A estrada da seda – Parte II

E a segunda parte do artigo sobre os Chineses na Grécia?
Ah, pois. É já a seguir.
No entanto, a primeira parte está aqui.

Boa leitura.

No entanto, a China que olha ansiosamente para as propriedades gregas não foi recebida com aprovação inequívoca. Os trabalhadores portuários entraram varias vezes em greve para protestar contra o acordo desde que foi debatido pela primeira vez em 2006, e posteriormente ficaram furiosos quando foi assinado com uma grande cerimónia e uma visita pessoal do Presidente Hu Jinato em Novembro de 2008.

Dizem que o porto estava a realizar lucros e, portanto, não precisava ser vendido; e declaram que os Chineses pagam os próprios trabalhadores apenas 50 Euros por dia, uma soma que, dado o desemprego galopante na Grécia, os trabalhadores do porto grego foram forçados a aceitar. Cosco recusou discutir os pagamentos e outros aspectos do projecto com o Sunday Telegraph.
“Querem matar de fome as pessoas que trabalham para uma tigela de arroz por dia”, diz Charalambos Giakoumelos, 53 anos de idade, que trabalha no porto há 22 anos.
Acrescenta Nick Vithoulkas , 55 anos:

Este deveria ter sido ser o ponta de diamante da recuperação económica grega, mas o governo vendeu tudo ao preço dum pedaço de pão. Cosco chegou e o governo grego vendeu fora tudo.Não afecta apenas o porto, foram mais longe. Meu filho tem 26 anos e eu já disse que deveria deixar este País. Aqui não há futuro.

Desde que Cosco assumiu o controle da área do Cais Dois, a autoridade portuária do Pireu (de propriedade estatal) foi restrita ao Cais Um, que é menor e menos profundo, portanto inadequado a receber os navios de maior porte.

“É como se tivessem criado um supermercado ao lado da nossa mercearia”, afirma Nouhoutides. “Como podemos competir?” No entanto, muitos na Grécia, acreditam que a chegada da China era precisa na claudicante economia.

Diz Nikolaos Arvanitis, presidente da International Maritime Union, a organização que representa as companhias de navegação principais, incluindo Cosco:

É um incentivo para o nosso desenvolvimento, a Grécia necessita de investimentos. Os Chineses vêm com boas intenções e estamos abertos a quem quiser investir aqui. As nossa velhas formas de trabalho estavam realmente obsoletos. Agora podemos realmente avançar e melhorar a economia grega. Não há nada a temer, os Chineses estão aqui para desenvolver a nossa infraestrutura. É um projecto benéfico para ambas as partes.

O porto poderia ser só o início das ambições chinesas na Grécia. Até o final do ano espera-se que a China faça uma oferta conjunta com uma empresa grega para a criação dum centros logísticos no valor de 200 milhões de Euros em Attica, perto do porto, para a entrega de bens chineses nos Balcãs e no resto do continente. Os chineses também estão em negociações para comprar uma parte da ferrovia estatal. Com a posição estratégica do Pireu, perto do Bósforo, o porto também fornece um caminho para a região do Mar Negro, Ásia Central e Rússia.

Embora os Chineses estejam, sem dúvida, envolvidos nos assuntos de Atenas, a presença física deles no território é muito limitada.

No bairro pobre dos imigrantes de Omonia, onde hipermercados chineses de mau gosto vendem bijutaria de plástico, utensílios domésticos e roupas de nylon, os poucos Chineses nas ruas dizem que nunca ouviram falar da Cosco, aceleram e desaparecem. Os noodle bar chineses ainda não substituíram as tavernas gregas que prosperam ao longo das estradas.

Os funcionários da companhia de navegação Cosco, num bloco de escritórios com vista para o terminal de passageiros do navio de cruzeiro, diz que dos 45 membros da equipa apenas o director e o director financeiro são chineses. Nos escritórios dos terminal portuários, dos 250 membros do pessoal apenas 10 funcionários administrativos e de gestão são chineses.

Mas os Chineses estão a deixar marcas na Europa, e com os seus bolsos aparentemente sem fundo e ambições sem limitação, parecem ficar perto do sucesso. Jiafu Wei, director da Cosco disse numa recente entrevista na televisão grega Skai :

Eu vim aqui para ajudar a colocar o porto do Pireu na sua posição original. Espero que dentro de um ano, se torne o primeiro porto de contentores do Mediterrâneo. Temos um ditado na China, ‘Constrói o ninho da águia e a águia virá”. Nós construímos este ninho no vosso País para atrair águias chinesas. É esta a nossa contribuição para a vossa economia.

Acaba aqui o artigo do inglês Telegraph, cuja primeira parte pode ser encontrada neste link.

Fonte: Telegraph
Tradução: Informação Incorrecta

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