Suécia: em caso de crise ou de guerra…

O governo sueco começou a enviar uma brochura a todas as 4.8 milhões de famílias do País para informar a população, pela primeira vez em mais de meio século, sobre o que fazer em caso de guerra.

Om krisen eller kriget kommer (“Se chegar a crise ou a guerra”) é o título da publicação não propriamente optimista que explica como garantir as necessidades básicas, como comida, água e calor, o significado dos sinais de alerta, onde encontrar abrigos anti-atómicos (nada menos) e como contribuir para a “defesa total” da Suécia.

O livrete de 20 páginas, ilustrado com imagens de aviões de guerra e famílias que fogem das suas casas, também prepara a população para perigos como ataques ciberterroristas e mudanças climáticas, além dedicar uma página à identificação de notícias falsas.

Reza a brochura:

Embora a Suécia seja mais segura do que muitos outros Países, ainda existem ameaças à nossa segurança e independência. Se você estiver preparado, ajude a melhorar a capacidade do País em lidar com a tensão severa.

Folhetos semelhantes foram distribuídos pela primeira vez na Suécia neutral em 1943, no auge da Segunda Guerra Mundial. Actualizações foram regularmente fornecidas ao público até 1961, depois apenas para funcionários do governo local e nacional até 1991.

Explica Dan Eliasson, da agência civil sueca responsável pelo projecto:

A sociedade é vulnerável, temos que nós preparar como indivíduos. Há também uma falta de informação em termos de conselhos concretos, que pretendemos fornecer.

A publicação surge quando, na Suécia, o debate sobre a segurança e sobre a possibilidade de ingressar na NATO ficaram mais intensos, após a anexação da Crimeia por parte da Rússia em 2014 e as recentes incursões no espaço aéreo e nas águas territoriais suecas de aviões e submarinos de Moscovo.

O país começou a reverter os cortes nos gastos militares: no ano passado, organizou os seus maiores exercícios militares em quase um quarto de século, reintroduziu o recrutamento militar e revelou planos conjuntos com a Dinamarca para combater ataques cibernéticos e desinformação.

O folheto aconselha as pessoas a pensar em como lidar com a falta de aquecimento, comida, água, correio eletrónico, telefones celulares e internet. Também aconselha verificar sempre as fontes das informações, alertando que “Estados e organizações já estão a tentar influenciar os nossos valores e a nossa maneira de actuar […] e reduzir nossa capacidade de recuperação e disposição para nós defender”.

Uma página detalhada sobre “conselhos caseiros” incita a população a estocar garrafas de água, roupa, sacos de dormir e “alimentos não perecíveis, que podem ser preparados rapidamente e requerem pouca água”. Em caso de conflito armado, diz que “todos são obrigados a contribuir e todos são necessários” para a “defesa total” da Suécia: qualquer pessoa entre 16 e 70 anos “pode ​​ser chamada para ajudar no caso de uma ameaça de guerra ou de guerra real”.

A Suécia não está envolvida numa guerra há mais de 200 anos. O último conflito é de 1814, na Guerra Sueco-Norueguesa, quando a Suécia atacou a Noruega para impedir que este País pudesse tornar-se totalmente independente. No mesmo ano foi assinada a paz, com os dois Países a formar uma união que foi dissolvida de forma pacífica em 1905. Coisas de nórdicos.

Agora a ameaça duma guerra parece tornar-se mais real e a Suécia avisa: caso seja atacada “nunca desistiremos. Toda a informação que diz que a resistência deve cessar é falsa”.

Gente pragmática estes Suecos: o ar que tira não é dos melhores e eles preparam-se. Não está errado. A dúvida é: não estão em guerra há 200 anos e querem entrar na NATO? Qual o problema? Um excesso de balas nos armazéns? Gente pragmática, sem dúvida, mas é o timing que preocupa: não parece a melhor altura para iniciar certas frequentações…

Ipse dixit.

Fontes: The Guardian, Viktig Information Till Sveriges Invânare – Om krisen eller kriget kommer (ficheiro Pdf, sueco).

Imagens originais da brochura

5 Replies to “Suécia: em caso de crise ou de guerra…”

  1. Não é a Suécia que quer entrar na NATO é a NATO que quer usar o território da Suécia como plataforma para se aproximar da Rússia. O fantasma da guerra é a forma mais eficaz de convencer a população sueca, a forma de abafar a oposição ao serviço militar obrigatório e a forma de modernizar ainda mais a FFAA suecas ( de preferência com equipamento americano) A maior ameaça á segurança da Suécia não é externa, é o excesso de imigrantes não integrados. Os serviços de informação da NATO são bem capazes de ter aterrorizado falsamente a Suécia para a persuadir a juntar-se á NATO e continuar a manobra de se aproximar mais e mais das fronteiras da Rússia até a Rússia estar tão estrangulada que desesperadamente seja forçada a atacar ou se não atacar … inventa-se mais um "false flag". Esta é a única obsessão da NATO forçar a Rússia a ser inimiga para justificar a própria existência e prosperar o Complexo Industrial Militar .

  2. Esta brochura está em várias línguas em formato PDF, o que é um pouco estranho(propaganda?).
    Ontem libertaram a Júlia Skrypal que quer voltar para a Rússia(como é?).
    Ao mesmo tempo os alegados especialistas holandeses fazem estranhas afirmações sobre o avião abatido da Malaysia Airlines, mas que raio fazia o avião numa no fly zone* zona interdita a voos, que todas as companhias aéreas a operar nessa rota sabiam que é para evitar ou a norte ou sul. E enfiam mais suspeitas sem participação do acusado: mais uma vez o grande império do mal, diabolizado chamado Rússia. E acrescentam ficção científica que o que atingiu terá vindo da zona de Kursk.(está gente é má em geografia, radar, vigilância satélite e muito mais)mas conseguem vender uma guerra no Iraque para depois dizem reconstruir e sacar o petróleo, baseado em mentiras. Ora ganharam milhões em contratos para invadir e a seguir reconstruir e meter lá um estado fantoche que permite mais contratos para pseudo-reconstruçao pelo na altura você o Dick Cheney e a Halliburton é só obter lucros extraordinários e tornar a coisa ingovernável. Segurança é feita é aos oleodutos. No Afeganistão por muito que gastem só conseguiram inundar o mercado com droga: heroína & derivados das papoulas afegãs, a guerra é suportada pela venda de droga.
    Mas o mesmo aconteceu já nos anos 70 e 80, droga colombiana(controlada pelas várias agências, vendida nas Américas que era usada para alimentar guerrilhas paramilitares na Colômbia e na América central armar Nicarágua, Honduras, El salvador.
    …andando já bastou as confusões que criaram, querem mais.
    Depois foi Jugoslávia, Albânia & Kosovo(os maiores entreposto de armas à venda na Europa), Líbia, rev. Coloridas Síria, desabilitação do Cáucaso e tentativa só mesmo nas antigas repúblicas da Ásia Central da ex-URSS, Paquistão, Iemen etc…na África no sahel mais do mesmo. Entretanto armam e bem o país mais retrógrado A. Saudita (e artificialmente baixam os preços do petróleo até tentar rebentar ou estrangular quem não vai na sua música).
    Parte do plano falhou, na Ásia tirando as "democracias" do golfo e Geórgia são corridos ou hostilizados no Afeganistão.
    Sinceramente no meio de tanta loucura, a ideia ou seja guerras para fazer milhões a destruir reconstruir e meter fantoches no poder.
    O petróleo está a voltar ao normal, e no meio disto tudo tanto China como Rússia, Paquistão em parte a Índia e até Irão (próximo alvo mostram ter gente que não quer ser mais repúblicas das bananas) ou subserviente, se bem que o Macron(hoje) e se calhar a Merkel vão surpreender.

    nuno

    1. Quanto a Am. Latina e vendo no geral é o regresso ao passado, na Argentina o Macri vai perder as próximas eleicoes sem antes voltar a deixar aquilo bem endividado nas mãos do fmi.

      Um a um estão a voltar a ser tomados por interesses corporativos e de multinacionais e vergonhosamente vendidos, o povo, é cada um por sí.

      No Brasil é um caso de estudo: estão a fazer desmantelamento das construtoras a vender tudo a preço de saldo e não só é um processo de desidestrualizacao em tudo (até virar dependência externa quase total). E o petróleo que devia ser cotado em Reais, passam para dólares(sujeitos aos caprichos do mesmo), logo vão pagar mais pelos combustíveis e pior ao as refinarias que estavam em construção terem sido abandonadas e as que existem só refinanar 50% ou menos, ou seja o petróleo sai do pre sal é refinado nos EUA e volta para o Brasil. A solução era meter as refinarias a 100%, acabar de construir as muitas que estão inacabadas e seriam mais que auto suficientes e o preço baixo (na Venezuela é €0,1 ou 0,2 o litro). Ou podiam refinar na Venezuela(momentaneamente, mas Washington não quer) e/ou lugares mais cerca e em conta.
      Mas como estão a vender mais de 50% o lucro vai para as multinacionais.
      Mas se isso é para ser só venda de commodities(matéria prima), é um
      decrescimento brutal na vida do cidadão comum e das tres uma ou vira um país bananeiro é petróleo é electricidade e distribuição da mesma e até privatizar a água, ah e depois vão ter o fmi. Ou alguém um nacionalista e progressista põe aquilo na ordem ou mais tarde ou cedo uma guerra civil.
      Vi imagens ontem da greve dos caminhoneiros, isto é só o princípio.
      Ah e a culpa é do PT do que está preso sem provas* exceto a imaginação de um juízeco, conotado com os EUA e PSDB(oposicão), isso e que fizeram à Dilma.
      Isto deve ser efeito corealis Pobre de direita, pedidos de volta da ditadura enfim. Quem os via à 10 ou à 5 anos, protagonismo e prestígio nunca mais alcançado.
      E fazer algo que Nunca fez tirar mais de 30 milhões da pobreza,Sus a funcionar, investimento desemprego quase inexistente? E está é paga, realmente…Ou muitos são idiotas ou nem reparam que futuramente serão altamente prejudicados.
      E quem é o Temer para chamar alguma coisa ao Maduro, porque teve presos e os liberou e até concorreram nas eleições.
      Aí, a pessoa com mais intenções de voto está preso por (imaginação algo que pelo que vi nunca seria aceite em qualquer pais civilizado de um juiz que se passeia no hotel mais caro de Nova Iorque com o Doria (psdb) e o Parente (petrobras) e oces paga)
      Bela campanha de m***a que os media fizeram, e não é que caíram como uns PATOS AMARELOS.
      Peço desculpa pelo off topic, mas já é m***a a mais.
      E as pedaladas fiscais o desgoverno Temer já ultrapassou quantas vezes a suposta pedalada de Dilma e até a almofada para emergências vai acabar; logo fmi
      Cada um por vezes tem o que merece, mas não desejo obviamente, a maioria é boa gente mas nem argumentar sabe.
      Mas a média é a mesma de 1964, ao serviço da ditadura e do uncle sam
      Vai o deputado do raio privatizador*YouTube a solução de todos os males

      nuno, dupla nacionalidade pt/br

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