E se os hospitais produzissem os remédios?

Cansados da escassez de medicamentos e dos preços elevados, mais de 300 hospitais nos Estados
Unidos decidiram unir-se para criar uma empresa farmacêutica sem fins lucrativos.

Enquanto várias empresas do sector estão a ser investigadas nos Estados Unidos e na União Europeia por tentativas de manipulação do mercado genérico dos medicamentos, uma rede de hospitais nos Estados Unidos anunciou um plano simples quanto aparentemente eficaz: criar uma empresa farmacêutica sem fins lucrativos para a produção de medicamentos genéricos, com o objectivo de combater sobretudo os altos preços impostos pela indústria.
Além da poupança imediata, esta acção tem outro aspecto positivo: exercer pressão sobre algumas empresas que se dedicam à compra de medicamentos de baixo custo e que depois aumentam drasticamente os preços. Durante a última década, várias empresas adquiriram os direitos de medicamentos antigos, que têm um custo baixo: depois aumentaram drasticamente os preços, sobretudo no caso de medicamentos para os quais não há quase concorrência ao nível de
produção, como no caso das injeções de epinefrina. O preço de venda ao público deste medicamento aumentou cinco vezes em apenas 9 anos. Mas há casos bem piores: o exemplo mais notório é aquele de Martin Shkreli, o ex-gestor de fundos
hedge que em 2015 aumentou o preço do medicamento Daraprim desde 13,50
Dólares para 750 Dólares cada comprimido.

A criação de uma empresa sem fins lucrativos para a produção de medicamentos genéricos é uma ideia muito interessante e promissora: uma reação lógica de um consumidor, como é um hospital, diante de uma escalada de preços e da escassez não natural mas criada e imposta por algumas empresas farmacêuticas, com o objectivo de manter elevados os preços.

Se os medicamentos genéricos nasceram como remédio para combater os preços elevados, é verdade também que os produtores de tais fármacos demasiadas vezes constituem cartéis para acordar os preços de revenda. Um problema que nos Estados Unidos explodiu definitivamente em Outubro do ano passado, quando os procuradores-gerais de 45 Estados dos EUA apresentaram um documento acusando 18 empresas de chegar a acordos para dividir o mercado dos genéricos e corrigir, antecipadamente, os preços de 15 medicamentos diferentes.

E no Velho Continente as coisas não estão melhores: várias empresas farmacêuticas estão a ser investigadas com a acusação de “práticas abusivas”, incluindo o “recusar-se a fornecer certos medicamentos e aplicar preços excessivos”. É o caso da Aspen Pharma, que já em 2016 tinha sido alvo duma multa de cinco milhões de Euros por parte das autoridades italianas. Problema: uma multa de cinco milhões para uma empresa cujos lucros no mesmo ano chegam aos 300 milhões…

A rede de hospitais americanos é composta por quatro grupos: Intermountain Health, Ascension e os sistemas de saúde católicos, Trinity Health e SSM Healthest. Podem
contar com o apoio da Veterans Health Administration (VHA), o sistema de
saúde para veteranos do Exército dos Estados Unidos.

No entanto, a ideia destas instituições também recebeu algumas críticas: é o caso do especialista em mercado de produtos farmacêuticos, Derek Lowe, que num artigo publicado na revista Science frisa os problemas de regulamentação que esta nova empresa pode enfrentar: “Se essa empresa começar a produzir medicamentos genéricos, terá que pedir a autorização à FDA.

E, de facto, é assim: tudo passa pelo “funil” da Food and Drgus Administration (FDA), o ente governamental que supervisiona o mercado dos medicamentos nos Estados Unidos. E empresas na fila à espera duma autorização não faltam. A FDA já anunciou a intenção de simplificar os procedimentos para todas as empresas que estão a desenvolver projectos para aliviar a escassez de medicamentos genéricos. A lobby de Big Pharma permitirá?

Ipse dixit.

Fontes: The New York Times, Wikipedia, Science: Hospitals making drugs?, Pressenza 

3 Replies to “E se os hospitais produzissem os remédios?”

  1. Posso apostar que não terão autorização porque qualquer coisa que minimamente seja risco para o mercado farmacêutico, não passa.
    Exemplo daqui, a produção de um fármaco designado por Específico, eficaz como nenhum similar ou soro contra efeitos de contato com animais peçonhentos e venenosos que causam a morte em poucas horas. Esse produto cujo segredo de fabricação foi repassado de indígenas locais para os antepassados do produtor atual nunca obteve licença a não ser para ser vendido em agropecuárias, indicado para cavalos. Eu tenho em casa, eu uso se necessário. Evita a procura de soro antiofídico, tem efeito mais rápido e eficaz.
    Mas há coisas bem interessantes vinculadas a remédios por aqui.
    Por exemplo: nos idos de 1990 eu encontrei na internet algo que poderia manter sob controle as dores articulares. Era algo composto por condroitina e glicosamina que estava entrando no Brasil com o nome de Artroliv, a 2000 a moeda de então por aqui, um preço abusivo e que rapidamente conquistou o coração e as mentes das brasileiras.Depois de consumir alguns frascos com bons resultados para as cartilagens e péssimos para a carteira, encontrei a solução do uso de farmácias de manipulação. Não me perguntem porque o mesmo produto, nas mesmas quantidades passou a me custar uma quarta parte do custo e hoje é apenas 60 reais o frasco. Esse, como muitos fármacos, faz tempo, de tão comuns, são encontrados até nos supermercados norte americanos, e talvez nos europeus.
    Outro exemplo curioso: mais recentemente cheguei à conclusão que precisava alguma coisa que, rejuvenescendo as minhas células, me desse melhores condições de funcionamento do meu corpo e mente que, diga-se de passagem, são os únicos que tenho, logo preciso cuidar deles. Procurando, encontrei um pesquisador de fármacos, também médico. Passei a usar um produto caríssimo, mas que dava conta do meu interesse. E aí aprendi algo que me pareceu curioso, daí contar para vocês.
    No Brasil, não sei em outros lugares, existe 3 tipos de remédios:
    1. Os genéricos e alguns poucos mais já conhecidos pelas sua pouca eficácia e pelas consequências indesejáveis, a longo prazo. São uma lista bem grande a disposição dos pacientes do Serviço de Saúde universal e gratuito, O SUS.
    2. Os indicados pelos médicos (disponíveis para compra em farmácias) que atuam em consultórios e atendem pacientes que pagam planos de saúde ou esses médicos particularmente. O preço de uma consulta varia hoje entre 300 e 600 reais
    3. Pacientes, no linguajar corriqueiro dos médicos e, em especial, dos pesquisadores médicos, ditos "especiais", cujos remédios não têm visibilidade nas farmácias, nem deles se faz propaganda na Tv. São remédios especiais para pessoas "especiais", adquiridos em casas de fármacos especiais, a portas fechadas, caríssimos, mas altamente eficazes. Pessoalmente não sou aquela criatura que atendesse aos requisitos do paciente especial, mas reconheço que sou determinada e tenho sorte quando se trata da manutenção da minha velha carcaça.
    Vejam que até aí o poder seleciona quem deve morrer, quem deve viver doente, e quem deve ser "salvo"

  2. Oi Maria, gostei muito de seu comentario produtivo.
    Por gentileza fale mais de suas experiencias sobre esse tema, eu amo essa temática saúde.
    Vc tem informação sobre a medicina ortomolecular e o VegaTest?
    Vc ja usou a Osteopatia?
    O que vc usa em medicação para auxiliar na questão energética e metal?

Obrigado por participar na discussão!

%d bloggers like this: