O Anarco-Primitivismo

O tempo de leitura estimado deste artigo é de 16 minutos

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Artigo cumprido? Bom, acontece quando após uma cirurgia temos que esperar que os pontos sarem e a nossa cara faz lembrar uma bola de rugby. E eu nem jogo a rugby.

Nada de grave, tranquilos. Só que há muito tempo disponível para procurar e escrever. Vamos falar de Anarco-Primitivismo? Eu avisei: menos crónica, mais reflexões e aprofundamentos…

O louco prodígio

Estas são as palavras com as quais Theodore J. Kaczinsky abre o seu Industrial Society and its Future (“A Sociedade Industrial e o seu Futuro”), o panfleto publicado em 1995 onde é condensada a sua ideologia:

A revolução industrial e as suas consequências foram um desastre para a raça humana […]. O desenvolvimento contínuo da tecnologia piorará a situação. Vai sujeitar os seres humanos a tratamentos cada vez mais abjectos, infligirá cada vez mais danos ao mundo natural, provavelmente levará a uma maior ruptura social e sofrimento psicológico, e aumentará o sofrimento físico nos países desenvolvidos. […] O sistema tecnológico industrial pode sobreviver ou entrar em colapso. Se sobreviver, só poderá fazê-lo com o custo de reduzir permanentemente os seres humanos a produtos construídos, simples engrenagens da máquina social.

O optimismo não mora aqui, é evidente. Mas estas palavras são de extremo interesse por dois bons motivos: em primeiro lugar, o autor é Unabomber, o terrorista americano autor de múltiplos ataques explosivos que, entre 1978 e 1995, causaram a morte de três pessoas e o ferimento de outros vinte e três. Uma personagem muito controversa mas ao mesmo tempo uma figura complexa que não pode ser reduzida ao estereótipo do “bombista louco”. E aqui encontramos o segundo motivo de interesse: Kaczinsky é um exponente do “Anarco-Primitivismo”, uma ideologia adormecida por enquanto mas que num futuro muito distante poderá desenvolver um papel de primária importância no seio da sociedade humana.

Nascido em 1942 em Chicago, Kaczinsky de louco nada tem: pelo contrário, é um aluno prodígio que, ainda adolescente, percorre os corredores da universidade de Harvard, onde em 1962 consegue licenciar-se em Matemática. É interessante realçar como estes foram anos marcados pelas experiências brutais realizadas sobre Kaczinsky e outros alunos pelo professor Henry Murray, suspeito de fazer parte do fatídico projeto MK ULTRA. Passado para a Universidade de Michigan, onde obtém um doutorado e começa a carreira académica, em 1969 o futuro Unabomber de repente abandona tudo e muda-se para a casa dos pais, no subúrbio de Lombard (Illinois). Mas não dura muito: a atração de uma vida na natureza é tão forte que constrói uma cabana na floresta fora de Lincoln (Montana) e muda-se para lá para conduzir uma vida auto-suficiente, feita de caça e recolha, sem electricidade ou água corrente.

Não é uma existência paradisíaca, disso não há dúvida, mas é o sinal de que Kaczinsky está a colocar em prática as teorias anti-tecnológicas que estão na base do seu pensamento; teorias que ainda defende (o seu último livro, Anti-Tech Revolution, é de 2016) e que, no vasto mar de políticas extremistas, cabe sob o nome de Anarco-Primitivismo. Voltar a uma vida de caçadores e coletores em pequenas comunidades, rejeição de qualquer instrumento que o homem não seja capaz de construir e controlar em autonomia, rejeição de todas as formas de governo e igualitarismo absoluto: em poucas palavras, estas são as características de uma ideologia que encontra o seu maior expoente no filósofo John Zerzan (autor de Questioning Technology em 1988 e durante uns tempos confidente de Unabomber), que tem muitos pontos de contacto com o Anarco-Ambientalismo e provocou o aparecimento de alguns grupos extremistas e violentos, como Obsidian Point o Individuals Tending Towards the Wild..

A sociedade da ansiedade

Explica Zerzan nas páginas de Gizmodo:

Eu quero ver a sociedade de massa tornar-se radicalmente descentralizada, em comunidades onde as pessoas vivem cara a cara. Os primeiros humanos tinham uma abordagem funcional e não destrutiva da vida, que geralmente não exigia muito trabalho, não objetificava as mulheres e era anti-hierárquica. Isso parece um modelo atrasado? Mas no Anarco-Primitivismo não existe apenas a idealização duma primitiva idade de ouro; há também a rejeição dos efeitos colaterais da sociedade capitalista e tecnológica: os avanços tecnológicos trouxeram apenas mais trabalho. Isso é um fac. À luz de tudo isso, é realmente credível quem hoje promete que uma sociedade ainda mais tecnológica levaria a uma vida de menos trabalho?

Os pontos centrais do pensamento de Zerzan são simples: a tecnologia criou uma sociedade rigidamente dividida em classes, onde os homens tornam-se meras engrenagens da máquina social, onde o ambiente é destruído e onde ansiedade, stresse, insónia e depressão são cada vez mais difundido. Simples mas difíceis de contradizer.

Porque, na era do bem-estar, estamos a lutar contra ansiedade e depressão? Porque nessa sociedade o tempo deixa de ser linear e torna-se caótico. O nosso sistema nervoso é reestruturado para funcionar como um elemento da produção just-in-time, cada um de nós deve ser capaz de reagir a eventos inesperados e aprender a viver em condições de absoluta instabilidade. Períodos com emprego alternam-se com períodos de desemprego. É impossível planear um futuro e o conflito desencadeado na psique dos indivíduos só pode produzir vítimas. Além disso, com os seus incessantes ciclos de expansão e de crise, é o próprio capitalismo que é profundamente bipolar, oscilando eternamente entre os estados de excitação descontrolada (a exuberância irracional das “bolhas”) e o colapsos depressivos (não acaso fala-se de “depressão económica”).

Tudo isso não é apenas teorizado por pensadores que vivem numa cabana no meio da floresta: há dados objetivos que confirmam as “doenças do capitalismo”. Dois estudos britânicos descrevem como os transtornos mentais das pessoas nascidas em 1970 quase duplicaram quando comparadas com os problemas das pessoas nascidas em 1946. Por exemplo, em 1982, 16% das mulheres com 30 anos relatavam sofrer de “problemas nervosos, humor em baixo, atitude triste ou deprimida”‘, enquanto em 2000 o número das mulheres na casa dos trinta com os mesmos problemas subiu para 29% (entre os homens: 8% em 1982, 13% em 2000).

O maior erro da história da humanidade?

Se do ponto de vista dos sociólogos este aumento das doenças mentais está intimamente ligada à sociedade pós-fordista e ao turbo-liberalismo, para os Anarco-Primitivistas as causas originais de todos os males da modernidade devem ser procuradas no passado. Naquela época que viu o que o biólogo Jared Diamond chamou de “o maior erro da história da humanidade”: a transição de uma economia baseada na caça e na colheita para uma baseada na agricultura. Pós-fordismo e turbo-liberalismo são apenas as consequências mais próximas; e o mesmo foi a Revolução Industrial; a origem do mal é muito mais antiga, aconteceu 10.000 anos atrás e tem o nome de Revolução Neolítica.

Explica Diamond num seu célebre artigo publicado em 1987:

Descobertas recentes indicam que a adopção da agricultura, que se supõe ter sido o nosso passo mais decisivo para uma vida melhor, foi em muitos aspectos uma catástrofe da qual ainda não conseguimos recuperar. Com a agricultura chegaram as enormes desigualdades sociais e sexuais, a doença e o despotismo que tramam a nossa existência. Espalhados pelo mundo, muitas dezenas de grupos chamados primitivos, como os Kalahari ou os Bosquímanos, continuam a viver como caçadores e coletores. Acontece que essas pessoas têm muito tempo livre, dormem muito e trabalham muito menos do que os agricultores vizinhos. Por exemplo, o tempo gasto semanalmente para conseguir comida é de apenas 12/19 horas num grupo de bosquímanos; 14 horas ou menos para os nómadas da Tanzânia.

Trabalham menos, têm mais tempo livre, são menos propensos à desigualdade social. E ainda: são mais saudáveis:

Enquanto os agricultores concentram a sua dieta em culturas como arroz ou batata, a mistura de plantas e animais silvestres na dieta dos grupos de caçadores e coletores ainda existentes fornece mais proteína e melhor equilíbrio de nutrientes. Os bosquímanos, que comem cerca de 75 tipos diferentes de plantas selvagens, não podem morrer de fome do mesmo modo em que morreram centenas de milhares de camponeses irlandeses durante a carestia da batata em 1840.

Não vamos discutir aqui as razões que levaram o homem a escolher uma vida agrícola (isso pode ser encontrado no artigo original de Diamond; se os Leitores assim o desejarem posso traduzi-lo), mais importante é notar como a Revolução Neolítica também poderia ser a base para a propagação de epidemias:

O simples facto de que a agricultura encorajou as pessoas a reunirem-se em sociedades lotadas, muitas das quais praticavam o comércio com outras sociedades igualmente lotadas, levou à disseminação de parasitas e doenças infecciosas. […] As epidemias não podiam espalhar-se quando a população existia em pequenos grupos

Mas como poderíamos hoje renunciar às inovações científicas e médicas que levaram às vacinas, à derrota de muitas doenças, à redução drástica da mortalidade infantil e ao alongamento da vida humana? Ainda Zerzan na sua entrevista em Gizmodo:

Uma das conquistas da modernidade é o aumento da longevidade, sem dúvida. Mas devemos reflectir sobre isso: qual é a qualidade da vida? As condições críticas continuam a aumentar mesmo se as pessoas conseguirem viver mais. Não há provas a favor de um ulterior aumento da longevidade. E as nossas habilidades físicas? Os nossos sentidos eram uma vez mais agudos e nós éramos muito mais robustos do que somos hoje.

Resumindo: queremos quantidade ou qualidade? Mais vida com mais doenças ou menos vida com mais capacidade? Admitimos: escolher não é tão simples assim. O pesquisador Yuval Harari no seu Sapiens escreve:

O sucesso evolutivo de uma espécie é medido em termos de cópias de DNA: uma espécie cujo DNA não tem mais cópias é declarada extinta […]. Se, em vez disso, tivermos muitas réplicas de DNA, será bem sucedida e próspera. Olhando nessa perspectiva, mil cópias de DNA são melhores que cem cópias. Aqui está a essência da revolução agrícola: a capacidade de manter mais pessoas vivas em piores condições. Mas porque os indivíduos deveriam interessar-se nesse cálculos sobre o mecanismo da evolução? Porque uma pessoa sã pode desejar diminuir a sua qualidade de vida apenas para multiplicar o número de cópias do genoma do Homo Sapiens?

Portanto, a revolução agrícola poderia ter sido uma fraude do ponto de vista da saúde e da sociedade. E não só isso. Ainda Zerzan em Gizmodo:

Foi um passo fundamental, de aceitar o que a natureza oferece para a dominação sobre a natureza. A lógica intrínseca da domesticação de animais e plantas é de uma progressão ininterrupta que fortalece e aprofunda o controle. Hoje, é claro, o controle atingiu o nível molecular com a nanotecnologia e a esfera daquelas que eu considero as fantasias doentias da neuro-ciência transumanista e da inteligência artificial.

Liberdade primitiva e controle tecnológico

Assunto deveras actual: controle ou liberdade? Toda as vezes em que confiamos num dispositivo para gerir as nossas vidas (navegadores satelitares, assistentes virtuais, no futuro carros autónomos) estamos inevitavelmente a ceder uma parte da nossa liberdade e autonomia. Uma troca que tem vantagens inegáveis, mas que muitas vezes é experimentada de forma acrítica. Utilizamos estas comodidades porque dão jeito, simplificam, mas não pensamos naquilo que estamos a dar em troca. Porque damos algo em troca.

Isso acontece porque não temos presente a diferença entre instrumentos e dispositivos tecnológicos. Os primeiros são aqueles que permanecem sob o controle daqueles que os usam (um martelo, por exemplo), enquanto os segundos ficam sob o controle de quem os produzem. O sistema operativo Windows 10 é um excelente exemplo de dispositivo que nunca está sob o pleno controle do usuário. Não é difícil imaginar o que o filósofo primitivista pode pensar acerca da questão da coleta de dados realizada por empresas privadas que atingem os detalhes

Sempre em Sapiens, Harari escreve:

Durante as últimas décadas inventámos inúmeras ferramentas que economizam tempo e que dão a capacidade de fazer viver mais relaxados: máquinas de lavar roupa, aspiradores de pó, máquinas de lavar louça, telefones celulares, computadores, e-mail. Antes era preciso algum tempo para escrever uma carta, pôr o endereço, buscar um envelope e levá-lo ao buraco do correio. E eram precisos dias ou semanas para receber uma resposta. Hoje posso escrever um e-mail, enviá-lo para o outro lado do mundo e (se meu destinatário estiver on-line) receber uma resposta um minuto depois. Poupei tempo, esforço, mas realmente tenho uma vida mais relaxada? Infelizmente não. […] Hoje recebo dezenas de e-mails todos os dias, todos de pessoas que esperam uma resposta imediata. A ideia era economizar tempo; em vez disso, temos acelerado de dez vezes a roda que mói as nossas vidas e faz os nossos dias mais ansiosos e agitados.

A tecnologia, depois de ter prometido mais tempo livre e uma vida mais confortável, provou ser um simples aliado da sociedade turbo-capitalista, limitando-se a tornar todos mais produtivos e eficientes, mas certamente não mais livres e relaxados. Em suma, seja culpa da revolução agrícola, industrial ou tecnológica, o resultado é sempre o mesmo: as melhores condições gerais de saúde hoje são pagas ao preço de uma qualidade de vida inferior; a nossa sociedade traz consigo ansiedade, depressão e uma tecnologia levou-nos a ter os ritmos de vida cada vez menos naturais.

Entretanto o controle social tornou-se mais rigoroso. Reza a lenda Kaczinsky teve a sua primeira “iluminação primitivista” encontrando-se parado no carro parenta um semáforo vermelho (que, de facto, tem a capacidade de despoletar sentimentos poucos simpáticos). Ninguém do lado direito, ninguém daquele esquerdo. No entanto, a luz vermelha intimava de ficar parado e tinha a capacidade de tornar impossível usar o bom senso e decidir prosseguir, pois não havia risco de acidentes. O Leitor nunca experimentou uma situação como esta?

A explicação é simples: para evitar o caos, e assim para o bem da sociedade, nós desistimos de uma parte da liberdade. Aterrorizados com a ideia duma sociedade no caos, doutrinados desde a nascimento a seguir as regras (a escola é formidável neste aspecto), preocupados com a ideia duma multa (que afinal até poderíamos considerar “justa”, pois “quebrámos as regras”), recusamos utilizar o bom senso que diz “Não há ninguém, não prejudicas ninguém, podes proceder”. Ficamos parados, submetidos à cega vontade duma máquina com três luzinhas. O cão de Pavlov seria orgulhoso de nós.

Primitivistas contra Transumanistas

È curioso realçar como a teoria que está no extremo oposto do Anarco-Primitivismo, o Transumanismo, identifica exactamente os mesmos problemas. Zoltan Istvan, um apoiante do Transumanismo, escreve em Motherboard:

Como transumanista concordo plenamente com a visão dos primitivistas, segundo a qual onde a tecnologia e o progresso têm fundamentalmente mudando a vida da humanidade para o pior. […] A tecnologia e a civilização definitivamente saíram do nosso controle. [,,,] O cérebro e o corpo humano não são feitos para uma tecnologia tão radical, para as gigantescas metrópoles em que muitos de nós vivem ou para os esquemas sociais e de trabalho intensivo em que nos vivemos.

São as mesmas conclusões dos Anarco-Primitivistas. A solução, porém, é drasticamente diferente:

Nós [os transumanistas, ndt] queremos deixar para trás a raça humana e acolher um futuro tecnológico dominado pela ciência, feito de próteses robóticas, ecossistemas digitais, uma extensão indefinida da vida e novas filosofias sociais. […] O ponto fundamental do confronto entre Anarco-Primitivismo e Transumanismo é que as pessoas tendem a pensar que ainda somos humanos. Uma descrição que perde completamente a sua relevância ao discutir com quem usa um exoesqueleto, possui um microchip RFID, ocasionalmente toma Viagra e utiliza Google Glass. Somos seres humanos? Já não, e começámos a caminhar para o Transhumanismo há muito, quando recebemos a nossa primeira vacina.

Segundo este ponto de vista, portanto, a solução não pode passar por um regresso a uma forma primitiva de vida, mas sim por encontrar a coragem de aceitar as consequências extremas do progresso tecnológico e abraçá-las sem hesitação; encontrar respostas tecnológicas para os problemas que a tecnologia em si tem criado.

Ambas poderiam ser desclassificadas como utopias radicais que vivem apenas nas mentes dos filósofos desconectados da realidade; no entanto, o primitivismo parece ter individuado com maior clareza a principal incógnita do nosso tempo: faz sentido continuar a explorar as pessoas e o meio ambiente para o benefício de um capitalismo que não beneficia a sociedade como um todo?

Um tema que os principais actores políticos e sociais parecem não enfrentar. O que é curioso pois, consideradas as características da nossa sociedade, trata-se daquela que deveria ser a principal questões entre todas. Sem dúvida é este ponto que tem que ser salvo da teoria primitivista: a correta identificação de problemas que não preenchem a agenda política, mas em torno dos quais está começando a formar-se uma certa consciência.

Não voltaremos a ser caçadores e coletores (é uma mera questão numérica: somos muitos) e nem aprecem entusiasmar os caminhos “moderados” como o decrescimento feliz (renegado pelos primitivistas); mas se um dia será possível enquadrar corretamente e resolver os males do nosso tempo, isso também será devido aos movimentos extremistas, utópicos e “impossíveis” que os identificaram.

Há depois uma outra possibilidade: que no futuro o Anarquismo-Primitivista não seja uma escolha mas uma consequência obrigatória. Mas este é um panorama bem pessimista…

 

Ipse dixit.

Fontes:

Alguns dos livros citados no artigo:

  • Theodore J. Kaczinsky: Anti-Tech Revolution: Why and How (obviamente não esperem encontrar uma versão em português…). Download gratuito via Internet Archive: link
  • Yuval Noah Harari : Sapiens: História Breve da Humanidade. Este livro existe traduzido: obviamente não posso pôr o link duma versão gratuita porque é uma obra protegida por direitos. No entanto, podem tentar procurar no Google “yuval harari sapiens uma breve história da humanidade pdf” e ver o que acontece ao visitar a página cujo nome e´”download.baixelivros.biz”, nunca se sabe…
  • John Zerzan – Questioning Technology. Outro livro que não vão encontrar traduzido. Todavia é possível encontrar do mesmo autor algo ainda melhor: Futuro Primitivo. Ao procurar no Google “John Zerzan Questioning Technology traduzido pdf” temos uma série de resultados. Não tenho tempo para controla-los todos, mas o Leitor pode experimentar o que acontece na ligação do site “we.riseup.net”.

Lembro que baixar obras protegidas por direitos autoriais é crime e comporta penas severas: não baixem de forma ilegal, comprem!

2 Replies to “O Anarco-Primitivismo”

  1. ,
    ,Olá Max: toda sorte de acumulação começou com as práticas agrícolas de retenção dos excedentes ao consumo necessário, e a fixação no território onde tais práticas ocorriam. Muita gente tem tratado disso, mas traduzir o artigo do Diamond seria importante para checar as causas que ele aponta para o predomínio dos povos agrícolas sobre os coletores e nômades.
    Quase todos têm a longevidade como uma benção. Provavelmente não é, e nem será. Porque o que nos mantém vivos é, como tudo mais, termos sido mercantilizados pelo consumo de drogas artificiais e pedaços naturais ou artificiais substituídos. Ainda não entendi bem porque mas, pelo menos pelo que me diz respeito, insistimos em continuar vivos, como se, e novamente me refiro a mim, como se eu não tivesse visto/vivido tudo que fosse possível!!
    De resto, me parece que o caminho para o transumanismo é inexorável, e o anarquismo-primitivista pouco provável para os transumanizados. Se é que há caminho, meu ponto de vista hoje reside em mitigar o autoritarismo reinante nas formas que a economia e o comportamento social aprofundam.
    Quanto à economia, sabemos que a sua globalização neoliberal exacerbou o autoritarismo no pensamento único, sem aceitação de outros caminhos, e destruiu o potencial de coletividade entre os humanos, esfarelando as sociedades em migalhas de indivíduos sós e responsáveis por perdas e ganhos de si próprios.
    O comportamento humano foi consequência: temos medo de perdas, somos competitivos e inseguros. É claro que estamos doentes, e tratados sempre e mais para continuarmos vivos, ou mortos vivos, zumbis como costumam dizer. Cada pingo de não autoritarismo que possamos praticar, é uma centelha de vida que alimentamos.

  2. Ui Max foste buscar um assunto que está muito em voga em Sillicon Valley e não só, obviamente nas outras SV pelo mundo no oriente e na europa, e outros meios académicos até outras correntes mais abrangentes.
    Pegas no Kaczinsky/unabomber, Harari, e Zoltan Istvan e muitos outros que já lí e re-lí e outros que vou ler, nem que sejam os pontos principais.
    Grato pelos links e info.
    Futurologia não faço mas aposto que essas utopias (será?) já estão em pleno funcionamento (de uma forma híbrida, não tão radical) acredita estão em quase simbiose e existe um respeito mutuo (não tão radical).

    O establishement politico sabe, mas não sabe ainda como lidar com isso, estão tão á toa que ainda nem sabem lidar com processos mais simples, como a lenta derrocada e deturpação do que se entende como democracia(hoje em dia). Resultado vão empurrando, como se nada fosse, até bater à respectiva porta.

    O problema será o “establishment” económico(não todo, óbvio) ligado ao de cima(aí será o problema)? Num sistema em grande parte especulativo, e a curto prazo, baseado “em confiança” é como as ideias, são curtas, assim como cada vez mais quem produz/constrói e percebe a realidade cada vez menos manda(isso é com accionistas e ceo’s que disso, fazer algo nada percebem a não ser maximizar o seu largo espólio),…ou como de costume: soluções simples e minimalistas para problemas complexos, que geralmente dão m%÷€%=
    Se a roda da economia não funciona e não existe consumo, e parte ou maioria está excluida do sistema ao contrario de Maria a hipótese transumanismo(acho que será minoria), um Anarco-Primitivismo(desde soft até mais duro) conforme local, tempo, ambiente.

    Sem dúvida:

    “Um tema que os principais actores políticos e sociais parecem não enfrentar. O que é curioso pois, consideradas as características da nossa sociedade, trata-se daquela que deveria ser a principal questões entre todas. Sem dúvida é este ponto que tem que ser salvo da teoria primitivista: a correta identificação de problemas que não preenchem a agenda política, mas em torno dos quais está começando a formar-se uma certa consciência.”

    O tempo o dirá, mas acredito que mais tarde ou mais cedo lá irão.

Obrigado por participar na discussão!

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