A privatização não funciona – Parte II

É interessante frisar como em situações de guerra (guerra no nosso território, não as intervenções “pacificadoras” em Países desgraçados, como a Síria ou o Yemen) a mentalidade “privada” e “de mercado” é apenas perturbadora, subversiva e imoral: é preciso fazer funcionar os comboios debaixo das bombas e com eles a logística, a distribuição de energia, a reparação das infraestruturas danificadas, até mesmo a distribuição da correspondências, qualquer que seja o custo é dever do cidadão, do Estado.

O caso extremo é o racionamento estatal dos alimentos: o “livre mercado” é abolido, torna-se um “mercado negro” que merece a pena capital. Não são consideradas as possíveis ineficiências dos cartões de racionamento, o custo do preço ajustado às possibilidades do cidadão: tudo é válido e não contam os prejuízos. Evidentemente, há algo de mais moral e fundamental do que a “liberdade” privada.

O caso Mattei…

Mas mesmo em situações mais normais, é interessante notar como o trabalho do homem do Estado consista em suprimir o mercado ou reduzir o seu impacto. Quando o italiano Enrico Mattei, nos anos ’50 e ’60 do século passado, assinava acordos de dez anos com o Irão ou com a Argélia, subtraia a Itália (mas também o País produtor) às variações imprevisíveis e neuróticas do mercado “livre”: as duas partes estabeleciam um preço médio e justo, conveniente para a Itália mas também para o País produtor, que assim podia contar com previsíveis e certas receitas para os seus planos de desenvolvimento, longe da especulação e da chantagem das Irmãs (o cartel das petrolíferas privadas) e do poder financeiro que sempre as acompanha.

Subtraia o País produtor ao colapso em caso de dificuldades do mercado, prevenia o empréstimo internacional (FMI) que significa dívida, a expropriação dos poços. Obviamente Mattei foi morto num atentado do qual nunca foram encontrados os responsáveis, sinal de que tinha mexido em algo muito delicado.

…e o casamento Tesouro-Banco Central

Os bens essenciais são, quando necessário, removidos do mercado. Voltando ao caso italiano: até 1981 existia um “casamento” entre o Ministério do Tesouro e o Banco da Itália, pelo que este último era obrigado a comprar os títulos emitidos pelo Tesouro eventualmente não vendidos nos mercados. Isso acalmava os interesses exigidos pela usura internacional, poupava o aumento da dívida pública e salvaguardava a autonomia política nacional, permitindo políticas de pleno emprego (ao preço de alguma inflação, claro) e sem que faltassem fundos para programas de infra-estruturas (que o “mercado” nunca faria, sendo exigidos grandes investimentos de longo prazo).

A razão ética na base desta ideia era que o trabalho dos cidadãos (porque é o dinheiro que comanda o trabalho) não pode ser abandonado nas mãos da especulação estrangeira sedenta por lucros imediatos. O que provocou o actual sistema de dependência dos mercados internacionais que “julgam” a dívida pública de cada País; um sistema onde 98% dos bancos estão submergidos na dívida.

É este um sistema mais eficiente? Trinta anos de privatização deveriam finalmente fazer entender que o objectivo da privatização dos serviços públicos nunca foi melhorar o funcionamento dos próprios serviços, mas substituí-los por empresas com o objectivo de obter lucros. E nada mais.

É o Estado que inova

Pelo contrário, sobrevive o mito de que o Estado é burocracia e desperdício, enquanto o capital privado é o único “criativo” e promotor da inovação. O que é verdade é o exacto contrário.

Olhamos para o nosso smartphone que torna todos tão felizes. O aplicativo que permite encontrar uma estrada numa cidade desconhecida, graças a um mapa virtual (GPS), nasce como um aparelho de guia para mísseis de cruzeiro: funciona apenas graças a satélites artificiais geoestacionários em órbitas específicas, que nenhuma empresa privada jamais colocou em órbita.

A câmara digital com a qual podemos tirar selfie e aborrecer todos no Facebook foi projectada para os satélites espiões (isso porque lançar o filme com pára-quedas não era uma grande solução).

A miniaturização que faz com que o nosso smartphone fique no bolso é o resultado de pesquisas para reduzir o volume dos satélites artificiais e de ogivas de mísseis.

Tudo isso, com a própria Internet à qual o smartphone está conectado, foi inventado e concebido não por privados, mas nos laboratórios da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency, a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada da Defesa), uma instituição do Estado americana que pertence ao Ministério da Defesa. Nenhuma empresa privada teria investido e arriscado os seus capitais no desenvolvimento de tais invenções para as quais, na altura, não havia mercado.

Depois chegaram os vários Steve Jobs e Bill Gates que acumularam milhões explorando os resultados das pesquisas militares para torna-las objectos comercias de sucesso; mas os verdadeiros génios, os que inventaram, são pesquisadores desconhecidos, agora com uma certa idade, que gozam da reforma do Estado. Eles trabalhavam para o Estado, o Estado deu-lhes instruções sobre o que queria, o Estado financiou as suas pesquisas, aquelas bem sucedidas e os fracassos também: o objectivo não era o lucro.

A iniciativa privada não trabalha assim, não tem capacidade: é por isso que Margaret Tatcher privatizou tudo mas não as indústrias de alta tecnologia, eletrónica, aeronáutica e defesa, evitando listá-las no mercado das ações para que não caíssem nas mãos de estrangeiros. A característica destas indústrias de alta tecnologia é de ser sempre umas indústrias do Estado: sempre, também nos casos de aparente propriedade privada. Porque acham que nenhum capitalista chinês ainda conseguiu entrar numa empresa estratégica como a Lockheed, a General Dynamics, a Northrop Corporation?

As industriais cruciais

Por qual razão estas indústrias (todas conectadas à defesa) são cruciais? Em primeiro lugar por causa da função no progresso técnico, ou seja, do investimento no património tecnológico nacional. Depois há o lado da defesa, pois garantes a independência do exterior em algumas áreas vitais. E depois por causa da contribuição para a balança comercial: poucos sabem que a primeira voz na exportação industrial de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia é a aeronáutica. Podemos gostar ou não, mas um País que descarta as indústrias de alta tecnologia, principalmente aquelas relacionadas com a defesa (que, como vimos, é uma fonte de inovação), sai do mundo “que conta” e fica dependente dos outros.

O facto da inovação nascer constantemente no âmbito da industria bélica não deve surpreender: a nossa é uma espécie primitiva neste sentido, que vê na supremacia militar um valor prioritário. É algo que obriga a reflectir, mas não deixa de se rum facto. A Rússia, apesar de ter um PIB não particularmente elevado (inferior ao PIB italiano ou brasileiro), não está reduzida ao nível duma Venezuela porque pode contar com as suas indústrias militares avançadas e os seus cientistas integrados nestas indústrias do Estado. Na verdade, é um protagonista geopolítico global.

 

Ipse dixit.

Relacionado: A privatização não funciona – Parte I

Fonte: Blondet & Friends

16 Replies to “A privatização não funciona – Parte II”

  1. Portanto, as empresas civis aproveitam tecnologia desenvolvida para aniquilar a humanidade e utilizam-na para melhorar a qualidade de vida dessa mesma humanidade…E só o estado é que inova? A iniciativa privada não tem capacidade ? Pois não, é o Estado que esmaga a iniciativa privada com impostos e taxas para derreter na industria do armamento em coisas que nem sonhamos e só daqui a 40 anos iremos conhecer (com sorte) e a iniciativa privada “paga a festa” e ainda lhe sobra para converter industria bélica em bens de consumo . Um pais que descarta a industria da defesa sai do mundo que conta ??? Deve ser por isso que a Islândia não tem forças armadas nem industria de armamento e fez “cheque mate” ao FMI e felizmente para eles saíram do tal “mundo que conta” Epá eu também queria sair desse mundo que conta… )))

    1. Olá P. Lopes!

      O Estado esmaga a iniciativa privada com taxas e impostos? Sim, verdade. Mas qual a razão? Por qual motivo antes, quando as empresas dos sectores-chave eram estatais e os bancos centrais eram autónomos, não havia uma tal necessidade? Quanto à importância da Islândia no panorama internacional… bom, talvez quando há uma erupção um pouco mais forte…

      Abraçooooooooooooo!!!

    2. O caso da Islândia é um exemplo raro da mentalidade de um povo e sociedade.
      Quando a crise rebentou os Islandeses recusaram-se a pagar a fatura dos bancos.

      O país que prendeu banqueiros e demitiu dois primeiros-ministros
      Estava-se no final de 2008 e, no início do ano seguinte, Haarde e o seu governo foram forçados a demitir-se por causa da pressão do descontentamento popular.
      No auge da crise a ilha impôs o controlo de capitais e teve de nacionalizar três dos seus bancos. A coroa islandesa desvalorizou 85% face ao euro e o país entrou em falência. No caso do banco Icesave, o então presidente islandês Ólafur Grimsson vetou o acordo de indemnização ao Reino Unido e à Holanda quanto às perdas da sucursal online do banco islandês e, em referendo, a população apoiou a sua decisão.
      https://www.dn.pt/mundo/interior/o-pais-que-prendeu-banqueiros-e-demitiu-dois-primeiros-ministros-5465024.html

      Islândia levou políticos e banqueiros ao banco dos réus
      https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,islandia-levou-politicos-e-banqueiros-ao-banco-dos-reus,185865e

      E so procurar no google por “Islândia banqueiros presos” (sem as aspas)
      (Cá em Portugal nem um esta preso, Oliveria e Costa ja foi posto ca fora silenciosamente, o Salgado devem ter receio de po-lo no banco dos reus nao va este ficar tambem com um buraco)

      Na Islândia o governo optou por fornecer dinheiro as pessoas para pagar as hipotecas das casas em vez de o fornecer aos bancos.

      Este e um caso de estudo que muitos optaram por abafar por ser um exemplo que poderia criar muitos problemas a mafia que esta instalada.

      O problema nao é o estado, é quem o gere. Quantos que estiveram no comando do estado e em vez de zelar pelos interesses da nação zelaram pelos interesses deles e compadres. Ferreira do Amaral negociata com a lusoponte para onde depois foi como gestor, Socrates com outras mais , Freitas do Amaral depois da liberalização dos preços dos combustiveis e posterior privatização da Galp la saltou ele todo contente para a Galp e muitos mais exemplo existem pelas terras Lusitanas.

      Ca em Portugal fala-se da gestão do estado como se fosse algo negativo e a iniciativa privada algo maravilhoso mas esquecem-se de dizer e mostrar quantaas empreseas vao a falencia, ou os exempos que eram dados de maravilhosa gestao, optimizacao e sinergias dos bancos que so nao foram todos ao charco pq o estado (contribuinte) se atravessou para salva-los.

      No discurso da treta muito populista ca em Portugal
      -se é estatal e dá lucro oferece-se aos privados para o dinheiro circular na economia (offshore offshore)
      -se é estatal e dá prejuizo fecha-se
      -quere-se menos impostos

      se o que é estatal e dá lucro é oferecido aos privados e se querem pagar menos impostos pensam que o dinheiro vai cair do ceu para pagar as contas. Feliz da vida esta a Lusoponte que arrecada as receitas e manda os custos da manutenção ao contribuinte, por exemplo.

      Ou o caso das empresas para apagar incendios em vez de ser a Força Aerea a executar essa tarefa

      Portugal contratou serviços a cartel espanhol para combate de incêndios
      O jornal El Español avança uma investigação sobre um cartel de combate a fogos que o governo português contratou e que cobrava preços três vezes superiores ao custo do serviço.
      https://observador.pt/2017/06/23/portugal-contratou-servicos-a-cartel-espanhol-para-combate-de-incendios/

      Ha sectores de actividade economica que fazem sentido serem privados mas tambem ha sectores de actividade que so fazem sentido serem estatais

  2. IMPORTANTE!

    Estou a gostar muito desta plataforma WordPress, todavia há um pequeno problema relativo aos comentários: de vez em quando, o filtro bloqueia um comentário absolutamente legítimo. Não “apaga” mas bloqueia: isso significa que o comentário em questão fica à espera da minha aprovação. Todos os comentários são agora publicados pelo que, se o vosso comentário não aparecer de imediato, não se preocupem pois irá aparecer mais logo: não será apagado.

    Um exemplo é o comentário de EXP001, publicado acima: encontrei-o à espera de aprovação, o que não faz sentido.

    Vou estudar o caso e tentar resolve-lo, prometo solenemente!

    Abraço!

  3. Antes ? O Estado ( republicas, monarquias, impérios…) sempre esmagou o povo com impostos e taxas… é uma longa tradição, nunca chega. O artigo compara o incomparável. O sector empresarial do Estado com os privados, quase 50% dos gastos de uma empresa privada são impostos, taxas ,licenças, multas, burocracias e contribuições para a Segurança Social o Estado não entra em insolvência se entra vem de lá o FMI e o povo paga… uma empresa em dificuldades é como um cão doente…quanto mais doente o cão está mais as pulgas o atacam, o estado não paga nem sofre nada disto e pode criar para si monopólios… depois chegamos á conclusão que o estado é melhor gestor ?
    A comparação deste ponto de vista é absurda, existe uma cooperação entre sector público e privado e não uma competição pelo premio de melhor gestor.
    Mas o que me deixa estupefacto neste artigo é a apologia da industria do armamento …é deprimente…
    A importância da Islândia no panorama internacional depende da sensibilidade e dos conhecimentos de quem interpreta, e sim o exemplo da Islândia poderia ter provocado um terremoto no sistema financeiro mundial (…)

    1. Olá P.Lopes!

      O facto da indústria dos armamentos significar tanto na nossa sociedade é deveras deprimente e obriga a reflectir sobre o conceito de “evolução da espécie”. A nossa espécie, entendo.

      A Islândia: pudesse, emigraria logo para um País do extremo norte europeu, Islândia incluída. Mas isso não retira que a Islândia está à política internacional como Tony Carreira está ao heavy metal. Lamentável? Sim, mas assim é. (Os Leitores brasileiros estarão a perguntar: “Mas quem raio é este Tony?” Uhi, não sabem o que estão a perder!)

      “uma empresa em dificuldades é como um cão doente”
      Depende da empresa. Em Portugal houve cães doentes que ficaram com milhões do Estado porque “não se pode deixar falir um banco”. Em Italia, se a Fiat tivesse que devolver todo o dinheiro dos contribuintes nem com os fundos para construir uma bicicleta ficaria. E o mesmo pode ser dito da Volkswagen na Alemanha. O Estado (que somos nós) é incómodo, mas não quando faz prendas como estas…

      Taxas e impostos: há muito o blog dedicou espaço ao assunto. Taxas e impostos, numa sociedade normal, nem seriam necessários. Mas aqui o discurso é muito complexo: sem taxas e impostos, qual moeda utilizar? A do Estado onde se vive? E por qual razão? Isso daria um prejuízo enorme, não tanto em termos monetários quanto de poder.

      Nos últimos anos a situação mudou de forma radical na Europa por causa do Euro: taxas e impostos são, de facto, das poucas entradas que ainda podem encher os cofres do Estado (que já não pode emitir moeda) e segurar alguns serviços.
      Lembro a situação italiana antes do Euro: uma dívida colossal e ninguém ficava preocupado com isso. Com razão, pois o Estado imprimia dinheiro e nunca foi precisa uma intervenção do FMI & companhia. Agora, pelo contrário…

      Grande abraçooooooo!!!!

  4. Se a privatização não funciona… nacionalizamos tudo e criamos uma URSE (União das Republicas Socialistas Europeias ) E para fazer cumprir …uma policia Secreta e um exercito azul e Gulags …os condimentos todos , O camarada Nuno pode ser o Secretario Geral do Comité Central da URSE … Hmmm acho que vou ter pesadelos com isto…

    1. Não, isso não! A experiência do bloco soviético deve ter ensinado algo. Eu acredito no livre mercado (que não significa Capitalismo e nada tem a ver com o nosso sistema actual), mas também acredito que tenha que existir uma “compensação” por parte do Estado: por exemplo, mantendo a gestão de alguns sectores-chaves (como tinha dito Krowler: educação, saúde, etc.).

      Abraçooooo!!!!!!!!!!!!

    2. “O Estado ( republicas, monarquias, impérios…) sempre esmagou o povo com impostos e taxa”
      Então qual é a solução?
      Acabar com os estados nação?
      Viver numa anarquia ou algo do estilo Mad Max?

      E se não quer pagar impostos ou que pagar poucos impostos, acha que a segurança pública, saúde pública, infraestruturas lhe vai cair do céu?

      E os benefícios de uma sociedade e povo com boa instrução, boas redes de comunicação e telecomunicações, paz social, boas condições sanitárias, não são contabilizados quando uma empresa se quer estabelecer num determinado país? E essa factura é paga por quem, so pelo contribuinte que btw também que pagar poucos impostos e as empresas e só usufruir ? Teem alternativas boas … A Somália por exemplo, poucos impostos e mão de obra barata deve ser um sítio maravilhoso para investir. Já a Suécia, Dinamarca, Noruega são países horríveis pq os impostos são altíssimos.

      “nacionalizamos tudo e criamos uma URSE ”

      Ha sectores de actividade economica que fazem sentido serem privados mas tambem ha sectores de actividade que so fazem sentido serem estatais

      E pronto quando faltam os argumentos lá vao buscar a lenga lenga da URSS. Típico dos seguidores cegos do querido líder profeta pregador de Massamá pedro passos coelho PPC que é parecido com PCC de partido comunista chinês a quem nacionalizou a nossa EDP. Ou então do maoista reconvertido durao Barroso que agora anda mais pelas bandas da Goldman Sachs

  5. Camarada P. Lopes, já disse aqui inúmeras vezes que o bicho papão do comunismo ou a URSS não são exemplos…esse sistema faliu. Tinha coisas positivas mas muitas negativas. Não esquecer que o que Gorbachev pretendia era o modelo keynesiano/social do norte da Europa (ver na net em inúmeras entrevistas). O problema é que entrou quando estavam em processo de transição forças de fora e interna e provocaram o caos dos anos 90.
    A NASA quando era do estado americano nos anos 60/70 e 80 não fez melhor(motivo óbvio de orgulho nacional), ou a “privada” que colocou Gagarin no espaço…Mas acho que o EXP acima diz tudo o que quereria dizer.

    Um abraço camarada P. Lopes

    1. Camarada Nuno,!!! Não desanimes voto em ti para Secretario-Geral do Comité Central da URSE e pelo tipo de declarações parece que já temos aqui 2 sérios candidatos a chefe da policia secreta. Uuuuiiii :)))
      Max quando falei de empresas referia-me a empresas sérias como o são a maioria e não aos tubarões das PPP ou das multinacionais que sugam e chantageiam países , acho que era percetível.Cobrar “impostos necessários” e “esmagar o povo com impostos” não é a mesma coisa, do que disse sobre as empresas , e mantenho! recorri á minha experiencia pessoal de 15 anos como empresário, como não pretendo fazer comentários maiores que o texto original quero apenas resumir : O estado não paga impostos ao estado ! Se estou a competir que um gestor que não paga impostos como é que o meu preço final pode ser mais competitivo? mantenho que o texto apresentado é tendencioso, parte essencialmente do modelo dos caminhos de ferro e da defesa que são 2 nichos e extrapola para tentar aplicar a todo o universo empresarial …. há artigos muitíssimo bons aqui neste blog mas este, para mim, não é claramente o caso como procurei demonstrar. E compreensível que seja aborrecido…se eu tivesse a presunção de tudo saber também ficaria desanimado com qualquer comentário diferente do meu raciocínio.
      Grande abraço camaradas !!! :)))

      1. P.Lopes, não digo o contrário até porque é estar a comparar coisas completamente diferentes, nisso concordo. O problema é que é mau para as PME e provoca desequilíbrios alem de concorrência desleal e depois muitas ou são adquiridas por tubarões ou declaram insolvência, quando vendo bem não são pouco úteis, são utilissimas.
        Interessante que muito do que se cá tinhamos faliu (não por falta de qualidade). Agora tem que se importar, logo menos dinheiro a circular, mais desemprego(e com gente qualidicada ou especializada). Menos gasto do consumidor o que é mau para todos.
        Essas empresas que mencionas e bem são parte de multinacionais/estatais mal geridas ou vendidas. Mas um governo sério deve promover o produto nacional, até ajudar são património, estão cá a produzir e a criar e a empregar.
        Mas isso é o neo liberalismo que só interessa a monopólios sem fronteiras.
        A ver se em outros lados da própria UE os estados não protegem essas mesmas privadas, é óbvio.

  6. Chega a desanimar as abordagens feitas. Compara-se funções públicas com privadas, bem-estar com lucros, acreditam em “livres’ mercados, mantra dos liberais capitalistas enrustidos, pois no significar de livre mercado cabe tudo e nada ao mesmo tempo. Trazem a URSS como demônio, ignorando que o processo que a criou foi obra experimental dos socialistas fabianos, e que, assim como Hitler durante o período do ultra-nacionalista alemão, Stalin decidiu personificar o poder, ganhou a guerra para o ocidente/EUA e morto pouco tempo depois, o que desencadearia a gradativa retomada do sionismo moscovita na região.

    1. Olá Chaplin!

      Eu acredito no mercado livre, também porque o mercado “fechado” foi um fracasso. Pode ter sido uma obra experimental, mas fracassou e não apenas na União Soviética.

      Quais outras experiências temos? Cuba foi alvo de pesadas sanções, pelo que não conta; os Países comunistas europeus eram de facto servos de Moscovo; a Coreia do Norte não é bem comunista e nem socialista.
      Portanto sobram:
      – China, que tentou uma Terceira Via com os seus cidadãos a morrerem de fome;
      – Camboja? Melhor não falar nela;
      – Laos e Vietname, que estão a abandonar os ideais da Esquerda a abrir ao mercado internacional;
      – Venezuela? Um regime timidamente socialista… mas Comunismo e Socialismo moram num outro lugar.

      Pelo que: qual experiência comunista ou socialista podemos apontar como um sucesso? O que vimos até hoje dos regimes de Esquerda é que têm duas fortes tendências: a primeira é a tendência a serem facilmente manipulados, sobretudo a partir do interior; a segunda tendência é o vício em descarrilar para regimes oligárquicos (como a União Soviética) ou com cultos da personalidade.

      Claro, falamos aqui do Comunismo que tivemos ocasião de conhecer: o Comunismo autêntico nunca foi verdadeiramente implementado, talvez só na Comuna de Paris. Pessoalmente estou cada vez mais de acordo com Rosa Luxemburg (não acaso feita desaparecer rapidamente): o Comunismo poderia ser possível apenas quando em todo o mundo o proletariado decidisse rebelar-se. Até lá, teremos apenas experiências fracassadas. Então, se tenho que escolher entre morrer de fome por causa dum plano quinquenal ou zangar-me com vida, escolho a segunda opção. Chamem-me egoísta…

      Abraçooooo!

      1. Eis o falso dilema! Capitalismo liberal ou Capitalismo de Estado. E nós aqui, tergiversando no teu blog… Acreditar em processos civilizatórios exauridos e que somente a propaganda travestida de ideologia se encarrega de chamar de democracias/evolução, e iludir os viventes servis? Desconsidere as experiências que envolveram socialismos/comunismos, e sabe pq? Porque estamos longe de conseguir conviver com os valores base de uma sociedade verdadeiramente assim. E por continuar uma utopia é que a degeneração civilizatória continuará.

  7. Uma coisa fica muito clara na experiência Brasil/Brazil.
    Quando o Estado vive momentos de relativa independência, investe no limite das suas forças em defesa, infraestrutura, energia. No caso do Brasil:pesquisa avançada de petróleo,energia nuclear e comunicações; infraestrutura de transporte e moradia. Significa que o país está usando seus recursos para melhoria de vida da população em geral, e isto fica visível.
    Quando o Estado resvala para a dependência dos privados nacionais e internacionais, bancos a frente, o Estado é desqualificado como gestor e regulador e tudo é privatizado:sistemas de defesa, comunicações, energia…até mesmo a água. Medidas são tomadas para a limitação da população aos serviços de educação, saúde e segurança, organização do trabalho.E o retorno desses empreendimentos todos fica nas mãos de acionistas…o país é um moribundo, esfomeado.
    O setor privado é fundamental a qualquer país, mas nunca interferindo naquilo que garante sua soberania, e a qualidade de vida de sua população. Perdemos o pré-sal, fruto da pesquisa geológica da estatal Petrobras, a mais qualificada mundialmente, retorno que melhoraria as condições de vida das próximas gerações no país.Acabaram com o trabalho das refinarias de petróleo e estão em vias de por fora a Eletrobras, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, um banco que financia a moradia. Curioso que na competitividade internacional o desgaste do Estado e das instituições jurídicas incitou o desmonte das maiores empresas privadas do país que operavam internacionalmente com relevância mundial: Odrebrecht e exemplo de uma estupidez desqualificável sob a aparência de combate à corrupção. Resultado: milhões de desempregados…viva a eficiência do privado…para quem?

    energia elétrica, distribuição de energia, refinarias de petróleo

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