: interromper a venda (após um prazo necessário para que as pessoas abandonem o vício, claro).

    É a hipocrisia que impede ao Estado de vender drogas “pesadas”, porque estas matam demasiado depressa e o fenómeno se tornaria demasiado visível. Mas os números não mentem: em 2016 (últimos dados que encontrei) em Portugal morreram 44 pessoas por overdose de álcool e 33 por overdose de drogas. Mata mais o álcool de que as drogas. Se depois calculamos as mortes relacionadas com o abuso de álcool (e não uma overdose episódica) o total é bem mais assustador: Em 2016 morreram em Portugal 10 mil homens e 3.500 mulheres devido aos efeitos do álcool. Isso significa que a bebida esteve directamente relacionada com a morte de 4.2% das mulheres portuguesas e 15% dos homens.

    Alguém atreve-se a definir o álcool como uma droga? Nem pensar, aliás, é o orgulho nacional.
    Do outro lado temos as drogas ditas “leves”: alguém sabe dizer quantas pessoas morreram no mundo por overdose de charro? Ou pelos efeitos no médio prazo? A resposta é simples: por overdose ninguém, pela simples razão que é impossível ter uma overdose de maconha. No médio e longo prazo não sei, pois não encontrei dados, mas suspeito que seja um número muito baixo: desde a legalização no Colorado até hoje não houve nenhuma morte.

    Com isso não quero convidar as pessoas a utilizar drogas “leves”, simplesmente acho que temos que abdicar de certos prejuízos e encarar os dados. Cientificamente o álcool é 114 vezes mais mortal do que o charro, no entanto é vendido até nas áreas de serviço ao longo das autoestradas. Isso quer dizer algo.

    Concluo com uma nota muito triste: em Portugal não há ayahuasca e acho isso uma grande injustiça lololololol

    Abraçooooooooooo!!!!!!!!!!!!

  6. Sempre desconfio quando uma solução se apresenta como “muito simples” interromper a venda de tabaco após um prazo necessário para que as pessoas abandonem o vício, significa um aumento brutal do contrabando de tabaco, o lucro saia do estado para o privado com um enorme aumento de preços , e só ganhavam os contrabandista , quando o animal humano quer muito uma coisa logo outro qualquer se predispõe e lhe fornece pelo preço certo … em tudo !
    E isso ao mesmo tempo seria um experimento social em larga escala, como seria a abstinência forçada de tabaco num pais inteiro durante as primeiras semanas? haveria aumento de conflitos sociais? de violência domestica ? O equilíbrio social de uma sociedade atual é tão ténue que qualquer variante pode descambar em desastre.
    Sou defensor da liberalização das “drogas” leves ( que nem sequer as considero drogas) mas estou consciente que é possível ter uma “overdose” de canábis , até é possível ter uma overdose com água há inclusive e infelizmente vários casos de pessoas que morreram afogadas …
    Fumar a planta nem é a forma mais benéfica de a utilizar medicinalmente, é muito mais benéfico como infusão ou chá ou até mesmo na alimentação, no entanto, como tudo na vida, o abuso reiterado mata qualquer virtude.
    O perigo nunca esta na substancia e sempre na quantidade e no uso que se lhe dá, no caso do álcool existe até uma criminosa conivência ao dizer que bebido moderadamente pode ser benéfico … a verdade é que bebido moderadamente pode ser bem tolerado pelo organismo o que não é a mesma coisa.
    A “hipocrisia” do estado é uma cedência ao complexo medico farmacêutico pelo caso das drogas leves e uma imposição social e económica no caso do álcool , no entanto o tabaco que também é uma imposição social é brutalmente taxado com impostos, e essa taxação brutal no caso das drogas leves seria um fator moderador … e dava dinheiro ao estado, no modelo atual apenas dá dinheiro aos traficantes, mas a necessidade social continua a ser preenchida .

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: